A deserção dos homens*
* Hoje no Jornal do Centro Nos seus mais de vinte e quatro anos de vida, o Olho de Gato nunca teve falta de assunto, pelo contrário sempre teve muitos em “lista de espera”. Dois deles — o facto de São Teotónio se recusar a confessar mulheres sozinho e muitos chefões de Wall Street, depois do #MeToo , só reunirem com mulheres com a porta aberta — aguardaram anos pela oportunidade certa. Vai ser hoje, depois de ter tropeçado num texto de Rachel Drucker, no New York Times, com o título Homens, para onde foram? Por favor, voltem , em que a autora se queixa de os homens estarem a trocar o namoro presencial pelo virtual. São Teotónio recusava confessar mulheres a sós — prudência de santo que já desconfiava que a intimidade, mesmo sacramental, precisa de testemunhas. Séculos depois, os banqueiros de Wall Street, pós- #MeToo , redescobriram a mesma sabedoria empírica. Do confessionário ao open space , a receita repete-se: porta aberta, colega por perto, ninguém encurralado com ninguém. De...

