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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Caixinhas*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Como a substituição de Joana Marques Vidal por Lucília Gago não abrandou o combate à corrupção, António Costa e Rui Rio entraram em plano B: tentar, ainda nesta legislatura, o controlo político do ministério público e retirar-lhe a sua autonomia financeira.

Costa, nestes assuntos, actua pela calada, mas Rui Rio não esconde ao que vem. A sua conversa sobre "banhos de ética" é só isso: conversa. Basta lembrar que o líder do PSD mantém a confiança política no afiançado Álvaro Amaro.

Desta vez, o bloco central falhou graças ao efeito combinado de uma greve que parou os tribunais e uma admoestação pública do presidente Marcelo. Mas o PS e o PSD vão voltar à carga. A justiça vai ser um campo de batalha na próxima legislatura.


2. Num debate no parlamento alemão para reconhecimento de vários tipos de género, um guedelhudo, deputado da extrema-direita, foi ao púlpito e começou: «caros homossexuais, caras lésbicas, caros andróginos, caros bigénero, caras mulheres-para-homens, caros homens-para-mulheres, caros género variável, caros...» O homem fez aquela saudação a 44 géneros diferentes a que acrescentou um «caros outros», para o caso de haver mais que não lhe ocorriam. O vídeo daquela palhaçada é um sucesso nas redes sociais.


Já Marchavas, 1ª Marcha pelos Direitos LGBTI+ de Viseu, 7 de Outubro de 2018
Fotografia Olho de Gato

A 28 de Junho, para assinalar o dia do orgulho gay,
o New York Times lançou aos seus leitores o desafio para descreverem como se identificavam nos relacionamentos. A análise às cinco mil respostas recenseou 116 palavras e expressões diferentes para sexualidades e identidades de género. Três exemplos: "bi-romântico", "não-binário", "assexual".

Como se vê, estas divisões em sub-sub-subgrupos acrescentam um "etc" quilométrico à velha sigla LGBT.

Há aqui um sinal de diversidade humana, claro. Mas — como observou cheio de razão António Gil no Facebook desta coluna — há também muita gente a querer "fazer parte de uma caixinha quando o objectivo devia ser acabar com todas as caixas".

sexta-feira, 7 de junho de 2019

RIPismos e rascunhos*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Quando morre um artista importante, os media e as redes sociais ficam monotemáticos e entram em modo RIP (“requiescat in pace”, “rest in peace”, “riposi in pace”). Não há descanso nem paz enquanto não contarem tudo sobre o falecido e a transcendência da sua obra.

Este RIPismo, feito por especialistas mais ou menos instantâneos, divide-se em dois grandes grupos:

— o RIPismo que se foca nos feitos do génio que nos acabou de deixar e nos ajuda a compreender a sua obra;

— o RIPismo em que o vivo usa o óbito como pretexto para falar de si próprio (o dia em que encontrou o falecido, ou jantou na mesa dele, ou teve uma epifania com um seu poema, …); este RIPismo narcísico qualquer dia começa a tirar selfies junto aos caixões e publica-as no Instagram.


Fotografia de Alfredo Cunha — Daqui
2. O RIPismo desta semana foi sobre Agustina Bessa-Luís.

Li textos muito bons sobre a romancista e o melhor deles foi de Rui Catalão que, no Facebook, lembrou que Agustina foi “a maior escritora de mão quente de todos os tempos: tudo o que dela conhecemos foi escrito ao primeiro rascunho, sem trabalho de edição nem reescrita”. Ela escrevia à mão, numa letra pequenina, ao “first take”, quase sem emendas nem rasuras.

É claro que nenhuma obra é feita “à primeira”, Agustina não fazia rascunhos no papel, fazia-os dentro da sua cabeça.

Aquilo que é o histórico de edições, as encruzilhadas narrativas, as hesitações, as personagens expulsas da história, as versões abandonadas, os esboços, aquilo a que Leibniz chamou «o grande mistério do que podia ter acontecido», tudo isso ficava-se pela cogitação interior de Agustina.

3. Paulo Ribeiro desistiu de tentar sacar em tribunal 53 mil euros ao Teatro Viriato por “despedimento ilícito” e o teatro municipal não vai pedir uma indemnização por aquele ataque ao seu bom nome.

RIP! Este caso faleceu quando ainda era só um esquisso esquisito, um esboço, um rascunho. Se nunca tivesse saído da cabeça do coreógrafo teria sido muito melhor. Especialmente para ele.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Autocitações*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 20 de Março de 2009

1. “Cito-me muitas vezes. Isso apimenta a minha conversa.”, disse uma vez Bernard Shaw, numa blague que não deve ser levada a sério já que a autocitação é só um sinal de preguicite aguda. É o principal defeito desta crónica.

2. Em 2005, Maria de Lurdes Rodrigues começou o seu mandato a desaconselhar os trabalhos de casa. Agora acabou a dizer sim à confederação de pais que quer as escolas abertas 12 horas por dia.

Escrevi aqui no Olho de Gato de 13.10.2006: “Maria de Lurdes Rodrigues, a Ministra da Educação, tem sido autoritária com as escolas, despesista com as autarquias, facilitista com os alunos e titilante com as famílias.”

Este entre aspas a mim próprio não é, como dizia Bernard Shaw, para apimentar esta crónica. É só o balanço do marilurdismo.

3. Escrevi na última semana: «A quase primavera é a voz de Ney Matogrosso a cantar a epiderme "por debaixo dos pano".»

Um leitor atento chamou-me a atenção que aquele “por debaixo dos pano” não tem nada a ver com epidermes, nem amores da primavera, mas sim com corrupção, com dinheiros por “debaixo das mesa”.

Transcrevo o refrão:
O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano

Provou-se em tribunal que o dono da Bragaparques quis comprar o vereador José Sá Fernandes. Pena aplicada a Domingos Névoa: 5000 euros de multa.

Esta pena é uma anedota mas o tribunal aplicou as leis anti-corrupção que temos.

Entretanto, no parlamento, insossa-se o pão. Dos tentáculos do polvo ninguém trata.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Quem não se sente...*

* Hoje no Jornal do Centro


Fotografia Olho de Gato

1. Na edição da semana passada, este jornal dava a novidade na primeira página: “Antigo director coloca Teatro Viriato (TV) em tribunal, quer receber dinheiro dois anos depois de ter saído”. Mais à frente, na página seis, os pormenores: Paulo Ribeiro “alega que houve um despedimento ilícito” e “pede indemnização de 50 mil euros”.

Recordemos: em 2003, Paulo Ribeiro saiu de Viseu para ir dirigir o Ballet Gulbenkian, e, como as coisas não correram bem, acabou por regressar ao mesmo posto.

Uns anos depois, em 2016, Paulo Ribeiro, o número um, decidiu aceitar outro convite, desta vez para dirigir a Companhia Nacional de Bailado. Ninguém lhe pôs uns patins debaixo dos pés, ele, o boss, é que quis ir embora pela segunda vez.

O dr. Ruas, em entrevista publicada neste jornal, avisou Paulo Ribeiro que “nem o teatro, nem nenhuma instituição deste género pode ser utilizada como aeroporto, onde se aterra e descola a seu belo prazer”.

É evidente: o Teatro Viriato não é um aeroporto. Nem é, tão pouco, a santa casa da misericórdia.

2. Tem acontecido tudo a Paula Garcia, a actual directora do TV: quando tomou posse, o presidente da câmara, mal aconselhado, fragilizou-a com declarações estéreis e infelizes à imprensa; a seguir, apesar de a candidatura do TV aos apoios do ministério da cultura ter ficado em primeiro lugar, sofreu um corte enorme nos apoios vindos de Lisboa, só no primeiro ano foram 90 mil euros; agora, esta facada em tribunal do antigo director.

Perante tudo isto, ainda não se viu nenhum gesto solidário de António Almeida Henriques para com o seu teatro municipal. Mas ainda está a tempo.

O vereador da cultura convidou Paulo Ribeiro a fazer, no próximo mês, um espectáculo no exacto palco da exacta instituição a quem o coreógrafo, já depois desse convite, meteu uma acção judicial para tentar sacar 50 mil euros. Um presidente da câmara não pode pactuar com isto. O espectáculo deve ser cancelado.

É que quem não se sente...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Jovens velhos*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Os inconseguimentos da justiça no combate à corrupção são uma bomba relógio no coração da terceira república.

É necessário criminalizar o enriquecimento ilícito, meter logo na cadeia os corruptos após condenação em segunda instância, instituir a colaboração premiada para quebrar a omertá corrupta. É necessário, mas o cartel partidário não vai fazer nada disso.

Depois de terem corrido com Joana Marques Vidal, os partidos passaram à fase seguinte: querem domesticar a PGR. Começaram por tentar o controlo político do conselho superior do ministério público, só que, perante a reacção pública, o PS fez um recuo táctico e deixou Rui Rio a fazer o papel de “idiota útil”. Mas ambos vão voltar à carga.

2. A nova líder da JS, em 28 meses de assessorias, recebeu 110 mil euros da câmara de Lisboa. Foram 3928 euros por mês. Quase sete salários mínimos.


Editada a partir de uma fotografia de João Porfírio
 (daqui)
Perante isto, o poderoso Pedro Nuno Santos lembrou, em pleno congresso jotinha, que “a avença que a Maria Begonha recebe não a distingue de nenhum outro assessor das dezenas de assessores” da câmara da capital.

E isso é verdade. É mesmo aquela a tabela dos 124 boys e girls ao “serviço” dos dezassete vereadores alfacinhas. Para se perceber a dimensão desta cadeia alimentar, refira-se que os avençados de um só vereador com pelouro, num mandato, custam 1,3 milhões de euros. E todos os partidos têm lá Begonhas a facturar desta maneira.

3. Os congressos jotas quando não são um bocejo são uma anedota. O último da JS que elegeu Maria Begonha conseguiu ser as duas coisas ao mesmo tempo.

As jotas partidárias deixaram de ter interesse. Dali não sai uma ideia nova, uma proposta articulada, um sobressalto, uma chispa. Ali habita só o conformismo e a ganhuça.

Os seus dirigentes, sempre ao lado do chefe partidário de turno, ficam mais velhos e mais chatos do que ele. É gente que, com a vida tão facilitada, deixa de saber o que custa a vida. Gente que é um atraso de vida.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ao trabalho?*

* Hoje no Jornal do Centro


1. A detenção do presidente do turismo do Norte, Melchior Moreira, teve um estilhaço mediático que atingiu o presidente da câmara de Viseu. António Almeida Henriques (AAH) afirmou logo a sua disponibilidade para colaborar com os tribunais e assegurou aos viseenses que não deve nem teme.

Não há movimentações da justiça que levem a pensar o contrário e ainda bem que assim é. Contudo, militantes do PSD-Viseu, em declarações a este jornal sob anonimato, já põem em causa a candidatura de AAH ao terceiro e último mandato. O autarca responde-lhes: «eu estou de pedra e cal.»

No PS, João Paulo Rebelo e Rosa Monteiro, que sempre fizeram as suas contas para uma eventual candidatura à câmara de Viseu só em 2025, fazem figas para que não haja nenhuma antecipação de calendário.

E oxalá que sim, oxalá que as nuvens sobre o município de Viseu se dissipem e AAH recupere energia para tratar da nova barragem. Precisamos de uma câmara de Viseu forte capaz de impedir que os boys socialistas da Águas de Portugal ou os capitalistas da Águas do Planalto nos imponham transvases e nos salguem as facturas mensais do precioso líquido.

Os presidentes das câmaras de Mangualde, de Penalva do Castelo e de Nelas inviabilizaram uma solução intermunicipal, com oito municípios, que nos resolvia a todos o problema sem interferências exteriores. Como não é crível que algum deles queira ser no futuro boy da Águas de Portugal, deixo aos três aqui um apelo: regressem às negociações, promovam uma solução nossa, pública, capaz de nos abastecer sem problemas nos próximos cinquenta anos. Ao trabalho?

2. Mal Graça Fonseca, a nova ministra da cultura, desafiou a Gulbenkian a recriar uma “biblioteca móvel adaptada ao século XXI”, logo alguém muito divertido no Facebook lembrou que tal já existe: chama-se internet.

O que não existe é uma biblioteca online e de acesso gratuito a toda a nossa literatura sob domínio público. Cara ministra, ao trabalho?

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Maioria absoluta*

* Hoje no Jornal do Centro


1. No início desta semana, Joana Marques Vidal foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Numa fotografia oficial da cerimónia, ...

Daqui
... vêem-se Ferro Rodrigues, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa com um sorriso de plástico e a ex-PGR com a cara fechada.

O dossier político mais importante deste ano foi fechado assim, com esta rotina institucional tristonha e envergonhada, que decorreu longe dos olhares da comunicação social.

2. Vamos agora a 2019. No próximo ano só vai haver um assunto político - a maioria absoluta do PS. Os socialistas vão fazer tudo para a obter, os outros partidos vão fazer tudo para a evitar.

E, valha a verdade, sendo a maioria absoluta difícil de alcançar, ela não é impossível. É que, quando o segundo partido fica muito longe do primeiro, o método de Hondt pode dar a maioria ao vencedor com uma votação à volta de 42/43%.

Façamos um parêntesis. E se acontece, como em 1999, um empate com 115 deputados da situação e 115 da oposição? Pois, já devia haver um número ímpar de deputados para evitar isso, mas os políticos comem muito queijo limiano. Fim de parêntesis.

Pelas razões explicadas acima, quanto maior a inacção e falta de estratégia de Rui Rio, maior a probabilidade de acontecer uma maioria absoluta socialista.

O principal obstáculo é o descontentamento dos professores. Estando em causa valores orçamentais equivalentes, Costa preferiu tratar bem o IVA dos donos dos restaurantes e tratar mal o tempo de serviço dos professores. Isso vai ter custos eleitorais.

Termino com uma pergunta: quais foram os primeiros-ministros que fizeram mais mal ao país? Pois. Foram mesmo esses dois em que está a pensar.

E repare: tanto Cavaco Silva como José Sócrates foram eleitos com maiorias absolutas de que resultaram governos arrogantes, autoritários e negocistas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Contas de cabeça*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Há quatro semanas, espalhei-me ao comprido quando previ aqui cheio de certezas: “António Costa e Rui Rio não querem a recondução de Joana Marques Vidal. Paciência. Vão ter que a gramar.”


Editada a partir daqui
Contra o expectável, Marcelo Rebelo de Sousa não quis tirar uma selfie com a popularíssima procuradora, a primeira que começou de facto a incomodar gente importante. Marcelo, o poderoso Marcelo, borregou. Porque terá sido?

Há teorias conspirativas e teorias psi para este falhanço presidencial: que Marcelo não perdoa a JMV ter indiciado o seu amigo Ricardo Salgado, que se irritou com aquele “irritante” processo ao ex-vice angolano, que ele é mais fraco psicologicamente do que Costa.

Não creio que tenha sido nada disso. Marcelo está nos primeiros cinco anos de uma presidência de dez. Nos primeiros cinco, os presidentes só pensam na sua reeleição e fazem tudo o que os primeiros-ministros querem. Soares deixou o PM Cavaco fazer tudo, Cavaco deixou o PM Sócrates fazer tudo (até uma bancarrota), Marcelo está a deixar o PM Costa fazer tudo.

Marcelo, o popular Marcelo, tem uma meta para a sua reeleição — ultrapassar os 70,35% de Mário Soares em 1991. Para tal conseguir, precisa que Costa o apoie e não apresente nenhum candidato socialista em 2021, da mesma maneira como Cavaco, então, prescindiu de um candidato laranja e apoiou Soares.

Foram estas contas de cabeça que despediram Joana Marques Vidal. Nos primeiros cinco anos, tem havido sempre em Belém um sacristão do primeiro-ministro e só nos segundos cinco um presidente. Para evitarmos a fase sacristã, há que constitucionalizar um mandato presidencial único de sete anos.

2. Em Singapura, a Huawei chegou junto de uma fila de compradores para o ultimíssimo iPhone e deu-lhes uma caixa com uma bateria externa onde se podia ler: “Aqui está um powerbank. Você vai precisar dele.”

Um dia destes, Xi Jinping, num gesto magnânimo, entrega uma caixa destas a Donald Trump.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

700*

* Hoje no Jornal do Centro

1. No último dia deste querido mês de Agosto, um número redondo: este é o septingentésimo Olho de Gato.

Este Agosto teve um calor bravo nos primeiros dias mas, depois, lá amansou e ficou querido como todos os anos. Dava jeito uma chuvinha em cima das nossas vinhas e dos pinhais. Pinhais que, mais para o Outono, hão-de dar míscaros e sanchas e tortulhos e gasalhos e centieiros.

Os nossos queridos emigrantes já regressaram às terras onde fizeram vida, a nossa classe média mais manienta chama-os aveques, eles estão-se bem nas tintas, gozaram cá as merecidas férias, para o ano regressam, abençoados sejam.

Os apoios e os descontos de IRS anunciados pelo primeiro-ministro não são para eles, não são para as Lindas de Suza. António Costa só quer pôr o fisco a mimar os “mochilas-de-cartão”, licenciados e de smartphones cheios de apps, ...

Fotografia daqui
... que emigraram nos anos a seguir à bancarrota, esses e mais ninguém.

Esta “ideia” do governo vai contribuir tanto para o regresso de quadros qualificados como o cheque-bebé de Sócrates, há oito anos, contribuiu para o aumento da natalidade. Mas vai entreter o pagode.

2. Esta semana, o jornal Público alegrava-se em letras garrafais na primeira página: “Novas regras para matrículas acabaram com fraudes das moradas falsas”.

Agora só falta o parlamento aplicar as mesmas regras das matrículas dos alunos às casinhas dos senhores deputados.

3. Com o fim do querido mês de Agosto, vai-se a bonomia e o sossego. Chegam as contas dos cartões de crédito e as despesas do “regresso às aulas”.

Há que cair na real e enfrentar os problemas. Na política, está a chegar o tempo da única decisão verdadeiramente importante de 2018 — a designação do Procurador-Geral da República.

Como é consabido, António Costa e Rui Rio não querem a recondução de Joana Marques Vidal. Paciência. Vão ter que a gramar. Era só o que mais faltava regressarmos aos tempos em que tínhamos um arquivador-geral da república às ordens das cliques partidárias.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Um pesadelo*

* Hoje no Jornal do Centro


1. A constituição democrática do Brasil foi promulgada em Outubro de 1988, um ano antes da queda do muro de Berlim. Na altura, o Partido dos Trabalhadores (PT) era anti-sistema e não quis participar no processo de passagem da ditadura militar para a democracia. Não estava de acordo com as regras da “democracia-burguesa” mas depois usou-as impecavelmente e conseguiu eleger Lula da Silva, alcandorando o Brasil a uma posição de destaque e respeito no mundo.


Fotografia de Marcelo Sayao
Lula foi um bom presidente e chegou ao fim do seu último mandato com taxas de aprovação de 90%. Na altura muita gente queria que ele mudasse a limitação constitucional de mandatos de forma a poder continuar, mas Lula recusou. Fez bem. Lula foi, então, um democrata, contrastando, por exemplo, com o que estava a fazer o funesto Chavez na Venezuela.

2. Entretanto, Lula mudou. Para pior. Escrevo este texto no dia em que o PT o registou como seu candidato oficial a presidente, ao mesmo tempo que candidatava a vice-presidente Fernando Haddad, ex-prefeito de S. Paulo.

Estamos perante um padrão comportamental: mal começou a ter sarilhos no Lava Jato, Lula arrastou Dilma até ao chão e está agora a fazer o mesmo ao PT, levando-o a desrespeitar uma lei que a cidadania brasileira impôs à sua corrupta classe política.

Recorde-se: a lei da ficha limpa, que proíbe um condenado em segunda instância de ir a votos, foi aprovada pelo Congresso, após uma petição de 1,6 milhões de brasileiros, e foi promulgada por Lula, no seu último ano de presidência.

Lula, em 2010, respeitou as regras. Em 2018, a criatura não respeita nem tão pouco uma das leis que promulgou. Lula é agora um projecto de autocrata. Uma ameaça à democracia.

Se Haddad fosse eleito, trataria logo de conceder perdão a seu superior hierárquico. O Brasil virava uma Venezuela ou uma Nicarágua. Um pesadelo. Não pode acontecer.

Tal como em 1988, a democracia brasileira vai ter que avançar sem o PT.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Guiné-Bissau*

* Publicado no Jornal do Centro ha exactamente dez anos, em 30 de Maio de 2008


A edição do último domingo do Washington Post trazia uma reportagem sobre a Guiné-Bissau intitulada a “Rota do Mal”. Conforme conta Kevin Sullivan, a situação daquele país lusófono é catastrófica. A Guiné está à beira de se tornar um narco-estado dominado pelos cartéis colombianos.

A cocaína “viaja” cada vez mais para a Europa por causa da valorização da libra e do euro. Há muita procura em Inglaterra, Espanha e Itália. Em Londres, Madrid ou Milão os preços do “pó branco” são o dobro dos praticados em Nova York ou San Francisco. Sem surpresa, percebe-se que o comércio dos estupefacientes segue as regras da economia global.
     
A Guiné ocupa o antepenúltimo lugar do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. A maioria das pessoas não tem água nem electricidade. O país tem 63 agentes de investigação mas mais de metade nem arma tem. Os prisioneiros dormem num edifício decrépito a que se chama prisão; sair ou ficar depende deles.
     
Apesar deste cenário, na rua vêem-se Porshes e BMWs luzidios. Os carros são pagos nos stands com dinheiro vivo. Quando um traficante é incomodado, o juiz liberta-o. Os jornalistas ou se calam ou levam um tiro. É a economia da cocaína a funcionar.
     
A droga é largada nas várias ilhas da Guiné-Bissau. Depois, pequenos aviões e “mulas” transportam o produto para a Europa. Em Amsterdão, só num voo proveniente de Bissau, foram apanhadas 32 pessoas com cocaína escondida no corpo.
     
Não há que errar: Portugal vai ser afectado pela existência deste entreposto de cocaína a funcionar num PALOP. É preciso ajudar a Guiné-Bissau a construir a autoridade do estado. Para já, ainda deve ser só um caso de polícia. No futuro, se nada for feito, pode vir a ser um caso militar.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Underground*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 23 de Maio de 2008

1. Belgrado. Segunda Guerra Mundial. Marko e Blacky, amigos inseparáveis, vão tratando do canastro aos alemães que ocupam o seu país. Blacky é perseguido pelos nazis. Esconde-se numa cave acompanhado por um grupo grande. Aí ficam todos literalmente soterrados, com um único contacto com o exterior: Marko. À superfície, prossegue a guerra de libertação; no subterrâneo, aquela gente, dirigida com mão de ferro por Blacky, produz armas.




Quando os alemães são expulsos da Jugoslávia, Marko não diz nada aos de baixo. Ano após ano mantém o grupo na cave. Nem de seu irmão Ivan, que também lá está, tem pena. Eles julgam que a guerra continua. Ficam assim no escuro, como na Alegoria da Caverna de Platão, num mundo paralelo, em que o “real” e a “ficção” trocaram de lugar.

Esta é a história de Underground, um filme de Emir Kusturica, que ganhou uma mais que merecida Palma de Ouro em Cannes, em 1995.

É muito provável que Elisabeth Fritzl, que foi enclausurada numa cave pelo seu próprio pai durante 24 anos, tenha visto Underground. A cave tinha televisão e Elisabeth tinha muito tempo para gastar.

Daqui

Que terá pensado ela enquanto via Underground?

2. Barack Obama: “Não podemos guiar os nossos SUV, comer tanto quanto nos apetece, manter as nossas casas sempre, a todas as horas, nos 22ºC… e depois esperar que os outros países venham dizer ok.”

John Edwards: “Temos que ser contra a ganância das multinacionais.” Para mim, era este o “ticket” ideal: Obama, a presidente; Edwards a vice.

De qualquer forma, quer ganhe Obama, quer ganhe McCain, uma coisa boa vai acontecer: sai da Casa Branca o pior presidente da história dos Estados Unidos.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Carlos Santiago*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. O escritor, dramaturgo e músico Carlos Santiago nasceu em Santiago de Compostela, mas é tão da Galiza como da nossa região, onde vem com muita frequência.

A sua peça “Tráfico”, que passou na Acert há um ano, foi o melhor espectáculo de teatro que subiu aos palcos do distrito em 2017. Em Maio fez um excelente monólogo em Viseu, na inauguração da galeria CAOS, mesmo atrás da Sé.


2. Na noite de sábado do carnaval deste ano, numa bela praça da sua cidade natal, Carlos, ataviado como o seu homónimo apóstolo Santiago, fez o mui aguardado “Pregón de Entroido”. Como é um soliloquista de eleição com décadas de experiência, ele pregoou coisas mui conformes com a liberdade desbundosa do carnaval.

Fotografia daqui


O jornal El Correo Gallego não esteve lá mas pôs um “jornalista” que assina com pseudónimo a contar tudo. À sua maneira. Emprenhou pelas orelhas com uns anónimos e contou o caso. À sua maneira.

Que o monologuista “fue muy duro” e fez “críticas muy groseras”.

Que o pregoeiro, com voz cheia de testosterona, aludira aos “huevos” de Santiago. Se foi aos próprios não foi gabarolice, Carlos é e sempre foi homem com eles no sítio, se foi aos do apóstolo, foi parábola, diria eu que não estive lá e, portanto, sei tanto como o “jornalista”.

Que, escreveu ainda a criatura que ninguém sabe quem é, “Carlos Santiago parece haber ido un poco más allá para, según denunciaron algunos de los presentes, rozar la grosería y la desvergüenza.”

Este artigo saiu da cloaca no dia 13. A seguir, viralizou. Outros jornais ecoaram a “notícia”, as sub-caves dos comentários online escorreram ódio, as redes sociais, como de costume, pegaram fogo.

Entretanto, o alcaide de Santiago, encomendador do pregão, e Carlos Santiago, o pregoeiro, já foram ameaçados de morte. E já apareceu uma associação de “abogados cristianos” que os quer levar a tribunal.

Vivemos tempos negros para a liberdade de expressão. Os identitarismos estão cada vez mais intolerantes e já nem as tréguas de carnaval respeitam.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Tiquetaque, tiquetaque*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


1. O passo em falso da procuradora-geral da república no caso dos bilhetes lampiões de Mário Centeno fez sair dos estábulos dezenas de “cabaleiros” a galope nas suas teorias da cabala.

Deu para perceber, mais uma vez, que não são só os governos de Portugal e Angola que estão ansiosos por terem, de novo, um arquivador-geral da república.

Tenha muita saúde, Joana Marques Vidal. E vontade para continuar.

2. O PS no concelho de Viseu está em pantanas. A anterior presidente falhou na decisão mais importante do seu mandato. Não conseguiu impedir que a candidata à câmara fosse escolhida em petit-comité em vez de ter sido em primárias.

O resultado viu-se: com uma candidata incapaz de articular uma ideia que fosse para o concelho, os socialistas marcaram passo. Isto enquanto o PS a nível nacional subia em todo o lado, impulsionado pelo bom momento do governo e do primeiro-ministro.

Lúcia Araújo Silva só sabe ganhar eleições quando elas são dentro do partido. As recentes eleições da concelhia de Viseu, onde nenhum dos candidatos mostrou vontade de debater ideias, foram resolvidas através do cochicho arrebanhador de votos. E nisso a vereadora é especialista.

Agora, o PS das famílias, depois da derrota, quer ganhar na secretaria. Uma “moscambilha”, como bem disse José Junqueiro.

3. Lembremos António Almeida Henriques em discurso directo, em 10 de Dezembro de 2015:

— “seis quilómetros [de ciclovias] serão o vírus positivo para transformar muitos hábitos (…) uma revolução tranquila na mobilidade da cidade”;

— “é já um salto de tigre numa mobilidade mais amiga da qualidade de vida urbana, da economia e do ambiente e que prova que isto não é só apanágio das grandes cidades”.

Passaram dois anos completos e mais dois meses. Espera-se que não tenha dado um vírus negativo neste tigre saltador.

Daqui
É que o presidente da câmara de Viseu prometeu a conclusão destas ciclovias em... 2018. E, para já, não se vê nada. 

Tiquetaque, tiquetaque. Faltam 325 dias.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Alcatrão neles*

* Publicado há exactamente dez anos, em 21 de Dezembro de 2007

Num longo ensaio, publicado no New York Times, em 17 de Outubro de 2004, Ron Suskind analisou a forma como George W. Bush foi perdendo o contacto com a realidade.

Suskind contou um encontro que teve com um conselheiro de topo do Presidente dos Estados Unidos: «O conselheiro disse que pessoas como eu estavam “naquilo que eles chamavam a comunidade baseada na realidade,” que ele definia como gente que “acreditava que as soluções emergiam a partir do estudo judicioso da realidade discernível.” Eu concordei e murmurei qualquer coisa acerca dos princípios das luzes e do empirismo. Ele interrompeu-me: “Já não é assim que o mundo funciona agora.” Continuou: “Agora somos um império e, quando agimos, criamos a nossa realidade própria. E, enquanto vocês estudam essa realidade, – com profundidade se quiserem – nós actuamos outra vez, criando uma nova realidade, que vocês podem estudar também, e é assim que as coisas vão acontecer. Nós somos actores da história… e vocês, todos vós, ficarão a estudar o que nós fazemos.”»

A “nova realidade” que o bushismo criou no Iraque foi morte, corrupção, violência sectária, degradação das condições de vida, especialmente das mulheres.

Como a nódoa é grande, chegou agora o tempo dos detergentes: Karl Rove, o principal guru de Bush, apareceu na TV a dizer que foi o Congresso, não o Presidente, quem precipitou a guerra do Iraque; Durão Barroso, numa entrevista ao DN, também já se quis pôr fora do filme.

O bando da Cimeira das Lages – Bush, Blair, Aznar, Barroso – ...

Daqui

... merecia o velho tratamento que era dado aos vilões: pegar nos quatro, levá-los a Campo de Besteiros, aspergi-los de alcatrão de cima abaixo e soltá-los no meio de um aviário cheio de galinhas poedeiras.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

17 – X - 2003*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 14 de Setembro de 2007


1. Entra amanhã em vigor o novo Código de Processo Penal que proíbe a divulgação de escutas telefónicas, sem a autorização dos visados, mesmo que essas escutas já não estejam em segredo de justiça.


É caso para perguntar: porquê esta dureza do legislador?


Daqui
Talvez seja bom lembrar o que aconteceu em 17 de Outubro de 2003, um dos dias mais negros da história do jornalismo português. Nesse dia, foi tornada pública uma frase dita ao telemóvel por Ferro Rodrigues. A frase escolhida cirurgicamente foi: «Estou-me a cagar para o segredo de justiça.» Quase todos os “fazedores de opinião” criticaram duramente as palavras de Ferro Rodrigues; poucos condenaram a sua divulgação.

Eram os tempos do caso Casa Pia. Contra a histeria justicialista que se vivia nos media, ouviu-se, na altura, a voz corajosa de Miguel Sousa Tavares (MST). Na TVI, teve um diálogo bem vivo com Manuela Moura Guedes (MMG):

MST: «Estava eu a dizer que o meu primeiro trabalho, quando saí da faculdade, foi na Comissão de Extinção da Pide, onde tive ocasião de folhear muitos processos que a Pide tinha instruído aos antigos resistentes…»

MMG: «Ó Miguel, por amor de Deus, não vais comparar o que agora vivemos com a Pide!»

MST: «Não vou comparar porque há uma diferença grande: é que as escutas da Pide não apareciam nos jornais e agora aparecem...»

A conversa continuou azeda. Miguel Sousa Tavares foi firme a explicar que não é nas televisões nem nos jornais que se fazem julgamentos.

Por princípio, um telefonema é entre duas pessoas. E só entre elas.

2. O acesso ao Hotel Ibis, em Viseu, está um desleixo total. Sinalização, piso, envolvente, tudo de meter medo ao susto.

A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia do Campo andam muito distraídas.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Um acima*

* Publicado hoje no Jornal do Centro

1. José Manuel Fernandes, na qualidade de director do jornal Público, escreveu, em 2006, um artigo de opinião intitulado “A Estratégia da Aranha” muito crítico para com Noronha de Nascimento, acabadinho de chegar à presidência do Supremo Tribunal de Justiça. O texto é achável na internet e merece leitura porque tem uma contundência que não é comum em Portugal.

O #1 dos juízes não gostou do que leu, sentiu-se atingido no seu bom nome e pôs o jornalista em tribunal. A seguir, nunca mais parou, multiplicou-se em alusões públicas ao caso, chegou a ir assistir, até, a audiências “do julgamento da 1ª instância, condicionando, inevitavelmente, as sessões”, como descreveu, em texto recente, o advogado Francisco Teixeira da Mota.

Depois dos recursos, o Tribunal da Relação de Lisboa condenou o jornalista e a sua mulher, fixando o valor da indemnização em 60.000 euros.

Sim, caro leitor, leu bem: o valor da indemnização foi aquele balúrdio e a mulher do jornalista foi também condenada, por solicitação expressa de Noronha de Nascimento, que argumentou que Gabriela Fernandes teria também responsabilidades já que era casada em regime de comunhão de bens adquiridos.

E assim foi fechado o caso em Portugal. 


Daqui
Só que, onze anos depois, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) veio repor justiça neste caso repugnante onde, mais uma vez, o estado português violou grosseiramente a liberdade de expressão e, por isso, vai ter que devolver os 60.000 euros mais as despesas processuais.

Como é possível uma mulher ser responsabilizada por um texto escrito pelo marido? Que raio de país é este?

2. É por estas e por outras que é bom haver “um acima” das autoridades nacionais. Se não tivéssemos o TEDH, os usos e costumes dos nossos tribunais danificavam a liberdade de expressão, o oxigénio de qualquer democracia.

Se não tivéssemos o tratado orçamental, os governos gastavam sem rei nem roque, roubando, ainda mais, futuro aos nossos filhos e aos nossos netos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O carrossel europeu*

* Hoje no Jornal do Centro




1. Nas presidenciais francesas, o voto europeísta passou dos 18,2 milhões na primeira volta para os 20,8 milhões de votos da segunda volta que elegeram o presidente Emmanuel Macron; já os 16,4 milhões de votos anti-europeus da primeira volta mingaram para 10,6 milhões. De nada valeu a Marine Le Pen a ajuda de Jean-Luc Mélenchon que foi incapaz de apelar ao voto em Macron.

Por cá, o nosso bloco de esquerda, apoiante de Mélenchon, andou a chafurdar num “nem-nem” absurdo, como se fosse a mesma coisa a França eleger Macron ou uma xenófoba como Le Pen.

Depois do Brexit, a “Europa” tem conseguido resistir ao populismo. Resistiu em Espanha, três dias depois do referendo britânico, ao retirar um milhão de votos ao Podemos, resistiu na Áustria, na Holanda, agora na França, e vai resistir na Alemanha.

O social-democrata Martin Schulz está a perder gás, como se viu no domingo passado em Schleswig-Holstein, mas, quer venha a ser ele o novo chanceler ou Angela Merkel consiga o seu quarto mandato, nada de fundamental mudará na política do maior país da União Europeia.

É claro que a UE é um carrossel sempre em sobressalto: na Itália, o eurofóbico Movimento 5 Estrelas está à frente nas sondagens e quer eleições antecipadas. Como lembrou Andrea Rizzi numa extraordinária análise à eleição de Macron publicada no El País, não é a visível recuperação económica na “Europa” que parará a “Medusa” populista — se fosse assim, o pleno emprego e o crescimento obtido por Obama tinham eleito Hillary e não Donald Trump.

Trump e Putin puseram as suas fichas em Marine Le Pen (Putin meteu dinheiro também) e perderam. Vão perder mais vezes.

2. A ideia de candidatar António Carlos Figueiredo em S. Pedro do Sul é para o PSD mostrar solidariedade com o PS que, em Tabuaço, leva a votos João Ribeiro também a contas com a justiça?

3. E se, depois de tudo o que aconteceu, Oeiras elege de novo Isaltino Morais?

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Branco de Neve*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 13 de Abril de 2007


1. Agora é que o governo vai resolver o problema do défice de vez! Decidiu “combater a fuga ao fisco dos funcionários públicos”, cruzando informação de 11 bases de dados. A Comissão Nacional de Protecção de Dados já aprovou o ante-projecto do diploma, embora com um alerta para a redacção do artigo que define o objecto e a finalidade do cruzamento de dados, artigo esse que usa "termos demasiado amplos e, consequentemente, pouco rigorosos".

Têm acesso a esta informação as 11 gestoras das bases de dados, a Direcção-Geral das Contribuições e Impostos, a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, a Inspecção-Geral de Finanças, o Instituto da Segurança Social, nomeadamente através do Centro Nacional de Pensões, o Centro Nacional de Protecção contra os Riscos Profissionais e os Solicitadores de Execução. É demasiada gente a espreitar informação sensível da vida dos funcionários públicos e suas famílias.

Até quando é que a Função Pública vai continuar a ser o “saco de boxe” das desgraças do país?

2. O Teatro Viriato exibiu, na Semana Santa, em duas sessões esgotadíssimas, o “Auto do Branco de Neve e os seus machões”, um texto de Armando de Silva Carvalho, encenado por Graeme Pulleyn e interpretado por 26 jovens com idades entre os 13 e os 20 anos.

Gisberta
A peça baseia-se na história de Gisberta, transsexual brasileira, encontrada morta depois de ter sido atirada para um fosso num prédio do Porto. Os culpados, como se sabe, tiveram penas vergonhosamente leves.

Graeme Pulleyn conseguiu uma grande homogeneidade na qualidade da representação.

Esta foi uma iniciativa que honra muito o Teatro Viriato. Parabéns especiais para o trabalho de Graeme Pulleyn e dos jovens actores e actrizes.