sexta-feira, 8 de junho de 2018

A comprativa*

* Hoje no Jornal do Centro


1. No documentário sobre a ocupação durante a reforma agrária da “Torre Bela”, uma das maiores herdades do país, há um diálogo célebre em que o líder tenta convencer um trabalhador que a sua enxada já não é mais dele mas da cooperativa.

Enxuto de carnes e desconfiado, o Zé Quelhas teima: «a farramenta é minha, não é da comprativa»; e prevê: «daqui a nada também o que eu visto e o que eu calço é da comprativa (…) e eu fico nu.»

Karl Marx não percebeu a natureza humana tão bem como o Zé Quelhas.

2. A multiplicação de eventos borliantes, promovidos directa ou indirectamente pelo município de Viseu, descura a medida do impacto dos mesmos e do retorno dos dinheiros públicos envolvidos. Impede também que se gere um mercado, com público habituado a pagar o seu bilhete.

Há que criar esse hábito até porque o concelho tem já muitas pessoas a trabalharem na cultura e que precisam que ela tenha sustentabilidade.

Dessa pecha não pode ser acusada a exemplar “comprativa” Acrítica/Carmo'81. Está a realizar o multidisciplinar e desafiante “Solos & Solidão”, dedicado em Junho ao teatro. Este fim-de-semana leva ao palco, no Carmo'81 (sete euros) e em Mundão (quatro euros), “Um esqueleto de baleia na casa dos avós”, de Leonor Keil, Rui Catalão, Bruno Pernadas e Cristóvão Cunha.


Editada a partir daqui
3. Tramitado o concurso “Viseu Cultura'2018”, deixo duas sugestões de aperfeiçoamento ao vereador da cultura Jorge Sobrado:

— promova só mais um concurso trienal que abranja o resto deste mandato autárquico (2019, 2020, 2021), com calendário decisional até ao fim deste ano;

— reserve os bons milhares de euros que poupa ao fazer este três-em-um para aplicar em projectos que entenda responderem ao interesse público; um eleito não precisa de se esconder atrás de um júri; não repita a tosquice deste ano em que pertenceu a um júri que atribuiu 17 valores, numa escala de 0 a 20, no critério “histórico do promotor”, a um que tinha... dias de existência.

1 comentário:

  1. “There's a starman waiting in the sky”.
    Estamos a criar uma Viseu tipo parque de diversões?
    É pá, deslarguem-me! Chegou o Prometido!

    David Bowie – Starman
    https://youtu.be/tRcPA7Fzebw

    Seu Jorge – Starman
    https://youtu.be/rZsvPey3NOc

    ResponderEliminar