Mostrar mensagens com a etiqueta Bancos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bancos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Chega*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 5 de Junho de 2009


1. O El País, no último domingo, trazia uma notícia com o seguinte título: “Banca a la deriva en Portugal”. De facto, os casos BPP e BPN são uma vergonha. E a nossa supervisão bancária também.

Os banqueiros implicados devem ser postos a ler livros debaixo do mesmo tecto que abriga o senhor Oliveira e Costa.

E o Banco de Portugal precisa de novo governador. Deste já chega.
Vítor Constâncio é a estátua mais bem paga do país.


Ficou imóvel durante anos enquanto os bancos atropelavam os clientes nos arredondamentos dos juros.

A sua quietação não conheceu nenhuma inquietação durante os anos de gatunagem no BPN. E isso ficou caro ao país. Muito caro.
Já chega.

2. Há cinco anos, as europeias tiveram em Viseu um ponto alto com Sousa Franco a fazer uma intervenção política brilhante, pontuada com a exibição de cartões amarelos ao então primeiro-ministro Durão Barroso. A sala foi ao rubro.

Dias depois, Sousa Franco faleceu em plena campanha eleitoral, em circunstâncias dramáticas, em Matosinhos.

As europeias de 2004 foram importantes e levaram à deserção de Barroso para a “Europa”. Este ano, as eleições europeias são a feijões.

Sete em cada dez portugueses não devem ir votar. Os partidos à esquerda do PS vão passar de três eurodeputados para quatro e os partidos à direita do PS ficam com os mesmos nove ou aumentam para dez.

3. Tanto José Sócrates como Manuela Ferreira Leite têm mostrado humildade e realismo.

Sócrates veio em força para o terreno porque teve a humildade de perceber que o candidato que escolheu, Vital Moreira, está muito enferrujado.

Já Manuela Ferreira Leite ficou mais por casa porque teve a humildade de perceber que a sua presença só desajuda Paulo Rangel.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A guerra aos professores*

* Hoje no Jornal do Centro


Os professores foram felizes durante quinze anos, desde a primavera de 1990, quando viram aprovada a carreira única por Roberto Carneiro, até à primavera de 2005, quando Maria de Lurdes Rodrigues iniciou uma guerra contra eles em duas frentes: retirar-lhes o controlo do seu trabalho (com uma nova gestão das escolas, a multiplicação da burocracia e do eduquês facilitista) e retirar-lhes dinheiro (com a avaliação e o congelamento da carreira).

A partir de 2005, as agências de comunicação governamentais nunca mais pararam de instigar a hostilidade da comunicação social contra os professores, cumprindo a estratégia que José Sócrates enunciou: “perdi os professores mas ganhei a opinião pública”.

A partir de 2005, os teóricos do eduquês instalados nos gabinetes governamentais, nas faculdades, nas escolas superiores de educação, que fogem das salas de aula como o diabo da cruz, nunca mais pararam de infernizar a vida de quem nelas trabalha.

A partir de 2005, os políticos nunca mais pararam o massacre, sempre a mudarem as leis, os regulamentos, os currículos, a avaliação dos alunos, sempre a arranjarem mais obrigações para as escolas e menos para as famílias e para os alunos indisciplinados.

Ora, toda esta pressão acumulada acabou por achar a válvula de escape que todo o país conhece: os 9A 4M 2D.

Para os profs, estes 9A 4M 2D são muito mais do que dinheiro ou tempo de serviço congelado, os 9A 4M 2D são uma sublimação emocional, são a saudade e a esperança no regresso aos anos em que foram felizes.


Fotografia de António Cotrim (editada a partir daqui)
Como é sabido, António Costa acaba de concluir a guerra iniciada, em 2005, por José Sócrates. O primeiro-ministro acaba de dizer aos professores que, com ele, os tempos felizes não voltam mais. O PS gosta de donos de restaurantes e de banqueiros. De profs não.

A partir de agora, só irá para professor quem não puder fazer mais nada. Daqui a poucos anos, vai haver falta de professores.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Isto está bravo*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 3 de Abril de 2009 

1. Os anos de capital abundante e acessível já lá vão. Os bancos centrais estão a tipografar doses maciças de liquidez mas o dinheiro não chega às famílias nem às empresas. O motor da economia mundial gripou.

Desde Fevereiro de 2006, o think tank europeu LEAP/Europe2020, nos seus trabalhos de prospectiva, descreve a economia mundial a caminho de uma “crise sistémica global”. Os seus boletins mensais têm acertado no essencial, o que significa que os políticos — que têm acesso a todo o tipo de informação privilegiada — andaram anos a dormir na forma.

Em 24 de Março, o LEAP escreveu uma carta aberta dirigida aos líderes mundiais presentes na cimeira dos G20, em Londres.

Nessa carta aberta, facilmente encontrável na internet, os líderes mundiais são colocados perante a seguinte escolha: ou resolvem de uma forma concertada “uma crise de 3 a 5 anos” ou não evitamos “uma longa crise de pelo menos uma década “. É que isto está mesmo bravo!

O LEAP dá três conselhos aos G20:

i) Criação de uma nova divisa internacional a partir de um cabaz das principais moedas mundiais;

ii) Controle global do sistema bancário com eliminação dos “buracos negros” (offshóricos e não só…);

Daqui
iii) Avaliação independente e rápida, o mais tardar até Julho deste ano, dos sistemas financeiros americano, britânico e suíço (os mais infectados).

Esta é a primeira crise económica global. São precisas soluções globais. Uma política de “cada um por si” é a receita certa para o desastre.

É de lembrar a velha ideia de Montesquieu: comércio entre os povos é igual a paz. O contrário já se sabe a que é igual.

2. Esta crónica tuíta em twitter.com/olhodegato.
Com o lema de sempre: “Olhos e, se necessário, unhas”.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Panorama*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Começo aqui o ano a lembrar, mais uma vez, que esta coluna aplica o método de Norberto Bobbio: devemos escolher uma parte, depois dessa escolha feita há que exercer o juízo crítico com severidade, especialmente com a nossa parte.

Isto é cada vez mais raro. A maior parte dos ditos “fazedores de opinião” já só escreve a dizer bem da sua tribo e a dizer mal das tribos adversárias.

2. O tribunal de contas, como lhe compete, fez as contas: entre ganhos e perdas, os bancos já custaram aos contribuintes 16,7 mil milhões de euros, 12% do PIB.

Os ganhos, que já acabaram, vieram dos empréstimos supervisionados pela troika ao BCP (919 milhões de lucro), ao BPI (167 milhões) e a três banquetas (5 milhões).

As perdas, que ainda não acabaram, têm sido colmatadas com os políticos a irem aos nossos bolsos: CGD (um rombo de 5,535 mil milhões), BES/Novo Banco (4,607 mil milhões), BPN (4,134 mil milhões), Banif (2,978 mil milhões), BPP (588 milhões).

Ora, como se sabe, uma boa parte do dinheiro destes resgates serviu para tapar buracos causados por ladroagem e não por negócios bancários legítimos. E, como não há ninguém preso, o mínimo dos mínimos era sermos informados dos nomes desses grandes devedores que andam para aí a rir-se na nossa cara. Devíamos, ao menos, saber quem “emprestadou” a quem, quanto e porquê.

Nem isso os políticos fazem. A geringonça não deixa que se saiba nada da festança socrática na CGD e, por extensão, não se sabe nada das negociatas nem no banco público nem nos bancos privados. Hoje há mais uma teatrada no parlamento sobre este assunto.

3. Festas e festinhas é com António Almeida Henriques. Já quanto a obras fica-se por anúncios mais anúncios, noves-fora-nada.*

No seu último “agora-é-que-vai-ser” no Mercado 2 de Maio, o edil viseense anunciou elevadores panorâmicos. 
Daqui
Pode lá pôr já um que suba muito alto. 
Para que dele se possa ver o Rossio e o panorama paralítico que vai naquela câmara.

---------
* Por lapso meu, na edição impressa saiu: 
"Já quanto a obras fica-se por anúncios, anúncios, noves-fora-nada."

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

2008*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 26 de Dezembro de 2008

1. Este ano, durante a greve dos camionistas, houve uma corrida aos combustíveis e aos supermercados. Esteve-se a milímetros do caos.

As gerações mais novas, habituadas ao “leve 3 e pague 2”, ficaram a saber o que é açambarcamento de produtos. Os cotas recordaram tempos maus.

2. Foi metido muito dinheiro debaixo dos colchões no período mais agudo da crise dos bancos. Quando, num sábado à tarde, o Multibanco avariou durante uma horas, sentiu-se um calafrio. Ups!

Bismarck disse uma vez que, para sossego social, é melhor as pessoas não saberem como são feitas as leis ou as salsichas. Pelo que se tem visto, é melhor desconhecermos também como é feita a gestão dos bancos. Até para ficarmos tão informados como Vítor Constâncio.

3. Ao longo de 2008 foi aumentando o fosso entre o que diz Maria de Lurdes Rodrigues e a realidade nas escolas. Esse fosso é já um delírio.

A avaliação de professores, de remendo em remendo, de simplex em simplex, ficou só um faz-de-conta irritante.

Muito mais grave: a avaliação dos alunos é agora uma estatística cor-de-rosa sem credibilidade.

4. Neste ano de todos os perigos viu-se bem que o governo tem quatro políticos excepcionais: José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Teixeira dos Santos e Vieira da Silva. É graças a eles que o PS resiste nas sondagens.



5. Uma imagem especular só existe quando há algo à frente do espelho. 

Num espelho não há uma imagem. Num espelho acontece uma imagem.

Até 18 de Janeiro, na ACERT, em Tondela, há uma exposição de fotografias (e espelhos) de Alberto Plácido

Se for lá, e entrar no poliedro que está no meio da galeria, nunca mais esquece a experiência…

domingo, 4 de março de 2018

"A política educativa da geringonça falhou" — diagnostica o JB*

* Texto enviado pelo JB, por e-mail, para este blogue

No dia 24.02.2018, o Expresso online, noticiava que “O Governo admite conceder ainda este ano um empréstimo adicional ao Fundo de Resolução para intervir no Novo Banco.”

Este é um dos assuntos que puxa pela minha linguagem mais vernácula e a minha aversão aos decisores políticos. No entanto, vou-me coibir por decência e respeito, pelo autor deste blog, de o manifestar. BPN, Novo Banco, BES…., já é passado, pois hoje, os finórios “gestores”, os “patriotas” empresários dos interesses, os praticantes do clientelismo e do tráfico de influências esfregam as mãos com o (previsível) acordo Costa/Rio sobre fundos comunitários e descentralização. 

Rio e Costa parecem ter inaugurado uma nova época de compromissos que prenuncia recuperar as "reformas estruturais" do bloco central dos interesses.

Curioso como a memória do PS é curta quando as políticas violentas do governo Passos Tecnoforma Coelho, e do outro facho que o acompanhava, entregaram as principais empresas públicas aos privados (recordo apenas e só o caso degradante dos CTT), quase esmagaram o Estado Social português, cortaram os rendimentos dos trabalhadores e dos reformados e deram todo o poder nas leis laborais ao patronato.

O que o governo PS/PCP/BE nos trouxe foi uma nova redistribuição da austeridade; a criação de um clima de uma certa paz social e otimismo; interromper a destruição do tecido produtivo e inverter timidamente a perda de rendimentos da maior parte da população. Nunca o PS objectivou uma rutura real com as políticas autoritárias decorrentes das imposições da União Europeia e o repensar da criação de uma nova orientação económica que retire Portugal de uma divisão internacional do trabalho que nos coloca como uma espécie de oásis turístico sem produção própria nem aposta em setores tecnologicamente avançados, com mão-de-obra qualificada e bons salários.

Todas as políticas feitas pelo governo PS não alteraram a redistribuição do poder em Portugal - o capital financeiro continua a dominar, até de uma forma crescente, as economias, as políticas e o poder.

E o PCP e o BE têm-se mostrado incapazes de dinamizar uma frente política e social que permitisse colocar na ordem do dia uma ruptura real com as políticas de austeridade, mas sobretudo a criação de uma correlação de forças que forçasse o governo a atuar em áreas nucleares dos direitos de cidadania: legislação do trabalho que combata a precariedade e proteja quem produz; revitalização da educação pública e do Serviço Nacional de Saúde, fazer qualquer coisa de esquerda, porra!

Neste contexto, constatamos que está agendada uma greve de professores para dia 15 de Março. Mas, o que querem agora os sacanas dos Professores?

No tempo do Pedro Tecnoforma Coelho, e do facho que o acompanhava, não havia “condições políticas” para promover alterações favoráveis na educação. Hoje, com o PS no governo e com o apoio parlamentar do PCP e do BE quais são as condições políticas que faltam para que haja alterações na educação?

Quando se aproxima o fim da legislatura, o que mudou na educação: o estatuto do aluno, no sentido de agilizar, desburocratizar e reforçar a autoridade do professor? O execrável horário ao minuto e o regresso ao horário por tempos, para professores? O sistema de eleição do director? Os professores passaram a ter a maioria no Conselho de Escolas? Foi apresentado e discutido um novo modelo de avaliação de professores? Mudou a gestão das cantinas escolares?..... A tudo, um ZERO!

A greve é a arma do povo e eu apoio sempre o povo! No entanto, há perguntas incómodas: após a greve de Novembro quantos cêntimos colocou o governo no orçamento 2018 para contemplar a progressão na carreira dos professores? Zero!

O que fracassou para que PC e BE não consigam pressionar o PS?

A política educativa da geringonça falhou, mas ganhou o ministro Tiago que conseguiu manter o sector quieto, estático e inerte, durante quatro anos. Bem merece uma prateleira dourada num sucedâneo da UNESCO juntamente com uma prática sindical que não ambiciona ganhar, apenas empatar…

Vocês são um restolho!

E termino com a “expressão favorita”, do léxico político pós-glorioso 25, – “Estou de consciência tranquila”.


PS: Quanto ao “descentralizar”, “regionalizar”, “municipalizar” a educação, estamos conversados. O Bloco Central autárquico, desde o CDS ao BE está de acordo, venha o guito!
JB

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ideias



Eu não sei de quem foi a ideia [do negócio da Santa Casa / Montepio] mas tenho pena de que não tenha sido minha, porque é boa.”
António Costa, 9.1.2018

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Um aplauso*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Não tem sido fácil perceber o que se está a passar com a entrada da santa casa da misericórdia de Lisboa no Montepio. Pedro Santana Lopes, em vez de explicar ao país o que se estava a passar, fechou-se em copas.

Só agora quando deixou a santa casa e se meteu na guerra do PSD é que o “menino guerreiro” informou o país que: (i) foi pressionado pelo Banco de Portugal e pelo governo, (ii) não bateu logo o pé, apesar de achar a operação desastrosa, (iii) empaliou a coisa, (iv) delegou o assunto no seu número dois, um boy socialista, (v) guardou-se para dizer um “não” no fim, mas esse “não” acabou por nunca acontecer.

Sem surpresa, Pedro Santana Lopes foi uma nulidade mais uma vez. Resta esperar que o poderoso Marcelo não deixe o boy socialista que ficou a tomar conta da santa casa enterrar 200 milhões de euros dos pobres nesta aventura.



2. O “Viseu Cultura”, o novo programa de apoio à actividade cultural da câmara de Viseu, diz querer “gerar um mercado” e “sustentabilidade” na oferta cultural no concelho.

É um objectivo sensato já que a multiplicação de eventos borliantes em Viseu está a criar rotinas nas pessoas que não são sustentáveis. Basta fazer notar que o futuro Viseu Arena, para ser viável, vai precisar de público que não estranhe ter de pagar por um espectáculo.

Jorge Sobrado, o vereador da cultura, merece aplauso. Este novo regulamento aperfeiçoa muito o anterior. Equilibra os vários envelopes financeiros, institui apoios bienais, e inova com o apoio à criação artística não integrada em eventos. Aleluia!

Para além disso, ainda compõe uma aberração do regulamento anterior que estragava dinheiro público ao dar uma percentagem maior de comparticipação municipal aos projectos maiores, o que convidava, como escrevi aqui na altura, à salgação dos orçamentos.

Merece também aplauso já ter havido a divulgação dos nomes dos membros do júri. Houve transparência e convites a gente com currículo e capaz de um bom trabalho.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Fazimentos*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Os produtos financeiros são cada vez mais complexos e até os profissionais têm dificuldades em perceber alguns. As coisas complicam-se quando um cidadão comum é confrontado com um molho de páginas impresso em letra pequenina, cheio de jargão técnico, escrito numa língua de trapo inacessível.

Um estudo feito em 2015 por um grupo especializado em serviços financeiros e supervisionado por um professor da Universidade de Cambridge apurou que nove milhões de súbditos de sua majestade sofrem de fobia financeira. Isto é, um em cada cinco britânicos tem “sensações de ansiedade, culpa, tédio, ou descontrolo para cuidar do seu próprio dinheiro”.

Não achei nenhum estudo sobre a fobia financeira dos portugueses, mas o que aconteceu aos lesados do BES e do BANIF só deve ter aumentado o problema.

Os trabalhadores precários e os desempregados, como explica Guy Standing no seu livro “O precariado, a nova classe perigosa”, estão ainda mais desprotegidos. O seu acesso a aconselhamento financeiro é limitado, estão mais expostos a financiamentos abutres e os bancos carregam nas comissões das contas mais modestas. Esta dificuldade em “tomar decisões racionais” com o dinheiro é, também ela, um factor de desigualdade. E, para estas pessoas, uma boa ou uma má decisão pode significar “a diferença entre o conforto modesto e a miséria”.

Esta semana o PS anunciou legislação para impor transparência e travar vendas agressivas de produtos financeiros e depósitos complexos. Ontem já era tarde.


2. No concelho de Viseu, a candidatura “Fazer por Viseu” (PS) propõe-se ficar com 2,5% do nosso IRS. Já a candidatura “Viseu faz bem” (PSD), no poder, tem ficado com 4%.

Havia um anúncio de um laxante que passava nas televisões a toda a hora, até durante as refeições, que acabava em crescendo com um “E faz você muito bem!” É um slogan apropriado para os cartazes destes “fazedores” com tão pouco respeito pelo nosso dinheiro.
Fotografia Olho de Gato


sexta-feira, 24 de março de 2017

O homem do escadote*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


No domingo passado, pelas quinze horas, um homem subiu a um escadote...

Fotografia Olho de Gato
... e compôs os painéis azuis e brancos da agência da Caixa Geral de Depósitos, sita na intersecção entre a Rua do Comércio e a Rua Formosa, da formosa cidade de Viseu.

O homem cumpriu com brio e profissionalismo a encomenda do dr. Paulo Macedo, esse mau-carácter que, durante o passismo, tentou destruir o serviço nacional de saúde (fazendo fé nos avisos da esquerda, brinco do dr. Galamba incluído), perdão!, a encomenda do dr. Paulo Macedo, esse messias que agora, durante o costismo, vai salvar a CGD (fazendo fé na mesmíssima esquerda, brinco do dr. Galamba incluído).

Encomenda urgente aquela, não há tempo a perder, é necessário esticar as telas retro-iluminadas da CGD, perdeu-se um ano com aquele Domingues, um calaceiro que só serviu para derreter tempo com éssiémiésses para o ministro Centeno, para regozijo do dr. Lobo Xavier, esse direitolas, e para escândalo do competente dr. Jorge Coelho (produtor de bom queijo e bom requeijão junto à ermida de Santo António dos Cabaços, em Mangualde) e do flexível dr. Pacheco Pereira (guru do autoritarismo do dr. Cavaco, guru uns anos depois da asfixia democrática da dra. Manuela, guru agora da geringonça do dr. Costa, e guru no futuro do músculo populista do dr. Rio).

Pena é já não ser possível ao homem do escadote tratar das telas azuis da caixa na sua agência La Seda (de onde se impariram 476 milhões de euros), ...



... nem na agência Efacec (de onde se escafederam 303 milhões), ou na agência Vale do Lobo (de onde se desvararam 283 milhões), ou na agência Espírito Santo (de onde se salgadaram 237 milhões), para não falar da agência Lena (de onde se offchoraram 225 milhões) ou da agência Berardo, ou...

Pena é o homem do escadote ter andado, no último domingo deste inverno do nosso descontentamento, a esticar as telas de um dos 180 balcões da CGD que já não vão fazer outro inverno.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Oxalá*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



1. Em 19 de Agosto de 2003, faz hoje exactamente 13 anos, um camião-bomba destruiu o quartel-general das Nações Unidas em Bagdade, causando vinte e três mortos, entre eles o chefe da missão de paz, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Dez dias depois, segundo golpe no triunfalismo do sr. George W. Bush: um carro-bomba atingiu a mesquita do aiatola Mohammed Bakir al-Haqim, líder espiritual xiita e defensor de um Iraque democrático. Morreu o clérigo e mais 124 fiéis.

Ninguém no ocidente percebeu o que se estava a passar. Estes dois ataques suicidas foram atribuídos a gente leal a Saddam Hussein que, nesta altura, já estava confinado a um buraco.

O ocidente não percebeu, mas, como explica Loretta Napoleoni, no seu livro “A Fénix Isâmica, O Estado Islâmico e a Reconfiguração do Médio Oriente”, o movimento jiadista percebeu o recado: havia dois alvos a flagelar — o ocidente e os xiitas. Abu al-Zarqawi era o autor desta estratégia que desagradava a Osama bin Laden cuja mãe era xiita.

O carro-bomba de 29 de Agosto, por curiosidade, foi guiado por Yassim Jarrad, pai da segunda mulher de al-Zarqawi. Nos dois anos seguintes, o líder jiadista foi aumentando a sua capacidade militar e, em 2006, já ocupava largo território em volta de Bagdade, obrigando a uma mobilização de 130 mil tropas norte-americanas para a reconquista do “chamado «triângulo da morte» a sul da capital”. Em 8 de Junho de 2006, al-Zarqawi foi abatido pelos americanos que tinham a sua cabeça com um prémio igual à de Osama: 25 milhões de dólares.

O líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, tem procurado continuar a “obra” de al-Zarkawi. Aproveitou o caos no Iraque e na Síria para dar território à jiade sunita. O seu “califado” parece estar a encolher agora. Oxalá.

2. No segundo trimestre, a CGD perdeu 1,4 mil milhões de euros de depósitos. 


A secar
Fotografia Olho de Gato

É o que dá a conversa mal parida sobre imparidades e buracos no banco público e meses atrás de meses sem nenhuma decisão.