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O planeta precário

a noite cerrou todas as janelas alastrou um império de improviso para os cães sem nome sem dono e atirou longamente o seu queixo de toneladas até à mancha espalmada do rio e à sua maneira de nos insultar a tristonha envergadura da sua queixa as palavras que usamos têm  a idade que aparentam atingidas pela velhice ou pelo descrédito num alvoroço se oferecem ao abismo despenhadas rolam e se confundem com a lava com a espuma tensa do tempo ainda intacto para de novo nascerem noutra pátria mais respirável ternamente povoar o indómito e triste hálito do mais apavorado e generosos bicho À hora de morrer vai ser necessário imitar a navegação tumultuosa e resignada das palavras. Entre elas e o poeta um segredo brinca religioso trémulo e imprudente um segredo amoroso e repugnante Tu, que de há tanto e tão bem o conheces melhor te será conservá-lo escondido até ao momento da surpresa que a morte branca do medo exige Cada um de nós, deve ser, não a lei, mas o galho inopinado e ímpar o plano i...

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