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As mulheres têm uma assombrada roseira

As mulheres têm uma assombrada roseira fria espalhada no ventre. Uma quente roseira às vezes, uma planta de treva. Ela sobe dos pés e atravessa a carne quebrada. Nasce dos pés, ou da vulva, ou do ânus — e mistura-se nas águas, no sonho da cabeça. As mulheres pensam como uma impensada roseira que pensa rosas. Pensam de espinho para espinho, param de nó em nó. As mulheres dão folhas, recebem um orvalho inocente. Depois sua boca abre-se. Verão, outono, a onda dolorosa e ardente das semanas, passam por cima. As mulheres cantam na sua alegria terrena. Que coisa verdadeira cantam? Elas cantam. São fechadas e doces, mudam de cor, anunciam a felicidade no meio da noite, os dias rutilantes, a graça. Com lágrimas, sangue, antigas subtilezas e uma suavidade amarga — as mulheres tornam impura e magnífica nossa límpida, estéril vida masculina. Porque as mulheres não pensam: abrem rosas tenebrosas, alagam a inteligência do poema com o sangue menstrual. São altas essas roseiras de mulheres, inclinada...

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