Nostalgia*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 8 de Abril de 2016 1. Há 30 anos, Viseu não tinha teatro. O velho Teatro Avenida, o “Coliseu das Beiras” na avenida Emídio Navarro, tinha sido demolido. Mais acima na mesma avenida, o Viriato virara armazém de pesticidas. Há 30 anos, Viseu não tinha um teatro mas tinha um presidente de câmara com visão. Engrácia Carrilho estava sintonizado com a ideia do encenador Ricardo Pais: um teatro é um “sinal exterior de riqueza de espírito” imprescindível a uma cidade. Então, o concelho de Viseu tinha problemas enormes (por exemplo, a água falhava sistematicamente no Verão) e gastar dinheiro em cultura era coisa mal vista. Engrácia Carrilho e Ricardo Pais, para tornearem esta hostilidade, antes da construção do teatro tiveram que construir a saudade do teatro. Na segunda metade dos anos de 1980, multiplicaram-se exposições, publicações, comunicações, tudo a lembrar os “bons velhos tempos” do Theatro Boa União. O combu...

