Como me transformei em cão
É ainda assim completamente insuportável! Estou rabugento como tudo. A minha rabugice não é conforme poderia ser a vossa: apanharia qual um cão o rosto de testa lisa da lua e cobrindo-a de latidos. Deve ser dos nervos… Vou sair, dar uma volta. Mas na rua ninguém consegue acalmar-me. Uma mulher grita-me qualquer coisa a propósito de uma boa tarde. Há que responder: eu conheço-a. Quero fazê-lo, mas sinto que é impossível à maneira dos homens. Que escândalo! Estarei a dormir? Apalpo-me: sou tal como era, o rosto a que estou habituado. Toco no lábio, por baixo desponta um canino. Escondo rapidamente a cara, como para me assoar, corri para casa dobrando o passo. Contorno prudente a esquadra mas de repente um grito ensurdecedor: «Ó da guarda! Ele tem uma cauda!» Passei a mão e fiquei hirto! Isto era mais claro que todos os caninos, na minha pressa furiosa não tinha reparado que sob o casaco uma enorme cauda tinha estendido o seu leque e abanava atrás de mim, uma enorme cauda de cão. Que irá ...
