segunda-feira, 25 de junho de 2018

Lamento de Calipso

Fotografia de Erika Lanpher


Primeiro foi o bule,
de seguida foi a asa.
Que mais irás quebrar.

Não sei o que fazer com o teu sim,
o teu não, o teu
passa-me o açúcar.

A distância dos teus olhos, não a sei
abreviar, o latido dos teus sonhos
não me deixa adormecer.

Gostava de te amar um pouco menos,
de voltar ao meu rebanho
de feridas e sopores,

regressar ao rijo barro dos domingos
em que não te conhecia,
ao supor de suas tardes,

quando ainda não sabia
da dureza do cimento
nem dos modos de quebrar e ser quebrado.
José Miguel Silva


1 comentário:

  1. Bom dia e boa semana.

    Da Séria - “No tempo em que” havia músicos a fazer intervenção política.
    Hoje: Creedence Clearwater Revival – “Fortunate Son”

    Nos anos 70/80, quantas vezes ouvimos a música “Fortunate Son”? Muitas!!
    A canção "Fortunate Son" foi escrita por John C Fogerty (Creedence Clearwater Revival) e publicada em 1969.
    A letra fala dos soldados que estavam a ser enviados para o Vietname, os filhos dos pobres e nunca os “fortunate son” – os filhos dos ricos. Os que evitavam o recrutamento eram jovens que frequentavam a faculdade, o que muitas vezes significava homens ricos e brancos. Além disso, filhos de pessoas com alto poder político e que conseguiam evitar o recrutamento/a incorporação.

    Críticas aos políticos que só nascem para agitar a bandeirinha (“Some folks are born made to wave the flag”), mas nada de “pegar em armas”; critica a máquina fiscal que só conhece os impostos para os trabalhadores, critica ao exército ávido de soldados.

    Esta canção é contra a guerra do Vietname, mas não contra os soldados que combatiam. Apoia os soldados, pois a maioria dos soldados vinha da classe trabalhadora e estava lá porque não tinham “contactos no poder” que pudessem tirá-los. A canção é cantada a partir da perspectiva de um desses homens, que luta porque ele não é um "filho do senador".

    "A música fala mais da injustiça da classe do que da própria guerra", disse John Fogerty. "É o velho ditado sobre homens ricos que fazem as guerras e os homens pobres que têm que lutar por eles."

    “Some folks are born silver spoon in hand” ou como diríamos em bom português: ”há gajos que nascem de cú virado para a Lua!”

    Creedence Clearwater Revival – “Fortunate Son”
    https://youtu.be/40JmEj0_aVM

    Some folks are born made to wave the flag
    Ooh, they're red, white and blue
    And when the band plays "Hail to the chief"
    Ooh, they point the cannon at you, Lord
    It ain't me, it ain't me, I ain't no senator's son, son
    It ain't me, it ain't me, I ain't no fortunate one, no

    Some folks are born silver spoon in hand
    Lord, don't they help themselves, oh
    But when the taxman comes to the door
    Lord, the house looks like a rummage sale, yes

    It ain't me, it ain't me, I ain't no millionaire's son, no
    It ain't me, it ain't me, I ain't no fortunate one, no

    Some folks inherit star spangled eyes
    Ooh, they send you down to war, Lord
    And when you ask them, "How much should we give?"
    Ooh, they only answer "More! More! More!" yoh

    It ain't me, it ain't me, I ain't no military son, son
    It ain't me, it ain't me, I ain't no fortunate one, one

    It ain't me, it ain't me, I ain't no fortunate one, no no no
    It ain't me, it ain't me, I ain't no fortunate son, no no no

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