Barro negro*
* Texto publicado no Jornal do Centro há dez anos, em 19 de Fevereiro de 2016 Algures na passagem do século XVIII para o século XIX, a revolução industrial lançou as bases do capitalismo. A mobilidade do capital venceu a imobilidade agrária, o lucro substituiu a renda. Seguiu-se um progresso extraordinário: as cidades cresceram, a qualidade de vida das pessoas melhorou. O capitalismo foi sabendo adaptar-se, mudar de pele. A melhor de todas essas epidermes é a “social-democracia”, ou “estado social”, ou “New Deal”, ou... são várias as designações desta que é a maior máquina de felicidade inventada pelos humanos: um sistema com várias configurações institucionais que preserva as liberdades civis, deixa criar riqueza às empresas, ao mesmo tempo que dá uma rede de previdência às pessoas nas situações de fragilidade, seja ela doença, desemprego ou outra. Acabada a segunda guerra mundial, foi o consenso “social-democrata” que reconstruiu a Europa. Como sempre, também a ele Portugal ...

