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A de sempre, toda ela

Se eu vos disser: «tudo abandonei» é porque ela não é a do meu corpo, eu nunca me gabei, não é verdade e a bruma de fundo em que me movo não sabe nunca se eu passei. O leque da sua boca, o reflexo dos seus olhos sou eu o único a falar deles, o único a ser cingido por esse espelho tão nulo em que o ar circula através de mim e o ar tem um rosto, um rosto amado, um rosto amante, o teu rosto, a ti que não tens nome e os outros ignoram, o mar diz-te: sobre mim, o céu diz-te: sobre mim, os astros adivinham-te, as nuvens imaginam-te e o sangue espalhado nos melhores momentos, o sangue da generosidade transporta-te com delícias. Canto a grande alegria de te cantar, a grande alegria de te ter ou te não ter, a candura de te esperar, a inocência de te conhecer, ó tu que suprimes o esquecimento, a esperança e ignorância, que suprimes a ausência e que me pões no mundo, eu canto por cantar, amo-te para cantar o mistério em que o amor me cria e se liberta. Tu és pura, tu és ainda mais pura do que eu ...

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