sexta-feira, 16 de abril de 2021

Protuberâncias soberbas, doces convexidades

Fotografia de Annie Spratt



Seios...
Vocês não olham a meios...
P'ra proporcinar recreios...
A quem vive à vossa beira.

Seios (aaaahhhhh)
Têm tantas designações (aaaahhhhh)
Chuchas, tetas e balões,
Marmelos, prateleiras.

Protuberâncias soberbas,
Doces convexidades.
Vós agradais sem reservas
A todas as idades...

Desde o bebé ao avô,
Todos vos deitam a mão
Para efeito de erotismo
Ou da própria nutrição.

Seios...
Estupendos órgãos glandulares
Ainda por cima vêm aos pares
fornecer alimento e gozo

Seios...
Complexamente constituídos
por vários tipos de tecidos
entre os quais o adiposo.

ah ah ah

Protuberâncias soberbas,
Doces convexidades.
Vós agradais sem reservas
A todas as idades...

Seios!
Quando estão bem apertados parecem...
Parecem pequenos rabos.
São delícia peitoral.
Seios!
É tão raro serem feios.
Sejam naturais ou cheios
De silicone industrial.

Aliás há um doutor em Odivelas...
Um doutor... que faz trabalhos já bastante bons
Mas ainda muito em conta
Introduzindo sacas de 800 mililitros
Em qualquer tipo de seio
A partir de 1500€.
Por mais 200 chega a fazer com anestesia
A contacto deste artista é o 2141962715.
Ligue! Que ele faz!

Protuberâncias soberbas,
Doces convexidades.
Vós agradais sem reservas
A todas as idades...

Desde o bebé ao avô,
Todos vos deitam as mãos
Para efeito de erotismo
Ou da própria nutrição.

Nomeadamente leitinho!

Seioooooooooosssssssss
Poesia 3D de Ricardo Araújo Pereira
Música de Armando Teixeira



quinta-feira, 15 de abril de 2021

O caminho é o poema

Fotografia de Ray Fragapane



É uma linha lenta
sempre recta, sempre certa, incerta
para onde quer que se vire
é uma linha lenta
sempre recta, sempre certa
incerta
para onde quer que se vire
o caminho é como o poema
revela-se e auto destrói-se nesse preciso momento
torna-se desnecessário,
irrepetível, em vício ermo de um deus obsoleto

O caminho é como o poema
depois de percorrido até ao fim, torna-se outro
e outro e outro e outro e outro
até chegar aqui, a este lugar onde acabo
e parto com uma única certeza
a de que não poderei continuar em frente
por isso paro.

paro por uns instantes e olho para trás,
não para fugir
mas apenas para contemplar uma última vez
as ruínas os poemas as portas que escolhi
agora são ombros sem cabeça sem carne sem sombra
são esqueleto cimento
nuvem noite e silêncio seco, morto
são pedaços de sol morto com vários nomes que trago comigo
cabelos e pele
pessoas inteiras que não consegui recuperar
da condição mágica e cruel do sonho
por mais que as segurasse

é uma linha lenta sempre recta, sempre certa, incerta
para onde quer que se vire
é uma linha lenta sempre recta, sempre certa
incerta, certa
para onde quer que eu vire
o caminho é o poema

é uma linha lenta sempre recta, sempre certa, incerta
para onde quer que se vire
o caminho é como o poema,
ainda não existe
por isso no bolso trago apenas a moeda de Heisenberg
com o saldo da minha vida
de um lado crédito
do outro dívida
uma linha lenta
sempre recta, incerta
uma linha lenta sempre recta, incerta
de um lado crédito, do outro dívida
saberei quanto pagar?
José Anjos


 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida

Fotografia de George Gvasalia



Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu… como seriam felizes as mulheres
à beira-mar debruçadas para luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos… sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta… dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua
assim envelheci… acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração, mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas de que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto


terça-feira, 13 de abril de 2021

Livre arbítrio

Fotografia de William Daigneault




Onde é que os meus crazy niggas estão?
Os crazys estão na prison
Outros estão na droga, outros estão na bebida, you know
Mas ninguém se pode esconder toda a vida
Nigga não há hipótese, não há esquiva

Todo o homem um dia terá que enfrentar essa bitch chamada vida
Ou morres um bitch ass nigga
É nigga se der deu, se não der não deu
Come on nigga, come on
Sai do escuro e vem buscar o que é teu

Todo o homem tem um dark side
E o dark side quer roubar a sua life
E a sua life toda a vida será um fight
E esse fight só termina quando ele cai e não se levanta mais
Niggas ainda não se aperceberam do tempo que perderam

A viver a vida de G's que já morreram
Mas quem vive a vida dos outros não cresce
E vive para sempre numa creche, yes
Rodeado de putos que só fazem porcaria
Borram e espigam a folha noite e dia

Uns pela fama, outros por adrenalina
Outros simplesmente pa comer nigga
E vem a cana, vem a prison, é a sina de quem anda na má vida
Assume a tua dívida e um dia sais
Não culpes os teus amigos nem os teus pais

Só tu sabes onde vais
Só tu sabes onde vais
Velhos demónios, velhos fantasmas
Trazem sonhos medonhos de madrugada
Às vezes levam-te aos lugares onde tu andavas

Tu sabes quando acordares que ainda 'tás na ala
Brother, às vezes eu sinto que alguns digras, meus niggas
Não passam de crianças que se escondem na prison
Largam a família na hora de ser um pai
É mais fácil viver a thug life

E os bebés ficam com a mãe
Que procuram um futuro junto de alguém
E de homem para homem todos eles comem, todos eles somem
Porque nenhum homem quer criar filho doutro homem
As crianças crescem como podem
Largadas num mundo sem lei nem ordem

Por fim é o mundo que se torna seu pai
E elas dão a mão mundo e não as vês mais
Só Deus sabe onde vai, esse puto criado na thug life
Só tu sabes onde vais
Só tu sabes onde vais

Só tu sabes onde vais
Mano não mintas mais
Só tu sabes onde vais
Só tu sabes onde vais nigga
Só tu sabes onde vais
Allen Halloween



segunda-feira, 12 de abril de 2021

Grão da mesma mó

Fotografia Olho de Gato




Não sei se estão a ver aqueles dias
Em que não acontece nada sem ser o que aconteceu e o que não aconteceu
E do nada há uma luz que se acende
Não se sabe se vem de fora ou se vem de dentro
Apareceu

E dentro da porção da tua vida, é a ti
Que cabe o não trocar nenhum futuro pelo presente
O fazer face a face que se teve até ali
Ausente, presente

Vê lá o que fazes, há tanto a fazer
Fazes que fazes ou pões sementes a crescer?
Precisas de água
Terra também
Ventos cruzados e o sol e a chuva que os detém
Vivida a planta
Refeita a casa
É o espaço em branco
Tempo de o escrever e abrir asa
E a linha funda, na palma da mão
Desenha o tempo então
Desenha o tempo então

Mas há linhas de água que cruzas sem sequer notares
E oh, estás no deserto
E talvez no oásis, se o olhares
E não há mal, e não há bem
Que não te venha incomodar
Vale esse valor?
É para vender ou comprar?

Mas hoje questões éticas?
Agora?
Por favor
Que te iam prescrever
A tal receita para a dor
Vais ter que reciclar
O muito frio e o muito quente
Ausente
Presente

Vê lá o que fazes, há tanto a fazer
Fazes que fazes
Ou pões sementes a crescer?
E a linha funda, na palma da mão
Desenha o tempo então
Desenha o tempo então

Um curto espaço de tempo
Vais preenchê-lo
Com o frio da morte morrida
Ou o calor da vida vivida?
Não queiras ser nem um exemplo
Nem um mau exemplo
Por si só
Há dias em que é grão da mesma mó

E a senha já tirada
Já tardia do doente
Dez lugares atrás
E pouco a pouco à frente
E cada um falar-te das histórias da sua vida
Feliz, dorida

Vê lá o que fazes
Há tanto a fazer
Fazes que fazes
Ou pões sementes a crescer?
Precisas de água
Terra também
Ventos cruzados
E o sol e a chuva que os detém
Vivida a planta
Refeita a casa
E espaço em branco
Tempo de o escrever e abrir asa
E a linha funda, na palma da mão
Desenha o tempo então
Desenha o tempo então

E explicaram-te em botânica
Uma espécie que não muda a flor do fatalismo
Está feito
E se até dá jeito alterar
Só por hoje o amanhã
Melhor é transfigurar o amanhã com todo o hoje
E as palavras tornam-se esparsas
Assumes
Fazes que disfarças
Escolhes paixões
Ciúmes
Tragédias e farsas
E faças o que faças
Por vales e cumes
Encontras-te a sós, só
Grão a grão
Acompanhado e só
Grão da mesma mó
Grão da mesma mó
Grão da mesma mó
Grão da mesma mó
Sérgio Godinho 



sábado, 10 de abril de 2021

António Almeida Henriques — Jorge Coelho*

* Hoje no Jornal do Centro aqui

1. No domingo de Páscoa, morreu-nos o presidente da câmara de Viseu. Três dias depois, na quarta-feira de Pascoela, faleceu-nos Jorge Coelho. 

Foi uma semana de desgraça, malapata, azar, enguiço, desdita, infortúnio, estabaco, revés, desaire, soçobreta, vicissitude, tragédia, mau-olhado, tribulação, catástrofe, infelicidade, quebranto, inquietação, caruara, má-hora, estupor, desarranjo, maldição, avaria, adversidade, disfunção, assombração, pasmo, angústia, má-sorte.

A cidade e a região estão comovidas e abaladas.

Fotografia Olho de Gato

Nos últimos anos, António Almeida Henriques e Jorge Coelho empenharam-se  na defesa de políticas para o interior. 

Como eles, mas mais à bruta do que eles, aqui se continuará a sua luta contra a sobranceria e o egoísmo centralista, contra a política lisboeta que parte e reparte e fica sempre com a maior e a melhor parte. 

Eram ambos leitores atentos desta coluna. Deixo aqui um abraço solidário às duas famílias enlutadas.


2. Para esta semana ser uma desgraça completa, só falta o juiz Ivo Rosa lançar uma dose generosa de detergente branqueador para cima do processo Marquês. Isso pode acontecer. 

A divulgação da decisão do “juiz dos poderosos” — assim o designa, ou designava, o Correio da Manhã — está a acontecer no exacto momento em que estou a escrever estas linhas. 

Depois de longos minutos a ouvir o juiz a justificar o atraso da sua decisão, não vou esperar que o magistrado acabe de ler a resma de papéis que tem à frente. 

Já se percebeu que este processo — que se arrasta há seis anos e meio — vai continuar a ser empaliado na nossa dita “justiça”. Até dois mil e trinta? Dois mil e trinta e cinco?

Haja saúde. Tempo é coisa que não nos vai faltar para podermos apreciar as caracolices deste processo e de outros similares que envolvem vips e corrupção.

Beco estreito proveniente do Brasil (#2) — hoje com direito a recitamento e cantamento



Comício em beco estreito

Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido

Uma gambiarra véa
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um taró
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão, cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha é essa
Três promessa por minuto

Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o "V" da vitória
Dos dedo dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor

Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
A cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão

Com voz de vento encanado
Com os viva dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar dos roubo dos home
Prometer o fim da fome
E tá ganha a eleição

E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta e programa
É só mergulhar na Brahma
E curtir a posição

Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente

Ele, um diabo sério, honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente
Jessier Quirino


sexta-feira, 9 de abril de 2021

Beco estreito proveniente do Brasil (#1) — hoje um com mote e glosas, amanhã outro também estreito mas diferente deste

Fotografia Olho de Gato


Mote

 Qual será o beco estreito

que três não podem cruzar?

Só entre um, ficam dois,

ajudando a trabalhar!



Glosa

 Frei Bedegueba dizia

A Frei Manzapo, em disputa:

— Existe uma certa Gruta

onde hei de ter moradia.

Hei de conhece-la um dia,

embora quebre o Preceito.

Vou penetrá-la direito,

para a verdade saber,

pois preciso conhecer

qual será o beco estreito.


Dizem que tem pouca altura

e fica no pé dum Monte.

A estrada é uma Fonte:

vou medir sua largura!

Para saber-lhe a fundura

vou lá dentro mergulhar.

Para me certificar,

não podendo entrar os três,

só entre o Cabo-pedrês,

que três não podem cruzar.


Um Padre já me contou

que foi dar uma caçada

e, nessa Mata fechada,

viu um Bicho e não matou!

— Padre, dizei-me que sois!

Podereis entrar depois,

Respondendo ao que pergunto:

Mas, dos três que vejo juntos,

só entre um, ficam dois!


Um Monge, de lisa fronte,

Também já contou a mim:

— Já brinquei nesse Capim,

já ressonei nesse Monte!

Quase sempre a essa Fonte

Venho eu e mais um Par:

os dois não podendo entrar,

por serem moles e bambos,

entro só, ficam ambos

ajudando a trabalhar!

Leandro Gomes de Barros

1865-1918


 


Só que o meu possante carro, tem um bonito atrelado
Que eu uso pra vender cocos e ganhar mais um trocado
A garagem é pequena, o que é que eu faço agora?
O meu carro fica dentro, os cocos ficam de fora

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Louca




Sou do jeito que eu sou
Mas tu chamas-me louca
A louca

Sou tudo ou nada
Dizes que eu sou tudo ou nada
Mas procura saber
Do fogo quе nos ardia aos dois
Do amor que deixas p'ra depois
Dizеs que eu sou tudo ou nada
Não sabes nada de mim



 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Poesia pimba recitada — Maria Leal, Ana Malhoa, Dama, Agir, Anselmo Ralph





Dialetos de ternura — Maria Leal

Pensamento proibido, entrar no teu olhar
Foram coisas desse trilho que me deixaram a pensar
Estrada proibida, entroncamento sem fim
Restos sucessivos que sobraram para mim

Oh oh, hoje Maria Leal aqui só para ti
Oh oh, hoje Maria Leal aqui só para ti

*****

Tá Turbinada — Ana Malhoa

Não, eu nunca apoiaria a guerra
A guerra não é vencedora
Sou uma máquina, sim
La máquina de fiesta

Súbelo
Tú nunca viste
Una chica como yo 
Tão sexy e atrevida
Caliente como yo 

Tá turbinada
Tá toda turbinada
Tá turbinada
E não lhe falta nada
Tá turbinada
Tá toda turbinada
Tá turbinada
A máquina está quitada 

*****

Às Vezes — Dama 

Às vezes não sei o que queres e digo ok
Às vezes não sei o que faço e tu tá bem
Às vezes fazes de propósito, eu sei
Uma vez não são vezes e eu não digo a ninguém

*****

Não dá — Dama

E ela diz que não dá
(Não dá, não dá, não dá)
E ela diz que não dá
(Não dá, não dá, não dá)
E ela diz que não dá
(Não dá, não dá, não dá)

Tu não estás bem quando estás sozinha
Eu não percebo se tu estás na minha
Mas vá lá não fiques convencida
Só porque és mais gira do que querida

*****

Parte-me o pescoço — Agir

Ela é linda, ela é special
Ela passa pelas outras tipo battle
Quando ela passa ela sabe o que faz
Fica impossível não olhar pra trás
Ela parte-me o pescoço
Ela parte-me o pescoço

Quando ela entra no club
Ela é so good, I just can't get enough
Ela passa, eu olho
Ela parte-me o pescoço
Que ela tem aquele corpo que eu digo
What the fuck and so what, so what, so what
Eu não tenho culpa
Que ela tenha aquele butt

*****

O teu rabo — Agir

o teu rabo,  o teu rabo, o teu rabo yeah
o teu rabo, o teu rabo, o teu rabo yeah
o teu rabo, o teu rabo, o teu rabo yeaaaaaah

eu gosto do teu rabo
eu gosto do teu rabo
traz um guardanapo
que eu sempre que eu o vejo babo

ele tá doente
mesmo assim eu trato dele
quero tê-lo
no meu colo sentado
sou indiana jones desse rabo
porque ele é bom
tão bom, tão bom, tão bom
eu sei que sou parvo
mas eu gosto do teu rabo

*****

Anselmo Ralph - não me toca 

Então agora não me toca, (não quero saber de beijos),
Não me toca, (não quero saber de abraços),
Não me toca, (não quero saber do teu amor)...
Então agora não me toca, (não quero saber se faço bem),
Não me toca, (não quero saber se faço mal),
Não me toca, mas p'ra ti sou sempre o vilão...

*****

Maria Leal aqui só para ti
Oh oh
Oh oh
Oh oh
...
...

terça-feira, 6 de abril de 2021

Canto em qualquer canto

Fotografia de Daniela Cuevas


Vim cantar sobre essa terra
Antes de mais nada, aviso
Trago facão, paixão crua
E bons rocks no arquivo

Tem gente que pira e berra
Eu já canto, pio e silvo
Se fosse minha essa rua
O pé de ypê 'tava vivo

Pro topo daquela serra
Vamos nós dois, vídeo e livros
Vou ficar na minha e sua
Isso é mais que bom motivo

Gorjearei pela terra
Para dar e ter alívio
Gorjeando eu fico nua
Entre o choro e o riso

Pintassilga, pomba, melroa
Águia lá do paraíso
Passarim', mundo da Lua
Quando não trino, não sirvo

Caso a bela com a fera
Canto porque é preciso
Porque esta vida é árdua
Pra não perder o juízo

Vim cantar sobre essa terra
Antes de mais nada, aviso
Trago facão, paixão crua
E bons rocks no arquivo

Tem gente que pira e berra
Eu já canto, pio e silvo
Se fosse minha essa rua
O pé de ypê 'tava vivo

Pintassilga, pomba, melroa
Águia lá do paraíso
Passarim', mundo da Lua
Quando não trino, não sirvo

Caso a bela com a fera
Canto porque é preciso
Porque esta vida é árdua
Pra não perder o juízo
Ná Ozzetti e Itamar Assumpção