Toma lá cinco!
Encolhes os ombros, mas o tempo passa... Ai, afinal, rapaz, o tempo passa! Um dente que estava são e agora não, Um cabelo que ainda ontem preto era, Dentro do peito um outro, sempre mais velho coração. E na cara uma ruga que não espera, que não espera... No andar de cima, uma nova criança Vai bater no teu crânio os pequeninos pés. Mas deixa lá, rapaz, tem esperança: Este ano talvez venhas a ser o que não és... Talvez sejas de enredos fácil presa, Eterno marido, amante de um só dia... Com clorofila ficam os teus dentes que é uma beleza! Mas não rias, rapaz, que o ano só agora principia... Talvez lances de amor um foguetão sincero Para algum coração a milhões de anos-dor Ou desesperado te resolvas por um mero Tiro na boca, mas de alcance maior... Grande asneira, rapaz, grande asneira seria Errar a vida e não errar a pontaria... Talvez te deixes por uma vez de fitas, De versos de mau hálito e mau sestro, E acalmes nas feias o ardor pelas bonitas (Como mulheres são mais fiéis, de resto...)...

