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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Europeias*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Com Fernando Ruas fora da lista do PSD, o único protagonista viseense com algum relevo nestas eleições foi João Azevedo.
O competente director do marketing socialista, com a ajuda do CEO António Costa, apesar de ter um produto mau para vender, lá conseguiu que o eleitorado o comprasse.

2. As sondagens estiveram globalmente bem. Conseguiram até rastrear o esvaziamento do PSD após o psicodrama dos professores. Se tivessem detectado o crescimento do PAN, tinham estado perfeitas.

3. Como aqui previsto, os resultados portugueses foram exactamente os mesmos de há cinco anos: foram eleitos dezassete deputados europeístas (PS, PSD, CDS e PAN) e quatro deputados eurocépticos (Bloco e PCP).

Os europeístas do PS vão continuar nos S&D que perderam 39 lugares; os do PSD e do CDS permanecerão no PPE que perdeu 36 lugares. O deputado europeísta do PAN vai enfileirar nos pujantes Verdes, que subiram de 50 para 69 lugares.

Os eurocépticos do Bloco e do PCP vão mesmizar-se na Esquerda Unitária, que murchou de 52 para 38 eurodeputados.

4. Quando há muita abstenção aparece sempre um coro grego a defender o voto obrigatório.

No início desta semana surgiu, até, uma petição pública intitulada “A ditadura da abstenção” (sic), que não acha “admissível que sob o pretexto da libertinagem” (sic), “o desinteresse, o comodismo falem mais alto que o cumprimento das obrigações eleitorais” (sic), e exige “medidas que acabem com o estado de impunidade que gozam atualmente os eleitores faltosos” (sic).

À hora a que escrevo estas linhas, este lixo autoritário já foi subscrito por 220 “anti-libertinos”.

5. Uma boa medida de combate à abstenção foi a novidade do voto antecipado que permitiu a uns milhares de eleitores votarem no domingo anterior, 19 de Maio.

Para eles não houve o tradicional sábado em que pára tudo e os media não podem falar “naquilo” que está na cabeça de toda a gente. Ficou ainda mais evidente quão absurdo é o chamado “dia de reflexão”.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Golpe publicitário*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Parecia tão certa a vitória dos trabalhistas nas eleições do último fim-de-semana na Austrália, que a agência de apostas Sportbets decidiu fazer um golpe publicitário: distribuiu, dois dias antes dos votos, prémios aos apostadores no resultado trombeteado por todas as sondagens.

Foi um caso flagrante de foguetes antes da festa. Mais uma vez, as elites urbanas e os media não perceberam a angústia dos “vencidos” da globalização. Estes, como vai sendo costume, calaram-se bem calados, fintaram as empresas de sondagens, e reelegeram um conservador “trumpista”.

A Sportbets, com aquela ejaculação eleitoral precoce, perdeu um milhão e trezentos mil dólares, mas o boss da empresa não perdeu o sentido de humor e informou que, além de ir cortar na qualidade do papel higiénico, ia também ligar o aquecimento só duas horas por dia nos escritórios.

Nada de especial, portanto: o homem, durante uns tempos, vai imitar os directores das escolas portuguesas. As escolas, por cá, mesmo com os professores maltratados pelo governo e os alunos de pés frios no inverno, lá vão sobrevivendo. A Sportbets também há-de sobreviver.

2. Para as europeias que aí vêm, as sondagens prevêem um cenário favorável a uma geringonça entre socialistas e liberais/macronistas, o que fez desenvolver, nas últimas semanas, uma amizade enorme entre o presidente francês e António Costa, especialista nessas coisas.

Fotografia de Philippe Wojazer (Reuters)
Editada a partir daqui
Por cá e no que interessa à UE, as sondagens prevêem o mesmo resultado de 2014: quatro deputados eurocépticos (do PCP e do bloco) e dezassete europeístas (dos outros partidos).

Se as projecções se confirmarem, o golpe publicitário de Costa contra os 9A 4M 2D dos professores parece ter dado um eurodeputado mais ao PS.

Mas lembremo-nos da Sportbets. Domingo se verá se Costa afastou, ou não, o pesadelo da “vitória poucochinha”. Domingo se verá se ele obtém, ou não, substancialmente mais do que os 31,4% que deram, há cinco anos, só oito eurodeputados a António José Seguro.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Pinderiquices*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Apesar da oposição de várias organizações ciganas, alguns activistas que se dizem “racializados”, comandados pelo sr. Mamadou Ba do bloco de esquerda, têm feito tudo para prantar uma pergunta sobre origem étnica no Censos de 2021.

Ora, uma pergunta deste tipo é racista. Como explica o sociólogo Rui Pena Pires, um departamento do estado usar a "categoria 'raça' reforça os fundamentos cognitivos do racismo”.

Os identitarismos têm muito poucos usos nobres. Este não é de certeza um deles.

2. Durante três longos anos, o parlamento teve uma “Comissão Eventual para o Reforço da Transparência” para, alegadamente, transparentar aquela casa.

Resultado dos trabalhos da comissão:
— vamos continuar a ter deputados em part-time a romperem os fundilhos das calças no parlamento de manhã e na advocacia de negócios de tarde;
— os deputados que fizeram ou venham a fazer viagens patrocinadas por empresas podem apanhar o avião à vontade.

Como se vê, enquanto o voto for sempre nos mesmos, o cartel partidário não deixa que nada mexa.

3. Como contou este jornal na sua última edição, dezenas de militantes do PCP-Viseu assinaram uma carta dirigida ao comité central em que se manifestavam contra a geringonça.

Este descontentamento das bases comunistas é incomum e, tudo indica, vai aumentar. É que, a seguir à perda de dez câmaras nas últimas autárquicas, das quais nove para o PS, o PCP vai perder um eurodeputado nas eleições deste mês.

Os tempos pós-Jerónimo que aí vêm adivinham-se turbulentos.


Fotografia de Nuno André Ferreira
Editada a partir daqui

4. Na última assembleia municipal de Viseu, o presidente da câmara culpou a geringonça por não haver Jardins Efémeros, porque o governo não teria dado 15 mil euros àquele festival.

Tendo presente as centenas e centenas e centenas de milhares de euros que o vereador Sobrado vai espatifando por ano em festas e festinhas, António Almeida Henriques vir desta maneira tentar atirar as culpas para terceiros é pindérico.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Não se sentiu...*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Há um mês, num texto intitulado “Quem não se sente...”, alertei aqui o presidente da câmara de Viseu que lhe ficava muito mal estar a dar gás ao coreógrafo Paulo Ribeiro depois de este ter abandonado, em 2016, por sua única e exclusiva vontade, a direcção do Teatro Viriato, e ter vindo agora, anos depois, alegar que foi vítima de um “despedimento ilícito” e tentar sacar, em tribunal, 50 mil euros àquela entidade municipal.

Como é evidente, um bom líder “sente-se” e, por isso, põe-se ao lado do que é seu e está a ser atacado, não se põe ao lado do atacante.

O facto é que António Almeida Henriques, mesmo depois de avisado, “não se sentiu...” E fez pior: para além de ter mantido a encomenda de um espectáculo ao litigante, ...
Fotografia de José Ricardo Ferreira
(editada)
... sentou-se ao seu lado numa conferência de imprensa no exacto teatro demandado em tribunal. E, apesar de ter ouvido o homem confirmar aos jornalistas que ia continuar a exigir os 50 mil euros, mesmo assim, afirmou que aquilo ia ser “um grande momento das comemorações dos 20 anos do Teatro Viriato”.

Este episódio, do princípio ao fim, foi tudo menos “um grande momento” do que quer que seja.

A esta deserção do autarca de Viseu na defesa do seu teatro municipal some-se o seu défice de rigor gestionário: acaba de saber-se que a câmara de Viseu, em 2018, teve um resultado líquido negativo de 3.573.148,97 euros.

2. As eleições europeias de Maio são feitas num quadro político inédito: a UE tem dois inimigos declarados, Trump e Putin.

O presidente norte-americano e o presidente russo estão a apoiar partidos soberanistas de direita e de esquerda, hostis à “Europa”. Enquanto Putin faz as coisas mais na sombra, Trump é menos subtil. O seu estratega, Steve Bannon, não sai do velho continente a organizar uma internacional de ultra-direita.

É um sinal dos tempos: os vários nacionalismos europeus sempre foram historicamente hostis aos norte-americanos e aos russos. Agora, são lacaios deles.