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domingo, 31 de maio de 2015

Os quatro erros de Alexis Tsipras

Fotografia daqui

Desde que tomou posse, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, cometeu quatro erros, três por acção e um por omissão:

1 — apostou no "contágio" ao sul europeu (uma "história de crianças": Hollande, Renzi, Rajoi e Pedro Passos Coelho mandaram Tsipras dar uma volta ao bilhar grande);

2 — deu gás a uma xenofobia anti-germânica (miserável no plano dos valores, foi coisa para consumo interno grego e que, valha a verdade, mesmo em Portugal é produto com muita clientela);

3 — "ameaçou" com uma aproximação a Putin de uma forma que ninguém levou a sério;

4 — não fez um gesto ainda para acabar com a "ordem clientelar" grega, de que não é responsável mas que mantém.

Destes quatro erros, os dois primeiros não têm apelo nem agravo — somam-se ao fogo de artifício fotogénico e à exibição de testosterona de Varoufakis, vão para o arquivo morto, fiascaram.

Já a aproximação a Putin, bem como à China, e a ameaça de mais instabilidade nos Balcãs, são trunfos poderosos e causam alarme em Washington, como explica hoje Jorge Almeida Fernandes no Público num excelente texto em que se baseia este post.

De qualquer forma,  é na solução do quarto erro que reside a esperança e o futuro da Grécia. 

Porque é que o Syriza não começa a reformar o estado, a descapturá-lo dos interesses clientelares e a construir uma máquina fiscal que efectivamente funcione e cobre impostos?

sábado, 29 de novembro de 2014

Dias estranhos — um texto de JB*

* Comentário de JB ao post deste blogue intitulado "Cabala"



Neil Young, “On the Beach”

Este texto vai colocado neste espaço mas estava a ser escrito quando vi a fotografia e li o poema "Estou nu diante da água imóvel" (em post anterior).

Nessa altura lembrei-me da situação que se passa no PS: todos a tentarem manter a cabeça à tona da água e não serem levados na enxurrada Sócrates.

Estes dias têm sido estranhos e é difícil acompanhar o ritmo das notícias e comentários.


Daqui
Tenho-me cingido aos jornais e internet, pois a televisão há muito abandonei.

Já aqui escrevi que não tenho sentimentos ambivalentes em relação a José Sócrates; pessoalmente não tenho simpatia pela personagem e politicamente estou distante.

No entanto, seria incapaz de escrever essa infâmia intitulada "Aleluia!", no Expresso online, mas também não compreendo quem quer transformar Sócrates num preso político ou fazer de Évora um novo percurso de peregrinação.

Falar de um julgamento político como fez Mário Soares é o mesmo que recuperar a tese da cabala. O desabafo de Mário Soares cria, porém, um problema inesperado e incontrolável (?) ao PS. Será possível não falar de Sócrates no congresso deste fim de semana? Poderá António Costa visitar o camarada na prisão num gesto de amizade e, no momento seguinte, convencer os portugueses de que o "seu" PS não tem nada que ver com aquilo? António Costa recomendou contenção (esteve bem) mas Soares contrapõe que “todo o PS está contra esta bandalheira” (todo?). Declaração de guerra?

Neste contexto a direita tem sido moderada. Mas quanto tempo vai aguentar até iniciar uma campanha que inquine a debate eleitoral do próximo ano? Escorregou Passos com a frase: “os políticos não são todos iguais”. Não são, e nem todos são sócios da Tecnoforma…

No livro "A Razão Populista" (2005), o pensador Ernesto Laclau defende que a ameaça à democracia contemporânea não está no sobressalto plebeu (dito populismo), mas no estreitamento oligárquico da democracia por minorias que escapam ao controlo popular. E neste contexto concordo com Baptista Bastos: "Mais do que a mossa social causada pela exaustão dos factos, a endemia moral que nos assaltou é, de certeza, extremamente gravosa, porque atinge fundo a nossa comum credulidade nas estruturas da nação e na particularidade da sua alma.”

E termino com o que considero ser um factor de inquinamento na vida do PS, e de há muito, a falta de clarificação. Como é possível que durante quatro (ou cinco..?) longos meses dois candidatos; duas listas concorrentes e supostamente dois projectos, logo após as eleições internas, se tenham apressado a negociar lugares, lugarzinhos e escalonamentos no futuro. Afinal por Viseu já estava formada uma lista de “unidade” e “marginalizada” uma lista de proscritos. Ingenuamente, pensei que no Congresso a clarificação seria um tema central. Agora vão discutir “quem é mais socrático do que eu…”.

Tenham vergonha!


“Ao contrário da matemática, em questões de carácter, 
o produto de dois números negativos raramente dá positivo”
Laura Abreu Cravo

sábado, 11 de janeiro de 2014

A república sarkollandesa

Numa república assuntos da cama do presidente não são assuntos de estado;
numa monarquia assuntos da cama do rei são assuntos de estado.


Para os media franceses, com Sarkozy e agora com Hollande, as coisas não são bem assim. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Uma curta sobre o Nöel com uma Maria má como as cobras*

Como o vídeo que se segue, devido à sua controversa qualidade, não mereceu exibição no recente Conselho da Diáspora Portuguesa nem na sessão solsticial do excelente Shortcutz Xpress Viseu, fica aqui para os estimados visitantes deste blogue espalhados pelo mundo em geral e pela França em particular:


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Alemanha *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

Qual das duas eleições de Setembro é mais importante para Portugal: as da Alemanha a 22 (onde Angela Merkel vai ganhar), ou as nossas autárquicas a 29 (onde Seguro, ou tem uma vitória clara, ou é melhor mudar de emprego).

Na minha análise, as nossas autárquicas são muito mais decisivas para o nosso país, apesar dele se encontrar nas mãos dos credores. É que os fundamentais da política germânica não mudam numas eleições.

Num ensaio publicado na última The New York Review Of Books, Timothy Garton Ash descreve a "banalidade do bem" alemã. A Alemanha tem um sistema institucional descentralizado, cheio de "pesos" e "contra-pesos", com um banco central e um tribunal constitucional poderosos, o que obriga os políticos ao compromisso, e que funciona como vacina contra o regresso de populismos totalitários que tanto dano causaram à Alemanha e ao mundo.


Passaram vinte e três anos sobre a reunificação alemã. Vamos continuar a ter uma Alemanha burguesa, liberal e moderada, e relutante em assumir o papel de liderança da "Europa". As caricaturas de Merkel com bigodinho ou capacete nazi, comuns nas manifs dos países corruptos do Mediterrâneo, são um disparate. Quem souber um mínimo de história, perceberá a importância desta declaração de 2011 de Radek Sikorsky: "Vou ser provavelmente o primeiro ministro dos negócios estrangeiros polaco na história a dizer isto, mas aí vai: receio menos o poder alemão do que começo a recear a inactividade alemã." 

A "Europa", comandada por um barrosal pigmeu, precisava de um eixo franco-alemão a funcionar tão bem como no tempo de Kohl e Miterrand, um eixo capaz de introduzir democracia no monolito burocrata de Bruxelas. Não é provável que aconteça algo nesse sentido. Mas o problema não estará em Merkel, mas sim no patético Hollande e no tradicional imobilismo auto-convencido da política francesa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Impostos acima de 50% são um roubo

Fotografia daqui
O presidente pós-moderno François Hollande que odeia Nutella e vive assoberbado com os tweets e as biografias da "primeira-dama", aplicou um imposto de 75% sobre os rendimentos dos mais ricos, para alegria dos países vizinhos que não embarcaram em tal ladroagem populista.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Merkollande*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


     1. François Hollande foi eleito a 6 e tomou posse a 15 de Maio. Cá, no ano passado, Cavaco Silva foi eleito a 23 de Janeiro e tomou posse a 9 de Março. Em França, 9 dias; em Portugal, 45. A terceira república portuguesa é muito mais nova do que a quinta república francesa mas está com um grau muito mais avançado de esclerose.
     O sistema político português tem prazos gongóricos que eternizam situações de bloqueio e de pântano, não permite várias eleições ou eleições e referendos no mesmo dia, é cada vez menos representativo, o voto em listas fechadas faz com que, no meio delas, sejam eleitas criaturas a quem nem os próprios vizinhos confiavam o condomínio.
     Caros António José Seguro e Pedro Passos Coelho, é agora o tempo de reformar a terceira república. É que pode não haver outra oportunidade — é muito provável que, nas próximas eleições, o bloco central deixe de ter os dois terços necessários para uma revisão constitucional.
     Podia-se começar, para já, pelas autarquias: há que acabar com os chamados “vereadores da oposição” — o trabalho mais absurdo da democracia portuguesa; há que acabar com o voto dos presidentes das juntas nas assembleias municipais; e há que transformar estas em verdadeiros órgãos de fiscalização do executivo municipal.

     2. A eleição de Hollande não alterou nada de significativo. O novo presidente regressa ao gaullismo/miterrandismo, ao tradicional nariz empinado da política externa francesa, deixando de ser seguidista dos Estados Unidos como foi Sarko. Isso vai agradar aos BRICs, mas não vai fazer com que os países emergentes se tornem nem mais nem menos generosos ou complacentes com a dívida da “Europa”.
     No exacto dia em que tomou posse, o senhor Hollande lá foi, rápido como um raio, à senhora Merkel.
Adieu, Merkozy! 
Bienvenue, Merkollande!


sábado, 12 de maio de 2012

Cenas dos próximos capítulos em França?


1) Hollande toma posse

2) Descobre-se um "inesperado" buraco nas contas

 3) Autoclismo nas promessas eleitorais 

 4) Subida de impostos

5) ...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

sábado, 2 de abril de 2011

A generosidade peitoral da república ...


... não foi apreciada na câmara francesa 
de Neuville-en-Ferraine onde o presidente 
mandou substituir um busto de Marianne
 por um outro menos "topográfico". 

A escultura mandada retirar 
tinha sido feita por Catherine Lamacque.