Horizonte
havia uma menina sentada junto a uma janela ela vestia uma velha camisa de dormir larga e tinha cabelos castanhos lisos longos tinha uma caixa de plástico vermelha no colo e olhava o horizonte cinzento ao longe talvez vivesse numa ilha e talvez brincasse junto ao mar nas tardes de verão ela estava sentada não sei bem se num banquinho de madeira ou se num rochedo do tamanho do mundo às vezes os seus olhos pousavam suavemente na caixa vermelha e os seus pequenos dedos imprimiam na superfície do plástico antigas histórias de gente que não mais voltara do mar a casa era do tamanho de uma janela que dá para o mundo e a madeira cheirava a madeira e alguma coisa nela me dizia que outrora fora barcos nenhum entardecer se assemelhava ao que habitava aquela janela e a menina sabia-o não sei bem como os seus olhos cinzentos olhavam o horizonte com a paciência de quem olha os horizontes e por vezes esticava o pescoço para ver mais longe ela descobrira sozinha o significado da palavra longe o tempo...


