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Quando ouço ao telefone a voz que brinca — António Franco Alexandre #10

48 Quando ouço ao telefone a voz que brinca e canta, sem saber, os dias novos, pouco me importam tempo, espaço, luas, ou maneiras sequer de ser humano. Vagueio pelo ar, e arranco estrelas ao cenário sem fim do universo; e faço pobres contas aos cabelos depenados no chão, verso após verso. Nada é real, senão o meu desejo, nem sei de lei nenhuma que não dobre a dura mansidão da tua boca; inventou-nos um deus, para que seja veloz o lume na manhã sem nome e chama viva a voz que nos consome. António Franco Alexandre

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