Mostrar mensagens com a etiqueta Presidenciais 2011. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Presidenciais 2011. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Cenários*

* Publicado no Jornal de Centro há exactamente dez anos, em 18 de Dezembro de 2009

No próximo ano, o governo vai aprovar o orçamento com a direita e o casamento homossexual com a esquerda. O resto, que para aí se fala, é treta.

Faltam treze meses para as presidenciais.

Tudo indica que Cavaco Silva se vai recandidatar e vai ter o apoio de toda a direita. Cavaco tem feito um mau mandato e pode ser o primeiro presidente não reconduzido pelo voto dos portugueses. É derrotável pela esquerda, embora não seja fácil.

Neste tipo de eleições, na primeira volta escolhe-se e na segunda rejeita-se. Explico: na primeira volta o eleitor escolhe o candidato mais do seu agrado e na segunda volta rejeita o finalista que mais lhe desagrada (na hipótese, bem entendido, do seu favorito ter ficado pelo caminho).

O pior que pode fazer a esquerda é ir com um candidato único. Há três partidos à esquerda e cada um deve apresentar o seu candidato. 

Depois, o melhor deles disputa a segunda volta com Cavaco Silva.

O país está metido num sarilho. É necessária clareza na política. O PS não pode ir às presidenciais de braço dado com a agenda estéril da extrema-esquerda.

Eis os candidatos ideais e mais fortes para umas presidenciais clarificadoras:
- à direita, (i) Cavaco Silva;
- à esquerda: (ii) Carvalho da Silva, apoiado pelo PCP; (iii) Manuel Alegre, apoiado pelo bloco de esquerda; e (iv) Jaime Gama, apoiado pelo PS (é sabido que Guterres não deixa a ONU e Vitorino não desgruda dos negócios).

Parece certo o apoio do bloco a Manuel Alegre.

O PCP receia a independência de Manuel Carvalho da Silva e, por isso, vai preferir um geronte qualquer do comité central.

Por sua vez, o PS se se misturar numa campanha alegre com o bloco, vai perder o eleitorado central, e oferecer numa bandeja o segundo mandato a Cavaco Silva.

Imagem daqui

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

História*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 3 de Fevereiro de 2006


1. O que se segue não tem nada de original mas, às vezes, é necessário recordar factos básicos da história dos povos:

Em 1945, Winston Churchill tinha levado a Inglaterra à vitória sobre Adolf Hitler. Churchill, na altura já com mais de 70 anos, tinha resistido e vencido a máquina assassina da Alemanha nazi. Com “sangue, suor e lágrimas”, a barbárie foi derrotada e erradicada da Europa. (Regressaria com Milosevic e o colapso da Jugoslávia, nos anos 90 do século XX, mas isso já é outra história.)

Regressemos ao fim da II Guerra Mundial. Ainda fumegavam os canos dos canhões, quando houve eleições gerais na Inglaterra. Foi uma campanha entre Winston Churchill, do Partido Conservador, e Clement Atlee, do Partido Trabalhista. Apesar de tudo o que tinha feito durante a guerra, Churchill perdeu e Atlee ganhou.

É assim a democracia. O povo escolhe e há que respeitar a vontade do povo. Passados 60 anos, poucas pessoas saberão quem foi Clement Atlee mas toda a gente sabe quem foi Churchill.

2. É verdade que Mário Soares teve um péssimo resultado. Não é só nos sectores da direita mais troglodita que se vê uma mal disfarçada alegria pela “humilhação” que Mário Soares teve no dia 22 de Janeiro.

Especialmente a quem está tão divertido quero lembrar que, até agora, só há três nomes que vão ficar na História da República Portuguesa: Afonso Costa, Oliveira Salazar e Mário Soares. O que aconteceu agora, em Janeiro de 2006, ficará como uma mera nota de rodapé na biografia de Mário Soares.

3. Manuel Alegre deixou que lhe fizessem uma estátua em vida. 

A estátua está, algures, em Coimbra. 

Quem deixa que lhe façam uma estátua em vida tem o ego avariado. 

Não voto em gente com o ego avariado. 

Fica feita já a minha declaração de voto para 2011.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Presidenciais — 2011 e 2016*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



1. Em 24 de Janeiro de 2011, no dia a seguir à segunda vitória de Cavaco, José Sócrates, muito bem-disposto, chamou Mário Soares a S. Bento:

«Ó Mário, acabámos com aquele &ß#Ω$§!»

«Eh pá, não gosto disso. Palavra que não gosto disso, não é bonito, não diga isso.»

«Eh pá, mas ele estava na merda, eu nunca o vi assim.»

«Pode ter estado, mas não se esqueça que o Alegre pode ter defeitos mas também tem os seus méritos.»

Mário Soares contou isto numa entrevista a Joaquim Vieira, autor da biografia “Mário Soares, Uma Vida”. Passaram cinco anos. Não precisamos da transcrição de nenhum diálogo entre António Costa e Carlos César ou Ana Catarina Mendes para intuirmos que o primeiro-ministro ficou muito contente com o colapso eleitoral de Maria de Belém.

Portanto: em duas presidenciais seguidas, tivemos dois secretários-gerais socialistas satisfeitos com o afundanço eleitoral de dois seus destacados militantes. Esta esquizofrenia do PS tem-lhe dado derrotas eleitorais nada “poucochinhas”, ora um pouco acima ora um pouco abaixo dos 30%. Nenhuma “geringonça” consegue esconder esta fragilidade política. E ética.

Fotografia daqui
2. Marcelo Rebelo de Sousa ganhou à primeira volta. Sem surpresa. Estas eleições foram civilizadas, ao contrário das de há cinco anos.

Desta vez, até o voto anti-sistema foi para um candidato amável: Vitorino Silva. Tino de Rans ficou em sexto a nível nacional e foi quarto no distrito de Viseu. Em Cinfães e S. João da Pesqueira, o grande Tino arrebatou 8,5% e a medalha de bronze.

A votação de Sampaio da Nóvoa, tal como a de Fernando Nobre de há cinco anos, não vai servir para nada. Os resultados de Marisa Matias (muito bons) e Edgar Silva (péssimos), os outros candidatos da “geringonça”, também não acrescentam nada.

O emprego de António Costa nunca dependeu das presidenciais. Para já, ele depende, acima de tudo, da credibilidade que a “Europa” e os mercados vão dar à folha-de-cálculo de Mário Centeno.

domingo, 22 de novembro de 2015

A seguir ao sadismo de Eanes, o de Cavaco?

Já fiz aqui em Junho um balanço da presidência de Cavaco Silva num texto intitulado “Poder Moderador”. Para quem não quiser clicar no título para rever aquele texto repito alguns dos argumentos.

Cavaco Silva esteve muito bem na crise “irrevogável” de Julho de 2013: “fritou” Paulo Portas, impediu que o país se tornasse numa nova Grécia e ainda deu uma mão a Seguro. Este, coitado, não a soube ou não pôde aproveitar, se tivesse sabido era hoje primeiro-ministro.

Contudo, tendo estado bem naquela crise de há dois anos, tem que se fazer um balanço negativo dos dois mandatos de Cavaco Silva porque falhou nas duas principais funções da presidência da república:

(i) não foi a “válvula de escape” do regime, nem no primeiro mandato durante o socratismo, nem no segundo durante o passismo;

(ii) falhou no segundo mandato como factor de unidade nacional por se ter deixado cegar pelo ódio, depois das campanhas sujas do poeta Alegre e do madeirense Coelho.

Chegados aqui, e para não alongar muito este post, vamos agora ao caso que Cavaco tem entre mãos — a indigitação ou não do derrotado líder socialista para primeiro-ministro.

Cavaco está a arrastar os pés. Não tenho a certeza se ele se está a divertir com o caso. Ele divertiu-se quando lançou os discursos amassadores de vento de Sampaio da Nóvoa num 10 de Junho (para os mais esquecidos, Cavaco é o criador de Nóvoa), ele divertiu-se a "fritar" o antigo director de “O Independente” (Cavaco, como se sabe, não perdoa nunca).

Pode haver agora um pouco de diversão: a nossa situação não é tão grave como em 2013 em que estávamos com um terço do plano de resgate por fazer e não havia ainda a ajuda do “quantitative easing” do BCE para o financiamento do estado. Agora a emergência não é tão grande e o sr. Centeno, com a sua elástica folha de cálculo, não alevantará as golas a Dijsselbloem, nem acachecolará Lagarde, nem fará tremer os joelhos da Merkel, para desgosto da sra dona Catarina Martins, que se julga a nova dona-disto-tudo", e para infelicidade dos “jovens turcos” socialistas que já se sonham sentados em BMWs pretos do estado, para alegria do blogue “Ladrões de Bicicletas”.

Indo ao ponto: Cavaco foi um mau presidente da república mas já tivemos um pior que ele — Ramalho Eanes que se entretinha a derrubar governos e até fundou um partido aproveitando o descontentamento dos eleitores durante a nossa segunda bancarrota.


Fotografia daqui

Nos dez anos de presidência de Ramalho Eanes houve nove governos. Quando eles não caíam no parlamento, era Eanes que os deitava abaixo.

Recordo uma comunicação especialmente sádica de Ramalho Eanes em que ele se alongou, parágrafo após parágrafo, a listar os convenientes e os inconvenientes de manter ou não um determinado governo, não me lembro de qual, foram tantos e já passaram tantos anos...

Lembro-me que foi um discurso cubista, em que Eanes se atardou a descrever todas as perspectivas do problema: “se por um lado o senhor primeiro-ministro é bom, por outro lado o senhor primeiro-ministro é mau”. Isto longos e longos minutos, de forma que o povo e as elites que o ouviam, naquele longos minutos se perguntavam, “afinal, o governo cai ou não cai?”, e Eanes, sádico, hitchcockiano, lá prosseguia “se por um lado blá blá blá... branco, por outro lado blá blá blá... preto”, e o povo a mexer-se nas cadeiras e os jantares a arrefecerem. Até que por fim e na última frase do último parágrafo — o grande Eanes lá disse: “decidi dissolver a assembleia da república e convocar eleições antecipadas”.

Não sei se Cavaco se está a divertir, repito. Talvez não esteja, pelo menos não está tanto como em 2013. Para a próxima semana ele vai fazer uma comunicação ao país. Na altura, a direita terá mais razões para tremer do que a esquerda. Tudo o que Cavaco disser ou fizer tem potencial para ser tóxico para a direita e dar cimento à esquerda.

Cavaco não vai fazer um discurso cubista nem uma eanice tipo “por um lado... branco, por outro lado... preto”. Mas tem matéria entre mãos para ser sádico: basta-lhe descrever com algum detalhe as fragilidades e inconsistências dos “papéis” assinados pelas esquerdas, que são de facto uma vergonha — ficam-se por uma lista de medidas para aumentar a despesa e diminuir a receita e não têm nem uma única palavra sobre as nossas responsabilidades na “Europa”.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Poder moderador*

*Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. A dita "lei da cópia privada" foi aprovada na assembleia da república, vetada pelo presidente, mas, depois, o parlamento decidiu reconfirmar o diploma. Cavaco Silva, nos termos constitucionais, mesmo discordando teve que o promulgar.

Num regime semi-presidencial como o nosso, o PR exerce o poder moderador que, nas monarquias constitucionais, é atribuído ao rei. 



O PR/rei pode vetar uma lei, salvando com esse veto a sua face, e essa lei é na mesma aplicada se for essa a vontade do poder legislativo.

2. Cavaco esteve bem no caso das "cópias privadas" e esteve muitíssimo bem no problema mais agudo que teve que resolver nos seus dois mandatos quando recusou a demissão "irrevogável" de Paulo Portas, em Julho de 2013, em pleno programa de resgate. Se esta demissão tivesse sido aceite, Portugal ficava num trilho político parecido com o grego.

Contudo, o balanço global dos dois mandatos de Cavaco Silva é negativo porque falhou nas duas funções principais do poder moderador:

(i) um PR deve ser a válvula de escape do "vapor" acumulado pela conflitualidade política; um PR deve ouvir e dar voz aos "perseguidos" e aos "vencidos" pelos governos. Ora, Cavaco ao "mata" de Sócrates disse sempre "esfola" (que o digam os professores no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues); ora, Cavaco ao "mata" de Passos "esfolou" ainda mais depressa;

(ii) um PR deve ser um símbolo e um factor de unidade nacional e Cavaco Silva não o conseguiu ser no seu segundo mandato; tudo começou logo na noite da segunda vitória quando ele não teve grandeza para ultrapassar a campanha sujinha feita pelo poeta Alegre e o tiririca Coelho da Madeira.

3. Estas duas funções presidenciais serão bem exercidas por Marcelo Rebelo de Sousa. O feitio crispado de Rui Rio parece mais à vontade em matéria de unidade nacional do que como "válvula de escape" do regime. Sampaio da Nóvoa, pelo que se tem percebido, nem numa coisa nem noutra.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Arqueologia da bancarrota de 2011

Ao longo do ano de 2010, a república portuguesa viu o seu acesso aos mercados a ficar cada vez mais caro e difícil. O seu rating foi trambolhando enquanto o então primeiro-ministro, José Sócrates, ia fazendo PECs a seguir a PECS, e ia adjudicando obras-públicas à Mota Coelho Espírito Santo Engil e à Lena.

A conversa dos papagaios das televisões, durante todo aquele ano, não passou nunca de variações em dó menor acerca dos maus fígados das empresas de rating que se tinham mancomunado com os senhores do universo para fazer mal ao país. Isto é, o país não estava informado de que já não havia dinheiro para pagar os défices que, então, atingiam dois dígitos. 

Ao mesmo tempo, e em desespero, o chefe do governo de então corria a pedir dinheiro, em vão, aos kadhafis deste mundo.

O país estava bloqueado politicamente, com um governo minoritário em negação e cheio de pensamento mágico, com o primeiro-ministro, tal qual a Maya, a apelar às "energias positivas" e um presidente da república, sempre timorato, a assistir a toda esta degradação e bloqueio apenas preocupado com a sua reeleição.

Depois de uma das campanhas eleitorais mais lamentáveis da história da terceira república, Cavaco lá foi reeleito no início de 2011.

Fernando Teixeira dos Santos, em Abril, não aguentou mais e pediu o resgate, quando os cofres públicos já só tinham 300 milhões de euros. 

Pela terceira vez em 40 anos,  Portugal ficou sob tutela, uma nada discreta tutela dos credores que nos emprestaram 78 mil milhões, 40% do PIB (!).

Este acto em 25ª hora de Fernando Teixeira dos Santos valeu-lhe ontem, no 10 de Junho comemorado em Lamego, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.

Fotografia de Paulo Novais/Lusa (daqui)


Disse ele ontem aos jornalistas:  “O sr. Presidente veio reconhecer o mérito dessa decisão [de pedir auxílio à troika] que foi um serviço prestado ao país. Teve o privilégio de o reconhecer na minha pessoa o que me deixa muito honrado.” 

Teixeira dos Santos devia ter batido o pé mais cedo a José Sócrates? Claro que sim e ele já o reconheceu.

Mas a responsabilidade não foi só dele. Isso competia, em primeira linha, a Cavaco e ao PS. Cavaco não esteve  à altura das suas responsabilidades e o partido socialista deixou-se anular pelo autoritarismo negocista socrático, tendo-se transformado numa máquina de poder caudilhista e sem valores. 

(Um parêntesis: a última convenção socialista com uma votação "albanesa", com um só voto contra de Maria Rosário Gama , deve inquietar quem julgava que o PS já recuperara dos anos socráticos de demissão cívica dos seus dirigentes e quadros).

Regressando-se ao tópico: o pedido do resgate devia ter sido na segunda metade de 2010. O meio ano de atraso custou ao país mais "suor e lágrimas" do que teria sido necessário. 

Contudo, como já detalhado, esse ónus não pode nem deve ficar só sobre o peito de Teixeira dos Santos. Que lhe fique ao peito antes, porque é justa, esta condecoração.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Tiro ao Cavaco ou a verdade de um não Presidente?* — por JB

* Comentário de JB ao post "Cavacofobias"


1. Memória:

Em 1988, o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusou atribuir a Salgueiro Maia uma pensão, que tinha sido pedida pela viúva de Salgueiro Maia, pelos "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país" devido à participação no 25 de Abril, por Salgueiro Maia.
A recusa ou a falta de resposta ao pedido só vieram a público três anos depois quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE, um dos quais estivera envolvido nos disparos sobre a multidão concentrada à porta da sede daquela polícia política.

Só em 1995, já com António Guterres como primeiro-ministro, Salgueiro Maia viria a receber uma "pensão de sangue".

No entanto, em 2009, no âmbito das comemorações do 10 de Junho, que decorreram na cidade de Santarém, o Presidente da República depositou uma coroa de flores junto à estátua de Salgueiro Maia. 
Uma tentativa de “branquear” a atitude de vinte anos antes…

Sobre a falta de Cavaco Silva, ao funeral de José Saramago, o conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou a ausência afirmando: «Está presente espiritualmente».

Já em 2013 Cavaco Silva destacou os efeitos positivos da aprovação da sétima avaliação da Troika para Portugal para declarar que se tratou de uma “inspiração de Nossa Senhora de Fátima”.

Carlos do Carmo? Quem é? Um morador no largo do Carmo, não é?
E ainda há mais: etc…etc….etc….

Um Presidente que Abril proporcionou e nunca um cravo vermelho colocou na lapela.

De Cavaco não teremos saudades. Um mau Presidente da República!


2. Realidade:

Uma Assembleia da República sem ideais, um Presidente da República que nos arremeda - o retrato da nossa condição actual.

Está hoje tudo mais claro que nunca : a Democracia é "o conflito, a dialética", como afirmou Eanes. O general Eanes foi o único que fez mais valia teórica, porque ainda gosta de estudar. Foi bom recordar que a democracia é essencialmente crise, como é típico de um Estado que quer ser racionalidade e, portanto, tem de gerir as crises de modo dinâmico.

3. O Futuro:

“Precisamos de um Presidente da República que não venha a ser presidente de outro partido qualquer. Estamos a acabar o segundo mandato de um Presidente que tem sido uma lástima, um desastre, é presidente de uma facção, acabou com aquilo que Eanes, Soares e Sampaio protagonizaram. Uma vez eleitos foram presidentes de todos os portugueses. Não podemos agora correr o risco de ter um presidente que seja o presidente de outro partido qualquer. Agora é do PSD, a seguir é do PS. Não pode ser! Temos de ter um Presidente que seja capaz de ser o Presidente de todos os portugueses.” 
Vasco Lourenço
I online, 27 de Abril de 15

Um novo ciclo para Portugal se aproxima e nós temos a obrigação de lutar por ele.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Quem dá €99,76 de prémio a um aluno não é um político é um dono de uma boutique na época de saldos

1. 



O valor dos prémios lembram uma loja de roupa, no período de saldos. 




2.
Nos idos de mil novecentos e noventa e muitos, propus a criação em Viseu do "prémio para os melhores alunos" das escolas do concelho de Viseu.

Estava a "vereador da oposição" na altura, presidia à câmara o dr. Ruas; a proposta foi chumbada sem apelo nem agravo, como eram todas as propostas da oposição.

No caso o argumento da recusa foi o seguinte verbalizado pelo dr. Américo Nunes: os prémios iam ser ganhos pelos "filhos dos senhores professores / filhos dos ricos".

Um cronista das esquerdas, num jornal da terra, criticou a minha proposta ainda mais acerbamente. Argumento:  os socialistas estavam a ultrapassar o PSD pela direita e queriam promover o "elitismo" nas escolas.

Tanto o PSD camarário como aquele cronista tinham o mesmo quadro mental — não passava por aquelas cabeças que pudesse haver um pobre inteligente. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Patrioteirismos *

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 30 de Julho de 2010


1. Esta crónica ri-se do patrioteirismo de pacotilha que anda por aí à volta dos negócios da PT e recomenda a leitura de “O Império”, dos marxistas Michael Hardt e Toni Negri.

A ideia de nação não é uma ideia natural, é uma construção mental que tem evoluído ao longo dos tempos. Como disse Benedict Anderson: a nação é uma “comunidade imaginada” que, depois, “se tornou a única forma de imaginar a comunidade”.

Foi com o absolutismo e, mais tarde, com a burguesia e o capitalismo que a “nação” se organizou nos estados modernos. A nação definiu o “nós” e o “outros”, a nação declarou a guerra e a paz. Foi até a ideia de nação que acabou com as “nações subalternas” a que se chamava colónias.

O enterro do colonialismo e o derrube do muro de Berlim aceleraram a globalização. Os grandes problemas deixaram de ter soluções à escala dos países, por maiores que eles sejam.


Imagem daqui
Instituições supra-nacionais como as Nações Unidas ou o G-20 têm um papel cada vez maior. O processo globalizador criou muita jurisprudência internacional e fez surgir, até, justiça penal internacional.

Tudo isto teve consequências políticas: há cem anos, as esquerdas eram internacionalistas e cosmopolitas e as direitas eram nacionalistas e paroquiais. Agora, perante a globalização, os papéis inverteram-se.


2. José Sócrates, em dificuldades, vai disparando em todas as direcções. Já Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Manuel Alegre (o mais anacrónico dos três) respondem à actual crise sistémica global com um pensamento nacionalista que só é útil aos nossos grupos económicos que vivem aconichados no estado e são incapazes de criarem riqueza. Ou de pagarem impostos decentes, como se vê na banca.

Infelizmente, ninguém nas próximas presidenciais parece capaz de agitar este pântano. A esquerda desistiu de as tentar ganhar. E Cavaco não tem rasgo.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ficar no chão *

* Texto publicado no Jornal do Centro exactamente há quatro anos, em 4 de Junho de 2010


A candidatura de Manuel Alegre às presidenciais começou a tentar levantar voo logo no início deste ano, em 15 de Janeiro, em Portimão. A coisa correu mal. Alegre não saiu do chão.

Imagem daqui

Ainda por cima, colou-se-lhe como uma lapa Francisco Louçã.
Louçã nem disfarçou: decidiu primeiro e só depois pôs o seu partido a apoiar o que o chefe já tinha decidido. É certo que, no início, houve algum descontentamento dentro do bloco de esquerda que não se percebeu se vinha de antigos admiradores do estalinismo albanês, se de membros de alguma tribo urbana da esquerda caviar.

Só que, entretanto, em Bragança, Manuel Alegre fez um discurso contra o “capitalismo financeiro”. Se é um facto que as palavras de Alegre em Bragança zangaram o sr. José Lello e o sr. Vitalino Canas, também é verdade que foi a chibatação do poeta no PEC que pôs o bloco em bloco no redil alegrista.

Correu tempo e Manuel Alegre percebeu que tinha que desconversar. Prudente, de voz em alvo sem nada dentro, ficou a marinar à espera do PS.

Em 4 de Maio, ainda foi aos Açores fazer uma segunda tentativa de descolagem, agora com a bênção de Carlos César e do sr. Ricardo Rodrigues que, na primeira fila, com as mãos nos bolsos, olhava para os gravadores dos jornalistas. Também desta vez, também desta açoriana vez, a candidatura alegre ficou no chão, pesada como chumbo, aterrada com a força da gravidade.

No domingo passado o PS decidiu apoiar Alegre. Foi uma decisão em que o PS e José Sócrates deram uma lição de democracia interna ao bloco.

Entretanto, os dois motores do “avião” alegrista, nestes longos meses, apanharam muita cinza do vulcão Yjafjallajökull. Pior ainda: o motor socialista puxa para um lado e o motor do bloco puxa para o outro.

Senhores passageiros, não se esqueçam do pára-quedas.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Dois para um *

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 30 de Abril de 20010



1. Os fins-de-semana de Inês de Medeiros em Paris patrocinados pelo erário público foram objecto de um inquérito do jornal Público. Quando votei, o resultado era o seguinte: contra – 8713 votos (93,7%); a favor – 587 (6,3%).

De facto, o que a assembleia da república aprovou é desmoralizante. Perdeu-se o foco no interesse público. Como é evidente, o parlamento deve pagar viagens aos deputados para irem ter com os seus eleitores, o parlamento não deve pagar viagens aos deputados para irem ter com a sua família.

Todo este desgraçado caso deu para perceber uma coisa: Jaime Gama, o “peixe de águas profundas”, sente-se bem como número dois da república e não ambiciona ser número um. Ao decidir desta forma enrodilhada, escondido atrás de pareceres jurídicos, Jaime Gama já nem com Red Bull bate asas. Fica por ali.

Cavaco Silva está agora mais descansado do que estava em Dezembro em relação à sua recandidatura. O umbigo de Manuel Alegre estende-lhe todos os dias o tapete vermelho. O PS está fora de jogo. O bloco em serviços mínimos.

O PCP, que tem sido humilhado em todas as eleições presidenciais, tem aqui a sua oportunidade. Com Manuel Carvalho da Silva, e uma campanha bem feita, os comunistas podem ultrapassar os 750 mil votos.

2. Passos Coelho propõe um corte de 95 milhões de euros em estudos e consultorias. Aplaudo. Se o corte for maior, aplaudo ainda mais. É preciso pôr um travão à voracidade dos “Antónios Vitorinos”, dos “Migueis Júdices” e de toda a “advocacia de negócios” que está a exaurir este país.


Imagem achada aqui
3. Há uma orientação geral no estado: só quando saem dois funcionários públicos, pode entrar um.

Proponho o mesmo para a burocracia: todo e qualquer serviço público só poderá exigir um novo acto burocrático quando tiver anulado dois.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Morcões e javardolas

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 26 de Março de 2010


1. Conforme escrevi aqui, Manuel Alegre tem sido “uma ‘voz em alvo’ sem nada dentro”. Na sexta-feira em Bragança, finalmente, Alegre lá decidiu meter algum sumo no que diz e malhou forte no PEC, para alegria das suas tropas do bloco.

Entretanto, a aspiração alegrista de fazer campanha lado a lado com Sócrates e Louçã não está fácil. No domingo, o Correio da Manhã perguntou a Louçã: «Já se viu, Francisco Louçã, ao lado de José Sócrates na campanha presidencial de Manuel Alegre?»

«Não, não me vou ver nem me vejo.» - respondeu, seco, Louçã.
Portanto, sem misturas, a campanha alegre vai ter um calendário peculiar: às segundas, quartas e sextas, Alegre tem a escolta de Francisco Louçã; às terças, quintas e sábados, Manuel Alegre está a contar com José Sócrates.

Aos domingos, nada de campanha. Manuel Alegre, como se sabe, aos domingos vai à caça. Vai tentar fazer às perdizes e às rolas o que o PEC faz à classe média e aos pobres.

2. Na Alemanha há eleições regionais em 9 de Maio. A Grécia precisa de 53 mil milhões de euros até ao fim de Maio.

Há aqui uma janela de tempo para Angela Merkel passar o cheque. Mas as coisas estão feias. Basta ver a imprensa alemã que, todos os dias, execra os gregos. O menos desagradável que lhes diz é: “levantem-se mais cedo!”

3. O excelente blogue “Viseu, Senhora da Beira” tem publicado fotografias que mostram os problemas causados pelos morcões que deixam o carro estacionado em qualquer lado, até em cima das passadeiras.

Imagem Viseu, Senhora da Beira
Sugiro-lhe que publique também fotografias dos nossos ecopontos. 

Há muitas criaturas que chegam lá e colocam o seu lixo no chão. Era só levantar a tampa e pôr o lixo dentro. Mas não! Deixam-no mesmo no chão, os javardolas. A seguir, os cães e o vento espalham a lixarada.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Um grande sarilho*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 19 de Março de 2010

1. Em 18 de Dezembro, escrevi aqui que o pior que a esquerda poderia fazer era ir com um candidato único às presidenciais.

Passaram três meses e houve evolução: (i) Cavaco Silva recuperou alguma da força perdida com o episódio das escutas; (ii) Alegre avançou de braço dado com Louçã; (iii) Jerónimo de Sousa avisou que o PCP vai ter candidato próprio; (iv) Fernando Nobre anunciou uma candidatura independente.

Os discursos de lançamento de Manuel Alegre em Portimão e em Coimbra foram pífios e fracos. Manuel Alegre é uma “voz em alvo” sem nada dentro. Já se percebeu que ele engole os sapos todos que forem precisos para fazer uma descida da Avenida da Liberdade com Louçã à sua esquerda e Sócrates à sua direita. Louçã e Sócrates lado a lado. Mais um sarilho em cima deste grande sarilho em que estamos metidos.

Caro Jaime Gama, vai deixar Cavaco Silva fazer um passeio tão fácil nas próximas presidenciais?

Inês de Medeiros — PS
(imagem daqui)
2. As previsões macroeconómicas do programa de estabilidade e crescimento dizem-nos que, até 2013, vamos ter um crescimento que nos vai permitir alcançar o nível de riqueza de… 2008.

Entretanto, até 2013, mais 300 mil portugueses vão emigrar.

Estamos metidos num grande sarilho.

3. Há uma deputada, eleita pelo círculo de Lisboa, que quer que o parlamento lhe pague os fins-de-semana em Paris, a 1700 quilómetros dos seus eleitores. 

Ela sabe que os deputados não precisam de agradar aos seus eleitores. Ela sabe que os deputados só precisam de agradar a quem os põe na lista.

Estamos metidos num grande sarilho.

4. «Rouba-se muito. O país não tem dimensão para se roubar tanto.» - disse, preto-no-branco, Pedro Ferraz da Costa ao Expresso (15.8.2009).

Estamos metidos num grande sarilho.
Desde 1143.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Cenários*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 18 de Dezembro de 2009



Imagem daqui
No próximo ano, o governo vai aprovar o orçamento com a direita e o casamento homossexual com a esquerda. O resto, que para aí se fala, é treta.

Faltam treze meses para as presidenciais.

Tudo indica que Cavaco Silva se vai recandidatar e vai ter o apoio de toda a direita. Cavaco tem feito um mau mandato e pode ser o primeiro presidente não reconduzido pelo voto dos portugueses. É derrotável pela esquerda, embora não seja fácil.

Neste tipo de eleições, na primeira volta escolhe-se e na segunda rejeita-se. Explico: na primeira volta o eleitor escolhe o candidato mais do seu agrado e na segunda volta rejeita o finalista que mais lhe desagrada (na hipótese, bem entendido, do seu favorito ter ficado pelo caminho).

O pior que pode fazer a esquerda é ir com um candidato único. Há três partidos à esquerda e cada um deve apresentar o seu candidato. Depois, o melhor deles disputa a segunda volta com Cavaco Silva.

O país está metido num sarilho. É necessária clareza na política. O PS não pode ir às presidenciais de braço dado com a agenda estéril da extrema-esquerda.

Eis os candidatos ideais e mais fortes para umas presidenciais clarificadoras:
- à direita, (i) Cavaco Silva;
- à esquerda: (ii) Carvalho da Silva, apoiado pelo PCP; (iii) Manuel Alegre, apoiado pelo bloco de esquerda; e (iv) Jaime Gama, apoiado pelo PS (é sabido que Guterres não deixa a ONU e Vitorino não desgruda dos negócios).

Parece certo o apoio do bloco a Manuel Alegre.

O PCP receia a independência de Manuel Carvalho da Silva e, por isso, vai preferir um geronte qualquer do comité central.

Por sua vez, o PS se se misturar numa campanha alegre com o bloco, vai perder o eleitorado central, e oferecer numa bandeja o segundo mandato a Cavaco Silva.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

4740 *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

1. As autárquicas de domingo deram um sinal óbvio: onde foi possível, as pessoas votaram contra a partidocracia. Votaram contra os partidos por boas razões, como por exemplo no Porto e em Abraveses... 

... e votaram contra os partidos por más razões, como em Oeiras.

Esse voto de protesto é iniludível e vai ser avassalador nas presidenciais de 2016, com Marinho Pinto ou outro qualquer candidato anti-sistema. As próximas presidenciais representam um severo risco de ruptura para a terceira república.

2. José Junqueiro tinha, no mínimo, a obrigação de ganhar dois vereadores ao PSD: um decorrente da queda do PSD do dr. Ruas para o PSD de Almeida Henriques (esse trambolhão aconteceu e foi superior a 15%); o outro decorrente do voto de protesto contra o governo (aqui Junqueiro falhou clamorosamente).

O PS-Viseu teve um resultado desapontante. As duas facções dos militantes socialistas de Viseu gastaram muito mais energia na campanha interna para a concelhia no ano passado do que agora nesta campanha autárquica.

Isto é: depois de quatro anos de deserção e falta de fibra, o PS-Viseu continua a olhar para o umbigo. Ninguém se demite?

3. No domingo eleitoral esteve um dia cinzento e chato. Mesmo assim, 4740 viseenses saíram de casa, foram à sua assembleia de voto, mostraram os seus documentos, dirigiram-se à cabine, e... ou dobraram o voto em branco, ou anularam-no. A nível concelhio, os nulos e brancos chegaram aos 9,4%, muito acima da percentagem nacional (6,8%). Se considerarmos só as freguesias urbanas, os nulos e brancos ultrapassaram os 12%.

Estes viseenses ainda acreditam na democracia, caso contrário teriam ficado em casa a “lagartar” no sofá, mas não se reviram em nenhuma das candidaturas partidárias. É caso para perguntar: que teria acontecido se tivesse havido uma candidatura independente à câmara de Viseu?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eleições 2009 (VII) *

* Este texto foi publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 2 de Outubro de 2009 (ano em que houve três eleições)


1. Resultado das eleições legislativas de domingo: o CDS ficou com mais nove deputados, o PSD arrecadou mais oito (contabilizo dois da emigração), o BE também elegeu mais oito e a CDU conseguiu mais um deputado. Por sua vez, o PS ganhou as eleições.

Apesar desta felicidade universal, no domingo não houve festejos. Em lado nenhum. E no PSD ouve-se o afiar das facas.

A situação não está para festas. Desde 2001, Portugal não consegue sair do túnel em que caiu. Túnel que ficou ainda mais escuro e insalubre com a crise mundial.

Precisamos de esperança. Não se pode deixar apagar a luz que tremeluz, fraquinha, ao fundo do túnel.

2. A nossa constituição atribui o poder moderador ao presidente da república e o poder executivo ao governo. Estes dois poderes, ambos legitimados pelo voto, têm uma natureza conflitual e essa conflitualidade é boa se servir de válvula de escape para as tensões sociais.

Durante a chamada “cooperação institucional” entre Cavaco e Sócrates tivemos presidente da república a menos. Cavaco não deu cavaco às “vítimas” das reformas e isso deslaçou a sociedade e não ajudou ninguém. Nem o governo.


Fotografia daqui


Passou-se agora para uma fase cheia de arestas entre o presidente e o governo. Tudo indica que vamos passar a ter presidente da república a mais.

Enfim… Faltam quinze meses para as próximas presidenciais. 

Quer António Guterres quer Jaime Gama são capazes de derrotar Cavaco Silva e fazerem uma presidência muito melhor do que ele.

E quanto a Manuel Alegre que se encontra na pole position da corrida presidencial? Podia ele ser o candidato do PS?Todos os dias oiço a resposta a essa pergunta na televisão: “poder podia, mas não era a mesma coisa."

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Porreiro, pá!

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
    
     Mário Soares contou a Joaquim Vieira o que aconteceu quando, em 24 de Janeiro de 2011, no dia a seguir às últimas presidenciais, foi chamado a S. Bento por Sócrates:
     «Eu chego e o gajo estava radiante, bem disposto. E a primeira coisa que me diz foi: “Ó Mário, acabámos com aquele [insulto].”
     E eu disse: “Eh pá, não gosto disso, palavra que não gosto disso, não é bonito, não diga isso.”
     “Eh pá, mas ele estava na merda, eu nunca o vi assim. (…) Mas agora isto mudou tudo, vou fazer uma grande aproximação aos gajos do PSD”.
     E eu fico a olhar para o gajo e digo: “Ó Sócrates, eu acho que você tem grandes méritos. Mas não pode continuar a fazer buracos (...)”»
     Onde está “insulto” a Manuel Alegre, também se pode ler “piiiiii!”. Este excerto do livro “Mário Soares, Uma Vida” mostra um momento de sintonia emocional entre José Sócrates e Cavaco Silva. Cavaco adorou que Alegre tivesse tido menos de 20% dos votos. Sócrates também.
     Mas há mais sintonias entre Sócrates e o actual inquilino do Palácio de Belém: (i) Cavaco e Sócrates foram os únicos primeiros-ministros da terceira república com maiorias absolutas monopartidárias, (ii) foram ambos autoritários e sem capacidade de diálogo e (iii) foram ambos objecto de culto de personalidade nos seus partidos.
     O regresso de Sócrates, em plena quaresma, foi o pré-lançamento da sua candidatura às presidenciais de 2016. Assim como aqui, com muita antecedência, se explicou que a candidatura de Manuel Alegre era a melhor maneira da esquerda facilitar a vida a Cavaco Silva, o mesmo se faz agora a três anos das próximas presidenciais: a candidatura do principal responsável pela bancarrota portuguesa de 2011 facilita a vida à direita.
     Em Bruxelas, Durão Barroso esfrega as mãos de contente. 
Há-de querer, depois, retribuir com gratidão o célebre abraço e o célebre «porreiro, pá!»

terça-feira, 18 de outubro de 2011

As alegres primárias

     Conforme já foi afirmado neste blogue, as primárias dos socialistas franceses foram um instrumento poderoso de "legitimação democrática do futuro adversário de Nicolas Sarkozy".
     As coisas correram tão bem que Manuel Alegre disse ao Expresso: fazerem-se umas primárias em Portugal "seria muito interessante" e "evitaria muitos sarilhos".
     Sou levado a concordar:
     — Com disputa de primárias em 2010, dificilmente a dupla Francisco Louçã / Carlos César teria conseguido impor o candidato alegre o que teria tornado a última eleição presidencial "muito interessante".
     — Ter-se impedido a reeleição de Cavaco
"evitaria muitos sarilhos" ao país porque terá de vir de Belém o impulso para a reforma da terceira república. E Cavaco não parece capaz disso.

domingo, 10 de abril de 2011

Os trabalhos de Pedro Passos Coelho (#2)

     Em 28 de Janeiro listei aqui os três trabalhos de Pedro Passos Coelho para 2011:
     1. Abrir o partido à esquerda;
     2. Pôr o partido no século XXI, abrindo-o nas temáticas dos costumes;
     3. Livrar-se da tralha do barrosismo.

     Hoje PPC começou a mostrar os seus TPC:
Imagem daqui
      O líder do PSD vai continuar a atirar o anzol para a esquerda até porque não é a sua tarefa mais difícil.
     Difícil é a tarefa 3:  livrar-se dos incompetentes do  tempo do governo de Durão Barroso.