* Hoje no Jornal do Centro
1. O PCP e o Bloco fizeram-se de mortos durante a recente greve dos motoristas de matérias perigosas. Até mesmo depois de serem conhecidos os horários desumanos que são impostos àqueles trabalhadores.
Esta inacção perante esta luta não deve surpreender ninguém. As esquerdas, nas democracias liberais do ocidente, ainda vão entregando alguns resultados aos trabalhadores do sector público, mas já não fazem nada que se veja pelos jovens à procura do primeiro emprego, pelos precários, pelos trabalhadores do sector privado.
Durante a greve, publiquei nas redes sociais uma reflexão sobre este problema estrutural. Partilho-a também aqui no ponto seguinte.
2. O Bloco de Esquerda já se sabia que é para defender as causas identitárias da classe média urbana, cosmopolita e que trabalha no Estado.
O PCP é que era suposto defender quem recebe 630 euros de salário-base e que, para levar 1200 euros para casa, tem que trabalhar 60/65 horas, quase o dobro do horário da função pública.
Julgava-se que o Bloco, inchado de identitarismos, era pela equidade, e o PCP, orgulhoso da sua tradição operária, era pela igualdade.
Como descreveu Guy Standing, em “O Precariado - A Nova Classe Perigosa”, “uma característica da perda de dinamismo da agenda social-democrata (...) foi que a ênfase colocada na igualdade se deslocou para a equidade social. A redução da discriminação e das diferenças salariais com base no género tornaram-se objectivos prioritários, enquanto a redução das desigualdades estruturais foi remetida para segundo plano.”
Em suma, já se sabia que o Bloco de Esquerda é uma espécie de PS fashion, mas ainda se julgava que o PCP era o partido dos que sofrem, dos colarinhos azuis, dos descamisados.
Esta greve dos motoristas de matérias perigosas veio mostrar que afinal já nem o PCP serve para defender os trabalhadores do sector privado, os mais explorados deste país.
Estes, quando surgirem populismos à direita, vão votar neles. Vai ser feio de ver.
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sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Equidade e desigualdade*
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
Pode alguém ser quem não é? — pergunta JB*
* Comentário de JB em "Bom 2018!"
Bom dia, semana e ano.
Da série — “No tempo em que” havia músicos a fazer intervenção política.
Hoje: Sérgio Godinho e uma eterna questão….
Horas breves de meu contentamento.
Este disco entrou em casa pela mão do meu irmão P. e nunca mais deixou de rodar, fosse em gira disco mono ou stereo. Todos tínhamos uma atenção (devoção?) por este disco. As palavras, os sons, a mensagem, tudo foi novidade.
Neste LP, muitas letras me marcaram mas esta foi uma interrogação crucial para um jovem de 17 anos: “Pode alguém ser livre / se outro alguém não é / a corda dum outro / serve-me no pé / nos dois punhos, nas mãos / no pescoço, diz-me: / Pode alguém ser quem não é?”, e que continuou a marcar o meu percurso.
Olhando para o presente, considero que esta legislatura, no âmago, tem sido um NIM! Um Grande e Enganador NIM!
Ao acaso, e sem vasculhar muito no baú das memórias, uma discussão que fez os parceiros de geringonça “perder as estribeiras”, na época do (des)governo Passos “Tecnoforma” Coelho e do outro reacionário que o acompanhava, foi a nova lei das Fundações. O que disseram, o que escreveram… e agora? Agora não é prioritário, camarada…. Pois!
E como conseguem ter a desfaçatez de congeminar uma bomba ao retardador que vai ser a entrada da Santa Casa Misericórdia de Lisboa no Montepio?
Apenas dois exemplos do que continuam a ser interrogações sem resposta.
Assim, num ano decisivo, para o governo e para os partidos que o apoiam, deixo a pergunta aos senhores da coligação: decididamente quando vão começar a “dizer alguma coisa de esquerda”?
Ó Costa, Jerónimo e Catarina - “Pode Alguém Ser Quem Não É?”
Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
É que o meu homem partiu
Disse-me na praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Seja um bom agoiro
ou seja um bom presságio
sonhei com o choro
de alguém num naufrágio
não tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão
"Por cá me governo"
escreveu-me então
"aqui é quase Inverno
aí quase Verão
mês d´Abril, águas mil
no Brasil também tem
noites de S. João e mar".
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Mar a vir à praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"
Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a corda dum outro
serve-me no pé
nos dois punhos, nas mãos
no pescoço, diz-me:
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Bom dia, semana e ano.
Da série — “No tempo em que” havia músicos a fazer intervenção política.
Hoje: Sérgio Godinho e uma eterna questão….
Horas breves de meu contentamento.
Este disco entrou em casa pela mão do meu irmão P. e nunca mais deixou de rodar, fosse em gira disco mono ou stereo. Todos tínhamos uma atenção (devoção?) por este disco. As palavras, os sons, a mensagem, tudo foi novidade.
Neste LP, muitas letras me marcaram mas esta foi uma interrogação crucial para um jovem de 17 anos: “Pode alguém ser livre / se outro alguém não é / a corda dum outro / serve-me no pé / nos dois punhos, nas mãos / no pescoço, diz-me: / Pode alguém ser quem não é?”, e que continuou a marcar o meu percurso.
Olhando para o presente, considero que esta legislatura, no âmago, tem sido um NIM! Um Grande e Enganador NIM!
Ao acaso, e sem vasculhar muito no baú das memórias, uma discussão que fez os parceiros de geringonça “perder as estribeiras”, na época do (des)governo Passos “Tecnoforma” Coelho e do outro reacionário que o acompanhava, foi a nova lei das Fundações. O que disseram, o que escreveram… e agora? Agora não é prioritário, camarada…. Pois!
E como conseguem ter a desfaçatez de congeminar uma bomba ao retardador que vai ser a entrada da Santa Casa Misericórdia de Lisboa no Montepio?
Apenas dois exemplos do que continuam a ser interrogações sem resposta.
Assim, num ano decisivo, para o governo e para os partidos que o apoiam, deixo a pergunta aos senhores da coligação: decididamente quando vão começar a “dizer alguma coisa de esquerda”?
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| Daqui |
Ó Costa, Jerónimo e Catarina - “Pode Alguém Ser Quem Não É?”
Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
É que o meu homem partiu
Disse-me na praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Seja um bom agoiro
ou seja um bom presságio
sonhei com o choro
de alguém num naufrágio
não tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão
"Por cá me governo"
escreveu-me então
"aqui é quase Inverno
aí quase Verão
mês d´Abril, águas mil
no Brasil também tem
noites de S. João e mar".
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Mar a vir à praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"
Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a corda dum outro
serve-me no pé
nos dois punhos, nas mãos
no pescoço, diz-me:
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
domingo, 30 de julho de 2017
O senhor Maduro e o "professor" Boaventura
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| Fotografia Olho de Gato |
1.
Senhor Nicolás Maduro, a eleição da Assembleia Constituinte que promove hoje é uma palhaçada anti-democrática e mais um passo a caminho do abismo.
2.
"Professor" Boaventura Sousa Santos, o sr. é professor exactamente de quê?*
"Professor" Boaventura Sousa Santos, o sr. ainda defende o regime autoritário que levou a Venezuela à hiperinflação e que bate e prende eleitos?
"Professor" Boaventura Sousa Santos, o sr. ainda defende o regime que derreteu, durante os anos que leva de poder, US$ 2 000 000 000 000 de proventos petrolíferos (o equivalente a 30 bancarrotas socráticas) e tem o povo com fome?
* Créditos a Joaquim Vieira
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Vetocracia*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Mário Soares não gostava nada que o chamassem “pai da democracia” e, quando tal ouvia, respondia com a velha tirada de Vasco Santana: “vai chamar pai a outro!”
A verdade é que a nossa democracia, mesmo não sendo irmã de Isabel e João Soares, deve ao pai deles duas coisas inestimáveis: a liberdade e a “Europa”.
Ambas a precisarem de um novo Mário Soares que as defenda. A liberdade é posta em causa todos os dias por um estado pan-óptico que quer saber tudo da nossa vida e que mantém uma justiça disfuncional e um fisco fascista. Já a “Europa” está a ser atacada duramente pelos populismos patrioteiros, entre nós por enquanto mais de esquerda do que de direita.
O último trabalho político que fiz foi na campanha de Mário Soares, nas presidenciais de 2006. Relembro o que escrevi aqui na altura em resposta aos estupores que tanto se alegraram com aquela amarga derrota do velho leão: “só há três nomes que vão ficar na história da república portuguesa: Afonso Costa, Oliveira Salazar e Mário Soares.”
2. Conforme notou Francis Fukuyama, o sistema político dos Estados Unidos da América evoluiu para uma vetocracia: os vários contra-pesos constitucionais “metastizaram-se” e bloqueiam o governo.
Esta “paralisia” de Washington, durante os oito anos de Obama, foi-se tornando cada vez mais evidente. Dois exemplos: apesar de todos os esforços de Barack, o offshore judicial de Guantánamo continua operacional e a venda de armas continua na mesma.
Agora, com Trump, é de esperar que o Congresso e o Senado continuem a fazer valer a sua força vetocrática. A vitória do milionário foi humilhante para os hierarcas do partido republicano. É expectável que estes, agora, não facilitem a vida ao novo inquilino da Casa Branca.
3. Aos 22 anos, Nuno Bico acaba de entrar na Movistar, a melhor equipa ciclista do mundo. Além de atleta de eleição, o jovem viseense, na excelente entrevista que deu a este jornal, mostrou ter uma cabeça bem arrumada.
1. Mário Soares não gostava nada que o chamassem “pai da democracia” e, quando tal ouvia, respondia com a velha tirada de Vasco Santana: “vai chamar pai a outro!”
A verdade é que a nossa democracia, mesmo não sendo irmã de Isabel e João Soares, deve ao pai deles duas coisas inestimáveis: a liberdade e a “Europa”.
Ambas a precisarem de um novo Mário Soares que as defenda. A liberdade é posta em causa todos os dias por um estado pan-óptico que quer saber tudo da nossa vida e que mantém uma justiça disfuncional e um fisco fascista. Já a “Europa” está a ser atacada duramente pelos populismos patrioteiros, entre nós por enquanto mais de esquerda do que de direita.
O último trabalho político que fiz foi na campanha de Mário Soares, nas presidenciais de 2006. Relembro o que escrevi aqui na altura em resposta aos estupores que tanto se alegraram com aquela amarga derrota do velho leão: “só há três nomes que vão ficar na história da república portuguesa: Afonso Costa, Oliveira Salazar e Mário Soares.”
2. Conforme notou Francis Fukuyama, o sistema político dos Estados Unidos da América evoluiu para uma vetocracia: os vários contra-pesos constitucionais “metastizaram-se” e bloqueiam o governo.
Esta “paralisia” de Washington, durante os oito anos de Obama, foi-se tornando cada vez mais evidente. Dois exemplos: apesar de todos os esforços de Barack, o offshore judicial de Guantánamo continua operacional e a venda de armas continua na mesma.
Agora, com Trump, é de esperar que o Congresso e o Senado continuem a fazer valer a sua força vetocrática. A vitória do milionário foi humilhante para os hierarcas do partido republicano. É expectável que estes, agora, não facilitem a vida ao novo inquilino da Casa Branca.
3. Aos 22 anos, Nuno Bico acaba de entrar na Movistar, a melhor equipa ciclista do mundo. Além de atleta de eleição, o jovem viseense, na excelente entrevista que deu a este jornal, mostrou ter uma cabeça bem arrumada.
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| Força, Nuno Bico! |
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
A Hipocrisia é repugnante* — um texto de JB
A Hipocrisia é repugnante.
A Hipocrisia é repugnante. A Hipocrisia na política é um vómito.
Manter o “estratagema do extraordinário (e a norma travão com retoques) na vinculação dos contratados aos quais se exigem 20 (VINTE!) anos se serviço, continuando as condições a ser mais do que discutíveis. A proposta do MEC para os concursos de 2017 já anda por aí (proposta-mec-concursos-2017) e a portaria anunciada tem alguma porcaria pelo meio, como aumentar o número de 6 para 8 horas para um docente não ficar em horário-zero.” — Paulo Guinote.
Palavras acertadas. Mudam as pessoas mas a linha condutora, o fio ideológico, o traço de atacar o professores é comum.
Um governo de “esquerda” ter a ousadia de apresentar um aumento para 8 horas para um docente não ficar em horário-zero? Inimaginável!
Um governo de “esquerda” amaciar a norma travão? Inimaginável!
Um governo de “esquerda” manter o execrável horário ao minuto? Inimaginável!
Um governo de “esquerda” não mexer na gestão, carreiras e… ...
In dreams… “Go to sleep, everything is alright”, já cantava o Roy Orbison.
Honestamente a frase de Don Fabrizio, príncipe de Salina – “É preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma”, no romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa – “O Leopardo”, tem sido muito ajustada para caracterizar o sistema educativo, na última década.
Os professores não mereciam continuar a receber humilhações, disparates e parvoíces. É triste, redutor e cansativo. E pouco sério.
Não mereciam!
A Hipocrisia é repugnante. A Hipocrisia na política é um vómito.
Manter o “estratagema do extraordinário (e a norma travão com retoques) na vinculação dos contratados aos quais se exigem 20 (VINTE!) anos se serviço, continuando as condições a ser mais do que discutíveis. A proposta do MEC para os concursos de 2017 já anda por aí (proposta-mec-concursos-2017) e a portaria anunciada tem alguma porcaria pelo meio, como aumentar o número de 6 para 8 horas para um docente não ficar em horário-zero.” — Paulo Guinote.
Palavras acertadas. Mudam as pessoas mas a linha condutora, o fio ideológico, o traço de atacar o professores é comum.
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| Editado a partir daqui |
Um governo de “esquerda” amaciar a norma travão? Inimaginável!
Um governo de “esquerda” manter o execrável horário ao minuto? Inimaginável!
Um governo de “esquerda” não mexer na gestão, carreiras e… ...
In dreams… “Go to sleep, everything is alright”, já cantava o Roy Orbison.
Honestamente a frase de Don Fabrizio, príncipe de Salina – “É preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma”, no romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa – “O Leopardo”, tem sido muito ajustada para caracterizar o sistema educativo, na última década.
Os professores não mereciam continuar a receber humilhações, disparates e parvoíces. É triste, redutor e cansativo. E pouco sério.
Não mereciam!
JB
domingo, 29 de maio de 2016
Seis meses — por JB*
* Comentário de JB a "Dias felizes", crónica publicada anteontem no Jornal do Centro
Há seis meses a dar cabo da narrativa dos direitolas, dá um certo gozo!
Nem com tudo se concordou? Óbvio!
Um ou dois exemplos negativos: o fim dos exames – uma má mensagem profissional aos professores e uma péssima mensagem cívica aos alunos; a bancada parlamentar do PCP uniu-se às do PSD e CDS no hemiciclo e chumbou o projeto de lei do Bloco de Esquerda contra o uso do herbicida cancerígeno glifosato. No parlamento europeu, PSD E CDS votaram pela limitação do uso do glifosato em áreas urbanas. No parlamento português, votaram contra. A Monsanto agradece-lhes! Nunca esquecer que o pesticida RoundUp, baseado no glifosato, rende anualmente 5 mil milhões de euros à Monsanto!! Nos EUA, cantores como Neil Young têm feito um trabalho de combate e denúncia à Monsanto e ao seu papel destruidor de pequenos agricultores e do meio ambiente.
Mas também capazes do melhor: o final da "fronteira da hipocrisia" coma aprovação da lei da procriação medicamente assistida para todas as mulheres, sem discriminações, independentemente do seu estado civil, da sua orientação sexual, todas, todas as mulheres. Votos favoráveis do PS/PCP/BE/PEV/PAN/alguns deputados e deputadas do PSD.
Mas foram 6 meses a desmontar o discurso do Sr. do pin e da Srª. “digna sucessora” do submarino amarelo; uns insignes rrepresentantes da ideologia mais perigosa (porque aparenta que não é ideologia), a do chamado "senso comum". A ideologia das trivialidades e dos lugares comuns: “É preciso sair da zona de conforto e trazer o debate da mesa do café para fóruns mais alargados, sem clubismos nem crachás na lapela”.
Uma comissão europeia “mortinha” por nos arrasar (e com “ditos socialistas” à cabeça); um falso problema com os colégios (que tanto gostariam que houvesse uma Procuradoria privada com contrato de associação…); uma parceria Assis/JSD que se revelou com semelhantes capacidades intelectuais e um Marcelo a necessitar de fazer uma viagem a um país distante para ver se reencontra o Presidente…, e tantas outras coisas.
Mas, as ideologias não morreram; a luta de classes não passou de moda; não estamos no mesmo lado da barricada; não temos a mesma visão e projecto para o país!
Pois como dizia o meu professor de Matemática, Joaquim Namorado: “Sou de Alter do Chão, terra de criadores de cavalos; o que é um privilégio, num país de burros”.
Que venham mais 6 meses, porra!
"Chamar-te a ti, Lisboa, camarada..." - O que eu gosto deste poema de Joaquim Pessoa na voz de Carlos Mendes.
Ora onde é q eu tenho o vinil?!
Há seis meses a dar cabo da narrativa dos direitolas, dá um certo gozo!
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| Daqui |
Um ou dois exemplos negativos: o fim dos exames – uma má mensagem profissional aos professores e uma péssima mensagem cívica aos alunos; a bancada parlamentar do PCP uniu-se às do PSD e CDS no hemiciclo e chumbou o projeto de lei do Bloco de Esquerda contra o uso do herbicida cancerígeno glifosato. No parlamento europeu, PSD E CDS votaram pela limitação do uso do glifosato em áreas urbanas. No parlamento português, votaram contra. A Monsanto agradece-lhes! Nunca esquecer que o pesticida RoundUp, baseado no glifosato, rende anualmente 5 mil milhões de euros à Monsanto!! Nos EUA, cantores como Neil Young têm feito um trabalho de combate e denúncia à Monsanto e ao seu papel destruidor de pequenos agricultores e do meio ambiente.
Mas também capazes do melhor: o final da "fronteira da hipocrisia" coma aprovação da lei da procriação medicamente assistida para todas as mulheres, sem discriminações, independentemente do seu estado civil, da sua orientação sexual, todas, todas as mulheres. Votos favoráveis do PS/PCP/BE/PEV/PAN/alguns deputados e deputadas do PSD.
Mas foram 6 meses a desmontar o discurso do Sr. do pin e da Srª. “digna sucessora” do submarino amarelo; uns insignes rrepresentantes da ideologia mais perigosa (porque aparenta que não é ideologia), a do chamado "senso comum". A ideologia das trivialidades e dos lugares comuns: “É preciso sair da zona de conforto e trazer o debate da mesa do café para fóruns mais alargados, sem clubismos nem crachás na lapela”.
Uma comissão europeia “mortinha” por nos arrasar (e com “ditos socialistas” à cabeça); um falso problema com os colégios (que tanto gostariam que houvesse uma Procuradoria privada com contrato de associação…); uma parceria Assis/JSD que se revelou com semelhantes capacidades intelectuais e um Marcelo a necessitar de fazer uma viagem a um país distante para ver se reencontra o Presidente…, e tantas outras coisas.
Mas, as ideologias não morreram; a luta de classes não passou de moda; não estamos no mesmo lado da barricada; não temos a mesma visão e projecto para o país!
Pois como dizia o meu professor de Matemática, Joaquim Namorado: “Sou de Alter do Chão, terra de criadores de cavalos; o que é um privilégio, num país de burros”.
Que venham mais 6 meses, porra!
"Chamar-te a ti, Lisboa, camarada..." - O que eu gosto deste poema de Joaquim Pessoa na voz de Carlos Mendes.
Ora onde é q eu tenho o vinil?!
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Dias felizes*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Entre 4 de Fevereiro (dia da entrega do orçamento de estado) e 16 de Março (dia em que foi aprovado) passaram-se 41 dias felizes no parlamento. Como António Costa mostrou abertura a alterações naquele diploma, os deputados do PS, BE, PCP, PEV, PAN, até do pàfiano CDS, entraram na festa.
Foi uma festa vegan que reduziu o IVA ao tofu e à soja, o que levará à diminuição do perímetro abdominal dos portugueses e dará trabalho extra às costureiras na mingação das nossas calças, para que não caiam.
Nestes 41 dias de recreio, os deputados divertiram-se muito. A senhora dona Catarina Martins esganiçou-se a iluminar o país com “electricidade social” e Jerónimo de Sousa não lhe ficou atrás e borleou os livros do primeiro ano, os dos ricos e os dos pobres.
A verdade é que houve ideias boas: o apoio a desempregados de longa duração; e houve ideias mal pensadas: a decisão de borlas nos manuais escolares, com ou sem aplicação de condição de recursos, devia continuar a ser deixada aos municípios.
E houve ideias anedóticas: como a do desconto no IMI de vinte euros por filho. Como muito bem disse João Miranda, no blogue Blasfémias, se é para ajudar as famílias com uma verba fixa por filho, para quê ligar o complicómetro burocrático do IMI e não aumentar directamente o abono de família?
De qualquer forma, importa descansar o leitor: estas semanas de felicidade no parlamento não ficaram muito caras — deram um aumento de 158 milhões de euros na despesa e de 118,7 milhões na receita. Foram só 39,3 milhões de agravamento orçamental. Uma “ninharia” que serviu para dar algum aperto aos parafusos da geringonça.
2. Não se conhecem resultados escrutináveis das eleições internas do PS do último fim-de-semana.
Anunciam-se percentagens “norte-coreanas” à volta de 90% e mais nada. Não há números a nível concelhio, nem distrital, nem nacional. Esta opacidade é uma vergonha, sra. Adelaide Modesto**, sr. António Borges**, sr. António Costa.
----------------
** Já depois de fechada a edição do Jornal do Centro na quarta-feira, o PS-Viseu publicou os resultados eleitorais completos que podem e devem ser analisados aqui.
Vale mais tarde do que nunca.
1. Entre 4 de Fevereiro (dia da entrega do orçamento de estado) e 16 de Março (dia em que foi aprovado) passaram-se 41 dias felizes no parlamento. Como António Costa mostrou abertura a alterações naquele diploma, os deputados do PS, BE, PCP, PEV, PAN, até do pàfiano CDS, entraram na festa.
Foi uma festa vegan que reduziu o IVA ao tofu e à soja, o que levará à diminuição do perímetro abdominal dos portugueses e dará trabalho extra às costureiras na mingação das nossas calças, para que não caiam.
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| Fotografia daqui |
Nestes 41 dias de recreio, os deputados divertiram-se muito. A senhora dona Catarina Martins esganiçou-se a iluminar o país com “electricidade social” e Jerónimo de Sousa não lhe ficou atrás e borleou os livros do primeiro ano, os dos ricos e os dos pobres.
A verdade é que houve ideias boas: o apoio a desempregados de longa duração; e houve ideias mal pensadas: a decisão de borlas nos manuais escolares, com ou sem aplicação de condição de recursos, devia continuar a ser deixada aos municípios.
E houve ideias anedóticas: como a do desconto no IMI de vinte euros por filho. Como muito bem disse João Miranda, no blogue Blasfémias, se é para ajudar as famílias com uma verba fixa por filho, para quê ligar o complicómetro burocrático do IMI e não aumentar directamente o abono de família?
De qualquer forma, importa descansar o leitor: estas semanas de felicidade no parlamento não ficaram muito caras — deram um aumento de 158 milhões de euros na despesa e de 118,7 milhões na receita. Foram só 39,3 milhões de agravamento orçamental. Uma “ninharia” que serviu para dar algum aperto aos parafusos da geringonça.
2. Não se conhecem resultados escrutináveis das eleições internas do PS do último fim-de-semana.
Anunciam-se percentagens “norte-coreanas” à volta de 90% e mais nada. Não há números a nível concelhio, nem distrital, nem nacional. Esta opacidade é uma vergonha, sra. Adelaide Modesto**, sr. António Borges**, sr. António Costa.
----------------
** Já depois de fechada a edição do Jornal do Centro na quarta-feira, o PS-Viseu publicou os resultados eleitorais completos que podem e devem ser analisados aqui.
Vale mais tarde do que nunca.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Educação: duas constatações, duas irritações e dois olhares para o futuro
Sobre o assunto do momento, duas constatações:
— o ensino superior público é percepcionado como melhor do que o ensino superior privado, pelo que o primeiro tem mais procura do que o segundo;
— o ensino não superior público é percepcionado como pior do que o ensino não superior privado, pelo que o primeiro tem menos procura do que o segundo.
Sobre o assunto do momento, duas irritações:
— os professores do ensino público que põem os filhinhos nos colégios (esta irritação triplica quando os protagonistas são apoiantes da geringonça);
— os professores reformados do ensino público a darem aulas nos colégios privados (esta irritação triplica quando os protagonistas são apoiantes da geringonça).
Sobre o assunto do momento, dois olhares para o futuro:
— é evidente que o "ministro" da educação é uma desgraça, um incompetente, o caos que ele criou na avaliação externa dos alunos é razão para despedimento com justa causa;
— é evidente que o assunto do momento fez emergir a substituta natural do, infelizmente ainda, "ministro" da educação: Alexandra Leitão (secretária de estado adjunta e da educação).
— o ensino superior público é percepcionado como melhor do que o ensino superior privado, pelo que o primeiro tem mais procura do que o segundo;
— o ensino não superior público é percepcionado como pior do que o ensino não superior privado, pelo que o primeiro tem menos procura do que o segundo.
Sobre o assunto do momento, duas irritações:
— os professores do ensino público que põem os filhinhos nos colégios (esta irritação triplica quando os protagonistas são apoiantes da geringonça);
— os professores reformados do ensino público a darem aulas nos colégios privados (esta irritação triplica quando os protagonistas são apoiantes da geringonça).
Sobre o assunto do momento, dois olhares para o futuro:
— é evidente que o "ministro" da educação é uma desgraça, um incompetente, o caos que ele criou na avaliação externa dos alunos é razão para despedimento com justa causa;
— é evidente que o assunto do momento fez emergir a substituta natural do, infelizmente ainda, "ministro" da educação: Alexandra Leitão (secretária de estado adjunta e da educação).
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| O "ministro" da educação e Alexandra Leitão, secretária de estado adjunta e da educação |
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
É já a 24?*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. A avaliação nas escolas mudou mais uma vez. Mudou sem nenhuma reflexão séria, apenas pelo palpite e preconceito ideológico do poder de turno. O costume.
Depois de Catarina Martins ter acabado com o “exame” do quarto ano, António Costa ainda garantiu no parlamento, em 16 de Dezembro, que as provas finais do 6º e 9º ano iam continuar. Só que o que o primeiro-ministro diz agora conta pouco. O PCP não podia ficar atrás do bloco e o PS acabou por ceder.
A meio do ano lectivo, as escolas e as famílias são confrontadas com novas regras, novos prazos. Sem quê nem para quê, é interrompida uma década e meia de recolha de informação sobre as aprendizagens no final do 1º e do 2º ciclo.
Ao mesmo tempo, o ministro decidiu parir uma ridícula “aferição” nos 2º, 5º e 8º anos, umas provas que os alunos vão fazer sabendo que não contam para nada.
Aliás, é importante que seja dito aos alunos que a aferição não conta para nada. Por ser verdade e para seguir a doutrina dos novos “donos-disto-tudo”: se não podíamos “traumatizar-para-toda-a-vida” as meninas e os meninos de dez anos do 4º ano, muito menos podemos traumatizar as meninas e os meninos de oito anos.
2. Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu dois objectivos estratégicos que lhe permitem sonhar com a vitória à primeira volta: não tem concorrência à direita e apresenta-se como o seguro de vida da “geringonça” de António Costa.
Marcelo soube apresentar-se como o “ajudador” número um do governo e mudou de pele: em vez do Marcelo buliçoso e hiper-cinético a que nos habituámos, temos agora um homem calmo e até, aqui e ali, com uma quietude que chega a ser chata. Este Marcelo do “novo tempo” respira, por todos os poros, a gravitas do poder.
Depois de ter abanado nos debates com Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, Marcelo reza agora para que apareçam sondagens a dar-lhe menos de 50%. É que ele precisa mobilizar o voto à direita que, de tão confiante, conta abster-se.
1. A avaliação nas escolas mudou mais uma vez. Mudou sem nenhuma reflexão séria, apenas pelo palpite e preconceito ideológico do poder de turno. O costume.
Depois de Catarina Martins ter acabado com o “exame” do quarto ano, António Costa ainda garantiu no parlamento, em 16 de Dezembro, que as provas finais do 6º e 9º ano iam continuar. Só que o que o primeiro-ministro diz agora conta pouco. O PCP não podia ficar atrás do bloco e o PS acabou por ceder.
A meio do ano lectivo, as escolas e as famílias são confrontadas com novas regras, novos prazos. Sem quê nem para quê, é interrompida uma década e meia de recolha de informação sobre as aprendizagens no final do 1º e do 2º ciclo.
Ao mesmo tempo, o ministro decidiu parir uma ridícula “aferição” nos 2º, 5º e 8º anos, umas provas que os alunos vão fazer sabendo que não contam para nada.
Aliás, é importante que seja dito aos alunos que a aferição não conta para nada. Por ser verdade e para seguir a doutrina dos novos “donos-disto-tudo”: se não podíamos “traumatizar-para-toda-a-vida” as meninas e os meninos de dez anos do 4º ano, muito menos podemos traumatizar as meninas e os meninos de oito anos.
2. Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu dois objectivos estratégicos que lhe permitem sonhar com a vitória à primeira volta: não tem concorrência à direita e apresenta-se como o seguro de vida da “geringonça” de António Costa.
Marcelo soube apresentar-se como o “ajudador” número um do governo e mudou de pele: em vez do Marcelo buliçoso e hiper-cinético a que nos habituámos, temos agora um homem calmo e até, aqui e ali, com uma quietude que chega a ser chata. Este Marcelo do “novo tempo” respira, por todos os poros, a gravitas do poder.
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| Fotografia daqui |
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
O ministro da educação, afinal, existe
Hoje, finalmente, o ministro da educação deu um ar de sua graça e anunciou um "grupo de trabalho" para se debruçar sobre as metas curriculares.
Será prudente que o ministro polvilhe o dito grupo de trabalho de bloquistas e comunistas. Se fizer isso tem duas vantagens: dá um osso àquelas duas clientelas e evita que a sociedade "Jerónimo & Martins" lhe afinfe no parlamento com outro facto consumado. É que bem basta o caso do fim dos exames do quarto ano, medida que não estava no programa do PS. Valha a verdade, os deputados socialistas estão por tudo e engoliram aquilo sem um ai sequer.
Para além do clássico "grupo de trabalho", Tiago Brandão Rodrigues anunciou ainda que esta semana vai haver um novo modelo de avaliação para o ensino básico e integrado.
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| Daqui |
A máquina legislífera do ministério da educação nunca pára: o último diploma sobre a avaliação que as escolas tiveram que estudar é de... 22 de Setembro de 2015, de há três meses e meio. É o Despacho Normativo n.º 17-A/2015, que, por sua vez, revogava o o despacho normativo n.º 13/2014, de 15 de Setembro, que, por sua vez, há-de ter revogado um despacho normativo qualquer coisa de 2013, se não foi um, ou dois, ou três, de 2014...
Pelo que se sabe, o ministro da educação é investigador de topo na área de oncologia. Dava jeito que Tiago Brandão Rodrigues fosse especialista também no funcionamento intestinal, a ver se resolvia de vez a diarreia legislativa do seu ministério.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Mais dinheiro para menos?*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Fomos a votos há exactamente dois meses. Nada mau. A Alemanha esteve 86 dias sem governo. Cá as coisas resolveram-se em 53. Na Alemanha formou-se uma grande coligação com apoio superior a 70% no Bundestag que mantém os fundamentais da política germânica. Entre nós, não há coligação formal, há três “papéis” em que as esquerdas concordam em aumentar a despesa do estado e diminuir a receita.
De qualquer forma Cavaco Silva fez o que tinha a fazer. Cumpriu uma convenção não escrita mas que importava respeitar. Primeiro indigitou o líder do partido mais votado e só depois dele caído é que indicou o líder do segundo partido. Assim deverá ser feito no futuro.
A pressa da esquerda — que até aquela convenção queria atropelar — criou, logo a seguir, um teste muito interessante à natureza do regime: os deputados extinguiram o exame do quarto ano invadindo as competências do ministro da educação.
Se o PR se conformar com esta entorse à separação de poderes, deixa que o parlamento aumente os seus poderes à custa do governo. É um passo em frente para o parlamentarismo. É a sra. dona Catarina a armar-se em dona-disto-tudo à custa do sr. Costa. É as reuniões às terças no parlamento entre os partidos de esquerda serem mais importantes do que os conselhos de ministros às quintas.
2. O “Viseu Terceiro”, o concurso da câmara de Viseu para apoio à cultura em 2016, está a correr melhor que o anterior.
A câmara fez bem em ter feito um concurso para projectos novos e outro para os já consolidados. Além disso, escolheu um bom júri e criou condições para decidir na altura certa: ainda este ano ou no princípio de 2016.
Há agora um problema muito agudo. Este concurso tem muito mais verbas este ano: meio milhão de euros. Uma pipa de massa. O problema é que, como as candidaturas mais bem classificadas têm orçamentos muito altos, há o risco de a mais dinheiro corresponder um menor número de candidaturas contempladas.
1. Fomos a votos há exactamente dois meses. Nada mau. A Alemanha esteve 86 dias sem governo. Cá as coisas resolveram-se em 53. Na Alemanha formou-se uma grande coligação com apoio superior a 70% no Bundestag que mantém os fundamentais da política germânica. Entre nós, não há coligação formal, há três “papéis” em que as esquerdas concordam em aumentar a despesa do estado e diminuir a receita.
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| Fotografia de Alberto Frias Editada a partir daqui |
A pressa da esquerda — que até aquela convenção queria atropelar — criou, logo a seguir, um teste muito interessante à natureza do regime: os deputados extinguiram o exame do quarto ano invadindo as competências do ministro da educação.
Se o PR se conformar com esta entorse à separação de poderes, deixa que o parlamento aumente os seus poderes à custa do governo. É um passo em frente para o parlamentarismo. É a sra. dona Catarina a armar-se em dona-disto-tudo à custa do sr. Costa. É as reuniões às terças no parlamento entre os partidos de esquerda serem mais importantes do que os conselhos de ministros às quintas.
2. O “Viseu Terceiro”, o concurso da câmara de Viseu para apoio à cultura em 2016, está a correr melhor que o anterior.
A câmara fez bem em ter feito um concurso para projectos novos e outro para os já consolidados. Além disso, escolheu um bom júri e criou condições para decidir na altura certa: ainda este ano ou no princípio de 2016.
Há agora um problema muito agudo. Este concurso tem muito mais verbas este ano: meio milhão de euros. Uma pipa de massa. O problema é que, como as candidaturas mais bem classificadas têm orçamentos muito altos, há o risco de a mais dinheiro corresponder um menor número de candidaturas contempladas.
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domingo, 22 de novembro de 2015
A seguir ao sadismo de Eanes, o de Cavaco?
Já fiz aqui em Junho um balanço da presidência de Cavaco Silva num texto intitulado “Poder Moderador”. Para quem não quiser clicar no título para rever aquele texto repito alguns dos argumentos.
Cavaco Silva esteve muito bem na crise “irrevogável” de Julho de 2013: “fritou” Paulo Portas, impediu que o país se tornasse numa nova Grécia e ainda deu uma mão a Seguro. Este, coitado, não a soube ou não pôde aproveitar, se tivesse sabido era hoje primeiro-ministro.
Contudo, tendo estado bem naquela crise de há dois anos, tem que se fazer um balanço negativo dos dois mandatos de Cavaco Silva porque falhou nas duas principais funções da presidência da república:
(i) não foi a “válvula de escape” do regime, nem no primeiro mandato durante o socratismo, nem no segundo durante o passismo;
(ii) falhou no segundo mandato como factor de unidade nacional por se ter deixado cegar pelo ódio, depois das campanhas sujas do poeta Alegre e do madeirense Coelho.
Chegados aqui, e para não alongar muito este post, vamos agora ao caso que Cavaco tem entre mãos — a indigitação ou não do derrotado líder socialista para primeiro-ministro.
Cavaco está a arrastar os pés. Não tenho a certeza se ele se está a divertir com o caso. Ele divertiu-se quando lançou os discursos amassadores de vento de Sampaio da Nóvoa num 10 de Junho (para os mais esquecidos, Cavaco é o criador de Nóvoa), ele divertiu-se a "fritar" o antigo director de “O Independente” (Cavaco, como se sabe, não perdoa nunca).
Pode haver agora um pouco de diversão: a nossa situação não é tão grave como em 2013 em que estávamos com um terço do plano de resgate por fazer e não havia ainda a ajuda do “quantitative easing” do BCE para o financiamento do estado. Agora a emergência não é tão grande e o sr. Centeno, com a sua elástica folha de cálculo, não alevantará as golas a Dijsselbloem, nem acachecolará Lagarde, nem fará tremer os joelhos da Merkel, para desgosto da sra dona Catarina Martins, que se julga a nova “dona-disto-tudo", e para infelicidade dos “jovens turcos” socialistas que já se sonham sentados em BMWs pretos do estado, para alegria do blogue “Ladrões de Bicicletas”.
Indo ao ponto: Cavaco foi um mau presidente da república mas já tivemos um pior que ele — Ramalho Eanes que se entretinha a derrubar governos e até fundou um partido aproveitando o descontentamento dos eleitores durante a nossa segunda bancarrota.
Nos dez anos de presidência de Ramalho Eanes houve nove governos. Quando eles não caíam no parlamento, era Eanes que os deitava abaixo.
Recordo uma comunicação especialmente sádica de Ramalho Eanes em que ele se alongou, parágrafo após parágrafo, a listar os convenientes e os inconvenientes de manter ou não um determinado governo, não me lembro de qual, foram tantos e já passaram tantos anos...
Lembro-me que foi um discurso cubista, em que Eanes se atardou a descrever todas as perspectivas do problema: “se por um lado o senhor primeiro-ministro é bom, por outro lado o senhor primeiro-ministro é mau”. Isto longos e longos minutos, de forma que o povo e as elites que o ouviam, naquele longos minutos se perguntavam, “afinal, o governo cai ou não cai?”, e Eanes, sádico, hitchcockiano, lá prosseguia “se por um lado blá blá blá... branco, por outro lado blá blá blá... preto”, e o povo a mexer-se nas cadeiras e os jantares a arrefecerem. Até que por fim e na última frase do último parágrafo — o grande Eanes lá disse: “decidi dissolver a assembleia da república e convocar eleições antecipadas”.
Não sei se Cavaco se está a divertir, repito. Talvez não esteja, pelo menos não está tanto como em 2013. Para a próxima semana ele vai fazer uma comunicação ao país. Na altura, a direita terá mais razões para tremer do que a esquerda. Tudo o que Cavaco disser ou fizer tem potencial para ser tóxico para a direita e dar cimento à esquerda.
Cavaco não vai fazer um discurso cubista nem uma eanice tipo “por um lado... branco, por outro lado... preto”. Mas tem matéria entre mãos para ser sádico: basta-lhe descrever com algum detalhe as fragilidades e inconsistências dos “papéis” assinados pelas esquerdas, que são de facto uma vergonha — ficam-se por uma lista de “medidas” para aumentar a despesa e diminuir a receita e não têm nem uma única palavra sobre as nossas responsabilidades na “Europa”.
Cavaco Silva esteve muito bem na crise “irrevogável” de Julho de 2013: “fritou” Paulo Portas, impediu que o país se tornasse numa nova Grécia e ainda deu uma mão a Seguro. Este, coitado, não a soube ou não pôde aproveitar, se tivesse sabido era hoje primeiro-ministro.
Contudo, tendo estado bem naquela crise de há dois anos, tem que se fazer um balanço negativo dos dois mandatos de Cavaco Silva porque falhou nas duas principais funções da presidência da república:
(i) não foi a “válvula de escape” do regime, nem no primeiro mandato durante o socratismo, nem no segundo durante o passismo;
(ii) falhou no segundo mandato como factor de unidade nacional por se ter deixado cegar pelo ódio, depois das campanhas sujas do poeta Alegre e do madeirense Coelho.
Chegados aqui, e para não alongar muito este post, vamos agora ao caso que Cavaco tem entre mãos — a indigitação ou não do derrotado líder socialista para primeiro-ministro.
Cavaco está a arrastar os pés. Não tenho a certeza se ele se está a divertir com o caso. Ele divertiu-se quando lançou os discursos amassadores de vento de Sampaio da Nóvoa num 10 de Junho (para os mais esquecidos, Cavaco é o criador de Nóvoa), ele divertiu-se a "fritar" o antigo director de “O Independente” (Cavaco, como se sabe, não perdoa nunca).
Pode haver agora um pouco de diversão: a nossa situação não é tão grave como em 2013 em que estávamos com um terço do plano de resgate por fazer e não havia ainda a ajuda do “quantitative easing” do BCE para o financiamento do estado. Agora a emergência não é tão grande e o sr. Centeno, com a sua elástica folha de cálculo, não alevantará as golas a Dijsselbloem, nem acachecolará Lagarde, nem fará tremer os joelhos da Merkel, para desgosto da sra dona Catarina Martins, que se julga a nova “dona-disto-tudo", e para infelicidade dos “jovens turcos” socialistas que já se sonham sentados em BMWs pretos do estado, para alegria do blogue “Ladrões de Bicicletas”.
Indo ao ponto: Cavaco foi um mau presidente da república mas já tivemos um pior que ele — Ramalho Eanes que se entretinha a derrubar governos e até fundou um partido aproveitando o descontentamento dos eleitores durante a nossa segunda bancarrota.
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| Fotografia daqui |
Nos dez anos de presidência de Ramalho Eanes houve nove governos. Quando eles não caíam no parlamento, era Eanes que os deitava abaixo.
Recordo uma comunicação especialmente sádica de Ramalho Eanes em que ele se alongou, parágrafo após parágrafo, a listar os convenientes e os inconvenientes de manter ou não um determinado governo, não me lembro de qual, foram tantos e já passaram tantos anos...
Lembro-me que foi um discurso cubista, em que Eanes se atardou a descrever todas as perspectivas do problema: “se por um lado o senhor primeiro-ministro é bom, por outro lado o senhor primeiro-ministro é mau”. Isto longos e longos minutos, de forma que o povo e as elites que o ouviam, naquele longos minutos se perguntavam, “afinal, o governo cai ou não cai?”, e Eanes, sádico, hitchcockiano, lá prosseguia “se por um lado blá blá blá... branco, por outro lado blá blá blá... preto”, e o povo a mexer-se nas cadeiras e os jantares a arrefecerem. Até que por fim e na última frase do último parágrafo — o grande Eanes lá disse: “decidi dissolver a assembleia da república e convocar eleições antecipadas”.
Não sei se Cavaco se está a divertir, repito. Talvez não esteja, pelo menos não está tanto como em 2013. Para a próxima semana ele vai fazer uma comunicação ao país. Na altura, a direita terá mais razões para tremer do que a esquerda. Tudo o que Cavaco disser ou fizer tem potencial para ser tóxico para a direita e dar cimento à esquerda.
Cavaco não vai fazer um discurso cubista nem uma eanice tipo “por um lado... branco, por outro lado... preto”. Mas tem matéria entre mãos para ser sádico: basta-lhe descrever com algum detalhe as fragilidades e inconsistências dos “papéis” assinados pelas esquerdas, que são de facto uma vergonha — ficam-se por uma lista de “medidas” para aumentar a despesa e diminuir a receita e não têm nem uma única palavra sobre as nossas responsabilidades na “Europa”.
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sábado, 4 de julho de 2015
Atenas não será vencida! — um texto de JB*
* Um comentário de JB ao post "Separar as águas" publicado ontem neste blogue e no Jornal do Centro
«Os gregos podem falhar, mas resistiram contra os tecnocratas que detestam a democracia».
«Deixem-se estar quietinhos porque as consequências serão terríveis. A realidade é muito forte e quem a contestar verá cair-lhe em cima toda a força dos poderosos.» – que atiram à cara dos que discordam a PDR (puta da realidade), Pacheco Pereira.
A crise da Europa é também a crise da esquerda, a crise da Internacional Socialista e daqueles dirigentes que, dizendo-se socialistas, estão a permitir esta vergonha.
Recordo o Discurso de Péricles aos Atenienses – poema de Manuel Alegre:
Conclusão:
1 - A mensagem que a UE está a passar é esta: o país que eleger um governo fora dos grupos PPE e Socialists & Democrats (S&D) leva com o cartão vermelho – rua!
2 - E isto não tem pés nem cabeça: Nem “sim” nem “não”. Comunistas apelam a gregos para anular boletim de voto.
3 - O PS votou contra os votos de solidariedade com a Grécia propostos por PCP e BE. Tomando devida nota.
4 - «Quem não é solidário com um vizinho que tem a casa em chamas não é só (também) um solidário de merda para com o mapa-mundi: é acima de tudo um estúpido que escolhe a causa do fogo, estando a sua casa ao lado» - António Gil
E ainda:
Condenar "repressão política em Angola"? Apenas o BE e um deputado do PS.
Voto de condenação pela "repressão em Angola" teve a oposição do PSD, PS, CDS, PCP e Partido Ecologista "Os Verdes" – DN on line
É por estas e por outras que estar ao lado de Albert Camus é sempre a LIBERDADE!
Mesmo a concluir:
Admiro a paciência de quem ainda se preocupa com a “democraticidade” do PS Viseu.
Até podem pôr o Rato Mickey na lista….!
Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.
«Os gregos podem falhar, mas resistiram contra os tecnocratas que detestam a democracia».
«Deixem-se estar quietinhos porque as consequências serão terríveis. A realidade é muito forte e quem a contestar verá cair-lhe em cima toda a força dos poderosos.» – que atiram à cara dos que discordam a PDR (puta da realidade), Pacheco Pereira.
A crise da Europa é também a crise da esquerda, a crise da Internacional Socialista e daqueles dirigentes que, dizendo-se socialistas, estão a permitir esta vergonha.
Recordo o Discurso de Péricles aos Atenienses – poema de Manuel Alegre:
Deixai-os em treino permanente
Como se a vida fosse apenas exercício
Atenas ama o vinho e a poesia
E Esparta o sacrifício
Que nos acusem de vida fácil e leviandade
Que digam que não sabemos guardar segredo
Nem combater
Em Atenas reina a liberdade
E em Esparta o medo
A nossa força é a diferença
Não são precisas provações nem disciplina
Atenas vive como quer e como gosta
Porque a nossa coragem não se aprende não se ensina
A nossa é de nascença
E não imposta
Deixai-os pois dizer que vão vencer
Eles fogem da vida por temor da morte
Nós vamos para a morte por amor da vida
E enquanto Esparta só combate por dever
Nós iremos lutar com alegria
Por isso Atenas não será vencida
1 - A mensagem que a UE está a passar é esta: o país que eleger um governo fora dos grupos PPE e Socialists & Democrats (S&D) leva com o cartão vermelho – rua!
2 - E isto não tem pés nem cabeça: Nem “sim” nem “não”. Comunistas apelam a gregos para anular boletim de voto.
3 - O PS votou contra os votos de solidariedade com a Grécia propostos por PCP e BE. Tomando devida nota.
4 - «Quem não é solidário com um vizinho que tem a casa em chamas não é só (também) um solidário de merda para com o mapa-mundi: é acima de tudo um estúpido que escolhe a causa do fogo, estando a sua casa ao lado» - António Gil
E ainda:
Condenar "repressão política em Angola"? Apenas o BE e um deputado do PS.
Voto de condenação pela "repressão em Angola" teve a oposição do PSD, PS, CDS, PCP e Partido Ecologista "Os Verdes" – DN on line
É por estas e por outras que estar ao lado de Albert Camus é sempre a LIBERDADE!
Mesmo a concluir:
Admiro a paciência de quem ainda se preocupa com a “democraticidade” do PS Viseu.
Até podem pôr o Rato Mickey na lista….!
Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.
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domingo, 31 de maio de 2015
Os quatro erros de Alexis Tsipras
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| Fotografia daqui |
Desde que tomou posse, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, cometeu quatro erros, três por acção e um por omissão:
1 — apostou no "contágio" ao sul europeu (uma "história de crianças": Hollande, Renzi, Rajoi e Pedro Passos Coelho mandaram Tsipras dar uma volta ao bilhar grande);
2 — deu gás a uma xenofobia anti-germânica (miserável no plano dos valores, foi coisa para consumo interno grego e que, valha a verdade, mesmo em Portugal é produto com muita clientela);
3 — "ameaçou" com uma aproximação a Putin de uma forma que ninguém levou a sério;
4 — não fez um gesto ainda para acabar com a "ordem clientelar" grega, de que não é responsável mas que mantém.
Destes quatro erros, os dois primeiros não têm apelo nem agravo — somam-se ao fogo de artifício fotogénico e à exibição de testosterona de Varoufakis, vão para o arquivo morto, fiascaram.
Já a aproximação a Putin, bem como à China, e a ameaça de mais instabilidade nos Balcãs, são trunfos poderosos e causam alarme em Washington, como explica hoje Jorge Almeida Fernandes no Público num excelente texto em que se baseia este post.
De qualquer forma, é na solução do quarto erro que reside a esperança e o futuro da Grécia.
Porque é que o Syriza não começa a reformar o estado, a descapturá-lo dos interesses clientelares e a construir uma máquina fiscal que efectivamente funcione e cobre impostos?
sábado, 16 de maio de 2015
Nóvoa "ratoeirou" o PS?* — um texto de JB *
* Comentário de JB ao texto "Ligeirezas", publicado ontem no Jornal do Centro
Não sei que te diga, caro amigo.
Não é de estranhar que as sondagens sejam embaraçosas para Costa. O eleitorado começa a preferir o original (Passos) à cópia e, para os que preferem esquecer, há sempre os Blocos, os Livres, o PCP e essa figurinha Chavez/português, de nome Marinho. Há vida na esquerda para além do Bloco e do PC, e acresce que estes dois, são simplesmente de protesto e nada adiantam às nossas vidas. Como diz o anúncio: ”E se de repente o “povo” lhes oferecer (à coligação) a maioria?”
Estamos irremediavelmente prisioneiros de teias de interesses obscuros, de classe e de família, que só um cataclismo social virá, mais tarde ou mais cedo, destruir. O eleitorado tem dúvidas quando: “Mário Centeno, o coordenador do programa macroeconómico do PS, vai ser mesmo orador convidado na Conferência Internacional sobre os Jovens, organizada pela Presidência, no âmbito dos Roteiros do Futuro”. Começa a ficar provado que Centeno é uma carta do mesmo baralho. Está já a fazer o tirocínio para ser o Vítor Gaspar do PS, numa versão recauchutada. Bem vindos ao neo-neo-realismo pós 25 de Abril...
Quanto a Sampaio da Nóvoa tem boas hipóteses de ir à segunda volta. Mas quanto a ser eleito Presidente já as perspetivas são bem diferentes. Nóvoa tem que concitar mais apoios e o entusiasmo. Somam-se indícios de que a candidatura em causa se está deixar envolver em algumas ambiguidades estruturais. Por exemplo, afirma-se como impulso regenerador da vida política e sente-se confortável com o apoio do PS, mesmo que ele não seja resultado de primárias; afixa uma imagem de independência, mas coloca-se na fila dos ex-presidentes que são militantes do PS como se fizesse parte dela; tenta sugerir-se como fator de congregação das esquerdas, mas revela-se cético quanto à perenidade da clivagem esquerda/direita; omite no seu discurso qualquer tonalidade crítica do sistema capitalista, mas assume objetivos que entram em colisão com a perenidade desse sistema; afixa uma independência altaneira em face dos partidos, mas esforça-se por sugerir o apoio tácito do PS.
Podendo parecer subtil, o PS parece ter-se deixado apanhar numa ratoeira. Deixa que pareça ter tido que engolir um candidato que veio de fora e não pode assumir o ónus de suscitar outro. Tudo isto faz recear que uma opção pelo candidato Nóvoa, tomada por uma decisão formal do PS, daqui a algum tempo, não seja seguida por uma parte do seu eleitorado, incomodada pelo método autocrático da escolha e pouco identificada afetivamente com ela. Se isso acontecer, fica à mostra o erro político cometido. Enquanto eleitor preciso de ver por completo apagada a dúvida, criada por Nóvoa, quanto ao seu próprio desígnio.
A direita anda nervosa, com a suposta ameaça de avançar com Rui Rio armado em 7º de cavalaria, com o "meio caminho andado", Marcelo Rebelo de Sousa ou a “reserva moral”, Mota Amaral, são sintomáticos que Nóvoa incomoda. Neste ponto considero que Marcelo Rebelo de Sousa não se candidatará, pois por muito popular que seja colou-se à imagem de comentador do regime e esse é o lugar que gosta de ocupar.
Neste contexto, e como já aqui escrevi, o meu candidato, seria Manuel Carvalho da Silva. Um candidato digno do lugar, que ilustraria com honra, competência, integridade, que procede do mundo do trabalho, é culto e representaria uma esquerda que não deslustraria o mais alto cargo da nação. Mas, aparentemente desistiu.
A candidatura de Guilherme d'Oliveira Martins encontra eco no texto de Joaquim Alexandre e, embora não fosse o meu primeiro candidato, reconheço que é um homem culto, honrado, sério, sensato, tem experiência política e ocupa uma posição mais ou menos central no espectro político. Sabe o valor da Língua Portuguesa, da Economia, do rigor, do combate à mediocridade e ao facilitismo, da solidariedade e da importância da tolerância e da preservação dos laços sociais e do bem comum, da igualdade e do acesso ao conhecimento.
António Costa, falta um ano para as presidenciais e faltam, só, seis meses para as legislativas. Falta “construir o futuro”!
Não sei que te diga, caro amigo.
Não é de estranhar que as sondagens sejam embaraçosas para Costa. O eleitorado começa a preferir o original (Passos) à cópia e, para os que preferem esquecer, há sempre os Blocos, os Livres, o PCP e essa figurinha Chavez/português, de nome Marinho. Há vida na esquerda para além do Bloco e do PC, e acresce que estes dois, são simplesmente de protesto e nada adiantam às nossas vidas. Como diz o anúncio: ”E se de repente o “povo” lhes oferecer (à coligação) a maioria?”
Estamos irremediavelmente prisioneiros de teias de interesses obscuros, de classe e de família, que só um cataclismo social virá, mais tarde ou mais cedo, destruir. O eleitorado tem dúvidas quando: “Mário Centeno, o coordenador do programa macroeconómico do PS, vai ser mesmo orador convidado na Conferência Internacional sobre os Jovens, organizada pela Presidência, no âmbito dos Roteiros do Futuro”. Começa a ficar provado que Centeno é uma carta do mesmo baralho. Está já a fazer o tirocínio para ser o Vítor Gaspar do PS, numa versão recauchutada. Bem vindos ao neo-neo-realismo pós 25 de Abril...
Quanto a Sampaio da Nóvoa tem boas hipóteses de ir à segunda volta. Mas quanto a ser eleito Presidente já as perspetivas são bem diferentes. Nóvoa tem que concitar mais apoios e o entusiasmo. Somam-se indícios de que a candidatura em causa se está deixar envolver em algumas ambiguidades estruturais. Por exemplo, afirma-se como impulso regenerador da vida política e sente-se confortável com o apoio do PS, mesmo que ele não seja resultado de primárias; afixa uma imagem de independência, mas coloca-se na fila dos ex-presidentes que são militantes do PS como se fizesse parte dela; tenta sugerir-se como fator de congregação das esquerdas, mas revela-se cético quanto à perenidade da clivagem esquerda/direita; omite no seu discurso qualquer tonalidade crítica do sistema capitalista, mas assume objetivos que entram em colisão com a perenidade desse sistema; afixa uma independência altaneira em face dos partidos, mas esforça-se por sugerir o apoio tácito do PS.
Podendo parecer subtil, o PS parece ter-se deixado apanhar numa ratoeira. Deixa que pareça ter tido que engolir um candidato que veio de fora e não pode assumir o ónus de suscitar outro. Tudo isto faz recear que uma opção pelo candidato Nóvoa, tomada por uma decisão formal do PS, daqui a algum tempo, não seja seguida por uma parte do seu eleitorado, incomodada pelo método autocrático da escolha e pouco identificada afetivamente com ela. Se isso acontecer, fica à mostra o erro político cometido. Enquanto eleitor preciso de ver por completo apagada a dúvida, criada por Nóvoa, quanto ao seu próprio desígnio.
A direita anda nervosa, com a suposta ameaça de avançar com Rui Rio armado em 7º de cavalaria, com o "meio caminho andado", Marcelo Rebelo de Sousa ou a “reserva moral”, Mota Amaral, são sintomáticos que Nóvoa incomoda. Neste ponto considero que Marcelo Rebelo de Sousa não se candidatará, pois por muito popular que seja colou-se à imagem de comentador do regime e esse é o lugar que gosta de ocupar.
Neste contexto, e como já aqui escrevi, o meu candidato, seria Manuel Carvalho da Silva. Um candidato digno do lugar, que ilustraria com honra, competência, integridade, que procede do mundo do trabalho, é culto e representaria uma esquerda que não deslustraria o mais alto cargo da nação. Mas, aparentemente desistiu.
A candidatura de Guilherme d'Oliveira Martins encontra eco no texto de Joaquim Alexandre e, embora não fosse o meu primeiro candidato, reconheço que é um homem culto, honrado, sério, sensato, tem experiência política e ocupa uma posição mais ou menos central no espectro político. Sabe o valor da Língua Portuguesa, da Economia, do rigor, do combate à mediocridade e ao facilitismo, da solidariedade e da importância da tolerância e da preservação dos laços sociais e do bem comum, da igualdade e do acesso ao conhecimento.
António Costa, falta um ano para as presidenciais e faltam, só, seis meses para as legislativas. Falta “construir o futuro”!
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Ó meu rico Santo Antoninho, tomara cá o dia do voto! — um texto de JB*
Chegados ao fim da legislatura mais violenta de que há memória, os portugueses constatam que os seus sacrifícios não melhoraram a situação do país nem das pessoas.
O ódio aos trabalhadores está patente nos cortes salariais e, sobretudo, nas alterações aos códigos de trabalho e fiscais, modificados em favor das entidades empregadoras. Desde o dia em que tomou posse, este governo pôs em prática um plano de empobrecimento do país publicamente assumido, iniciando em simultâneo a perseguição aos mais fracos, os pensionistas e os idosos em geral. Milhares de pessoas sem emprego. Milhões a viverem abaixo do limiar da pobreza. Centenas de milhares de jovens a emigrar e sem perspectiva de vida.
É verdade que "atrás de tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir", mas vivemos dos momentos mais tristes da nossa história. O caso português é especialmente doloroso, justamente por Abril se ter desmoronado tão completamente e a rendição ser tão grande — sejam organizações, sejam pessoas — que mesmo o cravo, hoje, se tornou uma lágrima de sangue, do sangue da ingenuidade com que se deixou os lobos à solta, como provoca um sentimento dual quando o vejo na lapela de um Pedro Passos Coelho. Por um lado 'irrita-me' o cinismo do acto, por outro acho que está certo! Não fosse o cravo o símbolo maior de uma tão grande generosidade, nunca o Coelho teria sido o primeiro-ministro de Portugal...
“Isto” já só me causa uma revolta tão grande, daquela 'raiva' em que os olhos se molham, com o baixar das próprias armas ideológicas, é a "esquerda" que me dá 'asco' e desgosto. A direita cumpre maravilhosamente o seu papel. A "esquerda" é que se demitiu de o ser.
Quanto o Partido Socialista, todos os dias reafirma ser um “partido de esquerda”. Mas o que é ser um partido de esquerda nos tempos actuais, neste mundo globalizado comandado e controlado pelo capital financeiro, pelos “mercados” financeiros? Quando vemos os partidos europeus da área da social-democracia, partidos ideologicamente irmãos do PS - partidos socialistas, trabalhistas e social-democratas - abandonarem a ideologia que sempre disseram defender e abraçarem a ideologia neoliberal, o liberalismo arcaico ressuscitado do século XIX, será de questionar o Partido Socialista Português sobre qual o seu verdadeiro posicionamento actual.
Desde 2011 que nenhuma sondagem dá maioria absoluta ao Partido Socialista.
“Seguro era um líder fraco e sabia que era fraco. A sua “abstenção violenta” ficará para a história como uma página de vergonha para o PS e a sua colaboração de facto com o governo mais reaccionário de sempre feriu profundamente a imagem do PS.” – cito José Vítor Malheiros.
O estudo encomendado por António Costa a 12 economistas para servir de base a um programa de governo socialista representa uma viragem na política portuguesa. Não porque seja algo de extraordinário ou impensável, pelo contrário, devia ser uma coisa natural e até obrigatória. Mas não. Em Portugal, não é hábito o debate político basear-se em estudos e documentos de especialistas, valendo antes a improvisação e as promessas sem substância. O documento tem falhas e omissões? Ainda bem… Estou farto dos “filhos” do que “nunca tem dúvidas e raramente se engana”.
Agora, há correcções urgentes, caso contrário o Partido Socialista vai “passivamente render-se às inevitabilidades", perdendo espaço e possibilidade de acção transformadora. É hoje preocupante observar que as distâncias programáticas entre a direita e o PS se vão atenuado. E cresce o coro dos que aconselham António Costa a fugir de "radicalismos", a "não estragar" as propostas dos tecnocratas do centrão de interesses cujo trabalho científico é "oferecido" a um ou outro lado, apenas com nuances de forma. (Ler declarações de Catroga e puxar autoclismo...).
Fica claro que com este documento se torna difícil uma aproximação do PS à esquerda. As propostas revelam pouca vontade em levar a cabo uma política de real combate às desigualdades e à pobreza, aos privilégios dos poderosos, à corrupção e aos interesses ilegítimos, de defesa do Estado Social e dos serviços públicos, de defesa do emprego. Se for governo, irá provavelmente adoptar políticas fiscais menos penalizadoras dos trabalhadores e políticas sociais mais generosas que o actual governo PSD-CDS e isso será melhor do que o status quo actual, mas será dramaticamente insuficiente.
Por outro lado, a direita tem razões para estar preocupada, pois apareceu uma alternativa que quer reorganizar a austeridade, cedendo o mínimo possível aos mínimos sociais. O PS move-se para o centro em matérias como o controlo do défice e dá um passo para o liberalismo económico puro e duro nas fórmulas que propõe para os despedimentos ou nos cortes permanentes na TSU para as empresas. É de assinalar o empenho na execução dos fundos europeus, o imposto sobre as heranças ou a reposição de alguns mínimos sociais e do RSI, mas isso não chega. Sobre educação nem vale a pena falar, pois as propostas são tão básicas ou penalizadoras dos professores (exemplo penalizar quem concorrer “várias vezes”) que ainda vão acabar por recuperar a “Senadora” Lurdes Rodrigues. O processo de branqueamento do “período negro” já começou quando vemos o sr. Albino Almeida na primeira fila de eventos do PS/Porto.
Costa é perentório: "Ninguém peça ao PS compromissos com este Governo" – “Expresso”- 25 Abril, mas é interessante ouvir um habitual comentador PPD (Pedro Marques Lopes) dizer: “O PSD subscreveria este documento”.
No essencial, o que está em cima da mesa não é o fim da austeridade, mas apenas o abrandamento do seu ritmo. É a partir daqui que se fazem as escolhas…
"Quando não sabes para onde hás-de ir,
lembra-te de onde vens"
Roberto Rossellini (realizador italiano)
JB
* JB está desertinho para ir votar
sábado, 9 de maio de 2015
O CARTEL: a realidade ao vivo e a cores! — um texto de JB*
* Texto de JB que tem como pano de fundo o artigo publicado ontem no Jornal do Centro — O cartel
1. O artigo publicado no Jornal do Centro e no Olho de Gato são, certamente, duas excepções na imprensa nacional, sobre um acto da Assembleia da República, que passou completamente despercebido. Cito o artigo de Joaquim Alexandre: “Todos os partidos, todos numa comovente unanimidade, acabam de “regulamentar” o controle das contas dos grupos parlamentares pelo Tribunal Constitucional, em vez de o entregarem ao Tribunal de Contas.”
Também aqui esteve presente o cartel noticioso…
Se tivesse tempo e disposição teria muito material escrito para ilustrar um artigo sobre “a necessidade de reformar o regime”; “a reforma eleitoral”; “o aumento da abstenção”; “os partidos e a democracia”; blá…blá…. Mas, não tenho pachorra!
2. Assim, vou ilustrar o ponto dois com factos.
Ora então leiam, meus amigos:
Embora pagos pelo grupo parlamentar e pelas verbas do Parlamento, nem todos os funcionários parlamentares estão a trabalhar no Palácio de São Bento. A lei permite que as funções sejam exercidas, por exemplo, nos círculos eleitorais, prestando apoio local aos deputados. Mas os funcionários parlamentares podem também estar sediados a trabalhar nas sedes nacionais dos partidos. A única ressalva que a lei faz é a de que as funções exercidas têm de estar ligadas ao trabalho do partido no Parlamento.
Por exemplo, dos 71 funcionários do PS, 17 "prestam a sua actividade a partir da sede". Já no PSD "quatro funcionários encontram-se fisicamente colocados na sede do partido". No CDS a situação é similar pois “o grupo parlamentar do CDS-PP faz parte do partido pelo que, naturalmente, tem recursos que são partilhados". O BE está nas mesmas condições, e tem "há dois nomeados que estão fisicamente na sede porque fazem parte da equipa do portal. O site do grupo parlamentar e a divulgação das iniciativas dos deputados são feitos nessa base". Idêntica característica encontramos no PCP, que frisam não haver "ninguém pago pelo grupo parlamentar a prestar tarefas estritamente partidárias, embora talvez se possa falar, não sendo sempre os mesmos, de cerca de dez quadros".
E continuemos, com factos:
Em sucessivas legislaturas, Miguel Ginestal foi deputado por Viseu, mas nas legislativas de 2011 não foi eleito. Hoje, é membro do secretariado do PS e chefe de gabinete de António José Seguro, secretário-geral dos socialistas e deputado à Assembleia da República, e nessa qualidade faz a ligação entre a bancada parlamentar e a direcção do partido. É esta ponte que justifica o facto de Miguel Ginestal ser funcionário do grupo parlamentar do PS, pago com as verbas que o partido recebe no Parlamento. Miguel Ginestal não é o único dirigente partidário nestas condições, embora seja dos mais proeminentes nas hierarquias partidárias. Mas no PCP, Jorge Pires, membro da comissão política, recebe como funcionário do grupo parlamentar, e no BE Joana Mortágua é assessora para a área do Trabalho, da Segurança Social, dos Negócios Estrangeiros e dos Assuntos Europeus.
Dina Nunes, chefe de gabinete do BE, declara que, neste momento, o seu partido não tem ex-deputados entre os funcionários do grupo parlamentar, mas já teve. A mesma situação é assumida por Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, que explica que o PCP já empregou como assessores ex-deputados. E Bernardino Soares reconhece que "há dirigentes do PCP que são funcionários do grupo parlamentar, nomeadamente membros do comité central [CC] que são assessores", além da situação de Jorge Pires, da comissão política, é assessor da bancada.
O PSD, que tem 108 deputados, tem 64 funcionários (59%), enquanto o PS, com 74 deputados, tem 71 funcionários (95%). Já o CDS, com 24 deputados, tem 32 (133%) funcionários, o mesmo número que o BE, que tem apenas oito deputados (400%). Já o PCP, com 16 deputados, tinha em Outubro 49 funcionários (306%).
Cartelizado ou confuso, sr. leitor? Continuemos:
No PS os gastos com salários são em média 125 mil euros por mês. Já no PSD a média mensal é de 130 mil euros. No CDS esse valor fica-se pelos 82 mil euros. No BE é de 67.956 euros e o PCP não forneceu o valor exacto que gasta mensalmente com os salários.
Termino o ponto dois, novamente com palavras de Joaquim Alexandre:
“O “arco da corrupção” — PS, PSD e CDS — está capturado pelo negocismo e o rentismo. As nossas elites não produzem riqueza, só sabem viver aconichadas ao estado. O “arco do protesto” — Bloco e PCP — é formado por virgens que, para não pecarem, são sempre do contra e nunca querem ir para o governo. Ora, este bloqueio ainda não vai ser resolvido nas próximas legislativas.”
Tudo o que escrevi foi PLÁGIO (confesso Joaquim Alexandre). Plágio descarado de um artigo do jornal “Público”, da jornalista SÃO JOSÉ ALMEIDA e editado em 24/12/2012. Tudo o que citei nunca foi desmentido.
3. Quem sonhou e viveu intensamente Abril, tem um sentimento de desânimo, frustração e alheamento perante a realidade política portuguesa.
Diariamente constatamos que o Cartel constrói muros, barreiras e muito desprezo face aos cidadãos e à dura vida real. O Cartel vive do regime democrático mas nada faz para o revitalizar, apenas o suga!
Um cidadão comum, questiona: o que fazer!
Salgueiro Maia, responderia: revolução!
4. O artigo de Joaquim Alexandre termina com uma referência ao PS: “uns “macroeconomistas” do PS de António Costa a quererem cortar 1,7 mil milhões de euros de receitas anuais da Segurança Social. E se fossem antes mexer na herança da vovó deles e deixassem o futuro das pensões em paz?”
E ao ler estas palavras recordei a mensagem de um amigo que muito prezo, que dizia: “O Costa merece perder. É oficial, pá!”
1. O artigo publicado no Jornal do Centro e no Olho de Gato são, certamente, duas excepções na imprensa nacional, sobre um acto da Assembleia da República, que passou completamente despercebido. Cito o artigo de Joaquim Alexandre: “Todos os partidos, todos numa comovente unanimidade, acabam de “regulamentar” o controle das contas dos grupos parlamentares pelo Tribunal Constitucional, em vez de o entregarem ao Tribunal de Contas.”
Também aqui esteve presente o cartel noticioso…
Se tivesse tempo e disposição teria muito material escrito para ilustrar um artigo sobre “a necessidade de reformar o regime”; “a reforma eleitoral”; “o aumento da abstenção”; “os partidos e a democracia”; blá…blá…. Mas, não tenho pachorra!
2. Assim, vou ilustrar o ponto dois com factos.
Ora então leiam, meus amigos:
Embora pagos pelo grupo parlamentar e pelas verbas do Parlamento, nem todos os funcionários parlamentares estão a trabalhar no Palácio de São Bento. A lei permite que as funções sejam exercidas, por exemplo, nos círculos eleitorais, prestando apoio local aos deputados. Mas os funcionários parlamentares podem também estar sediados a trabalhar nas sedes nacionais dos partidos. A única ressalva que a lei faz é a de que as funções exercidas têm de estar ligadas ao trabalho do partido no Parlamento.
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| Fotografia de Rui Gaudêncio para o Público |
Por exemplo, dos 71 funcionários do PS, 17 "prestam a sua actividade a partir da sede". Já no PSD "quatro funcionários encontram-se fisicamente colocados na sede do partido". No CDS a situação é similar pois “o grupo parlamentar do CDS-PP faz parte do partido pelo que, naturalmente, tem recursos que são partilhados". O BE está nas mesmas condições, e tem "há dois nomeados que estão fisicamente na sede porque fazem parte da equipa do portal. O site do grupo parlamentar e a divulgação das iniciativas dos deputados são feitos nessa base". Idêntica característica encontramos no PCP, que frisam não haver "ninguém pago pelo grupo parlamentar a prestar tarefas estritamente partidárias, embora talvez se possa falar, não sendo sempre os mesmos, de cerca de dez quadros".
E continuemos, com factos:
Em sucessivas legislaturas, Miguel Ginestal foi deputado por Viseu, mas nas legislativas de 2011 não foi eleito. Hoje, é membro do secretariado do PS e chefe de gabinete de António José Seguro, secretário-geral dos socialistas e deputado à Assembleia da República, e nessa qualidade faz a ligação entre a bancada parlamentar e a direcção do partido. É esta ponte que justifica o facto de Miguel Ginestal ser funcionário do grupo parlamentar do PS, pago com as verbas que o partido recebe no Parlamento. Miguel Ginestal não é o único dirigente partidário nestas condições, embora seja dos mais proeminentes nas hierarquias partidárias. Mas no PCP, Jorge Pires, membro da comissão política, recebe como funcionário do grupo parlamentar, e no BE Joana Mortágua é assessora para a área do Trabalho, da Segurança Social, dos Negócios Estrangeiros e dos Assuntos Europeus.
Dina Nunes, chefe de gabinete do BE, declara que, neste momento, o seu partido não tem ex-deputados entre os funcionários do grupo parlamentar, mas já teve. A mesma situação é assumida por Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, que explica que o PCP já empregou como assessores ex-deputados. E Bernardino Soares reconhece que "há dirigentes do PCP que são funcionários do grupo parlamentar, nomeadamente membros do comité central [CC] que são assessores", além da situação de Jorge Pires, da comissão política, é assessor da bancada.
O PSD, que tem 108 deputados, tem 64 funcionários (59%), enquanto o PS, com 74 deputados, tem 71 funcionários (95%). Já o CDS, com 24 deputados, tem 32 (133%) funcionários, o mesmo número que o BE, que tem apenas oito deputados (400%). Já o PCP, com 16 deputados, tinha em Outubro 49 funcionários (306%).
Cartelizado ou confuso, sr. leitor? Continuemos:
No PS os gastos com salários são em média 125 mil euros por mês. Já no PSD a média mensal é de 130 mil euros. No CDS esse valor fica-se pelos 82 mil euros. No BE é de 67.956 euros e o PCP não forneceu o valor exacto que gasta mensalmente com os salários.
Termino o ponto dois, novamente com palavras de Joaquim Alexandre:
“O “arco da corrupção” — PS, PSD e CDS — está capturado pelo negocismo e o rentismo. As nossas elites não produzem riqueza, só sabem viver aconichadas ao estado. O “arco do protesto” — Bloco e PCP — é formado por virgens que, para não pecarem, são sempre do contra e nunca querem ir para o governo. Ora, este bloqueio ainda não vai ser resolvido nas próximas legislativas.”
Tudo o que escrevi foi PLÁGIO (confesso Joaquim Alexandre). Plágio descarado de um artigo do jornal “Público”, da jornalista SÃO JOSÉ ALMEIDA e editado em 24/12/2012. Tudo o que citei nunca foi desmentido.
3. Quem sonhou e viveu intensamente Abril, tem um sentimento de desânimo, frustração e alheamento perante a realidade política portuguesa.
Diariamente constatamos que o Cartel constrói muros, barreiras e muito desprezo face aos cidadãos e à dura vida real. O Cartel vive do regime democrático mas nada faz para o revitalizar, apenas o suga!
Um cidadão comum, questiona: o que fazer!
Salgueiro Maia, responderia: revolução!
4. O artigo de Joaquim Alexandre termina com uma referência ao PS: “uns “macroeconomistas” do PS de António Costa a quererem cortar 1,7 mil milhões de euros de receitas anuais da Segurança Social. E se fossem antes mexer na herança da vovó deles e deixassem o futuro das pensões em paz?”
E ao ler estas palavras recordei a mensagem de um amigo que muito prezo, que dizia: “O Costa merece perder. É oficial, pá!”
segunda-feira, 13 de abril de 2015
O Professor Sampaio da Nóvoa não merecia ser ultrajado por gentalha — um texto de JB*
Portugal está a precisar de um sobressalto cívico !
1. A autodestruição da esquerda é uma vitória inesperada para as forças políticas neoliberais mais retrógradas. Estas forças têm procurado destruir o sistema de previdência social, impor o seu domínio através de funcionários não eleitos, alargar e aprofundar desigualdades, minar os direitos dos trabalhadores, privatizar e desnacionalizar os setores mais lucrativos da economia. Quando vejo Moscovici ou Djesslbloem obrigarem a Grécia a incluir a liberalização de despedimentos ou mais privatizações no seu programa, não me esqueço de que ambos são socialistas. E que os socialistas alemães fazem parte do governo de Merkel….
A Presidência da República precisa de recuperar a influência positiva e o prestígio perdidos na desastrosa magistratura de Cavaco Silva.
Uma eleição presidencial ganha-se se houver empatia entre o eleitorado e o candidato. Para ganhar as eleições presidenciais, a esquerda não precisa de um candidato com forte imagem de esquerda: precisa de um candidato que, defendendo os seus valores essenciais, abra espaços nos eleitores do centro.
2. Mas a esquerda quase aparenta uma genuína vontade de perder as presidenciais, na verdade Sérgio Sousa Pinto no seu afã redondo de auto presunção de importância não tem é o direito de apoucar Nóvoa com considerações soezes e desconchavadas. Por muito que se esforce, nunca conseguirá proferir um discurso tão desassombrado, revigorante e inspirador como o de Mujica na ONU. Já antes Santos Silva, Lellos & compª. se tinham referido a H. Neto de forma inadmissível.
Se à esquerda existir um candidato presidencial que seja uma referência, que levante os cidadãos deprimidos, que seja alguém de quem nos possamos orgulhar, esse candidato ajudará o PS a fazer-se ouvir e a ganhar espaço de manobra.
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| Fotografia daqui |
Ainda não chegou a hora de revelar qual irá ser o meu Candidato Presidencial. Mas já chegou a hora de declarar que é vergonhosa a atitude dos que julgam poder escoucinhar quem fez a sua imagem honrada com muito trabalho, muita dignidade e muita doação ao seu País. O Professor Sampaio da Nóvoa não merecia ser ultrajado por gentalha. Sampaio da Nóvoa está claramente de fora do manobrismo partidário que hoje passa por política em Portugal e em grande parte do mundo; mas precisamente por isso é que está na política, isto é, no que interessa - vitalmente - à "polis".
3. Os sinais de degenerescência e apagamento do PS são evidentes. À sua incapacidade em assumir um consistente programa político, que o diferencie da direita, soma-se também a ausência de um candidato presidencial de peso, que seja o catalisador do descontentamento popular.
A divergência só tem lógica quando for inteligível e inteligente. A democracia faz-se exactamente com alternativas e com coragem política. Aguardemos que outras personalidades sintam também esse apelo de cidadania, seja qual for o seu espaço político. É mais que tempo de se delinearem as propostas para o novo ciclo político.
No meio desta lama a voz sensata (como é habitual) de João Cravinho: "A grande batalha do PS agora é realmente preparar-se, combater, difundir, procurar mobilizar para as legislativas.”
Os grandes êxitos da política do centro-direita na Europa e no Mundo, com toda a “Paz e Bem-Estar” proporcionada, são a medida da exactidão das teorias científicas em que tal política se ancora.
E queremos continuar no TINA (There Is No Alternative)?
De certeza que não há alternativa?
JB
sexta-feira, 13 de março de 2015
Populismo *
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Quando há crises sociais mais agudas lá reaparece o populismo, à esquerda e à direita, à procura de apoio popular. Está a ter muito.
Cas Mudde, no seu livro de 2004 "The Populist Zeitgeist", define o populismo como uma ideologia que vê dois campos antagónicos e homogéneos na sociedade: a “elite corrupta” e o “povo puro”.
O populismo ignora ou finge ignorar a complexidade das sociedades contemporâneas. Acima de tudo, ele ilude o facto de, cada vez mais, os problemas já não terem soluções nacionais mas só supranacionais.
O populismo é, por definição, paroquial e nacionalista e trata sempre de construir um inimigo. Para mobilizar o seu endogrupo, o populismo precisa de diabolizar um exogrupo, seja ele o “estrangeiro”, o “imigrante”, o “preguiçoso do rendimento mínimo”, o “neoliberal”, o ...
Na Grécia, o Syriza assumiu, com sucesso eleitoral, uma campanha antigermânica que tinha que acabar, como acabou, em delírios sobre reparações de guerra e numa coligação com um partido da direita nacionalista.
2. Esta política está a contaminar até os partidos tradicionais. Entre nós, a retórica da “voz grossa” contra a “Europa” e contra o “bom-aluno” totó que aceita tudo de Bruxelas é um clássico da política portuguesa. É por aqui que anda António Costa.
Contudo, desde o resgate de 2011, o tom geral tem-se tornado mais agressivo. Mais à esquerda, suspira-se cada vez mais por alguém que “bata o pé” à “senhora” Merkel. Esta escalada populista vai ser interessante de acompanhar.
O bloco vai imitar o linguajar do Podemos batendo na corrupção da “casta” que nos governa. Não se sabe se Luís Fazenda vai deixar crescer um rabo-de-cavalo como Pablo Iglesias.
Quanto a Jerónimo de Sousa, tudo indica, vai ser ainda mais “patriótico e de esquerda”, muito mais “anti-euro” e muito mais eficaz.
Será que ele, tal como Marinho e Pinto, pode ambicionar eleger um deputado no distrito de Viseu?
1. Quando há crises sociais mais agudas lá reaparece o populismo, à esquerda e à direita, à procura de apoio popular. Está a ter muito.
Cas Mudde, no seu livro de 2004 "The Populist Zeitgeist", define o populismo como uma ideologia que vê dois campos antagónicos e homogéneos na sociedade: a “elite corrupta” e o “povo puro”.
O populismo ignora ou finge ignorar a complexidade das sociedades contemporâneas. Acima de tudo, ele ilude o facto de, cada vez mais, os problemas já não terem soluções nacionais mas só supranacionais.
O populismo é, por definição, paroquial e nacionalista e trata sempre de construir um inimigo. Para mobilizar o seu endogrupo, o populismo precisa de diabolizar um exogrupo, seja ele o “estrangeiro”, o “imigrante”, o “preguiçoso do rendimento mínimo”, o “neoliberal”, o ...
Na Grécia, o Syriza assumiu, com sucesso eleitoral, uma campanha antigermânica que tinha que acabar, como acabou, em delírios sobre reparações de guerra e numa coligação com um partido da direita nacionalista.
2. Esta política está a contaminar até os partidos tradicionais. Entre nós, a retórica da “voz grossa” contra a “Europa” e contra o “bom-aluno” totó que aceita tudo de Bruxelas é um clássico da política portuguesa. É por aqui que anda António Costa.
Contudo, desde o resgate de 2011, o tom geral tem-se tornado mais agressivo. Mais à esquerda, suspira-se cada vez mais por alguém que “bata o pé” à “senhora” Merkel. Esta escalada populista vai ser interessante de acompanhar.
O bloco vai imitar o linguajar do Podemos batendo na corrupção da “casta” que nos governa. Não se sabe se Luís Fazenda vai deixar crescer um rabo-de-cavalo como Pablo Iglesias.
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| Daqui (editada) |
Será que ele, tal como Marinho e Pinto, pode ambicionar eleger um deputado no distrito de Viseu?
domingo, 4 de janeiro de 2015
"As melhores viagens são um salto no escuro" — um texto de JB *
* Comentário de JB ao post "Bom 2015!"
2015 – O Ano do PINÓQUIO!
Amigo Gato, os votos são recíprocos e o desejo que continue a ter garras afiadas!
Vamos precisar de garras e ganas para a luta diária de recuperar a esperança ou provavelmente, em Outubro, já teremos chegado à conclusão de que a alternativa será de contarmos apenas com os desiludidos da mesa do canto…
A arruada das mentiras e aldrabices dos profissionais do embuste e da dissimulação teve início já nas corridas de S. Silvestre…(eh eh), não se pode perder a linha de partida.
Ora vejam lá o exemplo do sr Jardim que vai ser o melhor “reforço” do grupo parlamentar do PPD, no mercado de inverno.
A esquerda continua fraturada e a “esperar por Godot”, numa crescente despolitização, declínio e desvitalização da Democracia, como valor e como forma de vida colectiva.
Em 2015: há que afinar a pontaria!
Por isso, espaços como o do sr Gato, são essenciais para a “higiene democrática”; espaço que continue a escapar à lógica do rebanho, que não deixe margem para o exercício da liberdade e do compromisso. Uma esquerda de compromisso necessário que exclua atitudes irredutíveis e que afirme a capacidade para ser livre através de um pensamento e acção que respeite e promova a constante diferença. O respeito pelo outro passa também pelas palavras das quais nos servimos para com ele construirmos pontes.
Votos para 2015:
«As melhores viagens são um salto no escuro. Se o destino fosse conhecido e amigável, qual era o interesse de ir até lá?»
Um fraterno abraço para 2015.
2015 – O Ano do PINÓQUIO!
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| Imagem daqui |
Vamos precisar de garras e ganas para a luta diária de recuperar a esperança ou provavelmente, em Outubro, já teremos chegado à conclusão de que a alternativa será de contarmos apenas com os desiludidos da mesa do canto…
A arruada das mentiras e aldrabices dos profissionais do embuste e da dissimulação teve início já nas corridas de S. Silvestre…(eh eh), não se pode perder a linha de partida.
Ora vejam lá o exemplo do sr Jardim que vai ser o melhor “reforço” do grupo parlamentar do PPD, no mercado de inverno.
A esquerda continua fraturada e a “esperar por Godot”, numa crescente despolitização, declínio e desvitalização da Democracia, como valor e como forma de vida colectiva.
Em 2015: há que afinar a pontaria!
Por isso, espaços como o do sr Gato, são essenciais para a “higiene democrática”; espaço que continue a escapar à lógica do rebanho, que não deixe margem para o exercício da liberdade e do compromisso. Uma esquerda de compromisso necessário que exclua atitudes irredutíveis e que afirme a capacidade para ser livre através de um pensamento e acção que respeite e promova a constante diferença. O respeito pelo outro passa também pelas palavras das quais nos servimos para com ele construirmos pontes.
Votos para 2015:
«As melhores viagens são um salto no escuro. Se o destino fosse conhecido e amigável, qual era o interesse de ir até lá?»
Paul Theroux
Viagem por África
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