The Mellotron: A Keyboard with the Power of an Orchestra (1965)
Mellotron M400: How the Mellotron Works (1976)
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sábado, 9 de novembro de 2019
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Deepfakes*
* Hoje no Jornal do Centro
1. No ano passado, o presidente da câmara de Penedono não fez nada que se visse para evitar o encerramento da estação de correio daquela bela vila do distrito de Viseu.
Agora, o ministério da saúde quis colocar um médico dentista e um assistente no centro de saúde local, num programa que carece do envolvimento das autarquias, mas o presidente da câmara pôs-se outra vez de fora, alegando que já lá há dentistas privados.
Se não é para defender a sua terra, se não é para defender a saúde dos seus munícipes mais pobres, para que raio é que o homem julga que foi eleito?
2. Os verdes do parlamento europeu fizeram as contas aos custos da corrupção em Portugal: todos os anos escoam-se pelo ralo 18,2 mil milhões de euros, mais do que o SNS (16,1 mM€), mais do dobro do orçamento da educação (8,7 mM€), mais de metade de todas as despesas sociais do estado. Aquele balúrdio que vai para o bolso dos corruptos dava para pagar a cada português 1763 euros. A conta foi feita também em Big Macs, mas só pensar nisso engorda.
Perante este cenário, de que a ladroagem na CGD é só a ponta do icebergue, a verdade verdadinha é que ninguém vai preso. Armando Vara parece-se cada vez mais com o boi de piranha dado em sacrifício para que o resto da manada atravesse incólume o rio.
O PS, o PSD e o CDS — que contaminaram a CGD com os seus boys — no mínimo dos mínimos deviam pedir desculpa ao país.
3. Deepfakes são vídeos manipulados que põem pessoas a dizer e fazer coisas que elas nunca fizeram ou disseram. Estes vídeos estão cada vez mais realistas e de produção acessível a cada vez mais gente.
Escusado será dizer que um deepfake pode desfazer uma reputação, pode estraçalhar um político. Pior: ao ser indistinguível a verdade da mentira, tudo nos parecerá mentira.
Vai haver tecnologia de detecção de deepfakes mas que será sempre imperfeita. O mais importante é não sermos impulsivos nas partilhas nas redes sociais e usarmos canais com um histórico de rigor.
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| in Centro Leaks — Tintol & Traçadinho, página de humor do Jornal do Centro, edição de hoje |
1. No ano passado, o presidente da câmara de Penedono não fez nada que se visse para evitar o encerramento da estação de correio daquela bela vila do distrito de Viseu.
Agora, o ministério da saúde quis colocar um médico dentista e um assistente no centro de saúde local, num programa que carece do envolvimento das autarquias, mas o presidente da câmara pôs-se outra vez de fora, alegando que já lá há dentistas privados.
Se não é para defender a sua terra, se não é para defender a saúde dos seus munícipes mais pobres, para que raio é que o homem julga que foi eleito?
2. Os verdes do parlamento europeu fizeram as contas aos custos da corrupção em Portugal: todos os anos escoam-se pelo ralo 18,2 mil milhões de euros, mais do que o SNS (16,1 mM€), mais do dobro do orçamento da educação (8,7 mM€), mais de metade de todas as despesas sociais do estado. Aquele balúrdio que vai para o bolso dos corruptos dava para pagar a cada português 1763 euros. A conta foi feita também em Big Macs, mas só pensar nisso engorda.
Perante este cenário, de que a ladroagem na CGD é só a ponta do icebergue, a verdade verdadinha é que ninguém vai preso. Armando Vara parece-se cada vez mais com o boi de piranha dado em sacrifício para que o resto da manada atravesse incólume o rio.
O PS, o PSD e o CDS — que contaminaram a CGD com os seus boys — no mínimo dos mínimos deviam pedir desculpa ao país.
3. Deepfakes são vídeos manipulados que põem pessoas a dizer e fazer coisas que elas nunca fizeram ou disseram. Estes vídeos estão cada vez mais realistas e de produção acessível a cada vez mais gente.
Escusado será dizer que um deepfake pode desfazer uma reputação, pode estraçalhar um político. Pior: ao ser indistinguível a verdade da mentira, tudo nos parecerá mentira.
Vai haver tecnologia de detecção de deepfakes mas que será sempre imperfeita. O mais importante é não sermos impulsivos nas partilhas nas redes sociais e usarmos canais com um histórico de rigor.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Desobras*
* No Jornal do Centro ha exactamente dez anos, em 31 de Outubro de 2008
1. Na Expotec, um robô jogava o jogo do galo com o público. Não sei se jogava bem se jogava mal. Quando passei lá, estava uma pessoa a carregar nos botões e ele respondia com uns braços articulados enormes.
Era um robô excessivo, grande demais, a gastar energia demais, num jogo burro. O jogo do galo, bem jogado, dá sempre empate. É um jogo burro.
Ao ver aquilo, lembrei-me do filme “War Games” (1983), em que o sistema informático do Pentágono toma o freio nos dentes e se prepara para começar uma guerra nuclear. Há um relógio em contagem decrescente para o fim do mundo. Ninguém o consegue parar.
Então, o herói põe a máquina a jogar o jogo do galo. Empata. O computador procura mais recursos. Empata outra vez. Mais energia. Novo empate. Mais energia e mais capacidade de processamento. Empates, mais empates. O sistema concentra-se cada vez mais no jogo do galo. Ziliões de empates em cada segundo. Até que a máquina percebe e diz: “Jogo engraçado: a única maneira de ganhar é não jogar!” E, então, pára a contagem decrescente para o apocalipse. Uffff…
2. Foi numa edição do Público que conheci as ideias de poupança e frugalidade do arquitecto Jean-Philippe Vassal.
Uma das suas coroas de glória é a resposta que o seu atelier deu, em 1996, a uma encomenda da câmara de Bordéus para o embelezamento de uma praça. Quando foram estudar o local, viram uma praça bonita, onde as pessoas se sentiam bem. Em consequência, decidiram não mexer no que estava bem. O projecto que apresentaram à câmara foi não fazer projecto. Em vez de uma obra, fizeram uma desobra.
3. “Envelhecem virgens” tantas casas novas! Não há quem as compre. Estão prontas. Foram obras. Já não podem ser desobras. Quanto tempo vão ficar elas a ganharem teias de aranha?
1. Na Expotec, um robô jogava o jogo do galo com o público. Não sei se jogava bem se jogava mal. Quando passei lá, estava uma pessoa a carregar nos botões e ele respondia com uns braços articulados enormes.
Era um robô excessivo, grande demais, a gastar energia demais, num jogo burro. O jogo do galo, bem jogado, dá sempre empate. É um jogo burro.
Ao ver aquilo, lembrei-me do filme “War Games” (1983), em que o sistema informático do Pentágono toma o freio nos dentes e se prepara para começar uma guerra nuclear. Há um relógio em contagem decrescente para o fim do mundo. Ninguém o consegue parar.
Então, o herói põe a máquina a jogar o jogo do galo. Empata. O computador procura mais recursos. Empata outra vez. Mais energia. Novo empate. Mais energia e mais capacidade de processamento. Empates, mais empates. O sistema concentra-se cada vez mais no jogo do galo. Ziliões de empates em cada segundo. Até que a máquina percebe e diz: “Jogo engraçado: a única maneira de ganhar é não jogar!” E, então, pára a contagem decrescente para o apocalipse. Uffff…
2. Foi numa edição do Público que conheci as ideias de poupança e frugalidade do arquitecto Jean-Philippe Vassal.
Uma das suas coroas de glória é a resposta que o seu atelier deu, em 1996, a uma encomenda da câmara de Bordéus para o embelezamento de uma praça. Quando foram estudar o local, viram uma praça bonita, onde as pessoas se sentiam bem. Em consequência, decidiram não mexer no que estava bem. O projecto que apresentaram à câmara foi não fazer projecto. Em vez de uma obra, fizeram uma desobra.
3. “Envelhecem virgens” tantas casas novas! Não há quem as compre. Estão prontas. Foram obras. Já não podem ser desobras. Quanto tempo vão ficar elas a ganharem teias de aranha?
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Tecnologias*
* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 3 de Outubro de 2008
Os dois projectos mais importantes na área da tecnologia que o governo apresentou este ano foram o chip das matrículas e o Magalhães.
1. O chip das matrículas ainda está em trânsito legislativo. É uma má ideia. O governo devia desistir dela. Big-brother não, obrigado!
2. Já o Magalhães é uma excelente ideia.
Todos os alunos do 1º ciclo, e não só os mais abonados, vão ter um computador com ligação à internet que no mercado custa 285 euros. Tem software especialmente concebido para as crianças e conteúdos em português.
João Miranda escreveu no DN: “A tecnologia é o resultado de bons alunos. Não são os bons alunos que resultam da tecnologia.” De facto, estas máquinas, ou os quadros interactivos, ou qualquer outro gadget não vão transformar maus alunos em bons alunos, nem más escolas em boas escolas, mas a evolução tecnológica é necessária.
Há muito tempo, há tanto demasiado tempo que até dá raiva!, quando eu era aluno da escola primária, passou-se da escrita com canetas para a escrita com esferográficas. Nós molhávamos o aparo nuns tinteiros e escrevíamos em folhas de 35 linhas. Muitas vezes já tínhamos o trabalho a 99% e, zás!, caía um borrão de tinta, e lá tínhamos que começar tudo de novo. Na altura, a chegada das esferográficas foi um grande avanço tecnológico. As esferográficas foram o nosso Magalhães.
Não concordo com o criticismo que vai na blogosfera sobre estes computadores. Vai correr tudo bem. Os miúdos depressa ficam uns craques no uso dos Magalhães, capazes de ensinarem informática aos pais e aos professores. Alguns, mais “engenhocas”, vão até começar a abri-los à procura da motherboard…
Os dois projectos mais importantes na área da tecnologia que o governo apresentou este ano foram o chip das matrículas e o Magalhães.
1. O chip das matrículas ainda está em trânsito legislativo. É uma má ideia. O governo devia desistir dela. Big-brother não, obrigado!
2. Já o Magalhães é uma excelente ideia.
Todos os alunos do 1º ciclo, e não só os mais abonados, vão ter um computador com ligação à internet que no mercado custa 285 euros. Tem software especialmente concebido para as crianças e conteúdos em português.
João Miranda escreveu no DN: “A tecnologia é o resultado de bons alunos. Não são os bons alunos que resultam da tecnologia.” De facto, estas máquinas, ou os quadros interactivos, ou qualquer outro gadget não vão transformar maus alunos em bons alunos, nem más escolas em boas escolas, mas a evolução tecnológica é necessária.
Há muito tempo, há tanto demasiado tempo que até dá raiva!, quando eu era aluno da escola primária, passou-se da escrita com canetas para a escrita com esferográficas. Nós molhávamos o aparo nuns tinteiros e escrevíamos em folhas de 35 linhas. Muitas vezes já tínhamos o trabalho a 99% e, zás!, caía um borrão de tinta, e lá tínhamos que começar tudo de novo. Na altura, a chegada das esferográficas foi um grande avanço tecnológico. As esferográficas foram o nosso Magalhães.
Não concordo com o criticismo que vai na blogosfera sobre estes computadores. Vai correr tudo bem. Os miúdos depressa ficam uns craques no uso dos Magalhães, capazes de ensinarem informática aos pais e aos professores. Alguns, mais “engenhocas”, vão até começar a abri-los à procura da motherboard…
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Adicções*
* Hoje no Jornal do Centro
Adições dão somas, adicções, dependências. Nos tempos que correm, há cada vez mais gente a adicionar adicções. Uma delas é o smartphone.
Corre um meme nas redes que descreve perfeitamente esta agarração — numa fotografia temos sete pessoas sentadas em dois sofás: o pai, a mãe, o tio, a tia, o neto, a neta e a avó; ninguém diz nada; os seis primeiros estão ferrados no telelé, a avó olha o vazio, a legenda ironiza: «oxalá a vovó esteja a gostar da nossa visita».
Isto é mundial. As pessoas estão apanhadas de todo. O norte-americano médio consulta o seu aparato de doze em doze minutos. Para Portugal não há estatísticas, mas um sportinguista médio, como eu, está sempre a passar os dedos na maquineta para saber as últimas de Bruno de Carvalho.
No domingo, o Washington Post trazia um texto de William Wan a descrever esta adicção e a reportar a luta que os Davids do movimento “bem-estar digital” travam contra os Golias: a Apple, a Google, o Facebook e similares.
É que, explica Wan, os utilizadores estão transformados nos pombos de Skinner — um psicólogo comportamentalista que, há sessenta anos, pôs os bichos numa caixa e treinou-os a bicarem num botão para obterem comida; depois, o investigador subverteu as regras; para dar prémio, os pombos tanto tinham que bicar duas vezes, como cinco, ou uma, ou quatro, numa sequência que nunca se repetia; resultado: os pombos endoidaram e passaram a bicar convulsivamente o botão durante horas.
O que está a acontecer às pessoas é um bocado parecido. Haja ou não haja o “plim!” das notificações, pegam no smartphone à procura de um prémio. A maior parte das vezes, é uma irrelevância, é spam, é um video melga, é publicidade; uma vez por outra, aparece algo de interesse.
Amanhã à noite lá estarei eu às voltas com o meu Xiaomi à espera do jackpot — a notificação a informar que os sócios equiparam devidamente Bruno de Carvalho com uns patins debaixo dos pés.
Adições dão somas, adicções, dependências. Nos tempos que correm, há cada vez mais gente a adicionar adicções. Uma delas é o smartphone.
Corre um meme nas redes que descreve perfeitamente esta agarração — numa fotografia temos sete pessoas sentadas em dois sofás: o pai, a mãe, o tio, a tia, o neto, a neta e a avó; ninguém diz nada; os seis primeiros estão ferrados no telelé, a avó olha o vazio, a legenda ironiza: «oxalá a vovó esteja a gostar da nossa visita».
Isto é mundial. As pessoas estão apanhadas de todo. O norte-americano médio consulta o seu aparato de doze em doze minutos. Para Portugal não há estatísticas, mas um sportinguista médio, como eu, está sempre a passar os dedos na maquineta para saber as últimas de Bruno de Carvalho.
No domingo, o Washington Post trazia um texto de William Wan a descrever esta adicção e a reportar a luta que os Davids do movimento “bem-estar digital” travam contra os Golias: a Apple, a Google, o Facebook e similares.
É que, explica Wan, os utilizadores estão transformados nos pombos de Skinner — um psicólogo comportamentalista que, há sessenta anos, pôs os bichos numa caixa e treinou-os a bicarem num botão para obterem comida; depois, o investigador subverteu as regras; para dar prémio, os pombos tanto tinham que bicar duas vezes, como cinco, ou uma, ou quatro, numa sequência que nunca se repetia; resultado: os pombos endoidaram e passaram a bicar convulsivamente o botão durante horas.
O que está a acontecer às pessoas é um bocado parecido. Haja ou não haja o “plim!” das notificações, pegam no smartphone à procura de um prémio. A maior parte das vezes, é uma irrelevância, é spam, é um video melga, é publicidade; uma vez por outra, aparece algo de interesse.
Amanhã à noite lá estarei eu às voltas com o meu Xiaomi à espera do jackpot — a notificação a informar que os sócios equiparam devidamente Bruno de Carvalho com uns patins debaixo dos pés.
sábado, 27 de janeiro de 2018
sábado, 22 de julho de 2017
sábado, 10 de junho de 2017
"And Now For Something Completely Different" (#147)
Sabias?
Em 2049, é previsível que um computador de 1000 US$ exceda a capacidade computacional de toda a espécie humana.
Em 2049, é previsível que um computador de 1000 US$ exceda a capacidade computacional de toda a espécie humana.
sábado, 3 de junho de 2017
"And Now For Something Completely Different" (#146)
A pele é um interface, dizem os poetas há muito tempo.
A pele é um interface, dizem agora os rapazes dos fios e dos aparatos...
A pele é um interface, dizem agora os rapazes dos fios e dos aparatos...
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
YouTube*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 1 de Setembro de 2006
1. No último Olho de Gato, para ilustrar um ponto sobre as mentiras fotográficas da última Guerra do Líbano, aconselhei um vídeo de quatro minutos no www.youtube.com.
O YouTube é, por si só, um bom tema de conversa. Mereceu um longo artigo de Howard Kurtz, no Washington Post, de 10 de Julho, em que era analisada a sua crescente influência política. Por exemplo, “Bush Sucks” é o sexto grupo de vídeos mais visitado do YouTube.
O YouTube foi criado há 18 meses. É pago pela publicidade e as pessoas podem gratuitamente colocar lá os seus vídeos (caseiros ou não). O visionamento é também gratuito e é interactivo (as pessoas podem votar nos vídeos que vêem). Todos os dias são lá acrescentados 60 mil vídeos (!). É uma revolução em que participam também, por exemplo, o Google Vídeo, o Metacafe.com e o Revver.com.
Só agora, com a democratização da banda larga, é que o vídeo pode chegar em força à Net. Qualquer adolescente, com uma câmara, e com algumas competências de edição electrónica, pode partilhar os seus trabalhos, ou as suas escolhas televisivas, com todo o mundo.
2. Sou “cliente” dos 2865 vídeos do Gato Fedorento no YouTube (números de 28 de Agosto). Foi lá que conheci os sketches do Gato Fedorento. O “Vai dar uma ganda volta”, o “Rap dos Matarruanos”, ...
... o “Condutor da ambulância”, o “Falam, falam, falam…” e por aí fora. Uma desbunda que, para mim, foi, e é, em computador. As televisões que se precatem.
3. Lembram-se da canção dos The Buggles, “Video Killed The Radio Star”? A canção era boa mas não profética. Ninguém matou ninguém. As estrelas do vídeo também são estrelas da rádio.
Também não vai acontecer o “Video Killed The Blog Star”. Muitos blogues vão é, cada vez mais, utilizar imagens em movimento.
1. No último Olho de Gato, para ilustrar um ponto sobre as mentiras fotográficas da última Guerra do Líbano, aconselhei um vídeo de quatro minutos no www.youtube.com.
O YouTube é, por si só, um bom tema de conversa. Mereceu um longo artigo de Howard Kurtz, no Washington Post, de 10 de Julho, em que era analisada a sua crescente influência política. Por exemplo, “Bush Sucks” é o sexto grupo de vídeos mais visitado do YouTube.
O YouTube foi criado há 18 meses. É pago pela publicidade e as pessoas podem gratuitamente colocar lá os seus vídeos (caseiros ou não). O visionamento é também gratuito e é interactivo (as pessoas podem votar nos vídeos que vêem). Todos os dias são lá acrescentados 60 mil vídeos (!). É uma revolução em que participam também, por exemplo, o Google Vídeo, o Metacafe.com e o Revver.com.
Só agora, com a democratização da banda larga, é que o vídeo pode chegar em força à Net. Qualquer adolescente, com uma câmara, e com algumas competências de edição electrónica, pode partilhar os seus trabalhos, ou as suas escolhas televisivas, com todo o mundo.
2. Sou “cliente” dos 2865 vídeos do Gato Fedorento no YouTube (números de 28 de Agosto). Foi lá que conheci os sketches do Gato Fedorento. O “Vai dar uma ganda volta”, o “Rap dos Matarruanos”, ...
... o “Condutor da ambulância”, o “Falam, falam, falam…” e por aí fora. Uma desbunda que, para mim, foi, e é, em computador. As televisões que se precatem.
3. Lembram-se da canção dos The Buggles, “Video Killed The Radio Star”? A canção era boa mas não profética. Ninguém matou ninguém. As estrelas do vídeo também são estrelas da rádio.
Também não vai acontecer o “Video Killed The Blog Star”. Muitos blogues vão é, cada vez mais, utilizar imagens em movimento.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Amnésias*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos em 9 de Junho de 2005
1. Morreu o disco rígido do meu computador. O meu computador ficou amnésico. Desmemoriou. Manteve a ram, a memória volátil, mas perdeu o arquivo. Num segundo perdi o conforto dos “meus” sites favoritos, dos “meus” blogues de visita diária, das minhas fotografias, das minhas músicas, dos meus documentos, os da política e os outros.
Apesar de tudo, esta avaria podia ter sido uma catástrofe muito pior. É que “só” perdi dois meses de trabalho, já que tinha feito uma cópia de segurança, em finais de Março. Consegui recuperar o grosso da informação.
O mais grave foi ter perdido os meus contactos de e-mail. Foram largas centenas. Amnésia total. Que raiva! Não tinha feito cópia de segurança dos endereços electrónicos.
O Olho de Gato tem sido interactivo. Muitos leitores têm-me, ao longo destes anos, contactado via e-mail. Sempre lhes respondi e vou continuar a responder. Só que, agora, não tenho o contacto de nenhum deles. Resolvam isso, por favor.
2. A história é muito conhecida: a 7 de Abril, apareceu em Sheerness, uma cidade costeira inglesa, um homem aparentando 30 anos, vestido de fato e gravata, completamente encharcado e que não dizia uma palavra.
O homem não era, e continua a não ser, identificável. Existe no caso alguma premeditação já que as etiquetas da roupa que usava estavam todas cortadas. Quando lhe puseram um papel à frente, ele desenhou um piano com todos os pormenores. Levado junto de um, tocou horas seguidas, revelando-se um bom pianista. Passou a ser conhecido como “O Homem do Piano”.
“Vulnerável”; “assustado”; “traumatizado”; “em perigo”: são as expressões usadas pelos especialistas do hospital em que ele foi recolhido.
Algures qualquer coisa na ram ou no disco rígido do “Homem do Piano” estalou. Isto se a sua amnésia for real. Porque pode não ser.
3. A amnésia é um bom tema para histórias.
Um dos melhores filmes que vi ultimamente sobre este assunto é Memento. Conta a história de Leonard Shelby, que perdeu a memória quando lhe assassinaram a mulher. Leonard deixou de poder guardar informação a partir de então. Lembra-se bem da sua vida anterior mas a sua memória agora não processa informação de curto prazo. Só sabe que se tem de vingar, embora não consiga fixar o nome de ninguém, nem nenhuma circunstância da sua vida actual.
Usa uma polaróide para guardar a imagem visual das coisas. Chega a um parque de estacionamento e só pela fotografia é que consegue saber que o seu carro é um Jaguar. Quando entra nele, nunca se lembra que o vidro da janela esquerda está partido, mas guia perfeitamente porque aprendeu isso antes do trauma.
Tem que escrever as informações mais importantes no corpo para não as perder. No fim do filme, o corpo tatuado de Leonard parece um mapa das estradas.
A história é genial e a maneira como é contada tira-nos a respiração.
4. «E o senhor, como se chama?»
«Espere, tenho-o debaixo da língua.”
“Assim começa o último romance de Umberto Eco, um exercício de reconstrução do passado de Yambo, alfarrabista de profissão, a quem um acidente neurológico implausível apaga (delete!) a biografia.”
Acabo de transcrever o início duma recensão magnífica que João Lobo Antunes publicou no suplemento literário do Público, do último sábado, sobre “A Misteriosa Chama da Rainha Loana”.
O livro de Eco, mais do que sobre o esquecimento, preocupa-se é com o processo de recuperação dos dados perdidos no nosso disco rígido. É, evidentemente, o que importa em matéria de amnésias. Vai ser uma das minhas leituras para este Verão.
5. Em 2002, a subida do IVA de 17 para 19% foi um erro. Em 2005, a subida do IVA de 19 para 21% é mais do que um erro: é amnésia política.
1. Morreu o disco rígido do meu computador. O meu computador ficou amnésico. Desmemoriou. Manteve a ram, a memória volátil, mas perdeu o arquivo. Num segundo perdi o conforto dos “meus” sites favoritos, dos “meus” blogues de visita diária, das minhas fotografias, das minhas músicas, dos meus documentos, os da política e os outros.
Apesar de tudo, esta avaria podia ter sido uma catástrofe muito pior. É que “só” perdi dois meses de trabalho, já que tinha feito uma cópia de segurança, em finais de Março. Consegui recuperar o grosso da informação.
O mais grave foi ter perdido os meus contactos de e-mail. Foram largas centenas. Amnésia total. Que raiva! Não tinha feito cópia de segurança dos endereços electrónicos.
O Olho de Gato tem sido interactivo. Muitos leitores têm-me, ao longo destes anos, contactado via e-mail. Sempre lhes respondi e vou continuar a responder. Só que, agora, não tenho o contacto de nenhum deles. Resolvam isso, por favor.
2. A história é muito conhecida: a 7 de Abril, apareceu em Sheerness, uma cidade costeira inglesa, um homem aparentando 30 anos, vestido de fato e gravata, completamente encharcado e que não dizia uma palavra.
O homem não era, e continua a não ser, identificável. Existe no caso alguma premeditação já que as etiquetas da roupa que usava estavam todas cortadas. Quando lhe puseram um papel à frente, ele desenhou um piano com todos os pormenores. Levado junto de um, tocou horas seguidas, revelando-se um bom pianista. Passou a ser conhecido como “O Homem do Piano”.
“Vulnerável”; “assustado”; “traumatizado”; “em perigo”: são as expressões usadas pelos especialistas do hospital em que ele foi recolhido.
Algures qualquer coisa na ram ou no disco rígido do “Homem do Piano” estalou. Isto se a sua amnésia for real. Porque pode não ser.
3. A amnésia é um bom tema para histórias.
Um dos melhores filmes que vi ultimamente sobre este assunto é Memento. Conta a história de Leonard Shelby, que perdeu a memória quando lhe assassinaram a mulher. Leonard deixou de poder guardar informação a partir de então. Lembra-se bem da sua vida anterior mas a sua memória agora não processa informação de curto prazo. Só sabe que se tem de vingar, embora não consiga fixar o nome de ninguém, nem nenhuma circunstância da sua vida actual.
Usa uma polaróide para guardar a imagem visual das coisas. Chega a um parque de estacionamento e só pela fotografia é que consegue saber que o seu carro é um Jaguar. Quando entra nele, nunca se lembra que o vidro da janela esquerda está partido, mas guia perfeitamente porque aprendeu isso antes do trauma.
Tem que escrever as informações mais importantes no corpo para não as perder. No fim do filme, o corpo tatuado de Leonard parece um mapa das estradas.
A história é genial e a maneira como é contada tira-nos a respiração.
4. «E o senhor, como se chama?»
«Espere, tenho-o debaixo da língua.”
“Assim começa o último romance de Umberto Eco, um exercício de reconstrução do passado de Yambo, alfarrabista de profissão, a quem um acidente neurológico implausível apaga (delete!) a biografia.”
Acabo de transcrever o início duma recensão magnífica que João Lobo Antunes publicou no suplemento literário do Público, do último sábado, sobre “A Misteriosa Chama da Rainha Loana”.
O livro de Eco, mais do que sobre o esquecimento, preocupa-se é com o processo de recuperação dos dados perdidos no nosso disco rígido. É, evidentemente, o que importa em matéria de amnésias. Vai ser uma das minhas leituras para este Verão.
5. Em 2002, a subida do IVA de 17 para 19% foi um erro. Em 2005, a subida do IVA de 19 para 21% é mais do que um erro: é amnésia política.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Um pequeno pontapé para um homem mas um grande chuto para a humanidade
![]() |
| Um grande momento no Campeonato do Mundo de Futebol Detalhes aqui |
quinta-feira, 15 de maio de 2014
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
"And Now For Something Completely Different" (#103)
Saudades das disquetes?
Problemas com os telecomandos?
70cm x 45cm x 65cm — €720 + portes
Encomendas à Neulant van Exel
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Deepika Kurup, 14 anos, é com gente como esta que o mundo vai para a frente
Um dispositivo que usa energia solar e transforma água contaminada em água potável.
sábado, 17 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Senhores da PT e da Anacom, por favor, não se metam com a investigação académica!
Uma investigação de Sérgio Denicoli na Universidade do Minho sobre a implantação em Portugal da TDT evidenciou, em termos científicos, o que toda a gente com dois dedos na testa já tinha percebido.
Escrevi aqui e no Jornal do Centro, em 7 de Setembro:
Entregar
a TDT (tv gratuita) a um operador de cabo (cujo negócio é a tv paga)
foi o mesmo que entregar a capoeira à raposa e diz tudo acerca da
qualidade da decisão política do barrosismo e do socratismo.
Resultado desta expropriação do interesse comum:
—
as pessoas tiveram que gastar dinheiro para ficarem com o mesmo serviço
que tinham antes gratuitamente; para os muitos lugares que agora
ficaram sem cobertura, foi vendido um “kit-satélite” bloqueado em quatro
canais (!);
—
em 2009, no início da implantação da TDT, a Meo tinha 385 mil
clientes, agora tem 1 milhão e 100 mil, um inchamento de 285,7% (!);
—
a GB ficou com 45 canais gratuitos, a Itália com 39, a Espanha com 27,
até os nossos companheiros de desgraça gregos têm agora 17 canais. Em
Portugal temos 4, não há nenhum canal em HD, não há nem se perspectivam
canais regionais nem locais; até para a inclusão do Canal Parlamento é
um “ai-Jesus!”.
A TDT portuguesa é um retrato escarrapachado do pântano político que nos tem governado, em que o interesse público é capturado pelo poder económico.
Como cereja em cima do bolo, agora a PT e a Anacom estão a ameaçar Sérgio Denicoli com processos judiciais, na prática a colocarem sobre ameaça a investigação académica.
Há, para os interessados, uma petição pública a pedir decência à PT e à Anacom.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
"And Now For Something Completely Different" (#97)
Os écrans tácteis, como se sabe, com o uso ficam cheios de dedadas difíceis de tirar.
Eis um "nano-produto", uma "armadura líquida", capaz de proteger os écrans de tudo, não só das dedadas, mas até de riscos feitos com objectos metálicos.
Detalhes aqui.
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