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Auto de fé

Não me arrependo dos amores que tive dos corpos de mulher por quem passei       a todos fui fiel       a todos eu amei Não me arrependo dos dias e das noites em que o meu corpo herói ganhou batalhas A um palmo do umbigo eu fui primeira       a divina       a deusa a verdadeira mulher – sem rival. Amei tantas mulheres de que nem sei o nome eu só me lembro apenas       de abraços       de pernas       de beijos       e orgasmos E no amor que dei e no Amor que tive eu fui toda mulher – fui vertical Eu fui mulher em espanto fui mulher em espasmo fui o canto proibido e solitário       Só tenho um itinerário: Amor-Mulher. Manuela Amaral

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