José Mário Branco
Fotografia de Reinaldo Rodrigues — daqui
Hoje: José Mário Branco – “Eh! Companheiro” e curioso coincidência que os recentes posts do Sr Gato se intitulam: “Moral” (o que falta) E “A casa do caralho” (para onde apetece mandar muita boa gente…). Nestes tempos de políticos manhosos que “esquecem as regras da transparência” (mero engano) ou confundem a sua morada oficial com a do partido… Recordo a canção “Eh! Companheiro” e a sua mensagem anti-regime e reconheço que foi das músicas que mais me marcou no antes 25 Abril. Chamo a atenção para o brilhante poema de Sérgio Godinho e para o ritmo sequenciado dos instrumentos (violinos) / coro e sobretudo o “matraquear” forte, ritmado e lutador do piano. José Mário Branco vai para o exílio em 1963 e escolhe viver em Paris onde toma contacto com os bidonville e as duras condições dos emigrantes. Foi membro do Partido Comunista, fundador do GAC, da Comuna e do Bloco de Esquerda, é vulto incontornável da música nacional mas também do activismo político dando um renovado significado à “máxima resistir é vencer”. Ao longo da carreira, um princípio fundamental norteou sempre as posições de José Mário Branco: a defesa intransigente da música portuguesa; factor aliado ao colocar a canção ao serviço da luta dos trabalhadores, mas nunca aceitou que os critérios políticos ultrapassem os critérios estéticos. Como se verifica, na sua qualidade de produtor, de Camané. Serve ainda este texto para recordar que conheci as palavras (entrevista) do Zé Mário através da revista “Mundo da Canção”, fundada em 1969, no Porto, pelo Avelino Tavares. Revista pioneira e de grande qualidade na divulgação da música popular nacional e estrangeira. Como dizia no seu editorial: “A música é a expressão mais importante da reivindicação da juventude de todo o mundo e tu, Jovem de Portugal, tens uma palavra a dizer”. “Eh! Companheiro”, enquanto houver memória cá estaremos para te cantar e divulgar: “Só tem medo desses muros / quem tem muros no pensar”.
* Publicado no Jornal do Centro ha exactamente dez anos, em 30 de Maio de 2008
A edição do último domingo do Washington Post trazia uma reportagem sobre a Guiné-Bissau intitulada a “Rota do Mal”. Conforme conta Kevin Sullivan, a situação daquele país lusófono é catastrófica. A Guiné está à beira de se tornar um narco-estado dominado pelos cartéis colombianos.
A cocaína “viaja” cada vez mais para a Europa por causa da valorização da libra e do euro. Há muita procura em Inglaterra, Espanha e Itália. Em Londres, Madrid ou Milão os preços do “pó branco” são o dobro dos praticados em Nova York ou San Francisco. Sem surpresa, percebe-se que o comércio dos estupefacientes segue as regras da economia global.
A Guiné ocupa o antepenúltimo lugar do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. A maioria das pessoas não tem água nem electricidade. O país tem 63 agentes de investigação mas mais de metade nem arma tem. Os prisioneiros dormem num edifício decrépito a que se chama prisão; sair ou ficar depende deles.
Apesar deste cenário, na rua vêem-se Porshes e BMWs luzidios. Os carros são pagos nos stands com dinheiro vivo. Quando um traficante é incomodado, o juiz liberta-o. Os jornalistas ou se calam ou levam um tiro. É a economia da cocaína a funcionar.
A droga é largada nas várias ilhas da Guiné-Bissau. Depois, pequenos aviões e “mulas” transportam o produto para a Europa. Em Amsterdão, só num voo proveniente de Bissau, foram apanhadas 32 pessoas com cocaína escondida no corpo.
Não há que errar: Portugal vai ser afectado pela existência deste entreposto de cocaína a funcionar num PALOP. É preciso ajudar a Guiné-Bissau a construir a autoridade do estado. Para já, ainda deve ser só um caso de polícia. No futuro, se nada for feito, pode vir a ser um caso militar.
Viste o cavalo varado a uma varanda? Era verde, azul e negro e sobretudo negro. Sem assombro, vivo da cor, arco-irís quase. E o aroma do estábulo penetrando a noite. Do outro lado da margem ascendia outro astro como uma lua nua ou como um sol suave e o cavalo varado abria a noite inteira ao aroma de Junho, aos cravos e aos dentes. Uma língua de sabor para ficar na sombra de todo um verão feliz e de uma sombra de água. Viste o cavalo varado e toda a noite ouviste o tambor do silêncio marcar a tua força e tudo em ti jazia na noite do cavalo.
Three people drinking out of the bottle in the living room. A cold rain. Quiet as a mirror. One of the men stuffs his handkerchief in his coat, climbs the stairs with the girl. The other man is left sitting at the desk with the wine and the headache, turning an old Ellington side over in his mind. And over. He held her like a saxophone when she was his girl. Her tongue trembling at the reed. The man lying next to her now thinks of another woman. Her white breath idling before he drove off. He said something about a spell, watching the snow fall on her shoulders. The musician crawls back into his horn, ancient terrapin at the approach of the wheel.
1. É preciso repensar a ligação Viseu-Coimbra. Para já, ainda não há nenhum compromisso novo calendarizado. O que foi anunciado foi só o lançamento de um concurso de 15 milhões de euros para obras já projectadas e que têm que ser feitas no perigoso troço do IP3 entre o nó de Penacova e da Lagoa Azul. A verdade é que, das três alternativas estudadas pela Infraestruturas de Portugal, o governo quer escolher a pior só porque é a mais baratinha. E a região não pode deixar que se repita no IP3 a asneira que foi feita no IP5. É que depois, na próxima bancarrota, não vai haver força para impedir portagens nos troços que venham, eventualmente, a ser duplicados. 2. O movimento pelo interior acaba de apresentar um conjunto de boas propostas. Mas já se sabe: Lisboa tudo fará para manter o seu poder sobre as nossas vidas e para sabotar qualquer tentativa de discriminação positiva do interior. O centralismo tem duas peles muito ásperas: — a pele política, manhosa, cheia de retórica na defesa do interior mas que aplica todos os recursos no litoral onde estão os votos; — a pele tecnocrática, untuosa, que já começou a levantar espantalhos nos media contra a “província”. Por exemplo, o economista televisivo Ricardo Paes Mamede já vê nos “supostos defensores do interior” uma nova encarnação populista do antigo “nortismo pinto-costista”. Caro Jorge Coelho, precate-se, estes académicos alfacinhas ainda atiçam os No Name Boys e a Juve Leo contra si. Outro exemplo: mal o ministro do ensino superior esboçou um eventual aumento de vagas no interior e cortes em Lisboa e no Porto, logo um texto da esquerda.net bloquista lhe malhou com força: que há “falta de confiança em muitas” escolas do interior, que coitadas das “famílias de rendimentos baixos ou médios das grandes cidades”, que isto, que aquilo, ... A luta contra o centralismo vai ser dura. Mas, com determinação e firmeza, podemos obter bons resultados. Incluindo no IP3.
Perdoe-me por não saber amar em outra língua. estes versos, que me atravessam como uma rua acidentada, não os explicito. perdoe-me por não saber cantar em outra língua. estes versos, que me iluminam como as pedras que flatam na rua acidentada, não os traduzo. perdoe-me por não saber beijar em outra língua. estes versos que se soltam e me encharcam.
* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 23 de Maio de 2008 1. Belgrado. Segunda Guerra Mundial. Marko e Blacky, amigos inseparáveis, vão tratando do canastro aos alemães que ocupam o seu país. Blacky é perseguido pelos nazis. Esconde-se numa cave acompanhado por um grupo grande. Aí ficam todos literalmente soterrados, com um único contacto com o exterior: Marko. À superfície, prossegue a guerra de libertação; no subterrâneo, aquela gente, dirigida com mão de ferro por Blacky, produz armas.
Quando os alemães são expulsos da Jugoslávia, Marko não diz nada aos de baixo. Ano após ano mantém o grupo na cave. Nem de seu irmão Ivan, que também lá está, tem pena. Eles julgam que a guerra continua. Ficam assim no escuro, como na Alegoria da Caverna de Platão, num mundo paralelo, em que o “real” e a “ficção” trocaram de lugar. Esta é a história de Underground, um filme de Emir Kusturica, que ganhou uma mais que merecida Palma de Ouro em Cannes, em 1995. É muito provável que Elisabeth Fritzl, que foi enclausurada numa cave pelo seu próprio pai durante 24 anos, tenha visto Underground. A cave tinha televisão e Elisabeth tinha muito tempo para gastar.
Que terá pensado ela enquanto via Underground? 2. Barack Obama: “Não podemos guiar os nossos SUV, comer tanto quanto nos apetece, manter as nossas casas sempre, a todas as horas, nos 22ºC… e depois esperar que os outros países venham dizer ok.” John Edwards: “Temos que ser contra a ganância das multinacionais.” Para mim, era este o “ticket” ideal: Obama, a presidente; Edwards a vice. De qualquer forma, quer ganhe Obama, quer ganhe McCain, uma coisa boa vai acontecer: sai da Casa Branca o pior presidente da história dos Estados Unidos.
The cure for what ails you is a good run, at least according to my mother, which has seemed, all my life, like cruelty — when I had a fever, for example, or a heart, shipwrecked & taking on the flood. But now, of course, this is what I tell my friend whose eye has been twitching since last Tuesday, what I tell my student who can’t seem to focus her arguments, who believes, still, that it’s possible to save the world in 10-12 pages, double-spaced & without irony I’m asking Have you tried going for a run? You know, to clear your head? this mother-voice drowning out what I once thought to be my own. I’ll admit that when that man became the president, before terrified I felt relief — finally, here was the bald face of the country & now everyone had to look at it. Everyone had to see what my loves for their lives, could not unsee. Cruelty after all is made of distance — sign here & the world ends somewhere else. The world. The literal world. I hold my face close to the blue light of the screen until my head aches. Until I’m sick & like a child I just want someone to touch me with cool hands & say yes, you’re right, something is wrong stay here in bed until the pain stops & Oh mother, remember the night when, convinced that you were dying, you raced to the hospital clutching your heart & by the time you arrived you were fine. You were sharp as a blade. Five miles in & I can’t stop thinking about that video. There’s a man with his arms raised in surrender. He was driving his car. His own car & they’re charging him bellowing like bulls I didn’t shoot you, motherfucker, you should feel lucky for that. Yes. Ok. Fine. My body too can be drawn like any weapon.
Myselves The grievers Grieve Among the street burned to tireless death A child of a few hours With its kneading mouth Charred on the black breast of the grave The mother dug, and its arms full of fires. Begin With singing Sing Darkness kindled back into beginning When the caught tongue nodded blind, A star was broken Into the centuries of the child Myselves grieve now, and miracles cannot atone. Forgive Us forgive Us your death that myselves the believers May hold it in a great flood Till the blood shall spurt, And the dust shall sing like a bird As the grains blow, as your death grows, through our heart. Crying Your dying Cry, Child beyond cockcrow, by the fire-dwarfed Street we chant the flying sea In the body bereft. Love is the last light spoken. Oh Seed of sons in the loin of the black husk left.
II
I know not whether Adam or Eve, the adorned holy bullock Or the white ewe lamb Or the chosen virgin Laid in her snow On the altar of London, Was the first to die In the cinder of the little skull, O bride and bride groom O Adam and Eve together Lying in the lull Under the sad breast of the head stone White as the skeleton Of the garden of Eden. I know the legend Of Adam and Eve is never for a second Silent in my service Over the dead infants Over the one Child who was priest and servants, Word, singers, and tongue In the cinder of the little skull, Who was the serpent's Night fall and the fruit like a sun, Man and woman undone, Beginning crumbled back to darkness Bare as nurseries Of the garden of wilderness.
III
Into the organpipes and steeples Of the luminous cathedrals, Into the weathercocks' molten mouths Rippling in twelve-winded circles, Into the dead clock burning the hour Over the urn of sabbaths Over the whirling ditch of daybreak Over the sun's hovel and the slum of fire And the golden pavements laid in requiems, Into the bread in a wheatfield of flames, Into the wine burning like brandy, The masses of the sea The masses of the sea under The masses of the infant-bearing sea Erupt, fountain, and enter to utter for ever Glory glory glory The sundering ultimate kingdom of genesis' thunder.
* Publicado hoje no Jornal do Centro 1. As casas dos políticos vão adquirindo adjectivos cada vez mais delirantes. O deputado bloquista Pedro Soares, apanhado também a arredondar o fim do mês, afirmou-se à RTP com: — uma “morada estável” (sic) na sede do bloco de esquerda em Braga; — uma “morada de família” (sic) em Vouzela, nunca registada porque, disse o deputado e escreveu o bloco num comunicado, o custo seria “mais elevado” para o parlamento; — uma “morada de contacto” (sic) em Lisboa nunca indicada à AR mas registada no tribunal constitucional para “facilidade de contacto” deste. Há outra telenovela com casinhas de um eleito em Vila Nova de Paiva. O vereador do PSD, Manuel Custódio, alterou a sua morada para Lisboa e quer os 36 cêntimos por quilómetro da praxe. Para já, a coisa empancou num parecer jurídico da CCDRC com dois conceitos intrincados: “domicílio voluntário” (sic) e “domicílio efectivo” (sic). Saude-se esta adjectivação criativa das casinhas dos políticos. Saude-se também a geografia peculiar do bloco de esquerda que espreita por um canudo Braga e Vouzela e vê a primeira mais perto de Lisboa do que a segunda. 2. No passado fim-de-semana, nas eleições internas do PS no distrito de Viseu, António Costa obteve 96,3% dos votos e o seu opositor Daniel Adrião 3,7%. Registe-se que, em mais de metade dos concelhos, o voto foi pouco secreto. Com zero votos brancos, zero nulos, zero no Adrião, toda a gente ficou a saber que toda a gente votou Costa. O aparelho socialista tem esta cultura: elege o líder de turno com votações “norte-coreanas” e faz congressos em que ninguém diz nada fora do guião.
No último congresso de José Sócrates, que podia ter sido filmado por Leni Riefenstahl, todos os vips e todos os não vips repetiram a mesma história da carochinha intitulada PEC4. Desta vez, o congresso vai parafrasear as ideias de Augusto Santos Silva e celebrar os sucessos de Centeno. E vai fingir que não vê o elefante especado no meio da sala que se chama socratismo.
A arrogância dos poetas nesses dias passava pelo modo como nos cafés se dispunham nas mesas: líricos à esquerda próximos do balcão épicos à direita alguns com chapéu dramáticos em pé na barra modernos sentados mais ao fundo despejando sobre brancos papéis de guardanapo versos livres brancos de poemas em prosa ou olhando avidamente para Rosa a empregada mulata de vinte e tantos anos. Tudo tão admiravelmente posto em ordem segundo preceitos decerto muito antigos dava àquela geração de vates surpreendidos a aparência vaga de um conjunto de amigos. Mas eis que Baudelaire Mallarmé Pound Eliot Wallace Stevens chegavam a ser termos pronunciados todos se disputavam a recitar um verso de O'Hara um terceto de cummings uma melopeia à Charles Olson um simples dito de Tzara. Eu sentava-me nesse café numa mesa próxima da porta e pedia uma bica folheava o jornal entre dois goles de meia notícia evitando sempre olhar para eles mais que um instante breve o suficiente para que quase alarmado me inteirasse do estado da poesia. Mas se acaso pela rua distraído um gato corria atrás de um outro ou um cão passava tão-só um par de pernas na calçada já de jornal na mão passada apressada saltava para fora do cân- one two three four
Apetece cantar, mas ninguém canta. Apetece chorar, mas ninguém chora. Um fantasma levanta A mão do medo sobre a nossa hora. Apetece gritar, mas ninguém grita. Apetece fugir, mas ninguém foge. Um fantasma limita Todo o futuro a este dia de hoje. Apetece morrer, mas ninguém morre. Apetece matar, mas ninguém mata. Um fantasma percorre Os motins onde a alma se arrebata. Oh! maldição do tempo em que vivemos, Sepultura de grades cinzeladas, Que deixam ver a vida que não temos E as angústias paradas!
* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 16 de Maio de 2008 1. Maria de Lurdes Rodrigues (MLR) tem aparecido na comunicação social dia sim, dia sim, a dizer que não quer chumbos. MLR não quer nada que impeça a progressão automática dos alunos. MLR não quer mais exames e, nos que há, a palavra de ordem é “tolerância”. MLR quer estatísticas cor-de-rosa. A mês e meio do fim do ano-lectivo, com medo que o recado ainda não tenha sido bem percebido, o ministério fala agora de uma quota maior de “excelentes” e “muito bons” na avaliação dos professores que trabalhem nas “melhores” escolas (seja lá o que isso for…). Ao som de trombetas, quando chegar a altura, há-de ser feito um número com os números do “sucesso” educativo. Fica mais uma tarefa para o “dia a seguir” a Maria de Lurdes Rodrigues: recuperar a credibilidade das estatísticas do ministério.
Fotografia Olho de Gato
2. Não esperava muito do estudo sobre o Centro Histórico de Viseu encomendado à Parque Expo. Felizmente enganei-me. A Parque Expo fez um bom trabalho. Era bom que as pessoas o pudessem conhecer. A informação produzida devia estar disponível na página da câmara na internet. O filme, que tão bem nos permite visualizar o que se pretende, devia ser colocado no YouTube também. Que diabo! Quando é que a Câmara de Viseu chega ao século XXI? Agora é o tempo de debate e dos contributos da sociedade civil. É bom que apareçam muitas opiniões sobre o assunto. Quanto mais controvérsia melhor. Convém lembrar: os cidadãos têm poder de influência e os eleitos poder de decisão. É assim numa democracia. João Paulo Rebelo, na última Assembleia Municipal, lembrou que é preciso fazer-se a “recuperação social” do centro histórico. É mesmo isso. O problema do centro histórico não é de pedras, é de pessoas.
Ao Homem tanto faz a natureza se anda abismado, com outros às cavalitas quando chega à meta já os perdeu a todos e depois é que olha o céu e sente a chuva, tão nova ao Homem tanto faz o verbo se se multiplica pelos actos quando dá por ele, já são muitos e depois a terra abala-se e é a cabeça que inventa deus a mim, tanto me faz o Homem sou espuma na onda desfaço-me mas volto e só existo de vez em quando.
Na minha juventude antes de ter saído Da casa de meus pais disposto a viajar Eu conhecia já o rebentar do mar Das páginas dos livros que já tinha lido Chegava o mês de Maio era tudo florido O rolo das manhãs punha-se a circular E era só ouvir o sonhador falar Da vida como se ela houvesse acontecido E tudo se passava numa outra vida E havia para as coisas sempre uma saída Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer Só sei que tinha o poder duma criança Entre as coisas e mim havia vizinhança E tudo era possível era só querer
Há três semanas, afirmei aqui que o infeliz deputado Feliciano, literalmente apanhado na casa dos pais para alegrar um pouco mais o seu fim do mês, não era caso único. Bingo! Entretanto, também já foi apanhada uma deputada em casa da mãezinha (Elza Pais, PS) e um em casa da filhinha (Matos Rosa, PSD). Há mais. Para além destes pequenos casos ridículos, há problemas estruturais no parlamento que precisam de conserto urgente. Hoje vou tratar de um deles, partilhando com os leitores do Jornal do Centro um texto que publiquei no blogue Olho Gato, em 7 de Abril de 2011, no dia a seguir à bancarrota socrática: Uma boa parte dos deputados não se dedica em exclusivo ao cargo para que foi eleito pelos portugueses. Temos muitos deputados em part-time que arredondam o seu orçamento com outras actividades, figurando na folha de pagamentos de empresas e grupos económicos, empresas e grupos económicos que recebem fundos públicos e têm negócios com o estado. Esta acumulação de funções públicas e privadas é defendida pelos deputados usufrutuários com dois argumentos, um subjectivo e outro objectivo. O argumento subjectivo é o seguinte: “só assim o parlamento pode recrutar os melhores”. Este argumento, sendo matéria de opinião, deve ser respeitado. Mas não é imprudente contrapor-lhe que os eleitores, não podendo ter os melhores deputados, poderiam querer conformar-se com um paraíso não tão perfeito e terem uns deputados “menos melhores” que defendessem o interesse público “mais melhor” do que tem acontecido. Já o segundo argumento — “ser deputado em part-time é legal” — é, de facto, objectivo: o actual estatuto não obriga os deputados à exclusividade. Só que esse argumento não deve ser usado por membros da casa que tem o poder de mudar as leis. É que poderá parecer ao eleitorado que os deputados em part-time mantêm o seu estatuto legal porque pensam mais no seu benefício próprio e menos no interesse público.
Mojique sees his village from a nearby hill Mojique thinks of days before Americans came He sees the foreigners in growing numbers He sees the foreigners in fancy houses He thinks of days that he can still remember...now. Mojique holds a package in his quivering hands Mojique sends the package to the American man Softly he glides along the streets and alleys Up comes the wind that makes them run for cover He feels the time is surely now or never...more. The wind in my heart The wind in my heart The dust in my head The dust in my head The wind in my heart The wind in my heart (Come to) Drive them away Drive them away. Mojique buys equipment in the market place Mojique plants devices in the free trade zone He feels the wind is lifting up his people He calls the wind to guide him on his mission He knows his friend the wind is always standing...by. Mojique smells the wind that comes from far away Mojique waits for news in a quiet place He feels the presence of the wind around him He feels the power of the past behind him He has the knowledge of the wind to guide him...on. The wind in my heart The wind in my heart The dust in my head The dust in my head The wind in my heart The wind in my heart (Come to) Drive them away Drive them away.