quarta-feira, 6 de junho de 2018

Selecção*

* Publicado há exactamente dez anos, em 6 de Junho de 2008


Como vi o estágio da selecção:

i) Viseu é uma cidade aberta, bonita e dinâmica e que sabe receber bem. Os viseenses estão de parabéns.

ii) A Câmara Municipal fez bem em alindar a cidade antes da chegada da comitiva; os zunzuns que ouvi a criticar isso foram estúpidos; quando se recebem visitas, prepara-se a casa.


iii) Não se viu grande jornalismo na cobertura destas duas semanas. Pôr repórteres a espetar o microfone à frente dos transeuntes no Rossio não é fazer jornalismo, é encher chouriços.

iv) As mesmas histórias passaram de canal para canal, aquecidas e reaquecidas em micro-ondas. Toda a gente ficou a saber de cor o caso dos patuscos do Renault 5 a “trabalharem” para irem à Suíça e o caso da pasteleira que veio de Quioto para ter um autógrafo do Paulo “Fereira”.

v) Um estágio precisa de sossego e concentração. Quanto mais próximas queriam estar as pessoas, mais longe precisavam de estar os jogadores. Foi impossível evitar alguma frustração dos adeptos.


vi) Não devia ter sido permitida a entrada do empresário de Cristiano Ronaldo no estágio. Ele que trate dos seus 10% noutro sítio. A história da ida ou não ida de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid perturbou os trabalhos e a cabeça do nosso melhor jogador.

vii) Sou sócio da selecção desde que nasci. Percebeu, senhor BES?


viii) Gilberto Madaíl pôs-se a falar de um putativo novo contrato com Scolari.

ix) Um jipe estacionou junto ao Hotel Montebelo com um fardo de palha no tejadilho.


x) Durante uns tempos, as varandas dos apartamentos vão ter mais bandeiras nacionais que placas a dizer “vende-se”.

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