O profissional, o ladrão e o sacana
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sábado, 13 de abril de 2019
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Ela tinha uma amiga
Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que era quem me atendia quando eu telefonava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia para dizer que não estava
E quando eu insistia, e não desligava
Era sempre a Maria
Que me mentia e me consolava
E perguntava o que é que eu lhe queria
Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que nunca sabia por onde ela andava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
De quem se servia quando me enganava
E quando eu lá ia, e não a encontrava
Era sempre a Maria
Que me dizia que ela não tardava
Que me jurava que ela voltaria
Quando eu ia buscá-la, e a gente saía
Era sempre a Maria que nos animava
Quando eu a convidava, e ela não queria
Era com a Maria que eu sempre dançava
E quando eu inventava uma melodia
Era sempre a Maria
Que me aplaudia, e ela não ligava
E eu ficava a cantar prá a Maria
No cinema, no escuro, quando eu a beijava
Ela empalidecia, a Maria corava
Ela não me ligava e adormecia
E era com a Maria
Que eu conversava
E que eu ficava quase até ser dia
Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia p’ra dizer que não estava
Até que outro dia ela me telefonou
E eu disse: Maria...
E eu disse: Maria!
E eu disse: “Maria, vai dizer que eu não estou!”
Letra: Manuela de Freitas
Música: José Mário Branco
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Os maridos das outras
![]() |
| Fotografia de Mariya Georgieva |
Toda a gente sabe que os homens são brutos
Que deixam camas por fazer
E coisas por dizer.
São muito pouco astutos, muito pouco astutos.
Toda a gente sabe que os homens são brutos.
Toda a gente sabe que os homens são feios
Deixam conversas por acabar
E roupa por apanhar.
E vêm com rodeios, vêm com rodeios.
Toda a gente sabe que os homens são feios.
(...)
sábado, 6 de abril de 2019
terça-feira, 26 de março de 2019
A namoradinha de um amigo meu
![]() |
| Fotografia de Tony Clark |
Estou amando loucamente
A namoradinha de um amigo meu
Sei que estou errado
Mas nem mesmo sei como isso aconteceu
Um dia sem querer olhei em seu olhar
E disfarcei até pra ninguém notar.
Não sei mais o que faço
Pra ninguém saber que estou gamado assim
Se os dois souberem
Nem mesmo sei o que eles vão pensar de mim
Eu sei que vou sofrer mas tenho que esquecer
O que é dos outros não se deve ter
Vou procurar alguém que não tenha ninguém
Pois comigo aconteceu
Gostar da namorada de um amigo meu.
domingo, 17 de março de 2019
Crítico
![]() |
| Fotografia Olho de Gato |
Eis que me veio uma visita
do tipo – achei – que não me irrita.
O meu jantar não era chique,
mas ele comeu tanto, ali, que
não sobrou nada em casa; e quando
notei-o quase arrebentando,
o Demo o fez sair só para
cuspir no prato em que jantara:
“A sopa estava um arremedo;
a carne, crua; o vinho, azedo”.
Que morra paralítico!
Com mil demónios! Era um crítico.
Goethe
Trad.: Nelson Ascher
terça-feira, 12 de março de 2019
Episódio sentimental
![]() |
| Fotografia de Mathias Huysmans |
No terreiro tinha o mamoeiro só,
Na casa tinha a moça só.
E a moça era minha namorada...
A moça cantava
De dia e noite.
Às vezes dançava...
Se os mamões eram verdes,
Ela era verde.
Se os mamões eram amarelos,
Ela era amarela.
Mas eu cogitava nos seios da moça...
Seriam tetas? Seriam mamões?
Estariam verdes? Estariam maduros?
Chegavam pássaros,
Bicavam os mamões:
Se estavam verdes, esguichavam leite
Se estavam maduros, corria açúcar.
E nos seios da moça
Ai! Ninguém bicava...
Um era amarelo: teria açúcar?
Um era verde: teria leite? (Meus Deus, ela é virgem!)
O mamoeiro crescia,
A moça crescia,
Meu amor crescia,
A moça dançava
E os seios subiam,
Eu namorava
E os mamões caíam...
Os pássaros vinham,
Os dias fugiam...
Ela dançou tanto que os seios caíram...
Seriam seios? Seriam mamões?
Depois o Bicho Urucutum comeu o mamoeiro...
Comeu de mansinho
O tronco e raízes,
Os mamões e as tetas
(O Bicho Urucutum era enorme e vagaroso!)
Ela nunca mais dançou
Eu nunca mais olhei
Nosso amor se acabou.
Pedro Nava
Detalhes aqui, pp 68-70
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Mentirosa, barraqueira, fofoqueira
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| Fotografia de Radu Florin |
Tá espalhando pra galera que tudo acabou.
Que foi tempo perdido a história que a gente viveu.
Ainda diz pra todo mundo que você que terminou.
Mentirosa! Quem terminou fui eu.
Falou pra todo mundo que não sou mais nada
Mas no mesmo dia, me liga de madrugada, me querendo, me implorando
Tá fazendo plantão na porta da minha casa.
Mentirosa, barraqueira, fofoqueira
Cê fica tirando onda com a minha cara, se achando.
Mentirosa, barraqueira, fofoqueira.
Foi você quem deu bobeira quando estava me enganando.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Queijo*
* Hoje no Jornal do Centro
1. Antes de irem de fim-de-semana, os deputados fizeram uma resma de votações sobre portagens: desactivação de um pórtico em Aveiro, embaratecimento de dois troços na zona de Coimbra, abolição de portagens nas A22, A23, A24, A25, A28, A29, A41 e A42.
Ora, tudo aquilo foi um teatro para deixar tudo na mesma. Se os deputados julgam que com este faz-de-conta ficam melhor no retrato, estão muito enganados.
Ainda por cima, pelas votações socialistas desiguais, percebe-se que alguns deputados rosa votaram a “favor” da abolição das portagens nas auto-estradas do seu distrito, mas a “desfavor” nas outras. Uma palhaçada.
2. No sábado e no domingo, realizou-se a Feira do Pastor e do Queijo, de Penalva do Castelo, a primeira, a melhor de todas as feiras do queijo da serra que nos enche o corpo de prazer e de colesterol. Se houvesse justiça, o prazer era para nós e o colesterol para os deputados que nos quiseram tanguear na véspera.
A feira esteve magnífica, acampada numa tenda gigante que protegeu da intempérie Rosinha e as suas coristas, enquanto elas descreviam a pulsão macha para a “coentrada”...
... e a arte de “descascar a banana”, para não falar nos condimentos do “refogado” do Quim Barreiros.
Rezam as crónicas, eu não vi mas li algures, que o ainda-ministro-das-obras-cativadas e futuro eurodeputado Pedro Marques também lá esteve a degustar queijo e, depois, com o coração amanteigado, prometeu que este ano havia um avanço nas muito esperadas obras na rua com trânsito de caracol que liga Viseu ao Sátão.
O problema é que o ainda-ministro Pedro Marques descaiu-se. Afinal, depois de tanto tempo passado e tanta conversa, o projecto ainda está para conclusão. Logo, se está para conclusão, conclui-se que ainda não está concluído. Logo, afinal, ainda não vai acontecer nada este ano naquela rua.
O que vale ao ainda-ministro-das-obras-de-papel é que o que se diz enquanto se mastiga queijo é para esquecer.
1. Antes de irem de fim-de-semana, os deputados fizeram uma resma de votações sobre portagens: desactivação de um pórtico em Aveiro, embaratecimento de dois troços na zona de Coimbra, abolição de portagens nas A22, A23, A24, A25, A28, A29, A41 e A42.
Ora, tudo aquilo foi um teatro para deixar tudo na mesma. Se os deputados julgam que com este faz-de-conta ficam melhor no retrato, estão muito enganados.
Ainda por cima, pelas votações socialistas desiguais, percebe-se que alguns deputados rosa votaram a “favor” da abolição das portagens nas auto-estradas do seu distrito, mas a “desfavor” nas outras. Uma palhaçada.
2. No sábado e no domingo, realizou-se a Feira do Pastor e do Queijo, de Penalva do Castelo, a primeira, a melhor de todas as feiras do queijo da serra que nos enche o corpo de prazer e de colesterol. Se houvesse justiça, o prazer era para nós e o colesterol para os deputados que nos quiseram tanguear na véspera.
A feira esteve magnífica, acampada numa tenda gigante que protegeu da intempérie Rosinha e as suas coristas, enquanto elas descreviam a pulsão macha para a “coentrada”...
... e a arte de “descascar a banana”, para não falar nos condimentos do “refogado” do Quim Barreiros.
Rezam as crónicas, eu não vi mas li algures, que o ainda-ministro-das-obras-cativadas e futuro eurodeputado Pedro Marques também lá esteve a degustar queijo e, depois, com o coração amanteigado, prometeu que este ano havia um avanço nas muito esperadas obras na rua com trânsito de caracol que liga Viseu ao Sátão.
O problema é que o ainda-ministro Pedro Marques descaiu-se. Afinal, depois de tanto tempo passado e tanta conversa, o projecto ainda está para conclusão. Logo, se está para conclusão, conclui-se que ainda não está concluído. Logo, afinal, ainda não vai acontecer nada este ano naquela rua.
O que vale ao ainda-ministro-das-obras-de-papel é que o que se diz enquanto se mastiga queijo é para esquecer.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Sexta-feira, dia 13*
* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 13 de Fevereiro de 2009
Esta edição do Jornal do Centro sai em dia aziago – hoje é sexta-feira, dia 13, um dia de azar.
Cara leitora, caro leitor, hoje não é bom dia para jogar no euromilhões. Devia ter jogado ontem. Até a Maya, de rotundidades tão recentes, lhe contaria o saber antigo que nos diz que uma sexta-feira, dia 13 é um dia impropício, um dia com perigos redobrados mesmo para quem não acredita em bruxas, pero que las hay, hay.
À cautela, cara leitora e caro leitor, não passe debaixo de uma escada, nem abra o guarda-chuva dentro de casa, nem preencha hoje o seu IRS embora se o fizer depressa e o enviar pela internet, o ministro Teixeira dos Santos vai ter isso em especial consideração.
Um conselho: dê três pancadas na madeira mas como deve ser, na parte debaixo do tampo da mesa. Tem uma mesa de vidro?!?! Não devia. Compre uma de madeira. Mas não a compre hoje, hoje é sexta-feira, dia 13.
Se vir uma aranha não rejubile porque não, não é sinal de dinheiro. Aranha dá dinheiro, sim, mas em todos os dias menos neste.
Para aonde vai com essa ferradura e o martelo? Pregá-la na sua porta por causa dos ladrões e dos maus espíritos? Boa ideia, mas guarde essa carpintaria para amanhã.
Ainda bem que o Olho de Gato não é um gato preto mas, mesmo assim, uma crónica neste dia é imprudente.
É que escrever neste dia é impropício, como tão bem explica Maya que nunca faz plásticas redondas numa sexta-feira, dia 13.
Uma coisa pode a cara leitora e o caro leitor fazer este serão, mas – atenção! - só depois da meia-noite. Antes de ir dormir, escreva um poema para o seu amor (ou escolha um de Eugénio ou de Drummond de Andrade).
É que amanhã já não é sexta-feira, dia 13.
Amanhã é dia de namoração.
Esta edição do Jornal do Centro sai em dia aziago – hoje é sexta-feira, dia 13, um dia de azar.
Cara leitora, caro leitor, hoje não é bom dia para jogar no euromilhões. Devia ter jogado ontem. Até a Maya, de rotundidades tão recentes, lhe contaria o saber antigo que nos diz que uma sexta-feira, dia 13 é um dia impropício, um dia com perigos redobrados mesmo para quem não acredita em bruxas, pero que las hay, hay.
À cautela, cara leitora e caro leitor, não passe debaixo de uma escada, nem abra o guarda-chuva dentro de casa, nem preencha hoje o seu IRS embora se o fizer depressa e o enviar pela internet, o ministro Teixeira dos Santos vai ter isso em especial consideração.
Um conselho: dê três pancadas na madeira mas como deve ser, na parte debaixo do tampo da mesa. Tem uma mesa de vidro?!?! Não devia. Compre uma de madeira. Mas não a compre hoje, hoje é sexta-feira, dia 13.
Se vir uma aranha não rejubile porque não, não é sinal de dinheiro. Aranha dá dinheiro, sim, mas em todos os dias menos neste.
Para aonde vai com essa ferradura e o martelo? Pregá-la na sua porta por causa dos ladrões e dos maus espíritos? Boa ideia, mas guarde essa carpintaria para amanhã.
Ainda bem que o Olho de Gato não é um gato preto mas, mesmo assim, uma crónica neste dia é imprudente.
É que escrever neste dia é impropício, como tão bem explica Maya que nunca faz plásticas redondas numa sexta-feira, dia 13.
Uma coisa pode a cara leitora e o caro leitor fazer este serão, mas – atenção! - só depois da meia-noite. Antes de ir dormir, escreva um poema para o seu amor (ou escolha um de Eugénio ou de Drummond de Andrade).
É que amanhã já não é sexta-feira, dia 13.
Amanhã é dia de namoração.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
sábado, 19 de janeiro de 2019
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
sábado, 5 de janeiro de 2019
"And Now For Something Completely Different" (#224)
O gato vai embora mal Özgür Baba começa a cantar
Os bípedes bicudos ficam até ao fim
Os bípedes bicudos ficam até ao fim
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Ano novo
Virás de manto realmente novo
Entre searas ardentes e mãos puras?
Poderemos enfim chamar-te novo,
Ano novo entre as tuas criaturas?
Deceparás enfim as mãos tiranas?
Será feita, enfim, nossa vontade?
Eu queria acreditar, vozes humanas,
Acreditar em ti, deus da verdade!
Como eu queria trazer-te a este mundo
(Mas onde te escondeste? Desde quando?)
Ó deus livre, sem espinhos, ó fecundo
Senhor do fogo alegre e não do pranto!
Ó ano novo, a minha esperança é cega.
Transforma em luz a nossa própria treva.
Alberto de Lacerda
sábado, 29 de dezembro de 2018
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
sábado, 22 de dezembro de 2018
"And Now For Something Completely Different" (#222)
Ontem, o horror, o drama, o suspense, os coletes amarelos
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Aral / Kyoto Sanga F. C.
![]() |
| Marco DaSilva, “El Negrito” (2018) |
se me sinto/sento como moby-dick à mesa do jantar, à hora do
café, no jardim
se me sinto/sento como moby-dick/jesus/tolstói
à hora do jantar, no café, à mesa do jardim
se você
fatia sementes e passa geleia ou manteiga
no pão
e se me sento/tento
disfarçar/não atropelar idosos/sinto dores
no menisco
e se o entregador de água da JL Cunha da regata vermelha
é mais veloz e forte
do que eu
(do que nós)
– e ele é –
e a geleia de damasco chega ao fim todas as quartas-feiras
do mesmo mês
e se marimbondos
constroem casas
nas janelas
e o cheiro da grama cortada atravessa a praça
no caminhão de mudanças
e se pode ser que eu vá à praia ou pode ser que não
e se me sento pra escrever/pedalar/almoçar/escrever/pedalar/almoçar todos os dias
e como Matsui tenho pensamentos
que não são
dele
e se no universo não existem
estatísticas
(e se
não podemos acreditar em ideias
nas quais os músculos não tenham
festiva parte) –
se alguém ordena sons
enquanto um outro lê
galáxias num sofá em Sangha
se alguém quer
que o mundo acabe
quando tudo ainda está
bem
ou quando só sobrou a gente
sobre a pedra-
cicatriz
e se é tão fácil
de imitar você
e se você
é uma máquina
de falar/pensar/imitar
um poema se você
é uma máquina
de imitar/falar/pensar em máquinas
que imitam/pensam/falam
poemas e legendam
o mundo
de um modo horrível
e se tudo isso for só
isso mesmo se tens toda
a razão – se também machuco o peito
na última virada
e como
Zoroastro
numa torre
do silêncio
em ruínas
pratico a arte de fazer
loops
e então me sinto/sento
como um grande corpo–d’água
à beira do dique, em Kokaral
e se me sinto/sento
com as contribuições lexicais
do Kimbundo
num oásis em Ghutah
e o ovário/vórtice que conecta tudo
conecta
uma aresta que existe
a uma outra
que não existe
e a grande diferença entre tudo/todos
entre Jorge Contreras & nós
é que Jorge Contreras era só um cara
com quem meu pai jogava xadrez num bar chamado La Luna Agata,
no México
e nós amamos o Camboja,
daqui.
Catarina Lins
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