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As mãos / Arooj Aftab vai estar no Festival Med na próxima sexta-feira

Onde tu pousas as mãos, naturalmente eu vou pousar as minhas. Um silêncio faz-se pela casa, uma luz coada vem da janela e cobre os móveis de uma poalha doirada. Os objectos estão quietos como nunca. Onde tu pousas as mãos, onde tu pousas mesmo se brevemente as mãos, torna-se íntima a percepção que se tem de cada hora, de cada amanhecer, de cada exacto momento. O entardecer é só um vasto campo que se abre, um rumor de folhas que restolham no jardim. Escrever é ler, ler é escrever - eu sei isso porque em cada sítio onde [do meu corpo] tu pousaste as tuas mãos ficou escrito - eu vejo-o:  nítido - sobre o mais frágil espelho dos sentidos, uma palavra que se lê de trás para diante. Quando te deitas eu sinto-lhe o perfume, que é o da noite que entra pela janela. E onde tu pousas as tuas mãos faz-se um rio de prata e de quietude mesmo nas minhas mãos que pousam onde as tuas foram antes procurar a quietude, procurar as tuas mãos. São exactas as tuas mãos, são necessárias, têm dedos que são...

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