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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Não se sentiu...*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Há um mês, num texto intitulado “Quem não se sente...”, alertei aqui o presidente da câmara de Viseu que lhe ficava muito mal estar a dar gás ao coreógrafo Paulo Ribeiro depois de este ter abandonado, em 2016, por sua única e exclusiva vontade, a direcção do Teatro Viriato, e ter vindo agora, anos depois, alegar que foi vítima de um “despedimento ilícito” e tentar sacar, em tribunal, 50 mil euros àquela entidade municipal.

Como é evidente, um bom líder “sente-se” e, por isso, põe-se ao lado do que é seu e está a ser atacado, não se põe ao lado do atacante.

O facto é que António Almeida Henriques, mesmo depois de avisado, “não se sentiu...” E fez pior: para além de ter mantido a encomenda de um espectáculo ao litigante, ...
Fotografia de José Ricardo Ferreira
(editada)
... sentou-se ao seu lado numa conferência de imprensa no exacto teatro demandado em tribunal. E, apesar de ter ouvido o homem confirmar aos jornalistas que ia continuar a exigir os 50 mil euros, mesmo assim, afirmou que aquilo ia ser “um grande momento das comemorações dos 20 anos do Teatro Viriato”.

Este episódio, do princípio ao fim, foi tudo menos “um grande momento” do que quer que seja.

A esta deserção do autarca de Viseu na defesa do seu teatro municipal some-se o seu défice de rigor gestionário: acaba de saber-se que a câmara de Viseu, em 2018, teve um resultado líquido negativo de 3.573.148,97 euros.

2. As eleições europeias de Maio são feitas num quadro político inédito: a UE tem dois inimigos declarados, Trump e Putin.

O presidente norte-americano e o presidente russo estão a apoiar partidos soberanistas de direita e de esquerda, hostis à “Europa”. Enquanto Putin faz as coisas mais na sombra, Trump é menos subtil. O seu estratega, Steve Bannon, não sai do velho continente a organizar uma internacional de ultra-direita.

É um sinal dos tempos: os vários nacionalismos europeus sempre foram historicamente hostis aos norte-americanos e aos russos. Agora, são lacaios deles.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Quem dera que...*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Já foram recuperadas e entregues aos donos quase todas as casas ardidas em Outubro de 2017. Na região, felizmente, não houve nada parecido com Pedrógão. Os nossos autarcas merecem aplauso.

A paisagem também está a recuperar. Já quase não há negro nos montes ardidos.

Quem dera que se tratasse agora da eclosão espontânea de eucaliptos, essa bomba-relógio a espalhar-se com força nos concelhos do sul do distrito.

2. Tratei aqui do familismo na política há mais de um ano, ainda não se conhecia, nem de perto nem de longe, a dimensão da endogamia que vai na cúpula socialista.

A tese que defendi então foi a seguinte: a bancarrota socrática, ao ter-nos levado as grandes empresas (a banca, a PT, a EDP, os CTT, ...) onde os nossos políticos costumavam prantar os familiares sem dar muito nas vistas, obriga-os agora a pôr os parentes em lugares de mais escrutínio.

Como estão mais visíveis, os media repararam e os parentes caíram na lama. Ainda há um ou outro comentador mais geringoncista e um ou outro aparelhista mais canino que refere a putativa “competência” especial desta fauna, mas vozes de burro não chegam ao céu.

Quem dera que todo este escrutínio resulte em listas menos nepóticas nas próximas legislativas.

3. Os “técnicos” de som das festas, em vez de confinarem a música aos recintos, abrem de tal maneira as goelas aos equipamentos que estes são ouvidos quilómetros e quilómetros em redor. Este costume bárbaro é particularmente nefasto no Verão porque as pessoas precisam de ter as janelas abertas para refrescarem as casas e, com o barulho, não conseguem descansar.


Daqui
Na semana passada, uma festa no Politécnico de Viseu não deixou dormir ninguém à volta, o que fez com que o vice-presidente da câmara lhe cortasse o pio no último dia. Muito bem!

Quem dera que Joaquim Seixas continue a controlar os decibéis festivos do Verão. A começar pelas festas e festinhas organizadas pela sua câmara.

sexta-feira, 29 de março de 2019

O último a saber*

* Hoje no Jornal do Centro

1. A nova ministra da Saúde, Marta Temido, é uma espécie de trigémea das manas Mortágua. Interessa-se muito com a ideologia e as abstracções que quer pôr na lei de bases, mas pouco com os problemas das pessoas. Resultado: a classe média, assustada com o estado do SNS, vai arranjando seguros de saúde.

Uma delegação de autarcas da CIM Viseu Dão Lafões acaba de ir em peregrinação à ministra mas regressou de mãos a abanar. As obras nas urgências do Hospital de S. Teotónio não avançam, apesar de já aprovadas e com comparticipação comunitária de 85%, mas a culpa não é dela... é das finanças. O Centro Oncológico não mexe mas a culpa não é dela... é da administração do hospital.

Volta, por favor, Adalberto Campos Fernandes!

Jardins Efémeros, 2017
Fotografia Olho de Gato

2. A última sessão da câmara de Viseu ficou marcada pela situação dos jardins Efémeros (JE): este ano não há, para o ano logo se vê.


O presidente da câmara confessou que “não estava a contar” (sic) e que só no dia 18 de Março, numa reunião com o vereador Jorge Sobrado e a organizadora dos JE, Sandra Oliveira, foi “confrontado” (sic) com aquele facto.

Ora, como António Almeida Henriques não ia mentir em sessão de câmara, isso significa que não foi avisado em devido tempo pelo seu vereador da cultura. Isso é um problema.

Qualquer vereador da cultura tem que estar atento ao “ecossistema” cultural do seu concelho. Sobrado tinha que saber que os JE fazem, logo em Janeiro, a chamada aos artistas para projectos integrados no tema do festival. Desta vez, nem em Janeiro, nem em Fevereiro, nem em meio Março houve tema dos JE/2019 nem “call-for-artists”.

Eu, que não sou vereador da cultura e, portanto, não recebi os e-mails aflitos da organizadora (não é preciso ser nenhum adivinho para imaginar que foram vários), sabia que os JE deste ano não iam acontecer.

Como é possível Jorge Sobrado não saber? Como é possível ele ter deixado que o seu presidente da câmara fosse o último a saber esta péssima notícia para a cidade e para o país?

sexta-feira, 22 de março de 2019

O estrado*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Junto ao bairro de Marzovelos em Viseu foi feito um lago artificial que, de tão belo e inesperado naquele sítio, deve ter ajudado a vender os apartamentos dos prédios vizinhos. Tinha patos, tinha até uma grácil garça que por lá poisava para alegria de pequenos e graúdos.

Entretanto, aquela beleza virou pesadelo. Aquilo está transformado num charco de águas pútridas, numa fábrica de mosquitos e melgas, numa ameaça à saúde pública.

Aquele desmazelo feito de telas rasgadas e lixo é o retrato chapado do presidente da câmara e da sua equipa.

Em matéria de obras novas, já se sabe, António Almeida Henriques é só inconseguimentos. O mesmo na manutenção das que recebeu: basta espreitar o lago que virou charco em Marzovelos.

2. Numa cativante cerimónia acontecida em 2017, no Hospital de S. Teotónio, foi tirada uma fotografia a nove cidadãos, cinco deles em cima de um estrado vermelho, onde se reconhecem o então secretário de estado da saúde, Manuel Delgado, o director do hospital, Cílio Correia, e os presidentes da câmara de Viseu e de Tondela. A fotografia, publicada na última edição deste jornal, mostra os homens da saúde de gravata, os autarcas sem, todos à frente de uma placa a anunciar: “Aqui vai ser instalado o Centro Oncológico”.
Anúncio do Centro Oncológico do Hospital Tondela-Viseu, 6 de Maio de 2017
Fotografia do Jornal do Centro (editada) 
Na altura, Manuel Delgado, naquele estrado erguido acima do chão, deixou tudo prometido e calendarizado: iam ser seis milhões de euros de investimento num bunker com capacidade para dois aceleradores lineares, mas, avisou o governante, só um é que ia ser instalado e ia estar a funcionar dois anos depois. Isto é: agora, em 2019.

Foi, repito, uma cativante cerimónia. Só que, logo a seguir, o cativante Mário Centeno, o nosso CR7 das finanças, puxou o travão do acelerador linear. Não há lá nada a não ser a placa.

Mas tenhamos calma: estamos em ano eleitoral, a coisa é capaz de ser reprometida. Em nova cativante cerimónia. Caro Cílio Correia, é melhor ir preparando, de novo, o estrado.

sábado, 2 de março de 2019

Ilhas ecológicas em águas paradas — texto e fotografias de JB


Esta notícia da câmara de Viseu — Cidade-jardim reforça ilhas ecológicas e veículos de recolha de resíduos — fez-me despertar do torpor de desinteresse e indiferença face à realidade política nacional/local.

Li com interesse e confrontei a novidade com a realidade:


Há oito meses…



Há oito meses que o denominado “lago de Marzovelos” é um espaço de águas paradas, limos, plástico rasgado e fim de sinais de existência.



Já teve peixes, patos e vida!


O que começou por ser uma boa ideia é hoje um local de desmazelo, desleixo e negligência.

Há oito meses que é uma ilha de desolação!
Há oito meses….


PS:
E para algo completamente diferente, fica a pergunta: como pode um republicano rever-se num governo “monárquico e endogâmico”?


JB

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Coimas*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Sem se perceber bem como, ...


Editada a partir daqui
... Rui Rio e António Costa consumaram um acordo para transferir competências da administração central para as câmaras e comunidades intermunicipais.

Como os autarcas estão confrontados com um “aceitas-já” ou “aceitas-daqui-a-dois anos”, todas as deliberações que estão a ser tomadas sobre o assunto são pouco interessantes. Há um ou outro socialista mais vocal a tentar mostrar serviço aos chefes, mas, regra geral, o entusiasmo é pouco e as votações sobre o assunto são mornas.

Com este pacote legislativo, o centralismo não bule. E não bulirá enquanto o interior continuar com punhinhos de renda e conversa de chá-das-cinco e enquanto os políticos locais aceitarem qualquer coisinha, como se viu com aquele remendo mal botado que o governo arranjou para o IP3.

O centralismo vai continuar a levar para Lisboa todos os investimentos, todos os eventos, todos os passes fofinhos para os transportes metropolitanos, passes que o resto do país, sem alternativas, vai continuar a pagar com os seus impostos. O que está em causa, neste pacote descentralizador, são coisas de intendência que já não interessam a Lisboa, e que o sr. Rio e o sr. Costa querem entregar à província, mas sem lhes acoplar os necessários recursos financeiros.

Um exemplo: as câmaras municipais vão poder, a partir de agora, gerir o “estacionamento público”. Porreiro, pá! É um avanço transcendente na capacidade de auto-determinação do interior. Soem as trombetas! A partir de agora já não vai ser precisa uma assinatura prévia de um boy alfacinha para se poder decidir o estacionamento numa avenida em Moimenta da Beira ou em Mortágua.

2. Recomeçaram os avisos e as ameaças do ministro Cabrita: «evite coimas, limpe os 50 metros de terreno à volta da sua casa, e os 100 metros à volta da sua aldeia, até 15 de Março.»

É a mesma asneira do ano passado. Como se sabe, mato cortado tão cedo torna a crescer antes do Verão. Não se pode coimar a estupidez do legislador?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Arranjem-me um emprego*

* Hoje no Jornal do Centro


Fotografia Olho de Gato 

No início desta semana, houve uma conversa evocativa dos 20 anos do Teatro Viriato, moderada por Pedro Santos Guerreiro, com Paula Garcia, Manuel Maria Carrilho, Ricardo Pais e Paulo Ribeiro.

Pedro Santos Guerreiro foi de um rigor impecável e, no final, fez uma síntese tão exaustiva e perfeita que deixou a plateia toda de boca aberta.

Paula Garcia esteve bem, descreveu, como lhe competia, o presente e os projectos para o futuro do teatro que dirige e que tem financiamento assegurado até 2021.

Manuel Maria Carrilho lembrou-nos naquele palco uma evidência: ele foi, de facto, o único ministro da Cultura da terceira república com meios e pensamento estratégico para o sector.

Já Ricardo Pais, sempre igual a Ricardo Pais, lá lembrou aquelas coisas dele apenas críveis à luz eléctrica, coisas dos anos 80 em que façanhudos parolos viravam apreciadores de Cole Porter, por sua obra e graça, e dos canapés que servia nos eventos da associação comercial. Enfim, elogio em boca própria não é bonito, mas há pior e houve pior.

E o pior deixo-o aqui mesmo para o fim: o coreógrafo Paulo Ribeiro, ex-director da casa, subiu àquele palco para dizer que o Teatro Viriato precisa de um “director-artista”. Verdade. O homem desenhou no ar uma moldura e pôs a sua cara de artista lá dentro. Transformou aquela evocação histórica numa espécie de “arranjem-me um emprego”.

Será que o mesmo “director-artista” que, logo em 2003, desertou para Lisboa para dirigir o Ballet Gulbenkian, e que, depois do fiasco, regressou a Viseu para uns anos de preguiça e rotina criativa, e que ainda desertou mais uma vez para Lisboa para dirigir a Companhia Nacional de Bailado, quer agora vir, pela terceira vez, tomar conta do Teatro Viriato?

Ou será que o coreógrafo vai ficar, afinal, na Casa da Dança de Almada? No primeiro mandato, António Almeida Henriques prometeu uma Casa da Dança para Viseu, mas o edil, já se sabe, em matéria de obras é só inconseguimentos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Monocultura*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Está a ser publicado nos jornais, como publicidade paga, um “Manifesto por uma Floresta não Discriminada” ilustrado com uma fotografia XXL de um eucalipto com a legenda: “o bode expiatório”.

O documento anuncia “duas páginas de factos sobre a floresta que vale a pena ler” e é subscrito por académicos, câmaras, entidades da indústria e da produção florestal, ex-políticos e dois no activo: o eurodeputado Fernando Ruas e Vasco Estrela, o presidente da câmara de Mação.

Das oito câmaras que o subscrevem, a maioria tem fábricas de papel nos seus territórios. Não é o caso da câmara de Mortágua, mas não é surpresa nenhuma a sua presença ao lado deste lóbi. Mortágua sempre apostou forte na silvicultura industrial.

O manifesto apresenta argumentos pró-eucalipto que merecem leitura e escrutínio atento e sem preconceitos. Só assim podemos evitar que este lóbi compre a decisão política e faça da região uma monocultura de eucaliptos.

Há uma característica daquela árvore que até estes seus defensores concedem que é má — a “regeneração natural por via seminal”. Esta é a designação técnica para os rebentos que estão a surgir em força nas áreas ardidas e que, diz o manifesto, “devem ser objecto de acções de controlo e arranque”.


Fotografia Olho de Gato 
Ora, esse controlo não está a ser feito em lado nenhum. Há uma ou outra acção de relações públicas, uma ou outra iniciativa da sociedade civil, mas não há remoção sistemática daquela praga.

2. Depois do episódio em que a vereadora/deputada socialista Lúcia Silva chegou, assinou e bazou, a assembleia municipal de Viseu passou a querer disciplinar o pagamento das senhas de presença dos seus membros.

Faz bem: os deputados municipais só devem receber quando estiverem presentes no debate e votação dos pontos da ordem de trabalhos.

Já o período de antes da ordem do dia, esse looongooo bocejo de mesmice e sexo dos anjos, não deve ser obrigatório. A presença que fique a depender da maior ou menor pulsão masoquista de cada um.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Assessorias*

* Hoje no Jornal do Centro


Imagem daqui
1. O dichote “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem” descreve coisa muito antiga. Já Eça de Queirós, no seu Os Maias, depois de entalar um vidro no olho de João da Ega, fê-lo bradar deslembrado do seu Minho natal: «Portugal é Lisboa. Fora de Lisboa não há nada.»

Novo, novo, é o nível de centralismo que atingimos. Virado o milénio, todos os governos passaram a usar o mesmo pretexto e a mesma ferramenta para meterem tudo na capital. O pretexto foi a necessidade de controlo do défice, a ferramenta foi a informática. Esta tornou possível processar nos gabinetes ministeriais aquilo que, antes, as burocracias descentralizadas decidiam nos distritos e nos concelhos. Agora é Lisboa que coloca um professor numa escola de Portalegre ou um médico num centro de saúde de Chaves, é Lisboa que compra uma carga de um extintor do tribunal de Viseu e que paga uma factura do hospital de Portimão.

Ora, como é óbvio, Lisboa, como parte e reparte, não precisa de muita arte para ficar com a melhor parte, como todas as estatísticas mostram. Já não será tão óbvio perceber que isto faz aumentar a corrupção. Como a decisão está toda no mesmo sítio, os lóbis que precisam de a comprar têm a vida facilitada. Não surpreende que as “centrais de compras” do estado sejam coutada privativa de grandes empresas rentistas, como demonstrou um estudo da Universidade do Minho que acaba de ser tornado público.

2. Para além de meio ano de “assessoria de programação” ao vereador da cultura, o encenador Nuno Cardoso está, por estes dias, também em Viseu a fazer um evento sem especial novidade ou atenção pública. Por estes dois serviços, o futuro director artístico do Teatro Nacional S. João cobra, e muito bem, 112 mil euros ao município.

O mesmo não se poderá dizer da câmara que, ao aceitar pagar-lhos, se esquece da frugalidade que impõe, e muito bem, a outras iniciativas culturais com muitíssimo mais impacto na cidade, na região e no país.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ao trabalho?*

* Hoje no Jornal do Centro


1. A detenção do presidente do turismo do Norte, Melchior Moreira, teve um estilhaço mediático que atingiu o presidente da câmara de Viseu. António Almeida Henriques (AAH) afirmou logo a sua disponibilidade para colaborar com os tribunais e assegurou aos viseenses que não deve nem teme.

Não há movimentações da justiça que levem a pensar o contrário e ainda bem que assim é. Contudo, militantes do PSD-Viseu, em declarações a este jornal sob anonimato, já põem em causa a candidatura de AAH ao terceiro e último mandato. O autarca responde-lhes: «eu estou de pedra e cal.»

No PS, João Paulo Rebelo e Rosa Monteiro, que sempre fizeram as suas contas para uma eventual candidatura à câmara de Viseu só em 2025, fazem figas para que não haja nenhuma antecipação de calendário.

E oxalá que sim, oxalá que as nuvens sobre o município de Viseu se dissipem e AAH recupere energia para tratar da nova barragem. Precisamos de uma câmara de Viseu forte capaz de impedir que os boys socialistas da Águas de Portugal ou os capitalistas da Águas do Planalto nos imponham transvases e nos salguem as facturas mensais do precioso líquido.

Os presidentes das câmaras de Mangualde, de Penalva do Castelo e de Nelas inviabilizaram uma solução intermunicipal, com oito municípios, que nos resolvia a todos o problema sem interferências exteriores. Como não é crível que algum deles queira ser no futuro boy da Águas de Portugal, deixo aos três aqui um apelo: regressem às negociações, promovam uma solução nossa, pública, capaz de nos abastecer sem problemas nos próximos cinquenta anos. Ao trabalho?

2. Mal Graça Fonseca, a nova ministra da cultura, desafiou a Gulbenkian a recriar uma “biblioteca móvel adaptada ao século XXI”, logo alguém muito divertido no Facebook lembrou que tal já existe: chama-se internet.

O que não existe é uma biblioteca online e de acesso gratuito a toda a nossa literatura sob domínio público. Cara ministra, ao trabalho?

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Classe média*

* Hoje no Jornal do Centro


1. O World Data Lab, dirigido por Kristofer Hamel, está há anos a aperfeiçoar a caracterização de quatro grupos sociais — pobres, vulneráveis, classe média, ricos — usando bases de dados de 188 países.

Hamel e Homi Kharas acabam de publicar o estudo “Um ponto de inflexão global: metade do mundo é agora da classe média ou rica”, cujos resultados não devem admirar os leitores habituais desta coluna. Bastas vezes tenho feito notar aqui que as narrativas dos media e das nossas universidades sobre a globalização não descrevem o que está a acontecer no mundo.

A verdade é que “pela primeira vez desde que começou a civilização baseada na agricultura, há dez mil anos, a maioria da humanidade já não é pobre nem está em risco de cair na pobreza.” Três mil e oitocentos milhões de pessoas vivem em casas de classe média ou rica e um número ligeiramente inferior em casas pobres ou vulneráveis à pobreza.

E este processo está a ser rápido: “no mundo de hoje, há uma pessoa a escapar da pobreza extrema em cada segundo, enquanto, no mesmo segundo, cinco pessoas entram na classe média. Os ricos estão a aumentar também, mas a um ritmo menor (um em cada dois segundos).”

Campeão de bilheteiras este ano, não vai estrear em Portugal 

 A nova classe média é, sem surpresa, predominantemente asiática (nove em cada dez) e, a continuar esta tendência, este grupo vai ter 4 mil milhões daqui a dois anos e 5,3 mil milhões em 2030.

Ora, como se sabe, a classe média é sempre um sarilho para os governos: onde está a crescer exige mais infra-estruturas e serviços do estado, onde está a recuar protesta e vota anti-sistema. Aconteceu no último domingo no Brasil.



2. Eclodem eucaliptos por tudo quanto é terreno ardido há um ano.

O governo, claro, não quer saber. Os autarcas é mais festas e festinhas. Nem para o problema da água se mobilizam. Temos água com fartura nos nossos rios mas os boys socialistas da Águas de Portugal e os capitalistas da Águas do Planalto vão mexendo os cordelinhos. Para depois nos vampirarem nas contas mensais.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O faqueiro*

* Hoje no Jornal do Centro

1. O prémio Escolha do Consumidor deu a Viseu “sete das 30 categorias que estiveram em análise”, noticiava, num cantito de uma página, a última edição deste jornal.

O sr. Google, que sabe tudo, explica-nos que esse prémio, em 2018, já foi atribuído à Caras, ao Global Media Group, à WiZynk, à Huawei, ao Dinheiro Vivo, ao Millennium BCP, à Glassdrive, à Fidelidade, à Multicare, à Samsung, à Repsol, à..., ao...

Dá para perceber: há mais vips a receberem o prémio Escolha do Consumidor do que velhinhos, em hotéis, a comprarem a prestações faqueiros, serviços de loiça e colchões ortopédicos.

No Facebook, há um vídeo patusco deste evento que decorreu numa embarcação de cruzeiros em Lisboa. Na cerimónia pingam dezenas e dezenas de prémios, alguns delirantes: “Cascais é o melhor concelho para se ter vida social”, “Sintra, o melhor para namorar”, “Portimão para fazer praia”, “Viseu para ser feliz”.

Um solitário conhece uma tia de Cascais, acende-se uma paixão ali ao lado em Sintra e, depois de um bronzeamento na praia da Rocha, vão ser felizes para sempre em Viseu.

Seja como for, o dr. Sobrado e o dr. Almeida Henriques lá subiram a bordo e...
... tiraram uma fotografia com o faqueiro, perdão, com o prémio. Depois, fizeram-na chegar aos jornais.


2. Os “vencidos da globalização” que deram a vitória a Trump, aqueles a quem, num momento infeliz, Hillary Clinton chamou “deploráveis”, continuam a sobressaltar as democracias. Agora é a vez do Brasil.

Como explicou o sociólogo Vinicius Mota no Folha de S. Paulo, os eleitores de Bolsonaro são pequenos proprietários e empresários, empregados mal pagos, polícias e militares de baixa patente, reformados, povo que “não tem a pele clara e está mais próximo do cotidiano violento das cidades”, que despreza os políticos e as elites bem pagas, odeia jornalistas e intelectuais, e deseja a “restauração da ordem corrompida”.

Segundo as sondagens, no domingo, essa gente vai valer um terço dos votos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Água*

* Hoje no Jornal do Centro


1. O que está aqui a ser feito no Jornal do Centro — na edição em papel, no rádio, no vídeo e online — honra os profissionais desta casa.

As notícias e opiniões aqui publicadas vão ser uma fonte preciosa, no futuro, para quem se queira debruçar sobre a história e os protagonistas da região de Viseu, nestes anos de deserção do estado central e de anemia económica, social e política.


Barragem da Aguieira, em 18.11.207
Fotografia Olho de Gato
2. Um problema que tem chamado cada vez mais a atenção dos jornalistas desta casa é o da água. Primeiro por causa do preço proibitivo do precioso líquido privatizado no sul do distrito, depois com a crise da barragem de Fagilde, agora pelas movimentações políticas à procura de soluções duradouras para o problema.

É preciso escrutinar o que se passa com a “Águas de Viseu”, uma empresa intermunicipal de oito municípios, em processo de aprovação nas várias assembleias municipais (a AM de Viseu já aprovou uma posição de 49,9% no capital).

Primeira pergunta: por que raio é que esta entidade tem o mesmo nome da empresa municipal com que António Almeida Henriques, em má hora, quis substituir os superavitários e eficazes serviços municipalizados de Viseu e que foi chumbada pelo Tribunal de Contas?

É verdade que o governo e a “Europa” impõem soluções intermunicipais. Mas, à volta desta nova “Águas de Viseu” em formação, ainda há muito nevoeiro.

Há que impedir os nossos eleitos de privatizarem a água e de a encarecerem com aumentos e aumentinhos, taxas e taxinhas. É preciso que eles peguem na energia que gastam em festas e festinhas e, literalmente, a canalizem para a modernização das redes e para o rigor na cobrança dos consumos.

Como quantificou este jornal em Junho, no distrito só há uma rede a perder menos de um quarto da água tratada: é a de Mangualde. Todas as outras perdem mais ou muito mais. Em dez concelhos desperdiça-se muito mais de metade. Moimenta e Resende, os campeões, em cada dez litros conseguem desbaratar mais de sete litros (!) de água canalizada.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Mochilas e envelopes*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Quase tudo já foi dito na comunicação social e nas redes sociais sobre o caso das três lojas e dos onze apartamentinhos que o bloquista Ricardo Robles arranjou no seu prédio, comprado por tuta-e-meia à segurança social, e que fez dele um milionário instantâneo.

Só ainda não vi em lado nenhum uma reflexão sobre o que terá levado a cúpula do bloco de esquerda a vir com teorias da cabala (olá, Sócrates!) e a atacar os media (olá, Trump!), quando os factos já conhecidos eram evidentes e facilmente verificáveis.

O que terá levado aquelas criaturas a reagirem tão toscamente? Encontro duas razões:

— por desábito: o bloco nunca foi escrutinado nos media, por isso, os seus líderes fizeram uma asneira de principiante;

— por causa da “bolha de filtros”: os políticos, depois de algum tempo, deixam de viver no mundo e passam a viver numa bolha só deles; é que os chefes gostam de viver rodeados por sacristãos, por gente que depende deles, que lhes filtra a realidade e lhes diz só o que eles gostam de ouvir.

2. O Europeade foi excelente. O folclore (leia-se: tradição, costumes locais), aliado à globalização (leia-se: modernidade, ferramentas globais), fez das ruas e praças de Viseu um fascínio de diversidade, um encantamento.

Dito isto, importa saber quanto custou esta festa cosmopolita. A câmara deve, com transparência e verdade, dar essa informação aos cidadãos. Para ver se é possível, realisticamente, tentar repetir no futuro estes dias felizes que vivemos.

3. No último Jornal do Centro, Fernando Ruas lembrou que uma boa descentralização de competências da administração central precisa de vir acompanhada da respectiva “mochila financeira”. Por sua vez, Álvaro Amaro avisou que esse processo só pode avançar acompanhado do respectivo “envelope financeiro”.

Ao que tudo indica, Mário Centeno discorda de Ruas e concorda com Amaro. Em vez de uma mochila de dinheiro, o ministro vai querer é dar aos autarcas um envelope. Tamanho A5.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Mornices tépidas*

* Hoje no Jornal do Centro


1. O teatro do IP3 não pára. Depois das prestações inesquecíveis de José Sócrates e Pedro Passos Coelho, foi agora a vez de António Costa. No início do mês, o actual primeiro-ministro fez uma performance tépida como este Verão no palco erguido junto ao nó de Raiva.

A raiva ficará para quando, na próxima bancarrota, forem instalar pórticos nos troços que venham eventualmente a ser duplicados. Não é o caso das obras agora lançadas que já estavam projectadas há muito tempo e que vão manter as duas vias.

2. O impacto conseguido pelo “Movimento pelo Interior”, onde não figurava nenhum político viseense, fez ressaltar a mornice irrelevante dos deputados e das cúpulas distritais dos partidos.

Num jogo de soma nula a que ninguém dá atenção, eles vão-se marcando uns aos outros como se tem visto nos problemas do hospital de Viseu. À falta de melhor, o deputado social-democrata Pedro Alves até já se mete com... os voluntários do hospital.

3. No concelho de Viseu, a omnipresença de Jorge Sobrado leva ao eclipse parcial do presidente da câmara e ao eclipse total dos outros vereadores.

Para deseclipsar a situação, António Almeida Henriques tem duas hipóteses: ou dilui Xanax nas bebidas do seu vereador da cultura ou contrata uma equipa alargada para a comunicação da câmara. 

Claro que a primeira hipótese não é defensável por ninguém e a segunda — que, ao que consta, está a ser cozinhada — é cara e de eficácia duvidosa.

4. Pelo que se leu na imprensa e nas redes sociais, os Jardins Efémeros foram tão tépidos como o Verão e a cidade não repetiu a chuva de críticas do ano passado ao evento. Ainda bem.

Foi bom também que, ao contrário dos anos anteriores, os JE não se tenham sobreposto ao Tom de Festa que precisa de bilheteira mais do que nunca, depois do corte de 24% feito pela geringonça à Acert. A pulseira custa cinco euros e a 28ª edição daquele festival de músicas do mundo prossegue hoje e amanhã em Tondela.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Silvicultura preventiva*

* Publicado hoje no Jornal do Centro

A barragem de Fagilde está cheia, a botar fora, o que dá algum sossego aos banhos dos viseenses. Há quedas de água em todas as encostas, o precioso líquido borbulha a bombordo e a estibordo das estradas nacionais e municipais. O Inverno tardou mas veio. Agora há que preparar o Verão.


Fotografia Olho de Gato

Foram desmatados muitos terrenos antes de 15 de Março. Respeitaram o prazo absurdo de uma má lei centralista, estúpida, que não sabe nem quer saber nada do mundo rural e que não tem em conta nem as diferenças regionais nem as condições meteorológicas. Além disso, obriga a limpar 50 metros em redor de casas, um exagero que impõe custos enormes a proprietários que não foram tidos nem achados sobre as construções junto dos seus terrenos.

Entretanto, os sarilhos atirados para as costas dos donos dos terrenos foram atirados também para cima das autarquias. Estas que poupem em festas e gastem em desmate, foi com esta mordidela que o ministro da agricultura sacudiu o capote governamental.

Infelizmente, muitas pessoas mal informadas e com medo das multas estão a cortar tudo a eito, o necessário e o desnecessário. O que faltou em informação competente sobrou em ameaças com a GNR. O ministro Cabrita transplantou para a administração interna a mesma incompetência com que dirigiu o dossier da regionalização em 1998, ou tutelou a pulsão censórica da CIG em 2016 e 2017.

Depois de tanta asneira, registe-se algo sensato: foi dado um novo prazo limite para as “operações de silvicultura preventiva” — 31 de Maio.

Espere-se que quem já fez o que lhe era exigido não vá ser obrigado, lá mais para a frente, a ter de pegar de novo nas roçadeiras por entretanto os fetos, as silvas e as giestas terem crescido outra vez.

Quem fez o que era exigido deve poder ir descansado às festas de Verão, tenham elas patrocínio municipal ou não. Ou poder ir tão descansado de férias como foi o governo no ano passado.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Voto útil?*

* Publicado hoje no Jornal do Centro

1. O congresso do CDS decorreu no Centro Multiusos de Lamego, numa obra que a câmara anterior do PSD/CDS deixou estreitar dez metros em todo o seu comprimento sem ter estreitado o preço de adjudicação inicial. Numa obra que ficou sem a cafetaria prevista no projecto e cujos sistemas de iluminação, climatização, renovação de ar e detecção de incêndios têm dias que sim, têm dias que não.

Apesar da engenharia civil daquele pavilhão ter sido tão má como a engenharia financeira, acabou por correr tudo bem no último fim-de-semana. E, como o edifício mingou 13 por cento, os congressistas até estiveram mais aconchegados.

Fotografia Jornal do Centro

2. No discurso de encerramento do congresso, Assunção Cristas declarou a morte do voto útil. A vontade de crescer da líder do CDS fá-la apostar neste “quem-dera-que” incerto. É claro que o voto útil perdeu força, depois da geringonça ter demonstrado que não é só o partido com mais votos que pode pregar as tábuas de uma canoa governamental. Mas é uma precipitação passar-lhe já a certidão de óbito.

Uma coisa é certa: o enfraquecimento do voto útil tanto causará danos ao PSD na direita como ao PS na esquerda. Catarina e Jerónimo vão proclamar, também eles, o fim do voto útil. E têm ainda mais um argumento poderoso contra a concentração de voto no PS — lembrarem o perigo das maiorias absolutas e o que sucedeu durante o autoritarismo negocista de Sócrates.

3. Os eleitores comunistas elegeram Fernando Loureiro para a assembleia municipal de Viseu mas o lugar acabou por ficar para Filomena Pires. Os eleitores socialistas do distrito elegeram deputados Maria Manuel Leitão Marques, António Borges e João Paulo Rebelo mas saíram-lhes na rifa Marisabel Moutela, José Rui Cruz e Lúcia Silva.

António Costa e Rui Rio, já que estais virados para “acordos de regime”, aqui está um a sério: é urgente acabar com esta vigarice política que leva as pessoas a votarem em A para depois o lugar ficar para B.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Impostos*

* Publicado no Jornal de Centro há exactamente dez anos, e, 15 de Fevereiro de 2008



Daqui

1. Cara leitora, caro leitor: agora que provavelmente está a organizar os seus papéis para “meter” o IRS, proponho-lhe que procure a carta que recebeu das Finanças, no último Verão, com a liquidação do seu IRS. Procure a linha 20, referente à “colecta líquida”. Ora aí está quanto pagou de IRS. Se vive no concelho de Viseu, calcule 2% dessa “colecta líquida”. Meta-lhe mais a inflação em 2007 e 2008 (talvez, num cálculo conservador, 5%). Quanto dá? Viu o número? É quanto lhe vai custar este ano, a si e à sua família, em IRS, o seu Presidente da Câmara. Eu explico:

A partir de 2008, o IRS pode ser diferente de concelho para concelho. Estão em causa 5% do valor do imposto. Das 24 Câmaras do distrito de Viseu, só Resende (PS), Penalva do Castelo (PSD), Mortágua (PS) e Penedono (PSD), baixaram o IRS dos seus habitantes, em percentagens que vão de 2 a 3%. Portanto, só quatro Presidentes de Câmara é que mostraram alguma solidariedade pela classe média, que é quem paga o grosso dos impostos, e que está a ser massacrada em todas as frentes, designadamente nos impostos imobiliários (IMI e IMT) que nunca pingaram tanto como agora nos cofres municipais.

No concelho de Viseu, Fernando Ruas recusou uma proposta de Miguel Ginestal para que fosse feita uma redução de 2% no imposto de rendimento dos viseenses.

Quando, em 2009, receber a tal cartinha das finanças, não se esqueça dos dois por cento do seu dinheiro. Em 2009 é ano para acertar contas. Na cabine de voto.

2. O IVA dos ginásios desceu de 21% para 5%. Excelente! É de pedir o mesmo para os DVDs e CDs.

Depois do gasto de calorias no ginásio, nada como duas horas retemperadoras no sofá, com um bom filme, uma boa música, …

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Tiquetaque, tiquetaque*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


1. O passo em falso da procuradora-geral da república no caso dos bilhetes lampiões de Mário Centeno fez sair dos estábulos dezenas de “cabaleiros” a galope nas suas teorias da cabala.

Deu para perceber, mais uma vez, que não são só os governos de Portugal e Angola que estão ansiosos por terem, de novo, um arquivador-geral da república.

Tenha muita saúde, Joana Marques Vidal. E vontade para continuar.

2. O PS no concelho de Viseu está em pantanas. A anterior presidente falhou na decisão mais importante do seu mandato. Não conseguiu impedir que a candidata à câmara fosse escolhida em petit-comité em vez de ter sido em primárias.

O resultado viu-se: com uma candidata incapaz de articular uma ideia que fosse para o concelho, os socialistas marcaram passo. Isto enquanto o PS a nível nacional subia em todo o lado, impulsionado pelo bom momento do governo e do primeiro-ministro.

Lúcia Araújo Silva só sabe ganhar eleições quando elas são dentro do partido. As recentes eleições da concelhia de Viseu, onde nenhum dos candidatos mostrou vontade de debater ideias, foram resolvidas através do cochicho arrebanhador de votos. E nisso a vereadora é especialista.

Agora, o PS das famílias, depois da derrota, quer ganhar na secretaria. Uma “moscambilha”, como bem disse José Junqueiro.

3. Lembremos António Almeida Henriques em discurso directo, em 10 de Dezembro de 2015:

— “seis quilómetros [de ciclovias] serão o vírus positivo para transformar muitos hábitos (…) uma revolução tranquila na mobilidade da cidade”;

— “é já um salto de tigre numa mobilidade mais amiga da qualidade de vida urbana, da economia e do ambiente e que prova que isto não é só apanágio das grandes cidades”.

Passaram dois anos completos e mais dois meses. Espera-se que não tenha dado um vírus negativo neste tigre saltador.

Daqui
É que o presidente da câmara de Viseu prometeu a conclusão destas ciclovias em... 2018. E, para já, não se vê nada. 

Tiquetaque, tiquetaque. Faltam 325 dias.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

S. Pedro do Sul*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 1 de Fevereiro de 2008


1. A Câmara de S. Pedro do Sul não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego.
Daqui
É tanta a “falta de ar” do Presidente da Câmara, António Carlos Figueiredo, que até já tentou antecipar quinze anos de rendimentos das eólicas e tentou passar a patacos, num negócio muito complicado, os Balneários das Termas.

Já se sabe: quando falham a disciplina financeira e o rigor, o interesse público fica em risco. Tem valido a S. Pedro do Sul a sensatez de Fátima Pinho e José Duque, os vereadores socialistas. Fátima Pinho assumiu a liderança da oposição com coragem e tem-se afirmado como um rosto para quem os sampedrenses podem olhar com esperança no futuro.

A meio deste mandato autárquico, em S. Pedro do Sul, as coisas estavam assim: António Carlos Figueiredo em baixa; Fátima Pinho em alta.

2. Eis senão quando José Junqueiro resolveu adentrar em Lafões. Ele foi requerimentos. Ele foi declarações pasmosas à Rádio Vouzela. Ele foi comunicados. Dezanove ambulâncias, escreveu ele num comunicado. Dezanove ambulâncias a tinoninarem na N16, a subirem de S. Pedro para Viseu, movidas a diesel aditivado. Para felicidade dos sampedrenses, escreveu o sempiterno líder distrital do PS. Dezanove ambulâncias.

Muitas noites deve ter perdido Fátima Pinho. É que estas coisas fazem mossa. Teve que lutar muito, assim como os socialistas do concelho, mas valeu a pena. Sempre vai haver um serviço de urgência básica, em S. Pedro do Sul. As pessoas vão ser bem servidas. E isso é que é importante.

O Presidente da Câmara está agora a retirar dividendos políticos do caso. Só precisou de assistir, sentado e com as mãos nos bolsos, à cada vez menos discreta ciumeira entre José Junqueiro e Correia de Campos.