A cultura e a barbárie, a música e a religião*
* Hoje no Jornal do Centro O pensamento de George Steiner tem sido visita constante aqui no Olho de Gato. E isso por uma razão simples: ao longo dos já mais de 24 anos desta coluna, tenho com frequência tratado aqui dos livros que fui lendo e de Steiner tenho lido muito. Em “No Castelo do Barba Azul, Algumas Notas para a Redefinição da Cultura”, um livro de 1975 reeditado pela Relógio de Água em 2025, aquele sábio admirável constata um óbvio que é muitas vezes deliberadamente amnesiado: a cultura não é, nunca foi, nem nunca será, uma profilaxia para a barbárie — à noite, nas suas casas, os comandantes dos campos de concentração apreciavam a grande música e a grande literatura. Para além disso, neste livro, Steiner entrevê muito do que hoje, meio século depois, nos parece evidente: — o recuo da linguagem (estreitamento vocabular); — a inflação verbal (multiplicação de emissores em disputa por atenção); — a saturação sonora contínua em todo o lado; — o declínio da “atenção profunda”, da ...

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