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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

The French Brexit song

More details here


Oh England, you broke our heart
When you first voted to depart
But before you off and pack, one thing
We want our language back

Oh England, you went your way
But for this exit you will pay
Without French letters you’ll be lost
It’s time for you to count la cost

No you can’t have joie de vivre without le français
You’ll lose yourself without our cul-de-sac
There is no fizz without champagne
Though you can gladly keep your rain
We’re taking all our French words back

No, you cannot drive a car without a chauffeur
There’s no déjà-vu without déjà vu
What’s sex without its lingerie?
Piers Morgan without his toupée
We really feel miserable for you

Oh England, you’re such a fool
Did they teach you nothing at school
With politics you’ve been risqué
For Brexit is just an entrée

Yes England, this is the start
Of picking allies à la carte
Soon the whole world will turn on you
It isn’t nice, but it is true

Cause you cannot rendez-vous without le français
So many things that you will sorely miss
Like etiquette and ambulance
Without us you don’t stand a chance
You’ll die without our life saving French kiss

Key change!

No you can’t have marriage without fiancé
Without us your soufflé will never rise
Don’t bother to RSVP
We’ve buggered off for après ski
You didn’t get an invite, quelle surprise

Your cheeseboard will be blue without
Roquefort and camembert
When you can’t find the menu
You won't, because it isn’t there
When you smell of faint regret
Instead of fine eau de cologne
You only have yourselves to blame
For dining all alone

No you can’t eat à la mode without le français
You’ll have to scoff it all off one big plate
Alas there will be no encore
Now that you’ve bolted your back door
For a referendum you will have to wait

And if you want our bel esprit
I’m sorry darling, c’est la vie
You should have voted stay, it is too late
Yes, you should have voted stay it is too late
Sarah-Louise Young and Maxim Melton


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Onze euros e sessenta cêntimos*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Já depois de ter enviado o último Olho de Gato para o jornal, o INE alterou os números indicados aqui de crescimento do PIB durante os anos da geringonça. Houve uma revisão em alta, o país está mais rico dois mil milhões de euros do que se julgava.

De qualquer forma, esta boa notícia não abana os fundamentos da crónica da semana passada: a instabilidade espanhola (vai para a quarta eleição em quatro anos) fez crescer bem mais a economia do que a nossa estabilidade. Se tivéssemos tido o mesmo crescimento de "nuestros inestables hermanos" éramos mais ricos 7,5 mil milhões.

2. A campanha eleitoral que acaba hoje trouxe-nos o costume: outdoors nas rotundas; discursos zangados não se sabe com quê; comícios e bebícios com aparelhistas, boys e emplastros nas primeiras filas; feiras e mercados com candidatos e jornalistas à procura de algo castiço que dê algum tempero àquela estopada; arruadas em que aparecem uns "espontâneos" a abraçar o chefe, num teatro de papelão feito para as televisões.

Fora desta mesmice, tivemos um pouco Rui Rio e o PAN. Este, de tão veg, vai fazer diminuir a abstenção entre os talhantes.

E, claro, o melhor desta campanha eleitoral: o programa "Gente que não sabe estar", de Ricardo Araújo Pereira. É tão, tão bom que até dá pena não termos legislativas com a cadência dos espanhóis para termos mais vezes aquela desbunda. Foi neste programa que se viu, entre nós, o primeiro "deepfake" - uma hilariante tourada sem cavalos nem touro.



3. Um voto serve para duas coisas: eleger deputados e dar €2.90 por ano ao partido em que se vota, desde que este obtenha, pelo menos, 50 mil votos.

No distrito de Viseu, só dois ou três partidos deverão eleger deputados. Mas tenha isto presente: mesmo não votando em nenhum desses três, o seu voto pode ser muito útil — poderá valer, nos quatro anos da próxima legislatura, €11.60 para o partido da sua simpatia.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Biopolítica*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Nos tempos que correm, uma boa parte dos assuntos da agenda mediática e política têm a ver com o corpo. São assuntos de biopolítica.

São as imposições alimentares, que tanto passam pela redução do sal e do açúcar como pelo crescente activismo veg que se vai radicalizar e tornar agressivo.

É, até, a construção do corpo dos políticos e a afirmação descomplexada das suas sexualidades: os peitorais de um deputado laranja, a tatuagem de uma deputada rosa que está no Tinder, a saída do armário da ministra da cultura e de um vice-presidente do CDS. E a este panorama só não se junta José Castelo Branco porque ele desistiu de ser candidato.

Atenção: este hedonismo corporal curte metodicamente o presente mas vive cheio de angústias com o futuro. As pessoas esculpem abdominais no ginásio enquanto vigiam o colesterol, fazem selfies à frente de sítios distantes a que chegaram com uma grande pegada de carbono enquanto se afligem com as catástrofes ecológicas, reais ou imaginárias, anunciadas todos os dias nos media e nas redes sociais.

2. Uma boa parte da direita na Europa, inspirada no papa Francisco e com uma pulsão anti-islâmica, assumiu o combate biopolítico contra as elites da globalização. Rejeita a UE, o casamento do mesmo sexo, os migrantes, os mercados desregulados, a austeridade, o consumismo e as GAFA (Google, Amazon, Facebook, Apple).

A direita está cada vez mais desconfortável com os valores cosmopolitas das grandes cidades e vai-se ruralizando. Algumas minorias, em coerência, abandonam as metrópoles e optam por uma agenda ecológica agressiva, instalando-se em pequenas comunidades com famílias e modos de vida tradicionais.

Por cá, a reacção do CDS e do PSD à lei da identidade de género nas escolas parece indicar que acordaram para estas querelas do corpo, onde o bloco e a ala esquerda do PS têm pontificado sem contraditório.

Com o atraso pátrio do costume, também entre nós a biopolítica vai passar a ser muito mais dura.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

O íman centralista*

* Hoje no Jornal do Centro



Daqui
Depois de 38 mil milhões de euros de receita global das privatizações, depois do aumento doido da dívida pública em 165 mil milhões de euros a seguir a Guterres ter abandonado o pântano, depois da transferência global de 130 milhões de euros de fundos comunitários que era suposto servirem para desenvolver as regiões mais pobres, o país está mais desigual do que nunca, com a riqueza e a população empilhadas no litoral.

Barroso e Sócrates fingiram que controlavam o défice, com truques contabilísticos e receitas extraordinárias. Passos e Costa, depois da bancarrota de 2011, controlaram-no mesmo. Numa coisa não houve diferença nenhuma entre estes quatro primeiros-ministros: todos eles usaram o pretexto do controlo do défice para centralizar, cada vez mais, todo o poder em Lisboa.

O ex-secretário de estado do ensino superior e professor de economia José Reis, aqui no Jornal do Centro, quantificou o que nos está a acontecer: de "2001 a 2017, o país perdeu 1% da sua população, mas na Área Metropolitana de Lisboa aumentou 5,8%. A própria Área Metropolitana do Porto perdeu 1%. O Norte, o Centro e o Alentejo perderam respectivamente 3,2%, 5,1% e 8,3%."

Lisboa é um íman que despovoa já não só o interior, mas todo o país. José Reis faz o diagnóstico exacto do que é agora Portugal: "um país unipolar, unicamente centrado e concentrado em Lisboa, com uma forte deslocação interna de recursos e uma desestruturação dos demais lugares".

Como o actual poder socialista é comandado por gente que gastou os fundilhos das calças na câmara de Lisboa, por gente que se casou e se nomeia para os gabinetes entre si, por gente que vai ganhar as próximas eleições, este panorama centralista dificilmente mudará.

O interior precisa de uma fiscalidade substancialmente mais baixa em IRC, IRS e IMI, que atraia investimento e gente. Partidos que forem omissos nestas propostas não merecem o nosso voto.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Boomerang*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos,  em 12 de Junho de 2009 


1. No dia 8 de Dezembro de 2006, escrevi aqui no Olho de Gato:
“O desgaste da imagem dos professores junto da opinião pública feito pela Ministra da Educação é um boomerang que vai cair na cabeça do PS e do governo. É só deixar passar a água debaixo das pontes.”



A água passou debaixo das pontes. O boomerang caiu na cabeça do PS e do governo.

Foi nas eleições do domingo passado.

2. O código genético do PS é a liberdade.

A liberdade de as pessoas poderem pôr sal no pão sem o estado estar a meter o nariz no assunto.

A liberdade das pessoas poderem circular sem serem chipadas.

A liberdade de se poder dizer que a barbárie marilurdista gosta de bufos e delatores.

A liberdade de se poder dizer que nem tudo o que é bom para o senhor António Mota Coelho Engil é bom para o país.

A liberdade de se poder dizer que o secretário de estado que disse querer trucidar os funcionários públicos devia arranjar outro emprego.

A liberdade de se poder lembrar aos militantes do PS que congressos “albaneses” – como os de Mangualde e de Espinho - são o cemitério da política.

A liberdade de se poder dizer que é um erro moral fazer política a promover a inveja e a schadenfreude, atirando as pessoas umas contra as outras.

A liberdade de se poder dizer que Portugal precisa de um estado honrado e frugal que deixe as pessoas tratarem da sua vida e tentarem ser felizes.

3. O boomerang das europeias vai doer durante semanas.

Boys intranquilos. “Ai que ainda perco o tacho…”

Depois, os negócios do costume vão ser acelerados.

Na minha freguesia — Coração de Jesus, Viseu — o PS teve 18,5%.

A classe média está atenta.

Não é seguro que já tenha descarregado a bílis toda.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Chega*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 5 de Junho de 2009


1. O El País, no último domingo, trazia uma notícia com o seguinte título: “Banca a la deriva en Portugal”. De facto, os casos BPP e BPN são uma vergonha. E a nossa supervisão bancária também.

Os banqueiros implicados devem ser postos a ler livros debaixo do mesmo tecto que abriga o senhor Oliveira e Costa.

E o Banco de Portugal precisa de novo governador. Deste já chega.
Vítor Constâncio é a estátua mais bem paga do país.


Ficou imóvel durante anos enquanto os bancos atropelavam os clientes nos arredondamentos dos juros.

A sua quietação não conheceu nenhuma inquietação durante os anos de gatunagem no BPN. E isso ficou caro ao país. Muito caro.
Já chega.

2. Há cinco anos, as europeias tiveram em Viseu um ponto alto com Sousa Franco a fazer uma intervenção política brilhante, pontuada com a exibição de cartões amarelos ao então primeiro-ministro Durão Barroso. A sala foi ao rubro.

Dias depois, Sousa Franco faleceu em plena campanha eleitoral, em circunstâncias dramáticas, em Matosinhos.

As europeias de 2004 foram importantes e levaram à deserção de Barroso para a “Europa”. Este ano, as eleições europeias são a feijões.

Sete em cada dez portugueses não devem ir votar. Os partidos à esquerda do PS vão passar de três eurodeputados para quatro e os partidos à direita do PS ficam com os mesmos nove ou aumentam para dez.

3. Tanto José Sócrates como Manuela Ferreira Leite têm mostrado humildade e realismo.

Sócrates veio em força para o terreno porque teve a humildade de perceber que o candidato que escolheu, Vital Moreira, está muito enferrujado.

Já Manuela Ferreira Leite ficou mais por casa porque teve a humildade de perceber que a sua presença só desajuda Paulo Rangel.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Europeias*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Com Fernando Ruas fora da lista do PSD, o único protagonista viseense com algum relevo nestas eleições foi João Azevedo.
O competente director do marketing socialista, com a ajuda do CEO António Costa, apesar de ter um produto mau para vender, lá conseguiu que o eleitorado o comprasse.

2. As sondagens estiveram globalmente bem. Conseguiram até rastrear o esvaziamento do PSD após o psicodrama dos professores. Se tivessem detectado o crescimento do PAN, tinham estado perfeitas.

3. Como aqui previsto, os resultados portugueses foram exactamente os mesmos de há cinco anos: foram eleitos dezassete deputados europeístas (PS, PSD, CDS e PAN) e quatro deputados eurocépticos (Bloco e PCP).

Os europeístas do PS vão continuar nos S&D que perderam 39 lugares; os do PSD e do CDS permanecerão no PPE que perdeu 36 lugares. O deputado europeísta do PAN vai enfileirar nos pujantes Verdes, que subiram de 50 para 69 lugares.

Os eurocépticos do Bloco e do PCP vão mesmizar-se na Esquerda Unitária, que murchou de 52 para 38 eurodeputados.

4. Quando há muita abstenção aparece sempre um coro grego a defender o voto obrigatório.

No início desta semana surgiu, até, uma petição pública intitulada “A ditadura da abstenção” (sic), que não acha “admissível que sob o pretexto da libertinagem” (sic), “o desinteresse, o comodismo falem mais alto que o cumprimento das obrigações eleitorais” (sic), e exige “medidas que acabem com o estado de impunidade que gozam atualmente os eleitores faltosos” (sic).

À hora a que escrevo estas linhas, este lixo autoritário já foi subscrito por 220 “anti-libertinos”.

5. Uma boa medida de combate à abstenção foi a novidade do voto antecipado que permitiu a uns milhares de eleitores votarem no domingo anterior, 19 de Maio.

Para eles não houve o tradicional sábado em que pára tudo e os media não podem falar “naquilo” que está na cabeça de toda a gente. Ficou ainda mais evidente quão absurdo é o chamado “dia de reflexão”.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Golpe publicitário*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Parecia tão certa a vitória dos trabalhistas nas eleições do último fim-de-semana na Austrália, que a agência de apostas Sportbets decidiu fazer um golpe publicitário: distribuiu, dois dias antes dos votos, prémios aos apostadores no resultado trombeteado por todas as sondagens.

Foi um caso flagrante de foguetes antes da festa. Mais uma vez, as elites urbanas e os media não perceberam a angústia dos “vencidos” da globalização. Estes, como vai sendo costume, calaram-se bem calados, fintaram as empresas de sondagens, e reelegeram um conservador “trumpista”.

A Sportbets, com aquela ejaculação eleitoral precoce, perdeu um milhão e trezentos mil dólares, mas o boss da empresa não perdeu o sentido de humor e informou que, além de ir cortar na qualidade do papel higiénico, ia também ligar o aquecimento só duas horas por dia nos escritórios.

Nada de especial, portanto: o homem, durante uns tempos, vai imitar os directores das escolas portuguesas. As escolas, por cá, mesmo com os professores maltratados pelo governo e os alunos de pés frios no inverno, lá vão sobrevivendo. A Sportbets também há-de sobreviver.

2. Para as europeias que aí vêm, as sondagens prevêem um cenário favorável a uma geringonça entre socialistas e liberais/macronistas, o que fez desenvolver, nas últimas semanas, uma amizade enorme entre o presidente francês e António Costa, especialista nessas coisas.

Fotografia de Philippe Wojazer (Reuters)
Editada a partir daqui
Por cá e no que interessa à UE, as sondagens prevêem o mesmo resultado de 2014: quatro deputados eurocépticos (do PCP e do bloco) e dezassete europeístas (dos outros partidos).

Se as projecções se confirmarem, o golpe publicitário de Costa contra os 9A 4M 2D dos professores parece ter dado um eurodeputado mais ao PS.

Mas lembremo-nos da Sportbets. Domingo se verá se Costa afastou, ou não, o pesadelo da “vitória poucochinha”. Domingo se verá se ele obtém, ou não, substancialmente mais do que os 31,4% que deram, há cinco anos, só oito eurodeputados a António José Seguro.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Direitos de autor*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em  22 de Maio de 2009


1. Alegre decidiu ficar no PS, o que é bom para Sócrates mas ainda melhor para Louçã. Um partido alegrista fazia muito mais estragos eleitorais ao Bloco que ao PS.

Foi importante Manuel Alegre ter lutado contra o autoritarismo e a insensatez marilurdista na educação. Teve a coragem que faltou ao rebanho de deputados do PS que também são professores.

2. Bob Geldof, em 12 de Maio, entrou em vídeo numa conferência de imprensa em Portugal. Foi uma incursão na política portuguesa que pode ser vista em www.gdaie.pt.

Em causa está o seguinte: o parlamento europeu aprovou a extensão dos direitos de autor das gravações sonoras de 50 para 70 anos (nos Estados Unidos a protecção é de 95 anos). Essa directiva precisa de ser ainda aprovada no conselho da UE e o ministro da cultura português era um dos seis a bloqueá-la.

Nesse notável vídeo, Bob Geldof lembra que falar da arte ou falar da alma de um país é a mesma coisa.

Por isso, o músico irlandês termina o vídeo a “bombardear” o ministro José António Pinto Ribeiro: “Portugal precisa de apoiar os seus artistas, precisa de apoiar a sua cultura e, se não o fizer, deve livrar-se do seu ministro da cultura.”

Não vai ser preciso. Cinco dias depois deste “raide irlandês”, o ministro mudou de ideias e Portugal, agora, já aceita o novo limite dos 70 anos.

Guillermo Cabrera Infante
3. Ouvi esta história numa entrevista a Miriam Gómez, viúva do premiado escritor cubano Guillermo Cabrera Infante.

A ditadura castrista perseguiu o mais que pôde o autor de “Três Tristes Tigres” mas declarou-o “património nacional de Cuba”.

Esse cinismo serviu para o poder cubano publicar sem autorização toda a sua obra e, ainda por cima, não pagar direitos de autor.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Bermudas*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 24 de Abril de 2009 


Daqui



1. A eventual recandidatura de Durão Barroso à presidência da comissão europeia está a dividir o PS e a animar as europeias.
Recordemos três factos:

Facto um: no dia 16 de Março de 2003, George W. Bush, Tony Blair e José María Aznar reuniram-se nos Açores a prepararem a guerra do Iraque. Foi uma cimeira contra o direito internacional, contra a verdade e contra a opinião pública mundial. A servir os cafés, naquela cimeira celerada, José Manuel Durão Barroso.

Facto dois: nas eleições europeias de 2004 os portugueses mostraram a Durão Barroso um severo cartão amarelo (o pior resultado de sempre da direita portuguesa). Poucas semanas depois, Durão Barroso apareceu indigitado para presidente da comissão europeia, deixando o seu partido e o país entregues a Santana Lopes, o “menino guerreiro”.

Facto três: Nos últimos 15 anos, os anos de Santer–Prodi–Barroso, a “Europa” foi capturada por uma elite burocrática arrogante, que vive virada para o seu umbigo, e que despreza os cidadãos europeus. Estes, claro, pagam na mesma moeda aos eurocratas. A “Europa” está cada vez mais distante dos problemas das pessoas.
Durão Barroso fez um mau trabalho. Não defendo a sua recondução.

2. Uma curiosidade:

O El Pais revelou que a cimeira da guerra do Iraque inicialmente estava prevista para as Bermudas mas Aznar disse a Bush: "el solo nombre de esas islas va asociado a una prenda de vestir que no es precisamente la más adecuada para la gravedad del momento en que nos encontramos".

A razão era poderosa: o encontro não podia ser nas Bermudas, pois podiam surgir associações malévolas a umas bermudas.

Foi por isso que a cimeira se fez nos Açores e Barroso apareceu no retrato. Por causa de umas calças arregaçadas…

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Não se sentiu...*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Há um mês, num texto intitulado “Quem não se sente...”, alertei aqui o presidente da câmara de Viseu que lhe ficava muito mal estar a dar gás ao coreógrafo Paulo Ribeiro depois de este ter abandonado, em 2016, por sua única e exclusiva vontade, a direcção do Teatro Viriato, e ter vindo agora, anos depois, alegar que foi vítima de um “despedimento ilícito” e tentar sacar, em tribunal, 50 mil euros àquela entidade municipal.

Como é evidente, um bom líder “sente-se” e, por isso, põe-se ao lado do que é seu e está a ser atacado, não se põe ao lado do atacante.

O facto é que António Almeida Henriques, mesmo depois de avisado, “não se sentiu...” E fez pior: para além de ter mantido a encomenda de um espectáculo ao litigante, ...
Fotografia de José Ricardo Ferreira
(editada)
... sentou-se ao seu lado numa conferência de imprensa no exacto teatro demandado em tribunal. E, apesar de ter ouvido o homem confirmar aos jornalistas que ia continuar a exigir os 50 mil euros, mesmo assim, afirmou que aquilo ia ser “um grande momento das comemorações dos 20 anos do Teatro Viriato”.

Este episódio, do princípio ao fim, foi tudo menos “um grande momento” do que quer que seja.

A esta deserção do autarca de Viseu na defesa do seu teatro municipal some-se o seu défice de rigor gestionário: acaba de saber-se que a câmara de Viseu, em 2018, teve um resultado líquido negativo de 3.573.148,97 euros.

2. As eleições europeias de Maio são feitas num quadro político inédito: a UE tem dois inimigos declarados, Trump e Putin.

O presidente norte-americano e o presidente russo estão a apoiar partidos soberanistas de direita e de esquerda, hostis à “Europa”. Enquanto Putin faz as coisas mais na sombra, Trump é menos subtil. O seu estratega, Steve Bannon, não sai do velho continente a organizar uma internacional de ultra-direita.

É um sinal dos tempos: os vários nacionalismos europeus sempre foram historicamente hostis aos norte-americanos e aos russos. Agora, são lacaios deles.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Glotofobia*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Cada vez há mais chuis da linguagem a quererem prescrever quais são as palavras certas e quais são as palavras erradas, quais as obrigatórias, quais as proibidas.

Esta sanha começou nas universidades norte-americanas e espalhou-se como uma praga. Por cá, é o livrinho que tem “estereótipos de género” e é retirado do mercado, é a dita “linguagem inclusiva” que já saúda “as camaradas e os camarados”, é a “melga” que quer impedir que se chame “burro” a um bípede porque isso é ofender o quadrúpede, é...

O politicamente correcto é uma fábrica de ressentimento que produz flores de estufa, gente sempre ofendidinha, que não pode ouvir nada. Acaba de abrir mais uma frente censórica: inventou uma putativa “linguagem anti-animal”. A resposta nas redes sociais foi hilariante. Já há muito tempo que não se via tantos e tão inspirados textos e memes a cascar nestes chuis da linguagem.
Encontrada no Facebook sem indicação de autoria
Esta reacção foi muito boa. Quem ama a liberdade de expressão tem que meter juízo na cabeça destes censores que, com as suas manias, estão a saturar as pessoas e a criar o caldo de cultura em que medram boçais como Trump e Bolsonaro.

2. Há dois meses, em França, houve uma querela que passou das palavras para os sotaques. Uma jornalista de Toulouse fez uma pergunta a Jean-Luc Mélenchon e este, em vez de lhe responder, pôs-se a imitar o sotaque toulousiano dela.

Foi o bom e o bonito. O homem foi acusado de glotofobia, um conceito cunhado pelo professor Philippe Blanchet, em 2016, e que designa actos de “xenofobia” contra outras línguas ou contra determinados sotaques. Uma deputada de Macron quis logo acrescentar a glotofobia aos vinte e quatro casos de discriminação já listados no código penal. Foi ridicularizada em todos os sotaques franceses.

Portanto, já sabe, caro viseense: se um alfacinha o gozar por falar “achim”, não se amofine, ria-se dele, lembre-lhe que ele diz “abalha” e, na brincadeira, chame-o “glotofóbico”.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Inflação*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 10 de Outubro de 2008



A inflação é o mais injusto dos impostos porque corrói o rendimento dos mais pobres e dos mais fracos. Quando se transforma em hiperinflação, então, é uma tragédia social. Essa tragédia aconteceu na Alemanha depois da I Guerra Mundial, tendo sido uma das causas que levou ao nazismo e a Adolf Hitler.

O que aconteceu é muito bem contado em “O Obelisco Negro”, um divertido livro de Erich Maria Remarque que conta as aventuras de uns cangalheiros durante a República de Weimar.


Entre Janeiro de 1922 e Dezembro de 1923, os preços aumentaram mil milhões de vezes. A cavalgada dos preços era de tal forma que até a “cotação” de uma refeição num restaurante não parava quieta. Era conveniente comer depressa. Quanto mais se demorava, mais a conta final podia ser multiplicada por cem ou por mil.

Havia uma pausa nesta desgraça: a subida dos preços parava nos fins-de-semana porque a bolsa estava fechava.

Na crise actual acontece algo parecido. Ao fim-de-semana, a cotação do petróleo e das outras commodities não inquieta. Ao fim-de-semana, o Dow Jones e a Euribor estão parados. Ao fim-de-semana, não precisamos de ter medo do subprime nem dos ainda mais tóxicos credit default swaps.

Os bancos centrais têm injectado doses obscenas de dinheiro no sistema bancário. Como se sabe, mais massa monetária significa mais inflação.

O cidadão alemão comum não gosta do euro e ainda tem saudades do velho marco. Não surpreende, portanto, que Angela Merkel ligue pouco ao que diz o sr. Sarkozy. A chanceler alemã prefere verificar se o sr. Trichet no BCE mantém o euro forte e a inflação controlada.

Como é a Alemanha que paga a “Europa”, tenhamos alguma esperança.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Fungo*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Hannah Harendt, no seu livro “Eichmann em Jerusalém”, lembra-nos que o mal “pode invadir tudo e assolar o mundo inteiro (...) porque se espalha como um fungo.”

Está a ser difícil achar um fungicida que atalhe o mal populista. As eleições na Hungria foram uma decepção. As denúncias sobre a corrupção do “Viktador” Orbán e da sua clique não lhe causaram estragos eleitorais nenhuns, antes pelo contrário.

A chegada de um partido populista ao poder não é, em si, uma tragédia. Por vezes, é até bom que as suas receitas simplistas choquem com a realidade. Veja-se o caso do Syriza. Depois de meio ano de desvario que culminou na vigarice do referendo OXI, Tsipras ganhou juízo. O mesmo há-de acontecer em Itália se chegar a haver um governo do Cinco Estrelas.

O populismo só se torna um fungo letal quando, chegado ao poder, tem força para anular os contra-pesos de uma democracia — a independência dos media e dos tribunais. Quando tal acontece, alapam-se, pelo voto não saem, só através da força.

As instituições democráticas norte-americanas parecem estar a resistir bem ao populismo trumpista. Mas na Hungria elas soçobraram ao fungo orbánista. O bando que manda no país está agora a fazer compras sistemáticas de terras, está a virar latifundiário. Os fundos europeus são mafiados assim perante o silêncio cobarde da “Europa”.


Fotografia Olho de Gato
2. António Costa, depois do bruaá feito pelos agentes culturais e da sonsice de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, foi rapar mais algum pilim no fundo das gavetas de Mário Centeno para apoiar as artes. A pergunta que se impõe agora é: como evitar que a parte de leão desse “mais algum” vá ficar, também ela, em Lisboa?

Para que se saiba: a geringonça aumentou as verbas nacionais para apoio à cultura mas cá diminuiu-as fortemente. O ministério quer tirar 130 mil euros por ano à Acert e 93 mil ao Teatro Viriato.

Onde estão os eleitos com os nossos votos capazes de evitar que tal aconteça?

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Viktador*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


1. Paul Lendvai, no seu livro “Orbán: Hungary's Strongman”, chama “Viktator” ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e designa o seu regime como uma “fürher democracy” — uma “democracia do chefe”.

Daqui
Orbán, o inaugurador da vaga iliberal que varre a “Europa”, vai a votos no próximo domingo. Foi eleito chefe do governo pela primeira vez em 1998, com 35 anos, mas perdeu o lugar quatro anos depois para um tecnocrata de centro-esquerda. Tal não era suposto e, quando o poder lhe caiu no regaço de novo em 2010, tratou de nunca mais o largar.

Para isso, terraplanou todos as instituições que lhe podiam fazer sombra: retirou quase todos os poderes ao tribunal constitucional e assumiu o controlo da maioria dos media privados e públicos.

Mais: Orbán fez também engenharia eleitoral. Deu cidadania a um milhão de pessoas de etnia húngara que as vicissitudes da história tinha posto a viver nos estados vizinhos (quase todos votaram no seu partido, o Fidesz, nas eleições seguintes) ao mesmo tempo que meio milhão de húngaros, entretanto emigrados, viam a sua participação nas eleições deliberadamente dificultada pelas burocracias consulares.

É certo que, durante esta campanha de 2018, as coisas não correram como o “Viktador” Orbán pretendia. Um dos seus mais chegados amigos, o oligarca Lajos Simicska, virou-se contra ele e tem posto a boca no trombone sobre os milhares de milhões de euros comunitários autoclismados pela corrupção. Este lavar de roupa suja deve enfraquecer o Fidesz mas não derrotá-lo.

2. Ricardo Alves, o director artístico da companhia Ovo Alado, fez as contas aos muito contestados apoios às artes do ministério da cultura.

Em Lisboa e Vale do Tejo, as actividades culturais vão receber €1.75 por habitante. A capitação desce para €1.08 na região centro, no norte fica-se por €0.95 e na Madeira afunda-se para €0.78, menos de metade do subsídio por alfacinha.
Lisboa parte e reparte e abarbata sempre a melhor parte.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Bicicleta*

* Publicado há exactamente dez anos, em 26 de Outubro de 2007

1. Jacques Delors, o último presidente a sério da União Europeia, dizia que a “Europa” é como uma bicicleta – é preciso pedalar sempre em frente. Parar de pedalar significa trambolhão.

A “Europa”, de facto, tem pedalado muito. Lembremos os últimos 15 anos, com a ajuda do artigo de João César das Neves “A saga da Constituição Europeia”:
i) 7Fev1992, assinatura do “Tratado de Maastricht”; entrou em vigor em 1Nov1993;
ii) 2Out1997, assinatura do “Tratado de Amsterdão”; vigorou a partir de 1Maio1999;
iii) 26Fev2001, “Tratado de Nice”; em vigor a 1Fev2003;
iv) 29Out2004, assinatura da «Constituição para a Europa»;
v) 29Maio2005, chumbo da Constituição, pelos franceses, em referendo; uma semana depois os holandeses fizeram o mesmo;
vi) Em 13 de Dezembro de 2007, os líderes europeus vão assinar o “Tratado de Lisboa”. Seguir-se-ão as ratificações nos vários países.

2. Assim mesmo: 15 anos, 5 tratados. Delors foi ouvido. Em cima da bicicleta, os líderes europeus não têm parado de pedalar. Boa parte deles até está com medo de ir ao controle anti-doping, que é como quem diz: não quer ouvir os seus cidadãos em referendo.

Apesar de preferir o jogging, José Sócrates mostrou também ter jeito para pedalar a bicicleta europeia. Acaba de ter uma grande vitória diplomática. Sócrates esteve igualmente bem ao não dizer nada quanto à forma de ratificação do Tratado antes da sua assinatura, em Dezembro. O carro nunca antes dos bois.

Penso que o PS deve defender o referendo ao “Tratado de Lisboa”. O PS prometeu isso em campanha eleitoral e os compromissos eleitorais devem ser respeitados.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Metáforas avariadas*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


1. As eleições autárquicas destaparam um elefante que estava escondido na sala de estar da geringonça — o acordo de incidência parlamentar que sustenta o governo é bom para o PS mas é mau para o PCP.

Este acaba de perder dez câmaras, nove delas directamente para os socialistas. Só restaram vinte e quatro municípios comunistas, é o menor número de sempre.

A propósito desta hecatombe, tem sido recordado o “abraço de urso” de François Mitterrand aos comunistas franceses, coligou-se com eles em 1981 e levou-os ao desaparecimento. O eleitorado comunista, depois, foi cair nas mãos da Frente Nacional do clã Le Pen, mas isso são contas de outro rosário.

Em vez da metáfora do “abraço de urso”, no Facebook descrevi o caso assim: “Jerónimo de Sousa foi a panela de barro e António Costa a panela de ferro.”

Daqui
Aludi a uma fábula de La Fontaine mas receio que o sentido dela escape às gerações mais novas. Aliás, cada vez é mais difícil encontrar uma metáfora que tenha um funcionamento universal, que seja entendida por toda a gente.

Lembrar que não são bons os chegamentos das panelas de barro às panelas de ferro tem pelo menos uma vantagem: imita muito bem a maneira simpática e expressiva como o líder comunista costuma descrever aos seus camaradas as encruzilhadas e as dificuldades da política.

2. Cada vez há mais metáforas avariadas. Por exemplo, dizer “vira o disco e toca o mesmo” já não funciona, a música agora já não é gravada nos dois lados de uma bolacha negra a rodar a trinta e três rotações por minuto.

Dizer que alguém “é um disco riscado” também não resulta, só os muito cotas é que sabem que esse alguém é um chato que está sempre a dizer o mesmo.

A mesma dificuldade se lembrarmos que a CIG tentou “usar o lápis azul” nos livrinhos azuis e cor-de-rosa da Porto Editora. É que cada vez menos gente sabe que os coronéis da censura salazarista cortavam os textos a azul.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Tirar a voz*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


1. Os estados de direito têm pesos e contra-pesos para que a força gravitacional dos governos não funcione como um buraco negro que suga tudo. Os países precisam de oposições fortes, órgãos de comunicação social actuantes e tribunais independentes para que sejam travadas as tentativas de abuso. Quando um partido populista chega ao governo, o nível de alerta tem que aumentar.

Na Polónia, o partido nacionalista no poder — o Partido da Lei e da Justiça — aprovou no final da semana passada três leis que pretendiam acabar com a independência dos tribunais colocando debaixo do controlo governamental o Supremo Tribunal, o Conselho Nacional Judiciário (um órgão independente de escolha dos juízes nacionais) e a escolha dos juízes dos tribunais menores.

A reacção dos polacos contra este ataque sem precedentes ao alicerces da sua democracia foi memorável. Milhares e milhares vieram para a rua com um slogan poderoso “3xNie” — “três vezes não”, ... 
... escrito com as letras vermelhas usadas, há 30 anos, pelo Solidariedade, o movimento que derrubou a ditadura comunista.

Foi por isso que o presidente polaco, Andrzej Duda, militante do partido governamental, acabou por vetar duas daquelas três leis: o Supremo Tribunal e o Conselho Nacional Judiciário vão continuar independentes.

2. O governo populista polaco foi parado, o centralismo lisboeta é que ninguém consegue parar.

Estive a ouvir um “briefing (é assim que diz o linguajar oficial) sobre o teatro de operações (idem, idem) em que um porta-voz da protecção civil em Lisboa falava do fogo que estava a acontecer, para os lados de Mação, a duzentos quilómetros. É que agora nenhum operacional no terreno pode falar aos media, o governo arrolhou-lhes a boca.

Perante aquele “teatro comunicativo”, escrevi nas redes sociais: “finalmente há respeito pelos costumes pátrios: temos Lisboa a explicar o país ao país.” A Lisboa já não chega mandar em tudo, agora até já tira a voz ao país.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Nascidos no século XXI*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Como diria La Palice, quanto mais tarde se nasce, mais novo se é. E, como é melhor ser novo do que ser velho, a “graça do nascimento tardio” é sempre boa, embora o implacável tempo nunca pare. Já não falta muito para os primeiros bebés do século XXI chegarem à maioridade e começarem a guiar nas rotundas e a votar.

Eles sabem pouco da história do século XX, não imaginam sequer como era o horror do fascismo e do comunismo. Os bebés do século XXI nascidos na Europa tiveram a “graça do nascimento tardio” de que falou Helmut Kohl, recentemente falecido. O arquitecto da reunificação alemã referia-se aos alemães nascidos depois da morte de Hitler que já não tinham nada a ver com os crimes nazis. Helmut Kohl quis sempre “uma Alemanha europeia e não uma Europa alemã”, porque sofreu na pele a maldade dos nacionalismos beligerantes.

O veneno do populismo nacionalista, que quer outra vez levantar a grimpa à esquerda e à direita, tem que ser derrotado. Para isso, é preciso passar a memória destes pesadelos aos nascidos no século XXI.

Ana Catarina Mendes e Ângelo Moura
Fotografia do FB do candidato socialista à câmara de Lamego
(editada) 
2. Por volta de 1917, mais ano menos ano, uma comissão de melhoramentos para a Messejana chegou-se junto de Brito Camacho, um influente político da primeira república, com uma lista de reivindicações para aquela simpática terra do interior alentejano. Brito Camacho perguntou-lhes, impassível, se eles não queriam também uma praia, ao que os alentejanos responderam: «arranje o sr. doutor a água, que a areia arranjamos nós.»

Um século depois, uma comissão de melhoramentos para Lamego acaba de chegar junto de Ana Catarina Mendes, uma influente política da terceira república, com uma lista de reivindicações para aquela simpática cidade do interior duriense. Ana Catarina Mendes perguntou-lhes, impassível, se eles não queriam também uma maternidade, ao que os lamecenses responderam: «arranje a sra. doutora a sala de partos, que os bebés arranjamos nós.»