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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Favores, favores, partidos à parte

Daqui

Só depois de pagar o IMI, tenha ele uma bela vista ou uma má vista, só então, caro Jerónimo, poderá dizer que não deve "favores ao estado". 


O mesmo se aplica ao património dos outros partidos, seja ele património "okupado", seja ele adquirido, com ou sem favores.


Daqui





sábado, 28 de novembro de 2015

Tempos de suspense — por JB*

* Comentário de JB ao texto de ontem "Zandinguices"


“Por acaso foi uma ideia minha” o título do “jornal” Correio da “Manha” de 26/11/15:
Costa chama cega e cigano para o Governo.

Mas se eu fosse o director do jornal o título deveria ser algo assim:
Título: TUDO INCLUÍDO.
Subtítulo: MONHÉ CHAMA AO GOVERNO UMA ESCARUMBA, UMA ZAROLHA E UM LEL.

Mas no dia seguinte (hoje) continuam os brandos costumes com Miguel Cadete, director-adjunto do Expresso, ao escrever sobre o novo Governo:
É multicultural! O líder, António Costa, tem ascendência goesa; a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, nasceu em Angola e é a primeira negra a ocupar um lugar num Governo de Portugal. Carlos Miguel, secretário de Estado das Autarquias, é filho de pai cigano: também ele o primeiro a chegar ao Governo de Portugal. Isto sucede mais de 41 anos depois do 25 de Abril. Se este Governo for realmente uma orquestra, pode ser de world-music. Mas não é, certamente a banda do eixo Cascais-Restelo.
Esqueceu-se da secretária de Estado cega... Ah, mas depois não encaixava na piada da orquestra da Mouraria e do eixo Cascais-Restelo.

Todos sabemos que este foi o passo mais fácil.
Todos sabemos que vai haver muito diálogo, conversa, debate, discussão, nos gabinetes da AR entre os quatro do entendimento.
Todos sabemos que, caso esta experiência não tenha sucesso (e as pressões internas e externas são diárias e serão diárias), nos esperam 40 anos de uma direita ressabiada e anti-tudo, rigorosamente tudo, o que cheire a Abril.
Todos sabemos que até dentro dos quatro não há unanimidade nesta solução; até no grupo parlamentar do PS está um “iluminado” chamado Ascenso Simões que já veio defender o fim da eleição universal do PR, que passaria a ser escolhido por um colégio eleitoral, qual Américo Tomáz…


Há divergências à esquerda? Claro, é por isso que são partidos díspares. Mas também existe convergência. E existem momentos históricos, como este, em que isso é o mais relevante. Mas pelo menos encerrou-se um ciclo de políticas equivocadas. Não tenho dúvidas que no novo ciclo haverá complicações, crises ou momentos de incompetência, mas depois de hoje o cenário político em Portugal não voltará a ser o mesmo. E isso é uma boa notícia. Cavaco acaba o reinado sem notoriedade e com a povo a desejar vê-lo pelas costas. É muito triste para uma pessoa que jurou cumprir a CONSTITUIÇÃO acabar assim!
Daqui
Todos sabemos que o último acto político relevante que ficou destinado a Cavaco, foi dar posse a um governo PS com apoio da esquerda parlamentar, curioso!
Curioso como tudo começou na diferença entre indicar e "indigitar"…!!!

Curioso como nessa personagem sempre faltou o ADN do contraditório; da síntese e antítese; do eu penso…; da herança grega que se aprendia nos liceus do pensamento filosófico pátrio.

E termino com uma citação do Prof. José Barata: Na minha terra, quando já não há mais para qualificar a falta de carácter, o narcisismo pimba, a convicção de que é chefe sem o ser, parolo, inculto, labrego, parvenue, pouco dotado, manholas, jogador vingativo e sei lá que mais... na minha terra essa pessoa é RELES.

Au revoir, HomusCavacum!

PS.: Os próximos tempos são de suspense? Claro, que sim.
Mas se este governo conseguir fazer uma mudança de paradigma, porque morreu o discurso das alternativas fechadas, e os defensores da TINA (There is no alternative) não voltarão a ter o ensejo de chorar lágrimas de crocodilo pela impossibilidade de convergências à esquerda para justificarem os seus indisfarçáveis apoios à direita.
Se Costa conseguir passar o primeiro ano (fim de Cavaco e início de…..?) teremos um governo de maioria parlamentar com a férrea vontade de se aguentar durante uma legislatura!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Zandinguices*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



1. Escrevo este texto no dia em que Cavaco Silva indigitou, perdão, no dia em que o PR decidiu “indicar” António Costa para primeiro-ministro.

Também se acabam de saber os nomes dos ministros socialistas. Sem surpresa, Maria Manuel Leitão Marques, a cabeça de lista de Viseu pelo PS, vai ser ministra “Simplex 2.0”, deixando vago o seu lugar de deputada. Vai entrar a quarta da lista.

Ora, este “descer” na lista de Viseu, que pode não ficar por aqui, vai ser um patético “cair-para-baixo”. O PS fez mal em só se ter preocupado com a qualidade dos três primeiros nomes.

Editada a partir de uma fotografia de
Enric Vives-Rubio (Público)
2. A “pergunta de um milhão de euros” agora é a seguinte: quanto tempo vai conseguir aguentar-se o governo de António Costa?

Mesmo sabendo-se que a direita vai eleger Marcelo, mesmo sabendo-se da “legitimidade” atribulada deste governo, mesmo assim Costa só deverá ter sérios problemas no outono de 2017, na discussão do orçamento para o ano seguinte.

É que o Bloco de Esquerda é pragmático como o Syriza — tanto vota primeiro na desausteridade como a seguir na austeridade; não quer é eleições já porque receia perder metade dos deputados.

É que o PCP, mesmo com a segurança dos seus fiéis 400 mil votos, cumpre a sua parte desde que seja revertida a privatização dos transportes de Lisboa e do Porto.

É que o BCE vai continuar a mesma política monetária e dar respaldo às emissões de dívida pública.

É que os portugueses são mais sensatos que os seus políticos. O pequeno ganho de poder de compra das famílias em 2016 vai para poupança e não para consumo; ele não vai comprometer as nossas contas externas nem inquietar os mercados.

3. Termino com um precautério, estas zandinguices que nunca nos façam esquecer o grande João Pinto: «prognósticos só no fim do jogo».

É difícil prever a dois meses quanto mais a dois anos. Quem é que podia adivinhar, em 4 de Outubro, que uma derrota nada poucochinha de António Costa ia pô-lo a primeiro-ministro?

domingo, 22 de novembro de 2015

A seguir ao sadismo de Eanes, o de Cavaco?

Já fiz aqui em Junho um balanço da presidência de Cavaco Silva num texto intitulado “Poder Moderador”. Para quem não quiser clicar no título para rever aquele texto repito alguns dos argumentos.

Cavaco Silva esteve muito bem na crise “irrevogável” de Julho de 2013: “fritou” Paulo Portas, impediu que o país se tornasse numa nova Grécia e ainda deu uma mão a Seguro. Este, coitado, não a soube ou não pôde aproveitar, se tivesse sabido era hoje primeiro-ministro.

Contudo, tendo estado bem naquela crise de há dois anos, tem que se fazer um balanço negativo dos dois mandatos de Cavaco Silva porque falhou nas duas principais funções da presidência da república:

(i) não foi a “válvula de escape” do regime, nem no primeiro mandato durante o socratismo, nem no segundo durante o passismo;

(ii) falhou no segundo mandato como factor de unidade nacional por se ter deixado cegar pelo ódio, depois das campanhas sujas do poeta Alegre e do madeirense Coelho.

Chegados aqui, e para não alongar muito este post, vamos agora ao caso que Cavaco tem entre mãos — a indigitação ou não do derrotado líder socialista para primeiro-ministro.

Cavaco está a arrastar os pés. Não tenho a certeza se ele se está a divertir com o caso. Ele divertiu-se quando lançou os discursos amassadores de vento de Sampaio da Nóvoa num 10 de Junho (para os mais esquecidos, Cavaco é o criador de Nóvoa), ele divertiu-se a "fritar" o antigo director de “O Independente” (Cavaco, como se sabe, não perdoa nunca).

Pode haver agora um pouco de diversão: a nossa situação não é tão grave como em 2013 em que estávamos com um terço do plano de resgate por fazer e não havia ainda a ajuda do “quantitative easing” do BCE para o financiamento do estado. Agora a emergência não é tão grande e o sr. Centeno, com a sua elástica folha de cálculo, não alevantará as golas a Dijsselbloem, nem acachecolará Lagarde, nem fará tremer os joelhos da Merkel, para desgosto da sra dona Catarina Martins, que se julga a nova dona-disto-tudo", e para infelicidade dos “jovens turcos” socialistas que já se sonham sentados em BMWs pretos do estado, para alegria do blogue “Ladrões de Bicicletas”.

Indo ao ponto: Cavaco foi um mau presidente da república mas já tivemos um pior que ele — Ramalho Eanes que se entretinha a derrubar governos e até fundou um partido aproveitando o descontentamento dos eleitores durante a nossa segunda bancarrota.


Fotografia daqui

Nos dez anos de presidência de Ramalho Eanes houve nove governos. Quando eles não caíam no parlamento, era Eanes que os deitava abaixo.

Recordo uma comunicação especialmente sádica de Ramalho Eanes em que ele se alongou, parágrafo após parágrafo, a listar os convenientes e os inconvenientes de manter ou não um determinado governo, não me lembro de qual, foram tantos e já passaram tantos anos...

Lembro-me que foi um discurso cubista, em que Eanes se atardou a descrever todas as perspectivas do problema: “se por um lado o senhor primeiro-ministro é bom, por outro lado o senhor primeiro-ministro é mau”. Isto longos e longos minutos, de forma que o povo e as elites que o ouviam, naquele longos minutos se perguntavam, “afinal, o governo cai ou não cai?”, e Eanes, sádico, hitchcockiano, lá prosseguia “se por um lado blá blá blá... branco, por outro lado blá blá blá... preto”, e o povo a mexer-se nas cadeiras e os jantares a arrefecerem. Até que por fim e na última frase do último parágrafo — o grande Eanes lá disse: “decidi dissolver a assembleia da república e convocar eleições antecipadas”.

Não sei se Cavaco se está a divertir, repito. Talvez não esteja, pelo menos não está tanto como em 2013. Para a próxima semana ele vai fazer uma comunicação ao país. Na altura, a direita terá mais razões para tremer do que a esquerda. Tudo o que Cavaco disser ou fizer tem potencial para ser tóxico para a direita e dar cimento à esquerda.

Cavaco não vai fazer um discurso cubista nem uma eanice tipo “por um lado... branco, por outro lado... preto”. Mas tem matéria entre mãos para ser sádico: basta-lhe descrever com algum detalhe as fragilidades e inconsistências dos “papéis” assinados pelas esquerdas, que são de facto uma vergonha — ficam-se por uma lista de medidas para aumentar a despesa e diminuir a receita e não têm nem uma única palavra sobre as nossas responsabilidades na “Europa”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Costa, o Jerónimo e a Catarina vão funcionar assim...

... dizem os jornais de hoje:

Ver os extraordinários Vlad Gapanovich, Maxim Golovchenko e Evgeniy Pahalovich aqui


Mas Francisco Assis, num texto de hoje intitulado "O Debate que importa", que fica para memória futura, diz que eles vão acabar assim:



«Na minha opinião são duas as fontes de que promana tal ameaça [à União Europeia]: 
— por um lado, a parcial dissolução do Estado-Providência em resultado da abertura ao fenómeno da globalização; 
— por outro, a crescente infantilização das sociedades democráticas com a consequente degradação do princípio da responsabilidade individual. 

Curiosamente, um e outro motivo vão a par e contribuem para o surgimento de um niilismo que fomenta o sucesso das posições extremistas.»
Francisco Assis
  Público, 6.11.2015


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Legislativas (#3)*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. Tal como em 2009, as eleições de domingo vão resultar num governo minoritário. A maioria de esquerda de há seis anos com 128 deputados foi estéril, a de agora com 122 estéril vai ser.


A esquerda está mais fraca e essa fraqueza reside no PS que, desde a bancarrota financeira e ética do socratismo, nunca mais pôde com uma gata pelo rabo (o deputado do PAN me perdoe a metáfora).

Em 2009, Sócrates sabia que era impossível um “ménage à trois” com Louçã e Jerónimo. Agora, seis anos depois, temos a mesma matemática e o mesmo amor. Costa e Jerónimo nunca vão ser o “Jules e Jim” de Catarina Martins, nem que os fechemos aos três na mesma sala a ver, em sessões contínuas, a obra-prima de Truffaut.

A maioria de esquerda há-de servir para acabar com o aconselhamento psicológico obrigatório às mulheres antes de um aborto, essa aberração que a direita impôs já este ano, e há-de servir para outras matérias civilizacionais. Por exemplo, na eutanásia. E há-de servir para impedir alguns excessos da direita. Para pouco mais servirá.

2. Pedro Passos Coelho teve nervos de aço e adoptou uma estratégia nada intuitiva: quanto menos fizesse ou dissesse, melhor.

A esta campanha zen e breve da direita, respondeu Costa com um longo e arrastado chorrilho de asneiras — socratizou em Outubro e syrizou em Janeiro; entregou as listas ao aparelho em vez de fazer primárias e encerrou a campanha com uma ideia eleitoralmente tóxica: galambizar, perdão, chumbar o orçamento mesmo ainda antes dele estar feito.


3. Mesmo depois de quatro anos duros, a direita viseense conseguiu ganhar em todos os concelhos e manter os mesmos seis deputados. Mérito de Mota Faria, demérito de António Borges, o líder distrital do PS.

Em 2013, António Borges escolheu para lhe suceder em Resende um fraquíssimo presidente da câmara. Em 2014 arrastou o concelho para o beco-sem-saída segurista. Abusou daquela boa gente e agora levou a paga: nem lá conseguiu ganhar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Caracolices

Passaram 122 horas desde que fecharam as urnas no Açores.
Passaram mais de quatro dias.


Os deputados ainda não tomaram posse.
Ainda não temos governo.

Tudo lento.
Movido a petróleo.

Um dia destes, devagarinho, lá vão ver se o "Nós, Cidadãos" sempre abicha um dos tradicionais três deputados do PSD pela emigração ou se fica tudo na mesma como a lesma.

Perdão, tudo na mesma como o caracol.




Depois, devagarinho, lentamente, sem stress, depois de tudo carimbado no ritmo lento do tempo das mangas-de-alpaca, lá andarão as coisas.

Devagarinho.

Este rame-rame está tão interiorizado nas pessoas que elas até acham que assim é que é natural. Houve até quem tivesse criticado Cavaco por não ter ficado quieto à espera dos carimbos todos. Na Grécia, em dois dias depois dos votos têm governo novo. Aqui, é como o caracol.

Aqui está uma coisa que era bom que Passos e Costa acertassem — estamos numa fase de instabilidade governativa, há sérios riscos de queda de governo e ficarmos meses e meses até a vontade do povo fazer efeito.

Comprimam este calendário. Ponham a terceira república no século XXI.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Política dita no Jornal do Centro em 2014 *

* Uma tesouradíssima ** "antologia" dos Olhos de Gato publicados no Jornal de Centro este ano (clicar na data caso queira ler a crónica completa)


Fotografia Olho de Gato
[9/Jan] Não é anedota: neste país falido, a assembleia municipal de Viseu aprovou mesmo por unanimidade uma moção a pedir uma ligação ao sul em via com “perfil de auto-estrada” e sem portagens.

[14/Mar] Seguro está obrigado a, no mínimo, deixar a direita a 5% de votos e a eleger mais deputados que a “Aliança Portugal”. Caso contrário, ou António Costa toma conta do assunto, ou Pedro Passos Coelho ganha as próximas legislativas.

[25/Abril] PS, PSD e CDS, os “partidos do arco da corrupção”, acabam de chumbar no parlamento uma proposta para acabar com deputados na folha de pagamentos dos lobbies. Estamos assim. Quarenta anos depois do 25 de Abril.

[20/Jun] Nos seus bons tempos, o sr. Salgado metia no bolso primeiros-ministros, como foi o caso de Barroso e Sócrates. Nos seus bons tempos, ele era tu-cá-tu-lá com a cleptocracia angolana, embora, nesse caso, não se saiba ainda quem é que metia a mão no bolso de quem. Uma coisa se sabe: o bolso estava furado.

[18/Jul] Não se põe um evento com o impacto dos Jardins Efémeros, que não depende da bilheteira, a concorrer com o Tom de Festa que precisa da receita da bilheteira. (…) António Almeida Henriques enche a boca com o slogan "Viseu, cidade-região" para quê? Para secar a região à volta?

[12/Set] No final de Maio, António Borges roeu a corda a António Costa, para espanto deste, e meteu-se num beco sem saída chamado Seguro; como vai fazer o agora líder distrital do PS para que (...) Viseu deixe de ser “um distrito peso pluma no contexto nacional”?

[19/Set] Na nossa terceira república, a selecção dos líderes a submeter a votos pelas várias agremiações partidárias tem sido feita em "petit-comité", em sótãos conspiratórios e missas maçónicas.

[14/Nov] Os eleitorados do sul estão a fugir para partidos novos que, pelo menos, ainda não estão sujos pela corrupção. Para o ano, o PAN e o PDR de Marinho e Pinto devem entrar no parlamento. E se José Gomes Ferreira for a votos, como acaba de “ameaçar”, as coisas levarão mesmo uma grande volta.

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** A primeira leitura de todos os Olhos de Gato de 2014, antes da "tesouração" para caber, resultou nesta "enormidade":


9/1
Não é anedota: neste país falido, a assembleia municipal de Viseu aprovou mesmo por unanimidade uma moção a pedir uma ligação ao sul em via com “perfil de auto-estrada” e sem portagens.

Atenção!: não se trata de uma auto-estrada, trata-se de um “perfil de auto-estrada”.


16/1
Como explicou Baudelaire, a memória é um palimpsesto, a memória é um pergaminho que se vai apagando para tornar a escrever por cima. Sem darmos conta “alteramos a história de cada vez que voltamos a recordá-la”, lembra Nassim Nicholas Taleb em “O Cisne Negro”.

14/2
Qualquer viseense, mesmo que muito distraído, sabe que o Auditório Mirita Casimiro é uma sala sem vida que está, há anos, a coleccionar teias de aranha na Rua Alexandre Lobo. (…) [e] vai continuar cheio de teias de aranha.”

21/2
A cidadania pós-materialista liga menos às querelas esquerda/direita e às questões económicas e mais às questões de identidade, dos estilos de vida e da liberdade enquanto ferramenta da felicidade individual.


28/2
Eis as três condições para a felicidade, segundo Slavoj Žižek: (i) terem-se bens materiais básicos disponíveis mas não em excesso; (ii) ter-se algo em que sonhar não completamente inacessível; (iii) ter alguém a quem imputar tudo o que corre mal.

Repare-se: temos todas as condições para sermos felizes. Até temos o “alguém” culpado de todos os nossos males. Chama-se Angela Merkel.

7/3
Senhores políticos locais, parem com a laracha do “perfil de auto-estrada” sem portagens e não deixem tocar no IP3, a não ser para uma requalificação decente que poupe vidas.


14/3
Seguro está obrigado a, no mínimo, deixar a direita a 5% de votos e a eleger mais deputados que a “Aliança Portugal”.

Caso contrário, ou António Costa toma conta do assunto, ou Pedro Passos Coelho ganha as próximas legislativas.

21/3

No Olho de Gato sempre se usou e vai continuar a usar-se o método de Norberto Bobbio: devemos escolher uma parte, depois dessa escolha feita, há que exercer o juízo crítico com severidade, especialmente com a nossa parte.

Um ou outro aparelhista partidário mais encardido e instalado não gosta. Azar o dele.

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Duas câmaras, as de Sernancelhe e Tabuaço, são completamente machas, nem uma vereadora têm. Na câmara de Castro Daire há quatro socialistas de voz grossa — desapareceu, pelo menos, uma vereadora socialista eleita.

Como se vê, a lei dita da “paridade”, afinal, ainda não pariu paridade nenhuma.

11/4
Medeiros Ferreira, com o seu sentido de humor inigualável, chamou a esta nossa especialidade: “drenagem atípica de rendas exógenas”.Nisto somos bons e há muito tempo. Esta experiência acumulada tem agora um novo campo de aplicação: a venda de vistos dourados a milionários chineses.

E as coisas podem não ficar por aqui: a tríade que manda — formada pela advocacia de negócios, pela banca e pela alta burocracia partidária — ainda se vira para o mercado dos milionários russos e faz um rombo na mais proveitosa “indústria” do Chipre.


18/4
Por sua vez, em Portugal, mudam os regimes mas não muda o espírito predador e corrupto das nossas elites: africanista antes de 1974 nos monopólios coloniais, europeísta agora a “executar” (isto é, “matar”) fundos comunitários.

25/4
PS, PSD e CDS, os “partidos do arco da corrupção”, acabam de chumbar no parlamento uma proposta para acabar com deputados na folha de pagamentos doslobbies.

Estamos assim. Quarenta anos depois do 25 de Abril.

2/5
Entendamo-nos: a nova estátua de Viseu não é um caso de "o rei vai nu!". Ela é o contrário disso: em vez de termos um rei sem “roupa”, o que temos é “roupa” sem rei dentro. Aquela armadura envolve o nada, aquele elmo não protege nenhuma cabeça, protege o vazio. Ou, usando uma bem-humorada analogia de um amigo: o que temos ali é uma espécie de "Homem Invisível" que no filme, para ser visto, tinha de estar de fato, de luvas e de chapéu.

Eu gosto desta “não representação” do nosso primeiro rei. Gosto daqueles signos sem nada dentro — da armadura na forma de Portugal sem os Algarves, do escudo, da longa espada, do elmo. Gosto, até, do kitsch daquele coração.

Aquele “nada dentro” é a melhor maneira de se representar a incerteza histórica: D. Tareja no dia 5 de Agosto de 1109, data de nascimento de Afonso, estava mesmo em Viseu?

9/5
Como diz Tony Judt, quando o pensamento não vê mais nada que a economia, fica como um hamster dentro de uma roda giratória.

Mexe-se muito, mas não sai do sítio.

Nestes quatro anos de degradação democrática na Hungria, que fez a “Europa” do "hamster" Barroso?

16/5
Os nossos dois primeiros resgates foram em 1977 (1% do PIB ) e em 1983 (2,8% do PIB). Ambos os empréstimos estão pagos, diz a página oficial do FMI. O país não se sabe governar mas lá vai mantendo o cadastro limpo como pagador.

Agora, a bancarrota socrática foi de 78 mil milhões de euros. Uma enormidade: 45,5% do PIB (!). Apesar de tudo, estes últimos desgraçados anos parecem não ter tido consequências tão más como as do biénio 1983/84. Há trinta anos o pior foi a inflação, desta vez é o desemprego. Mas parece que agora o "estado social" consegue, apesar de tudo, dar melhor resposta.

23/5
É que o Erasmus é bom, o espaço Schengen um descanso, o roaming agora é barato. Mas, e quem não se pode deslocar?

Mas, e as decisões tomadas nas costas do eleitorado? E o autocrata Orbán à solta na Hungria? E o desempoderamento dos jovens? E a imigração? E a incompatibilidade crescente entre as duas “Europas”, a da eurozona e a do eurocepticismo britânico? E a subtracção do poder orçamental aos parlamentos nacionais do euro?

30/5
Portugal precisa de um primeiro-ministro capaz de fazer o que Pedro Passos Coelho não foi capaz: extinguir mesmo as redundâncias do estado, acabar com o sufoco e a ditadura fiscal, ter contas sãs que evitem a quarta bancarrota.

António José Seguro é bom homem mas, como se viu no domingo, não consegue mobilizar as pessoas para esse “suor e lágrimas” necessário. Os portugueses estão agora a olhar para António Costa.

20/6
Nos seus bons tempos, o sr. Salgado metia no bolso primeiros-ministros, como foi o caso de Barroso e Sócrates. Nos seus bons tempos, ele era tu-cá-tu-lá com a cleptocracia angolana, embora, nesse caso, não se saiba ainda quem é que metia a mão no bolso de quem. Uma coisa se sabe: o bolso estava furado.

27/6
Como se sabe, sem uma alternativa confiável "ao que está", as pessoas não mudam. Faulkner explica isso em "Palmeiras Bravas": entre o nada e a dor, as pessoas escolhem a dor. Entre Seguro e Passos Coelho as pessoas escolherão o segundo.

O mesmo acontecerá com António Costa se ele se ficar pela conversa "hollandista" de menos impostos e mais despesa. É que a classe média, ou o que resta dela depois destes desgraçados anos, percebeu que, quando há falência do estado, é ela, classe média, que é levada à ruína.

11/7
as camionetas de gente com que António Borges emoldurou o comício de Seguro em S. Pedro do Sul mostraram, acima de tudo, o músculo mobilizador do ex-presidente da câmara de Resende; prenunciam um chapéu cheiinho de votos em Seguro naquele simpático concelho duriense; mais nada do que isso

18/7
não se põe um evento com o impacto dos Jardins Efémeros, que não depende da bilheteira, a concorrer com o Tom de Festa que precisa da receita da bilheteira.

Mas o pior é político: AAH enche a boca com o slogan "Viseu, cidade-região" para quê? Para secar a região à volta?

25/7
Quem é, de facto, o "dono" dos Centros Escolares de Santa Comba Dão feitos em PPPs? Quem é o verdadeiro "dono" da A25?

Cada vez haverá mais formas imateriais de propriedade a viverem de rendas. E importa não esquecer o imaterial mais decisivo na economia do conhecimento: as ideias, as patentes, os direitos de autor.
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António José Seguro, não contente com a confusão das primárias, marcou, também para Setembro, eleições para líderes distritais do PS.

O homem só é diferente do comandante do Titanic porque quer mesmo bater num iceberg.

1/8
se o PS apresentar em Viseu acartadores das malas dos chefes, sem pensamento próprio nem vida fora da política, tem um dissabor nas urnas. Em 2015, pode dizer adeus ao terceiro deputado.

5/9
As câmaras do distrito com a corda mais apertada à volta do pescoço são as de Santa Comba Dão (248% de endividamento) e Lamego (205%).

Agora todos os dias se ouvem municípios não (tão) endividados a carpirem-se por estarem a ser transformados na Alemanha das câmaras falidas. Uma coisa é certa: alguém tem de cortar aquela corda à volta do pescoço de Santa Comba Dão e de Lamego.

12/9
No final de Maio, António Borges roeu a corda a António Costa, para espanto deste, e meteu-se num beco sem saída chamado Seguro; como vai fazer o agora líder distrital do PS para que — e repito uma expressão da tal carta aberta — Viseu deixe de ser "um distrito peso pluma no contexto nacional"?

19/9
Na nossa terceira república, a selecção dos líderes a submeter a votos pelas várias agremiações partidárias tem sido feita em "petit-comité", em sótãos conspiratórios e missas maçónicas. Só depois de decidido o essencial, é que as coisas são formalizadas, de cima para baixo, nos órgãos estatutários dos partidos.

26/9
A urbanização difusa das últimas décadas fez crescer os subúrbios, multiplicando bairros à volta das cidades, que, estranhamente, continuam ausentes do discurso e das preocupações dos decisores locais e da comunicação social.

Procuremos exemplos disso no concelho de Viseu: não têm conta as proclamações, opiniões, movimentações, planos, para o quase desabitado Bairro da Cadeia, que toda a gente parece querer transformar numa espécie de Portugal dos Pequenitos.

Já quanto aos bairros de Rio de Loba ou de Abraveses, onde vivem milhares e milhares de pessoas a precisarem de melhor qualidade de vida, não há nada. Ninguém quer saber. Estão fora do octógono da propaganda municipal.

3/10
Já o PSD e o CDS, depois de meses a torcerem por Seguro, fazem agora contas de cabeça. A vitória que tinham como certa nas legislativas em 2015 é ainda possível mas é mais difícil. Têm, claro, um trunfo forte: repetir até à exaustão a fórmula «Costa = Sócrates = bancarrota».

10/10
Ora, não há nada debaixo dos céus que seja sempre bom, que seja sempre mau. Até Sísifo pode fazer uma pausa boa enquanto a pedra rola monte abaixo.

Ora, Sísifo, que com tanto sofrimento só pode ser português, depois da bancarrota de 2011 tem estado a acartar às costas o pesado calhau da austeridade monte acima.

Ora, pelo que se tem ouvido, no próximo eleiçoeiro ano, Sísifo vai poder folgar as costas. Tal qual como no suave ano de 2009, o calhau vai rolar cheio de facilidades monte abaixo.

17/10
O que a nossa esquerda diz da globalização é centrado no umbigo do ocidente. Os chineses e os indianos têm tanto direito a ter um carro como o professor "alter-mundialista" Boaventura Sousa Santos.

14/11
São retóricas muito úteis para os políticos irem construindo "inimigos". Como se sabe, quanto mais fraco é um político, mais ele precisa de “inimigos”.

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Os eleitorados do sul estão a fugir para partidos novos que, pelo menos, ainda não estão sujos pela corrupção.

Para o ano, o PAN e o PDR de Marinho e Pinto devem entrar no parlamento. E se José Gomes Ferreira for a votos, como acaba de “ameaçar”, as coisas levarão mesmo uma grande volta.

19/12
Juízos sobre o que aconteceu ao Portugal do sr. Salgado e dos seus dois mordomos políticos, o sr. Barroso e o sr. Sócrates, ficam por conta e risco do leitor.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Europeias (#2) *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

1. A União Europeia aos poucos vai-se democratizando. As eleições deste ano, pela primeira vez, vão servir também para eleger o presidente da comissão. Há cinco candidatos ao lugar: Martin Schulz, Jean-Claude Juncker, Guy Verhofstadt, Ska Keller e Alexis Tsipras.

Os nossos media só falam da desorientação de Rangel e da moleza de Assis. A retórica dos nossos políticos é feita como se a “Europa” terminasse em Vilar Formoso. Ninguém ligou nada ao debate de 15 de Maio entre os cinco candidatos ao lugar ocupado na última década por Durão Barroso. À cautela, aquilo até foi metido num canal da RTP sem audiência.



O debate foi muito bom e foi ganho pela clareza e acutilância do liberal Guy Verhofstadt, seguido de perto pela ecologista Ska Keller. O social-democrata Martin Schulz mostrou também solidez e bom-senso. Já o conservador Juncker tem o carisma de uma marmota constipada, enquanto o esquerdista Tsipras, o pior dos cinco, é oco.

2. Como dizem todas as sondagens, os populismos de esquerda e de direita vão subir por essa "Europa" fora, impulsionados pelo voto dos excluídos e dos derrotados da crise.

É que o Erasmus é bom, o espaço Schengen um descanso, o roaming agora é barato. Mas, e quem não se pode deslocar?
Mas, e as decisões tomadas nas costas do eleitorado? E o autocrata Orbán à solta na Hungria? E o desempoderamento dos jovens? E a imigração? E a incompatibilidade crescente entre as duas “Europas”, a da eurozona e a do eurocepticismo britânico? E a subtracção do poder orçamental aos parlamentos nacionais do euro?

Nenhuma destas questões, todas determinantes para o nosso futuro, teve qualquer espécie de debate cá. Desde 1994, a abstenção nas europeias ultrapassou sempre 60 por cento. Será que, desta vez, passa dos 65?

Resta dizer que não sei como se possa votar em Guy Vehrofstadt ou em Ska Keller. Votar Aliança Portugal é votar Juncker; votar PS é votar Schulz; votar bloco é votar Tsipras.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Europeias (#1) *

* Publicada hoje no Jornal do Centro

1. As eleições europeias deste ano vão decorrer num quadro político muito parecido com o de 2004.

Naquele ano, Durão Barroso e Paulo Portas governavam coligados, agora são Pedro Passos Coelho e o mesmo Portas. Em 2004, a coligação de direita às europeias chamou-se "Força Portugal", agora chama-se "Aliança Portugal".

Por sua vez, na oposição, o PS era dirigido pelo pouco carismático Ferro Rodrigues, agora é dirigido pelo pouco carismático António José Seguro. Há dez anos o cabeça de lista do PS foi o moderado Sousa Franco, agora é o moderadíssimo Francisco Assis.

Para completar o ramalhete de semelhanças: em 2004 havia um grande descontentamento com o governo PSD/CDS, este ano o descontentamento não é menor, especialmente do eleitorado "grisalho" que tem visto as suas pensões amputadas. Não é preciso pedir ajuda à Maya. É sabido: Pedro Passos Coelho vai levar no toutiço no dia 25 de Maio.

Vale por isso a pena lembrar os resultados eleitorais de 2004: o PS teve então 44,5% dos votos e a Força Portugal 33,2%. Os socialistas elegeram 12 deputados europeus, a direita 9, os comunistas 2 e o bloco 1.

O PSD e o CDS estão numa situação esquizofrénica: sabem que não vão ganhar, não querem perder por muitos, mas querem, acima de tudo, que Seguro fique seguro no seu partido.


Uma coisa é certa: depois dos anos do autoritarismo negocista de Sócrates, o PS já não tem a força política nem a autoridade moral que tinha em 2004. Apesar disso, Seguro está obrigado a, no mínimo, deixar a direita a 5% de votos e a eleger mais deputados que a “Aliança Portugal”.

Caso contrário, ou António Costa toma conta do assunto, ou Pedro Passos Coelho ganha as próximas legislativas.


2. Fernando Ruas ocupa um honroso segundo lugar na lista da “Aliança Portugal”. Quero cumprimentá-lo por isso.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Uma peta*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

1. O orçamento municipal para 2014 em Viseu é um desapontamento, contudo o PS, o CDS e o PCP abstiveram-se na sua votação na assembleia municipal. Ficaram-se por um “nim” cinzento e átono perante um orçamento que, ao contrário do que vinha a fazer Fernando Ruas, aumenta as despesas correntes em vez de as diminuir.

Politicamente, os quatro vereadores da oposição deixaram-se emparedar, a sua voz não chegou a lado nenhum sobre este assunto. 


Foram muito vocais perante alguns milhares de euros da festa de fim-de-ano, perante os milhões do orçamento afonizaram.

Merece referência a clareza política de Carlos Vieira do bloco de esquerda, o único deputado municipal que votou contra um orçamento que, só em taxa de resíduos sólidos, prevê fazer pagar aos viseenses mais um milhão de euros do que pagaram em 2013.

2. Como é sabido, José Sócrates embaralhou-se todo sobre o que fez durante o heróico Portugal – Coreia, em 1966. Disse ele na televisão que ia a caminho da escola enquanto Eusébio e os magriços viravam o resultado. O problema é que o jogo foi num sábado à tarde de um 23 de Julho. Tempo de férias.

Como explicou Baudelaire, a memória é um palimpsesto, a memória é um pergaminho que se vai apagando para tornar a escrever por cima. Sem darmos conta “alteramos a história de cada vez que voltamos a recordá-la”, lembra Nassim Nicholas Taleb em “O Cisne Negro”.

Sócrates disse uma peta sobre o que aconteceu naquela longínqua tarde de Verão de 1966? Claro que sim. A si próprio.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Matemática da última assembleia de freguesia de Viseu: VODKA-LARANJA menos VODKA = LARANJA

João Serra, o eleito da CDU, faltou à última Assembleia de Freguesia de Viseu e esta falta automaticamente aprovou o orçamento do PSD.
O eleito da CDU podia ter-se feito substituir e não o fez.

Pelo que se percebe, tivemos na Assembleia de Freguesia de Viseu (que, convém lembrar, representa mais eleitores que 21 das 24 câmaras do distrito)  um caso clássico de vodka-laranja. Tivemos, na prática, uma coisa tipo Loures de Bernardino Soares, admirador da democracia norte-coreana.

Só que aqui, em Viseu, aconteceu uma ruptura de stock de vodka. A vodka não apareceu. Ficou só a laranja.

O Paulo Neto esmiuça bem o caso no Rua Direita. Paulo Neto fustiga também o bicéfalo bloco, a quem chama "esquerda 'filet-mignon'", mas deve ser porque não gosta de caviar.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um mês

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


Falta exactamente um mês para as autárquicas. Olhe-se para o que se passa no concelho de Viseu.

Não há nada a dizer ainda sobre Manuela Antunes, do bloco, e Francisco Almeida, da CDU, uma vez que eles reservaram as suas energias para Setembro. Já os candidatos do CDS, do PS e do PSD não foram de férias.


Com os melhores outdoors, o combativo Hélder Amaral tenta ser eleito o nono vereador, desempatador das votações na câmara. Não parece nada fácil. O candidato à assembleia municipal do CDS, Fernando Figueiredo, autor do melhor blogue local, não é homem de aparelho como são todos os outros cabeças-de-lista. Nele reside alguma da pouca esperança que a próxima assembleia municipal venha a ter algum interesse político.



Fraco no marketing e nas redes sociais, José Junqueiro tem-se fixado com competência nos temas da economia, do emprego e dos problemas sociais. Os quatro primeiros nomes da lista da câmara são sólidos. Como aqui já foi referido, Junqueiro procurou que a lista para a assembleia municipal não lhe fizesse sombra, nem tivesse mais votos do que ele.



Com uma campanha competente e com meios, António Almeida Henriques tem apostado tudo em capitalizar o justificado orgulho que os viseenses sentem pela sua terra e tem tido a sorte de os outros candidatos o deixarem sozinho nesse tópico. Na lista para a câmara, pôs o presidente da concelhia laranja à frente de Ana Paula Santana, deixando-a num lugar inelegível, o que, para além de um erro, é uma demonstração de fraqueza. Almeida Henriques, ao escolher Mota Faria para cabeça-de-lista à assembleia municipal em vez de João Cotta, teve exactamente a mesma estratégia de Junqueiro.

Como há uma parte do eleitorado que faz questão de repartir os seus três votos autárquicos por partidos diferentes, ou Junqueiro ou Almeida Henriques, um deles vai ser ultrapassado em votos pelo seu candidato à assembleia municipal.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cimento cultural (#2) — em quatro partes

Caro Miguel Fernandes,

O meu amigo começou aqui, eu repliquei aqui, depois treplicou aqui, e agora retreplico eu. 

«É da vida...», como dizia o saudoso engenheiro Guterres, neste caso, vida boa já que trocar ideias com quem tem ideias é bom.


1. Hélder Amaral
No mesmo dia em que me referi aqui ao cimento cultural do "empreiteiro Hélder Amaral", estive com o candidato do CDS que me disse que não quer uma obra nova para albergar a Casa da Cultura que defende para Viseu — o que está em causa é o recheio de ideias para a dita casa que terá que ser uma já existente.


Nesse sentido, o dilema do voto do Miguel Fernandes que me preocupava fica mais aliviado. Na sua resposta abriu o leque de opções a todo o leque partidário, não o restringindo à direita, o que me parece bem, e não se esqueceu de referir o voto nulo e branco, e mesmo a abstenção. 

Quanto mais opções melhor, concordo consigo, meu caro.


2. Manuel Maria Carrilho
Caríssimo Miguel Fernandes, é evidente que a política cultural não fugiu à dinâmica da "execução" de fundos comunitários, isto é, literalmente: o "homicídio" do dinheiro da "europa" feito à descarada e que ajudou a levar o país à bancarrota.

Esse rio largo de dinheiros europeus que deu ferreiras-dos-amarais e pontes-vasco-da-gama-mais-que-repagas e deu jamés e aeromoscas-de-beja e auto-estradas-redundantes e paulos-campos e outros figurões que Nosso Senhor os benza na sua divina graça, esse rio largo, no que à cultura diz respeito, nem um regato foi, nem uma levada, foi um regozito com alguma água para regar de cine-teatros e centros culturais o país. Em muitos os autarcas não sabem o que lá meter dentro, é verdade, muitos outros funcionam bem e são, usando uma velha fórmula, "sinais exteriores de riqueza de espírito" imprescindíveis a uma comunidade.

Doideiras de fidalgo falido, como o Museu dos Coches que não era preciso para nada, são coisas que não têm nada a ver com MMC cuja política cultural foi virada muito mais para o software que para o hardware e é por isso que o seu algoritmo MMC=cimento cultural não faz sentido nenhum nem se escora nos factos. 


3. Rede de leitura
Li com muita atenção a troca de argumentos que travou no Facebook com alguns dos nossos preciosos amigos e amigas feicebuqueiros acerca do assunto. O Miguel pensa que em vez de ser a biblioteca a preceder o gosto pela leitura, deve ser ao contrário; acha que, como temos "um povo que pura e simples está-se nas tintas para livros ou qualquer tipo de leitura que implique o mínimo de esforço intelectual", uma biblioteca é um "telhado", que não tem "fundações". 

Assunto de pescadinha-de-rabo-na-boca. Ou saindo dos mares para a capoeira: assunto do ovo-e-da-galinha. Nessa zoologia circular e insolúvel não me apanha, prefiro contar uma história.

Era uma vez um melómano com pouco dinheiro e, que sempre que tinha algum, tratava de o derreter em cêdês e em equipamentos audio. Era no tempo do analógico, gravar música fazia-se em cassetes. Não havia Youtube nem iTunes, estava-se a meados nos anos 90 do século passado. O nosso melómano já tinha um computador, claro, mas não ouvia música no computador, música ouvia-a no seu sistema de som comprado a prestações sofridas e a que só faltava uma peça: um deck de cassetes da Yamaha topo de gama que gravava cassetes de metal com a mesma qualidade audio de cêdê, quase noventa contos. Depois de muita ginástica lá o conseguiu comprar. Na mesma semana, numa revista de informática, viu um gravador de cêdês para computador por dezassete contos. No deck Yamaha, nem meia dúzia de cassetes chegou a gravar. 

E agora copio para aqui o início de "The Bookless Library", um artigo de Davis A. Bell, na New Republic:

They are, in their very different ways, monuments of American civilization. The first is a building: a grand, beautiful Beaux-Arts structure of marble and stone occupying two blocks’ worth of Fifth Avenue in midtown Manhattan. The second is a delicate concoction of metal, plastic, and glass, just four and a half inches long, barely a third of an inch thick, and weighing five ounces. The first is the Stephen A. Schwarzman Building, the main branch of the New York Public Library (NYPL). The second is an iPhone. Yet despite their obvious differences, for many people today they serve the same purpose: to read books. And in a development that even just thirty years ago would have seemed like the most absurd science fiction, there are now far more books available, far more quickly, on the iPhone than in the New York Public Library.

É isso, meu caro, a rede de leitura portuguesa, impulsionada pela visão de MMC, pode acabar por vir a ser uma espécie de deck de cassetes Yamaha topo-de-gama comprada quando já é tarde, quando a tecnologia de acesso aos livros mudou: no meu tablet tenho acesso a muitíssimos mais livros dos que há na biblioteca municipal de Viseu.

Não se perturbe, meu caro, não acho que estejamos perante o funeral das bibliotecas, aquilo que diz que é um "telhado" sem "fundações". Quanto mais não seja, as bibliotecas são dos poucos espaços públicos centrais nas cidades ainda acessíveis a toda a gente, onde um cidadão mesmo sem dinheiro pode estar num sítio sossegado, limpo e climatizado. Provavelmente não estará é a ler um livro de papel.

Coisas para pensar —  como vai ser uma biblioteca daqui a dez anos? Não vejo ninguém pensar sobre isso, nem os bibliotecários (o que é natural, são técnicos, podem influenciar decisões, mas não as podem tomar) nem os políticos como se está a ver nestas autárquicas (
o que se vê aí à solta nesta pré-campanha, meu caro, é achismo, impreparação engravatada, e metapolítica a declinar tretas sobre "cidadania" e "orçamentos-participativos").


4. O encontro em Setembro 
A minha réplica terminava com um singelo: "Vai uma conversa em Setembro sobre o assunto?" 

Na sua tréplica, aumenta a parada e propõe: "Um debate moderado, pela simpática Ana Paula Santana - em jeito de despedida-, no Lugar do Capitão, com os três programas - CDS, PSD, PS-  à frente, seria positivo."

No Facebook recebemos muitos sinais que o Lugar do Capitão estaria bem composto para esse eventual debate.

Mas, devo-lhe lembrar, meu caro: em Setembro o ruído eleitoral vai estar no máximo. É necessário e bom que assim seja. Será o tempo para os candidatos fazerem pesca de arrasto, até ao dia de S. Miguel, 29 de Setembro, dia de pagar as rendas anuais na antiga ordem agrícola.


Fiquemo-nos por uma singela conversa. Que caiba numa e só numa mesa do Lugar do Capitão. Para coisa mais formal ou alargada, não conte comigo.

domingo, 2 de junho de 2013

Tudo em aberto em Viseu

Detalhes aqui

É visível e não surpreende a transferência directa de eleitorado de Fernando Ruas para José Junqueiro.

Há três perigos que corre António Almeida Henriques, os dois primeiros ele não controla mas o terceiro é um tiro que ele tem estado a dar no pé:
1 — o trabalho de Hélder Amaral só começa agora;
2 — é de esperar uma crescente vermelhidão do cartão amarelo que vai ser dado a Pedro Passos Coelho;
3 — a sua campanha está com muitos meios, a gastar muito dinheiro, e isso irrita o eleitorado esmagado pela crise.

José Junqueiro deve evitar fogos-de-artifício eleitorais parecidos com o do candidato laranja, e fazer uma campanha austera e frugal, apostando no contacto e a auscultação das pessoas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Parabéns, António Almeida Henriques!

Distrito de Viseu — evolução de votos 
das legislativas de 2009 para as de 2011:


PSD — mais 17 422 votos


PS — menos 20 638 votos

CDS — menos 3777 votos



BE — menos 8185 votos

PCP — menos 332 votos










Brancos: mais 1754 votos
Nulos: menos 745 votos
Abstenção: mais 12 566 eleitores

    António Almeida Henriques e o PSD subiram em votos, os outros partidos desceram todos.
     O trambolhão do PS é um desastre sem precedentes.
     Espera-se que a disputa Assis - Seguro não faça distrair o partido distrital da reflexão necessária sobre o que aconteceu.
     Com trabalho, com humildade, com caras diferentes das do socratismo, é possível ao PS inverter este estado de coisas nas autárquicas de 2013, eleições locais que vai disputar num contexto político pelo menos tão favorável como o de 1993, então já durante a fase de declínio do cavaquismo.