Mostrar mensagens com a etiqueta O gato cinéfilo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O gato cinéfilo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de abril de 2019

terça-feira, 2 de abril de 2019

Se quereis ser fino amante

Buffalo 66

Se quereis ser fino amante
e dessa Senhora amado
o que tendes de picado,
haveis de ter de picante.
Este é remédio importante;
se ela a versos se aplica,
fazei-lhe uma canção rica
se a quereis namorar.
Porém, se a quereis picar,
usai com ela de pica.
Dom Tomás de Noronha





sábado, 30 de março de 2019

"And Now For Something Completely Different" (#230)

As criaturas da tesoura, agora, são os chuis da linguagem, os chibos politicamente correctos sempre prontos a acharem em tudo "discurso do ódio"


quarta-feira, 27 de março de 2019

Hanami*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 27 de Março de 2009

Fotografia Olho de Gato
1. Hanami é uma tradição milenar japonesa que leva multidões para debaixo das cerejeiras a admirarem a beleza das suas flores. 

Ainda pode fazer hanami este fim-de-semana no vale do Douro, entre a Régua e Resende, onde há milhares de cerejeiras floridas à sua espera.
     
2. “A tendência do homens (…) a imporem aos outros como regra de conduta a sua opinião e os seus gostos, está tão energicamente sustentada por alguns dos melhores e alguns dos piores sentimentos inerentes à natureza humana que quase nunca se detém a não ser por lhe faltar poder.”
     
Quando escreveu isto há 150 anos, Stuart Mill estava longe de imaginar deputados, no século XXI, a parirem leis sobre o sal no pão nosso de cada dia.
     
3. Começo este ponto com uma declaração de interesses: integro um órgão não executivo do Cine Clube de Viseu (CCV).
     
Apesar disso, é com objectividade que afirmo: o CCV tem uma actividade cultural competente e consistente. O seu trabalho com as escolas já envolveu mais de 20 mil alunos. O Ministério da Cultura acaba de o colocar, pelo terceiro ano consecutivo, em primeiro lugar na rede nacional de exibição não comercial de cinema.
     
O CCV está bem mas há nuvens no horizonte. A evolução tecnológica vai fazer desaparecer as cópias de filmes em celulóide e a cidade ainda não tem uma sala não comercial com projecção digital.
     
Era importante que o futuro Centro de Artes do Espectáculo de Viseu (CAEV) tivesse uma sala com essa funcionalidade. Quanto mais modular, flexível e multidisciplinar o CAEV for, melhor.
     
É necessário evitar que o CAEV se transforme em mais um elefante branco. É agora na fase de concepção que se pode evitar esse risco bem real.

sábado, 9 de março de 2019

"And Now For Something Completely Different" (#229)

Mr. Hitchcock, what is your definition of happiness?

A clear horizon — nothing to worry about on your plate, only things that are creative and not destructive and that's withing yourself. Within me I can’t bear quarreling, I can’t bear feelings between people. I think hatred is ... ... ... ...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Multitarefas*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 20 de Fevereiro de 2009

1. Nós conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Há uns anos no IP3 foi apanhado pela GNR um condutor que ia a conduzir a 160 à hora e a fazer a barba. O facto é que o homem não se esbarrou.


Daqui
Já vi num multibanco uma mulher a levantar dinheiro da máquina enquanto falava ao telemóvel e comia um croissant. Ela não se enganou. Não falou para o multibanco nem comeu o telemóvel nem levantou o croissant.

Dizia-se que o presidente americano Gerald Ford não era capaz de caminhar e mascar chiclet ao mesmo tempo mas isso era só uma maldade dos seus inimigos políticos.

Nós somos multitarefas.

Portanto, por favor, não me digam que os portugueses não são capazes de votar para as autárquicas e para as legislativas no mesmo dia. Então as pessoas são capazes de votar em três papelinhos diferentes mas em quatro já não?

Ultimamente tenho ouvido muito o argumento que o que é preciso é atacar a crise económica em vez de se estar a pensar em problemas de minorias como o casamento gay. Ora, este argumento não tem em conta que os políticos também são multitarefas. Numa manhã de trabalho e sem madrugarem muito, os deputados podem perfeitamente resolver o problema do casamento entre homossexuais e ainda ficam com a tarde toda para lutarem contra a recessão.

2. Às vezes, na cabeça das pessoas, forma-se a ideia que a felicidade está sempre noutro lugar ou noutra circunstância, nunca no lugar ou na circunstância em que se está.

É disso que trata Revolutionary Road, de Sam Mendes, um filme amargo que vai aumentar a taxa de divórcios do mundo.

3. No último sábado foi lançado o primeiro número da Viseu.M. É uma revista excelente e imperdível.

Parabéns ao Grupo de Missão do Museu Municipal de Viseu.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Perdono


Por olores de perfumes baratos
Por tantas mujeres con risa burlona
Por lagrimas que perdieron su sabor

Por noches llenas de soledad
En las que mis manos acariciaron mi cuerpo
Mi cuerpo lloraba
Por el tiempo que no volvera

Perdono, solo para ti
Perdono, solo por tu bien
Perdono, aunque no me lo pediste

Por la compasion del alluido del lobo
Por los momentos de piedad del viento
Que me acaricio

Por los rallos de mi amor ardiente
Que cegaron mis ojos y me hicieron tu sombra
Y por no escuchar el lobo que me mando a irme

Perdono, solo para mi
Perdono, solo por mi bien
Perdono, a pesar que ya estas lejos ...
Frida (2002)


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Monólitos*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 2 de Janeiro de 2009

     
1. O monólito que aparece em 2001, Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, é um enigma. Aquele paralelepípedo negro é Deus? É a Energia? O que é?
  
A sequência inicial do filme chama-se A Aurora do Homem. Nela vêem-se uns macacos que, nas suas macaquices, descobrem um monólito negro. A partir desse instante, o líder deles consegue fazer o seu primeiro acto inteligente: usar um osso como arma. Fica capaz de matar presas e conquistar território.
     
Na alegria da vitória, o macaco, que afinal é o primeiro homem, atira o osso-arma ao ar. 


     

Milhares de anos de conquistas da inteligência humana são condensados naqueles cinco segundos em que, na subida, o osso dá voltas e voltas sobre si mesmo até se transformar numa nave espacial.

Fotografia Olho de Gato
2. O edifício da segurança social é o maior monólito de Viseu. 

É mal amado; muita gente chama-o mamarracho.

Nos tempos em que se julgava que éramos um país rico, falou-se em implodi-lo ou em amputá-lo de cinco andares.

Agora já ninguém fala disso. 

A arquitectura deixou-se de ornamentices pós-modernas. As construções são outra vez minimais, despojadas, funcionalistas. Basta ver as casas da classe média feitas nos últimos anos.
     
O nosso monólito da segurança social é um digno exemplar arquitectónico do estilo internacional. É a marca em Viseu daquela época da história da arquitectura mundial. Além disso, a sua geometria sintoniza-se com os tempos austeros que vivemos.

     
3. Caminhar em cima da passadeira de monólitos de granito que puseram na Cava de Viriato é um perigo. Cuidado! Muito cuidado!
     
Eis como começam todos os diálogos entre as pessoas que por lá passeiam:
     «Viva! Então que acha disto?»
     «Fizeram aqui uma boa trampa...»

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Sardas*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 12 de Dezembro de 2008
     
1. Há coisa de uns vinte anos, li Jangada de Pedra, de José Saramago. A jangada de pedra de que fala o livro é a Península Ibérica que se separa do resto da Europa e se põe a navegar no Oceano Atlântico para cima, para baixo e para os lados, acabando por rumar ao terceiro mundo.
     
Jangada de Pedra é um livro com muita imaginação mas, infelizmente, de escrita baça e ideologia repulsiva. Com provável prejuízo meu, mas devo confessar que nem a posterior nobelização de Saramago me fez ler mais nada dele.
     
2. Está em exibição o filme Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, baseado na novela homónima de José Saramago.
     
Ensaio Sobre a Cegueira é a mesma parábola que Jangada de Pedra. É Saramago a citar Saramago. Conta-nos que o homem, em condições limite, fica mau como as cobras.
     
O enredo é conhecido. De súbito, as pessoas começam a ficar cegas. Não há nenhum sintoma anterior ou explicação médica. Essa cegueira é infecciosa e contagia cada vez mais gente...
     
No desespero, as pessoas ficam lobas umas das outras e juntam-se em alcateias, enquanto os santos nas igrejas vendam os olhos (ou alguém lhos venda, o que dá no mesmo). Na luta pela sobrevivência, a dignidade humana vaporiza-se, e a vacilação moral torna-se uma arma de destruição maciça. No fim, até os que resistem justos e bons acabam por perceber que o poder é a ponta de uma arma.


Ensaio Sobre a Cegueira é um bom filme e a protagonista, a fabulosa Julianne Moore, tem um talento ainda mais lindo do que as suas sardas.
   
3. Uma velha anedota:    
Duas cabras encontram um filme à porta de um estúdio de Hollywood e fazem da película o seu almoço. 
«Então?», pergunta uma.   
«Muito melhor que o livro!», responde a outra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

As lágrimas do poeta

Daqui

Um poeta barroco disse:
As palavras são
As línguas dos olhos
Mas o que é um poema
Senão
Um telescópio do desejo
Fixado pela língua?
O voo sinuoso das aves
As altas ondas do mar
A calmaria do vento:
Tudo
Tudo cabe dentro das palavras
E o poeta que vê
Chora lágrimas de tinta
Ana Hatherly

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Desobras*

* No Jornal do Centro ha exactamente dez anos, em 31 de Outubro de 2008


1. Na Expotec, um robô jogava o jogo do galo com o público. Não sei se jogava bem se jogava mal. Quando passei lá, estava uma pessoa a carregar nos botões e ele respondia com uns braços articulados enormes.



Era um robô excessivo, grande demais, a gastar energia demais, num jogo burro. O jogo do galo, bem jogado, dá sempre empate. É um jogo burro.

Ao ver aquilo, lembrei-me do filme “War Games” (1983), em que o sistema informático do Pentágono toma o freio nos dentes e se prepara para começar uma guerra nuclear. Há um relógio em contagem decrescente para o fim do mundo. Ninguém o consegue parar.

Então, o herói põe a máquina a jogar o jogo do galo. Empata. O computador procura mais recursos. Empata outra vez. Mais energia. Novo empate. Mais energia e mais capacidade de processamento. Empates, mais empates. O sistema concentra-se cada vez mais no jogo do galo. Ziliões de empates em cada segundo. Até que a máquina percebe e diz: “Jogo engraçado: a única maneira de ganhar é não jogar!” E, então, pára a contagem decrescente para o apocalipse. Uffff…




2. Foi numa edição do Público que conheci as ideias de poupança e frugalidade do arquitecto Jean-Philippe Vassal.

Uma das suas coroas de glória é a resposta que o seu atelier deu, em 1996, a uma encomenda da câmara de Bordéus para o embelezamento de uma praça. Quando foram estudar o local, viram uma praça bonita, onde as pessoas se sentiam bem. Em consequência, decidiram não mexer no que estava bem. O projecto que apresentaram à câmara foi não fazer projecto. Em vez de uma obra, fizeram uma desobra.

3. “Envelhecem virgens” tantas casas novas! Não há quem as compre. Estão prontas. Foram obras. Já não podem ser desobras. Quanto tempo vão ficar elas a ganharem teias de aranha?

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Regressos*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 19 de Setembro de 2008



1. Herman José regressou com a Roda da Sorte. Eu fui fã da primeira edição deste concurso que passou na RTP. Desta nova aposta da SIC ainda é cedo para dizer.

Há uns bons anos, Herman José, Cândido Mota e Ruth Rita conseguiram transformar um insosso e bocejante concurso televisivo numa desbunda inesquecível.

Duvida? Basta ir ao YouTube. Acha-se com facilidade a última sessão da anterior Roda da Sorte, emitida em 1993. É a meia hora mais louca que conheço de um concurso televisivo.



Cândido Mota, impecável como sempre, anunciou Herman com a voz off mais in da nossa televisão. Este adentrou no estúdio de óculos escuros e caçadeira nas mãos, tal qual um Schwarzenegger.

Plácida como uma madona renascentista, Ruth Rita sorria enquanto virava as letras. Os três concorrentes, sem pestanejar, iam dando à roda e jogando em piloto automático. Herman José mal lhes ligava. O trabalho dele naquele dia era desfazer, a tiro de zagalotes, os adereços e o cenário. Assim fez com impecável pontaria.

No final, aquele estúdio ficou com um cheiro a pólvora mais intenso que o de uma oficina de pirotecnia na época alta.

2. Depois das férias de Verão, o Cine Clube de Viseu regressou com a versão final cut de Blade Runner lançada para assinalar os 25 anos deste clássico da ficção científica. Esta remontagem de Blade Runner é ainda mais sombria que a de 1982. Visto com olhos actuais, estranha-se aquele mundo analógico criado por Ridley Scott. A obra falhou a antevisão dos aparatos do nosso mundo digital mas continua a ser um filme de culto.

Foi feita edição especial, cheia de extras, em DVD e em Blu-Ray.

sábado, 1 de setembro de 2018

"And Now For Something Completely Different" (#209)

In slow-mo Wong Kar-Wai is hotter




Films:
- As Tears Go By (1988)
- Days of Being Wild (1990)
- Chungking Express (1994)
- Fallen Angels (1995)
- Happy Together (1997)
- In the Mood for Love (2000)
- 2046 (2004)
- My Blueberry Nights (2007)
- The Grandmaster (2013)

Music:
Connie Francis - Siboney

sábado, 18 de agosto de 2018

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Cinema*

* Hoje no Jornal do Centro




1. O cinema é a arte que vampiriza todas as outras. Surgiu em França, na passagem do século XIX para o século XX, e logo com as suas duas “escolas” a funcionarem em pleno — a realista/documental, dos irmãos Lumière, e a fantástica/ficcional, de Georges Meliès.

Na noite de 28 de Dezembro de 1895, na primeira sessão de cinema, os manos Louis e Auguste Lumière projectaram numa cave escura de Paris um filme chamado “Chegada de um comboio à estação de la Ciotat”.


É fácil encontrar na internet 
— abençoada rede que alimenta todas as nostalgias! —...

... este genesial documentário de cinquenta segundos que mostra um comboio a chegar a uma estação e a entrada e saída dos passageiros.


Como é sabido, aqueles nossos trisavós, que pagaram bilhete para serem os primeiros espectadores de imagens em movimento, ao verem aquela locomotiva fumarenta a “avançar” para eles na sala escura, entraram em pânico e fugiram. Ainda não estavam equipados mentalmente para aquela forma nova de apresentar o “real”.

Não foi preciso esperar mais do que sete anos para aparecer o primeiro filme de ficção científica. O mágico Georges Méliès filmou, em “Viagem à lua”, a entrada de uns astronautas barbudos para o bojo de um projéctil de canhão que, depois, vai acertar literalmente no olho direito da lua.





Passou bem mais de um século, e a magia da sala escura continua a fazer imergir os espectadores no “real” (obrigado, irmãos Lumière!) e na “fantasia” (obrigado, Méliès!).

2. No saudoso Cinema S. Mateus, de Viseu, o projeccionista gostava de soltar os decibéis quando os filmes o pediam.** Uma vez, num filme de terror, numa daquelas cena de arrepiar, o homem deu gás ao som com tanto brio que uma campânula de coluna se soltou e foi aterrar na cabeça de uma espectadora da última fila.

A senhora, coitada, tinha ido ver um filme à “Méliès” e saiu-lhe uma sensação real, à “Lumière”. Não fugiu como os espectadores de 1895. Porque desmaiou.

________________________

** 
— esta história deliciosa foi contada por José Casimiro, gerente do Cinema S. Mateus, a Fernando Giestas, autor do livro "Cine Cidade — as salas de cinema, os protagonistas e os filmes do Cine Clube de Viseu, 1955-2007", edição Imagens & Letras (2008), p. 95;

— por erro exclusivamente meu, a edição impressa no Jornal do Centro desta crónica termina assim: "Não fugiu como os espectadores de 1895. Mas desmaiou."

sábado, 21 de julho de 2018

"And Now For Something Completely Different" (#203)

O homem das crises: a história de Harvey Wallinger
Um comicamentário de Woody Allen de 1971 a gozar Rixard Nixon e em que Woody Allen personifica Harvey Wallinger, um Henry Kissinger ainda com cabelo.

Esteve para ser emitido na PBS em Fevereiro de 1972 mas a direcção daquela televisão não teve tomates para o passar.



Woody, por causa disso, felizmente dedicou-se ao cinema.

*****

Men of Crisis: The Harvey Wallinger Story 
Is a short film directed by Woody Allen in 1971. The film was a satirization of the Richard Nixon administration made in mockumentary style.

Allen plays Harvey Wallinger, a thinly disguised version of Henry Kissinger.

The short was produced as a television special for PBS and was scheduled to air in February 1972, but it was pulled from the schedule shortly before the airdate. Reportedly, PBS officials feared losing its government support and decided not to air it.


Allen, who previously had sworn off doing television work, cited this as an example of why he should "stick to movies".[2] The special never aired and can now be viewed in The Paley Center for Media.

Two of Allen's regular leading ladies, Louise Lasser and Diane Keaton, make appearances, as does the Richard Nixon-lookalike Richard M. Dixon. The fictional characters are interspersed with newsreel footage of Hubert Humphrey, Spiro Agnew, and Nixon in embarrassing public moments. Allen would later explore this style again in Zelig.