Guarda pretoriana*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 29 de Julho de 2016 1. Em democracia a mudança do pessoal político faz-se através do voto, em ditadura faz-se com um golpe de estado, com maior ou menor derramamento de sangue. Os democratas temem eleições, os ditadores, não. Mas temem tudo o resto. Com o passar do tempo, os autocratas ficam com medo até da própria sombra. Como lembra Nina L. Khrushcheva num artigo recente intitulado “ The Strongman's Power Trap ”, para tentar minorar essa paranóia, Nikita Krushchev, na União Soviética, e Deng Xiao Ping, na China, instituíram uma “regra não escrita” que foi respeitada durante décadas pelas elites pós-estalinistas e pós-maoístas: um líder comunista não punha em causa “a vida ou a segurança do seu antecessor e dos seus colegas”, um “membro do governo podia ser removido do poder e ser colocado em detenção domiciliária” mas não havia “risco de prisão ou risco físico contra ele ou a sua família”. Esta “suavidade...
