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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Não se sentiu...*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Há um mês, num texto intitulado “Quem não se sente...”, alertei aqui o presidente da câmara de Viseu que lhe ficava muito mal estar a dar gás ao coreógrafo Paulo Ribeiro depois de este ter abandonado, em 2016, por sua única e exclusiva vontade, a direcção do Teatro Viriato, e ter vindo agora, anos depois, alegar que foi vítima de um “despedimento ilícito” e tentar sacar, em tribunal, 50 mil euros àquela entidade municipal.

Como é evidente, um bom líder “sente-se” e, por isso, põe-se ao lado do que é seu e está a ser atacado, não se põe ao lado do atacante.

O facto é que António Almeida Henriques, mesmo depois de avisado, “não se sentiu...” E fez pior: para além de ter mantido a encomenda de um espectáculo ao litigante, ...
Fotografia de José Ricardo Ferreira
(editada)
... sentou-se ao seu lado numa conferência de imprensa no exacto teatro demandado em tribunal. E, apesar de ter ouvido o homem confirmar aos jornalistas que ia continuar a exigir os 50 mil euros, mesmo assim, afirmou que aquilo ia ser “um grande momento das comemorações dos 20 anos do Teatro Viriato”.

Este episódio, do princípio ao fim, foi tudo menos “um grande momento” do que quer que seja.

A esta deserção do autarca de Viseu na defesa do seu teatro municipal some-se o seu défice de rigor gestionário: acaba de saber-se que a câmara de Viseu, em 2018, teve um resultado líquido negativo de 3.573.148,97 euros.

2. As eleições europeias de Maio são feitas num quadro político inédito: a UE tem dois inimigos declarados, Trump e Putin.

O presidente norte-americano e o presidente russo estão a apoiar partidos soberanistas de direita e de esquerda, hostis à “Europa”. Enquanto Putin faz as coisas mais na sombra, Trump é menos subtil. O seu estratega, Steve Bannon, não sai do velho continente a organizar uma internacional de ultra-direita.

É um sinal dos tempos: os vários nacionalismos europeus sempre foram historicamente hostis aos norte-americanos e aos russos. Agora, são lacaios deles.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Gê Dois*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 10 de Abril de 2009 


1. A última cimeira dos G20 serviu para se atirar uma montanha de dinheiro para cima da crise e para se perceber que Barack Obama consegue moderar o fogo que lavra na economia mundial mas não é capaz de o apagar.

E a Europa?

A Europa mostrou-se como de costume: umas bravatas de Sarkozy, umas gaffes de Berlusconi e uma irrelevância chamada Durão Barroso.

Valha-nos a sensatez de Angela Merkel que não vai em keynesianismos de 25ª hora e, ao menos, tem uma ideia na cabeça para esta tempestade: apostar na solidez do euro.

Este G20 foi o décor londrino para mais um capítulo do drama a dois entre os Estados Unidos e a China.



Obama e Hu Jintao prosseguiram o seu G2 particular que está no epicentro desta crise global. O maior devedor mundial e o seu maior credor necessitam ambos que o valor do dólar não caia. Pelo menos muito depressa.

2. Recebi um mail de Lisa A. Saleh, senhora de quem nunca tinha ouvido falar.

Ela apresenta-se como “uma viúva de idade que sofre de doença prolongada” que herdou do seu “último marido” 3,5 milhões de dólares e que “precisa de uma pessoa honesta e temente a Deus que possa usar os fundos no trabalho de Deus a ajudar os menos privilegiados”.

Lisa A. Saleh reserva 1,2 milhões de dólares “para meu uso pessoal” neste trabalho misericordioso.

Depois pede-me dados pessoais bastante intrusivos e está à espera da minha resposta para o e-mail: mrslisa52@yahoo.co.th.

Pode esperar sentada numa cadeira confortável pela minha resposta. Deixo o e-mail da senhora para alguém interessado…

3. Está na fase de acabamentos uma nova rotunda no centro de Viseu que merece um especial carinho.

É um círculo perfeito.

À volta, bordejando toda a circunferência, tremeluzem dezenas de “olhos de gato”.

Esta coluna agradece a homenagem.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Quem dera que...*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Já foram recuperadas e entregues aos donos quase todas as casas ardidas em Outubro de 2017. Na região, felizmente, não houve nada parecido com Pedrógão. Os nossos autarcas merecem aplauso.

A paisagem também está a recuperar. Já quase não há negro nos montes ardidos.

Quem dera que se tratasse agora da eclosão espontânea de eucaliptos, essa bomba-relógio a espalhar-se com força nos concelhos do sul do distrito.

2. Tratei aqui do familismo na política há mais de um ano, ainda não se conhecia, nem de perto nem de longe, a dimensão da endogamia que vai na cúpula socialista.

A tese que defendi então foi a seguinte: a bancarrota socrática, ao ter-nos levado as grandes empresas (a banca, a PT, a EDP, os CTT, ...) onde os nossos políticos costumavam prantar os familiares sem dar muito nas vistas, obriga-os agora a pôr os parentes em lugares de mais escrutínio.

Como estão mais visíveis, os media repararam e os parentes caíram na lama. Ainda há um ou outro comentador mais geringoncista e um ou outro aparelhista mais canino que refere a putativa “competência” especial desta fauna, mas vozes de burro não chegam ao céu.

Quem dera que todo este escrutínio resulte em listas menos nepóticas nas próximas legislativas.

3. Os “técnicos” de som das festas, em vez de confinarem a música aos recintos, abrem de tal maneira as goelas aos equipamentos que estes são ouvidos quilómetros e quilómetros em redor. Este costume bárbaro é particularmente nefasto no Verão porque as pessoas precisam de ter as janelas abertas para refrescarem as casas e, com o barulho, não conseguem descansar.


Daqui
Na semana passada, uma festa no Politécnico de Viseu não deixou dormir ninguém à volta, o que fez com que o vice-presidente da câmara lhe cortasse o pio no último dia. Muito bem!

Quem dera que Joaquim Seixas continue a controlar os decibéis festivos do Verão. A começar pelas festas e festinhas organizadas pela sua câmara.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Hanami*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 27 de Março de 2009

Fotografia Olho de Gato
1. Hanami é uma tradição milenar japonesa que leva multidões para debaixo das cerejeiras a admirarem a beleza das suas flores. 

Ainda pode fazer hanami este fim-de-semana no vale do Douro, entre a Régua e Resende, onde há milhares de cerejeiras floridas à sua espera.
     
2. “A tendência do homens (…) a imporem aos outros como regra de conduta a sua opinião e os seus gostos, está tão energicamente sustentada por alguns dos melhores e alguns dos piores sentimentos inerentes à natureza humana que quase nunca se detém a não ser por lhe faltar poder.”
     
Quando escreveu isto há 150 anos, Stuart Mill estava longe de imaginar deputados, no século XXI, a parirem leis sobre o sal no pão nosso de cada dia.
     
3. Começo este ponto com uma declaração de interesses: integro um órgão não executivo do Cine Clube de Viseu (CCV).
     
Apesar disso, é com objectividade que afirmo: o CCV tem uma actividade cultural competente e consistente. O seu trabalho com as escolas já envolveu mais de 20 mil alunos. O Ministério da Cultura acaba de o colocar, pelo terceiro ano consecutivo, em primeiro lugar na rede nacional de exibição não comercial de cinema.
     
O CCV está bem mas há nuvens no horizonte. A evolução tecnológica vai fazer desaparecer as cópias de filmes em celulóide e a cidade ainda não tem uma sala não comercial com projecção digital.
     
Era importante que o futuro Centro de Artes do Espectáculo de Viseu (CAEV) tivesse uma sala com essa funcionalidade. Quanto mais modular, flexível e multidisciplinar o CAEV for, melhor.
     
É necessário evitar que o CAEV se transforme em mais um elefante branco. É agora na fase de concepção que se pode evitar esse risco bem real.

sexta-feira, 22 de março de 2019

O estrado*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Junto ao bairro de Marzovelos em Viseu foi feito um lago artificial que, de tão belo e inesperado naquele sítio, deve ter ajudado a vender os apartamentos dos prédios vizinhos. Tinha patos, tinha até uma grácil garça que por lá poisava para alegria de pequenos e graúdos.

Entretanto, aquela beleza virou pesadelo. Aquilo está transformado num charco de águas pútridas, numa fábrica de mosquitos e melgas, numa ameaça à saúde pública.

Aquele desmazelo feito de telas rasgadas e lixo é o retrato chapado do presidente da câmara e da sua equipa.

Em matéria de obras novas, já se sabe, António Almeida Henriques é só inconseguimentos. O mesmo na manutenção das que recebeu: basta espreitar o lago que virou charco em Marzovelos.

2. Numa cativante cerimónia acontecida em 2017, no Hospital de S. Teotónio, foi tirada uma fotografia a nove cidadãos, cinco deles em cima de um estrado vermelho, onde se reconhecem o então secretário de estado da saúde, Manuel Delgado, o director do hospital, Cílio Correia, e os presidentes da câmara de Viseu e de Tondela. A fotografia, publicada na última edição deste jornal, mostra os homens da saúde de gravata, os autarcas sem, todos à frente de uma placa a anunciar: “Aqui vai ser instalado o Centro Oncológico”.
Anúncio do Centro Oncológico do Hospital Tondela-Viseu, 6 de Maio de 2017
Fotografia do Jornal do Centro (editada) 
Na altura, Manuel Delgado, naquele estrado erguido acima do chão, deixou tudo prometido e calendarizado: iam ser seis milhões de euros de investimento num bunker com capacidade para dois aceleradores lineares, mas, avisou o governante, só um é que ia ser instalado e ia estar a funcionar dois anos depois. Isto é: agora, em 2019.

Foi, repito, uma cativante cerimónia. Só que, logo a seguir, o cativante Mário Centeno, o nosso CR7 das finanças, puxou o travão do acelerador linear. Não há lá nada a não ser a placa.

Mas tenhamos calma: estamos em ano eleitoral, a coisa é capaz de ser reprometida. Em nova cativante cerimónia. Caro Cílio Correia, é melhor ir preparando, de novo, o estrado.

sexta-feira, 15 de março de 2019

O lugarito*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Ninguém tinha dado conta mas, pelos modos, conforme se lê num comunicado da comissão política da JS-Viseu, há “um grande mau estar e grave insatisfação por parte dos jovens socialistas” com o seu presidente distrital, Miguel Figueiredo. Um quarteirão de jotinhas convocou um congresso extraordinário.

O “bom estar” do líder lembrou ao “mau estar” daqueles militantes que era estúpido fazer um congresso seis meses antes de outro obrigatório, mas, já se sabe, o cozinhado da lista de deputados é agora, não é no outono.

É verdade: como não há primárias, chega-se ao lugarito nas listas através da intriga, lugarito que costuma calhar ao chefe local e aos seus acartadores da pasta.

Há quatro anos, o PS elegeu três bons deputados pelo distrito de Viseu: Maria Manuel Leitão Marques, António Borges e João Paulo Rebelo, mas, como estes foram para outros voos, acabaram substituídos por três nulidades de aparelho sem uma ideia política na cabeça.

Desta vez, como há algumas hipóteses de o PS eleger quatro deputados, a luta para um lugarito até ao oitavo lugar está a ser ainda mais brava do que o costume. Uns jotinhas querem pôr uns patins em Miguel Figueiredo que, coisa rara entre os vips da JS, trabalha no duro numa empresa e não precisa de tacho.

2. Em todo o lado, os centros históricos das cidades estão a ser vedados, total ou parcialmente, à circulação automóvel. Em todo o lado menos em Viseu.

Fotografia Olho de Gato
Maio/2012
Em 2005, ainda houve uma tentativa mas, perante o clamor, a câmara desistiu. Ainda não havia evidências que um centro histórico livre de carros pode ser bom até para os negócios dos bares. Agora já há. Os Jardins Efémeros encarregaram-se de demonstrar que os viseenses não se importam de caminhar um pouco mais e ter as ruas e praças do centro histórico livres da poluição e do incómodo do trânsito.

Era bom, pelo menos nas noites dos fins-de-semana de Maio a Setembro, Viseu proporcionar às pessoas um centro histórico despoluído e civilizado.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Quase primavera*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 13 de Março de 2009

1. O aquecimento global baralhou os equinócios e, por isso, não se sabe bem quando começa a quase primavera. A quase primavera começa algures por volta do dia dos namorados e, amável como é, já não vai mais embora.

Na quase primavera, as magnólias dos jardins da classe média gritam cores aos passantes e os canteiros em todo o lado ficam cheios de amores-perfeitos.

Fotografia Olho de Gato
A quase primavera multiplica os olhares das raparigas para os rapazes. A quase primavera põe Penélope Cruz nas paragens de autocarro a olhar para mim. A quase primavera é a voz de Ney Matogrosso a cantar a epiderme “por debaixo dos pano”.

2. A Associação Comercial e o Movimento de Cidadãos Pelo Centro Histórico defendem a deslocalização da loja do cidadão para o centro de Viseu.

Esta transferência não chega, por si só, para resolver os problemas daquela zona nobre da cidade mas é um óbvio “por onde começar” numa tarefa que nos interpela a todos. Precisamos salvar o coração da nossa cidade.

É claro que os comerciantes têm que fazer também a sua parte: há lojas no centro que petrificaram e assim, com loja do cidadão ou sem loja do cidadão, não têm futuro.

Infelizmente, ano eleitoral é ano propício a telenovelas políticas. Já houve um pequeno esboço: depois de o dr. Ruas ter sugerido um edifício (entre os vários possíveis) para a futura loja do cidadão, apareceu logo o dr. Junqueiro a propor que fosse a Câmara a pagar as obras.

Ora, o que Viseu menos precisa é do velho e costumeiro pingue-pongue entre Fernando Ruas e José Junqueiro, com o dr. Ginestal a servir de apanha bolas.

Mais um funeral como o da universidade pública não, por favor!

sexta-feira, 8 de março de 2019

Quem não se sente...*

* Hoje no Jornal do Centro


Fotografia Olho de Gato

1. Na edição da semana passada, este jornal dava a novidade na primeira página: “Antigo director coloca Teatro Viriato (TV) em tribunal, quer receber dinheiro dois anos depois de ter saído”. Mais à frente, na página seis, os pormenores: Paulo Ribeiro “alega que houve um despedimento ilícito” e “pede indemnização de 50 mil euros”.

Recordemos: em 2003, Paulo Ribeiro saiu de Viseu para ir dirigir o Ballet Gulbenkian, e, como as coisas não correram bem, acabou por regressar ao mesmo posto.

Uns anos depois, em 2016, Paulo Ribeiro, o número um, decidiu aceitar outro convite, desta vez para dirigir a Companhia Nacional de Bailado. Ninguém lhe pôs uns patins debaixo dos pés, ele, o boss, é que quis ir embora pela segunda vez.

O dr. Ruas, em entrevista publicada neste jornal, avisou Paulo Ribeiro que “nem o teatro, nem nenhuma instituição deste género pode ser utilizada como aeroporto, onde se aterra e descola a seu belo prazer”.

É evidente: o Teatro Viriato não é um aeroporto. Nem é, tão pouco, a santa casa da misericórdia.

2. Tem acontecido tudo a Paula Garcia, a actual directora do TV: quando tomou posse, o presidente da câmara, mal aconselhado, fragilizou-a com declarações estéreis e infelizes à imprensa; a seguir, apesar de a candidatura do TV aos apoios do ministério da cultura ter ficado em primeiro lugar, sofreu um corte enorme nos apoios vindos de Lisboa, só no primeiro ano foram 90 mil euros; agora, esta facada em tribunal do antigo director.

Perante tudo isto, ainda não se viu nenhum gesto solidário de António Almeida Henriques para com o seu teatro municipal. Mas ainda está a tempo.

O vereador da cultura convidou Paulo Ribeiro a fazer, no próximo mês, um espectáculo no exacto palco da exacta instituição a quem o coreógrafo, já depois desse convite, meteu uma acção judicial para tentar sacar 50 mil euros. Um presidente da câmara não pode pactuar com isto. O espectáculo deve ser cancelado.

É que quem não se sente...

sábado, 2 de março de 2019

Ilhas ecológicas em águas paradas — texto e fotografias de JB


Esta notícia da câmara de Viseu — Cidade-jardim reforça ilhas ecológicas e veículos de recolha de resíduos — fez-me despertar do torpor de desinteresse e indiferença face à realidade política nacional/local.

Li com interesse e confrontei a novidade com a realidade:


Há oito meses…



Há oito meses que o denominado “lago de Marzovelos” é um espaço de águas paradas, limos, plástico rasgado e fim de sinais de existência.



Já teve peixes, patos e vida!


O que começou por ser uma boa ideia é hoje um local de desmazelo, desleixo e negligência.

Há oito meses que é uma ilha de desolação!
Há oito meses….


PS:
E para algo completamente diferente, fica a pergunta: como pode um republicano rever-se num governo “monárquico e endogâmico”?


JB

sexta-feira, 1 de março de 2019

Carnaval, entrudo, liberdade*

* Hoje no Jornal do Centro


Estão a chegar os três dias de entrudo. E, segundo prevê a meteorologia, depois da primavera antecipada que tivemos, no carnaval vai estar frio para arroxear as carnes das matrafonas mais descascadas.

Dulce Simões, num texto académico intitulado “Carnaval em Lazarim: máscaras, testamentos e práticas carnavalescas”, caracteriza o que se passa nestes dias como “um sistema simbólico associado à transição do Inverno para a Primavera, do velho para o novo, da morte para a vida”, um sempre repetido “ciclo de renovação cósmica e social, tempo de utopia e transgressão, onde o marginalizado busca uma libertação catártica, vencendo simbolicamente a hierarquia, a ordem, a opressão, e o sagrado.”

No carnaval, ninguém leva a mal. No entrudo, vale tudo. Mas será que ninguém leva a mal? Mas será que vale mesmo tudo?

No ano passado contei aqui o caso de Carlos Santiago, cujo “Pregón de Entroido” que fez em Santiago de Compostela pôs aquele excelente monologuista debaixo de tiro da igreja e da direita espanhola mais retrógada.


Fotografia daqui
Já este ano, Bruno Melo, o escultor que pôs uma “Nossa Senhora da Bola” num monumento ao Carnaval de Torres Vedras, viu a paróquia da terra muito zangada a obrigar o município a retirá-la.

Pois, é isso: é carnaval mas há quem leve a mal, é entrudo mas não vale tudo.

Nestes tempos tão ásperos para a liberdade de expressão, às repressões antigas provenientes da religião e dos autoritarismos, há que somar também agora a repressão dos chuis da linguagem do politicamente correcto.

O que é dito nos testamentos do Entrudo de Lazarim já desfez casamentos, já deu querelas em tribunal, mas nunca ninguém se zangou por uma comadre chamar “paneleiro” a um compadre, ou este chamar àquela “fressureira”. Isso em outros tempos. Agora, com os chuis da linguagem e os seus ofendidinhos politicamente correctos, é capaz de ser perigoso.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Deepfakes*

* Hoje no Jornal do Centro 
in Centro Leaks — Tintol & Traçadinho,
página de humor do Jornal do Centro,
edição de hoje 

1. No ano passado, o presidente da câmara de Penedono não fez nada que se visse para evitar o encerramento da estação de correio daquela bela vila do distrito de Viseu.

Agora, o ministério da saúde quis colocar um médico dentista e um assistente no centro de saúde local, num programa que carece do envolvimento das autarquias, mas o presidente da câmara pôs-se outra vez de fora, alegando que já lá há dentistas privados.

Se não é para defender a sua terra, se não é para defender a saúde dos seus munícipes mais pobres, para que raio é que o homem julga que foi eleito?

2. Os verdes do parlamento europeu fizeram as contas aos custos da corrupção em Portugal: todos os anos escoam-se pelo ralo 18,2 mil milhões de euros, mais do que o SNS (16,1 mM€), mais do dobro do orçamento da educação (8,7 mM€), mais de metade de todas as despesas sociais do estado. Aquele balúrdio que vai para o bolso dos corruptos dava para pagar a cada português 1763 euros. A conta foi feita também em Big Macs, mas só pensar nisso engorda.

Perante este cenário, de que a ladroagem na CGD é só a ponta do icebergue, a verdade verdadinha é que ninguém vai preso. Armando Vara parece-se cada vez mais com o boi de piranha dado em sacrifício para que o resto da manada atravesse incólume o rio.

O PS, o PSD e o CDS — que contaminaram a CGD com os seus boys — no mínimo dos mínimos deviam pedir desculpa ao país.

3. Deepfakes são vídeos manipulados que põem pessoas a dizer e fazer coisas que elas nunca fizeram ou disseram. Estes vídeos estão cada vez mais realistas e de produção acessível a cada vez mais gente.




Escusado será dizer que um deepfake pode desfazer uma reputação, pode estraçalhar um político. Pior: ao ser indistinguível a verdade da mentira, tudo nos parecerá mentira.

Vai haver tecnologia de detecção de deepfakes mas que será sempre imperfeita. O mais importante é não sermos impulsivos nas partilhas nas redes sociais e usarmos canais com um histórico de rigor.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Multitarefas*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 20 de Fevereiro de 2009

1. Nós conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Há uns anos no IP3 foi apanhado pela GNR um condutor que ia a conduzir a 160 à hora e a fazer a barba. O facto é que o homem não se esbarrou.


Daqui
Já vi num multibanco uma mulher a levantar dinheiro da máquina enquanto falava ao telemóvel e comia um croissant. Ela não se enganou. Não falou para o multibanco nem comeu o telemóvel nem levantou o croissant.

Dizia-se que o presidente americano Gerald Ford não era capaz de caminhar e mascar chiclet ao mesmo tempo mas isso era só uma maldade dos seus inimigos políticos.

Nós somos multitarefas.

Portanto, por favor, não me digam que os portugueses não são capazes de votar para as autárquicas e para as legislativas no mesmo dia. Então as pessoas são capazes de votar em três papelinhos diferentes mas em quatro já não?

Ultimamente tenho ouvido muito o argumento que o que é preciso é atacar a crise económica em vez de se estar a pensar em problemas de minorias como o casamento gay. Ora, este argumento não tem em conta que os políticos também são multitarefas. Numa manhã de trabalho e sem madrugarem muito, os deputados podem perfeitamente resolver o problema do casamento entre homossexuais e ainda ficam com a tarde toda para lutarem contra a recessão.

2. Às vezes, na cabeça das pessoas, forma-se a ideia que a felicidade está sempre noutro lugar ou noutra circunstância, nunca no lugar ou na circunstância em que se está.

É disso que trata Revolutionary Road, de Sam Mendes, um filme amargo que vai aumentar a taxa de divórcios do mundo.

3. No último sábado foi lançado o primeiro número da Viseu.M. É uma revista excelente e imperdível.

Parabéns ao Grupo de Missão do Museu Municipal de Viseu.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Queijo*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Antes de irem de fim-de-semana, os deputados fizeram uma resma de votações sobre portagens: desactivação de um pórtico em Aveiro, embaratecimento de dois troços na zona de Coimbra, abolição de portagens nas A22, A23, A24, A25, A28, A29, A41 e A42.

Ora, tudo aquilo foi um teatro para deixar tudo na mesma. Se os deputados julgam que com este faz-de-conta ficam melhor no retrato, estão muito enganados.

Ainda por cima, pelas votações socialistas desiguais, percebe-se que alguns deputados rosa votaram a “favor” da abolição das portagens nas auto-estradas do seu distrito, mas a “desfavor” nas outras. Uma palhaçada.

2. No sábado e no domingo, realizou-se a Feira do Pastor e do Queijo, de Penalva do Castelo, a primeira, a melhor de todas as feiras do queijo da serra que nos enche o corpo de prazer e de colesterol. Se houvesse justiça, o prazer era para nós e o colesterol para os deputados que nos quiseram tanguear na véspera.

A feira esteve magnífica, acampada numa tenda gigante que protegeu da intempérie Rosinha e as suas coristas, enquanto elas descreviam a pulsão macha para a “coentrada”...



... e a arte de “descascar a banana”, para não falar nos condimentos do “refogado” do Quim Barreiros.

Rezam as crónicas, eu não vi mas li algures, que o ainda-ministro-das-obras-cativadas e futuro eurodeputado Pedro Marques também lá esteve a degustar queijo e, depois, com o coração amanteigado, prometeu que este ano havia um avanço nas muito esperadas obras na rua com trânsito de caracol que liga Viseu ao Sátão.

O problema é que o ainda-ministro Pedro Marques descaiu-se. Afinal, depois de tanto tempo passado e tanta conversa, o projecto ainda está para conclusão. Logo, se está para conclusão, conclui-se que ainda não está concluído. Logo, afinal, ainda não vai acontecer nada este ano naquela rua.

O que vale ao ainda-ministro-das-obras-de-papel é que o que se diz enquanto se mastiga queijo é para esquecer.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Arranjem-me um emprego*

* Hoje no Jornal do Centro


Fotografia Olho de Gato 

No início desta semana, houve uma conversa evocativa dos 20 anos do Teatro Viriato, moderada por Pedro Santos Guerreiro, com Paula Garcia, Manuel Maria Carrilho, Ricardo Pais e Paulo Ribeiro.

Pedro Santos Guerreiro foi de um rigor impecável e, no final, fez uma síntese tão exaustiva e perfeita que deixou a plateia toda de boca aberta.

Paula Garcia esteve bem, descreveu, como lhe competia, o presente e os projectos para o futuro do teatro que dirige e que tem financiamento assegurado até 2021.

Manuel Maria Carrilho lembrou-nos naquele palco uma evidência: ele foi, de facto, o único ministro da Cultura da terceira república com meios e pensamento estratégico para o sector.

Já Ricardo Pais, sempre igual a Ricardo Pais, lá lembrou aquelas coisas dele apenas críveis à luz eléctrica, coisas dos anos 80 em que façanhudos parolos viravam apreciadores de Cole Porter, por sua obra e graça, e dos canapés que servia nos eventos da associação comercial. Enfim, elogio em boca própria não é bonito, mas há pior e houve pior.

E o pior deixo-o aqui mesmo para o fim: o coreógrafo Paulo Ribeiro, ex-director da casa, subiu àquele palco para dizer que o Teatro Viriato precisa de um “director-artista”. Verdade. O homem desenhou no ar uma moldura e pôs a sua cara de artista lá dentro. Transformou aquela evocação histórica numa espécie de “arranjem-me um emprego”.

Será que o mesmo “director-artista” que, logo em 2003, desertou para Lisboa para dirigir o Ballet Gulbenkian, e que, depois do fiasco, regressou a Viseu para uns anos de preguiça e rotina criativa, e que ainda desertou mais uma vez para Lisboa para dirigir a Companhia Nacional de Bailado, quer agora vir, pela terceira vez, tomar conta do Teatro Viriato?

Ou será que o coreógrafo vai ficar, afinal, na Casa da Dança de Almada? No primeiro mandato, António Almeida Henriques prometeu uma Casa da Dança para Viseu, mas o edil, já se sabe, em matéria de obras é só inconseguimentos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A ventoinha*

* Texto publicado no Jornal do Centro há dez anos, em 30.1.2009


1. Ano de eleições é ano de fervenças em pouca água.

Mal se acabaram de cantar as janeiras logo apareceu José Cesário, líder distrital do PSD, de kalasnhikov na mão, a exigir a demissão da directora do centro de emprego de Lamego.
        
Como é óbvio, na resposta, José Junqueiro lembrou-lhe casos complicados nas câmaras de Lamego, de Castro Daire e de Mangualde. 

Já se sabe: quando se atira lama para a frente da ventoinha, sai lama em todas as direcções.



2. Filmados nos anos de 1970, os 68 episódios da multi-premiada Família Bellamy contaram as aventuras e desventuras duma família aristocrática e dos seus empregados. O título original desta excelente série televisiva — Upstairs, Downstairs, ou o usado em Espanha — Arriba y Abajo explicavam melhor aquele mundo: os andares no cimo da escada eram para os senhores, os de baixo para os criados.
     
Depois da queda do muro de Berlim e da vitória do capitalismo, a divisão de tarefas entre o poder económico e o poder político passou-se a parecer muito com a Família Bellamy. No andar de cima, os donos do dinheiro mandavam; no andar de baixo, os políticos tratavam-lhes da intendência.
     
O resultado, depois de anos de ganância e irresponsabilidade, é a crise gravíssima que estamos a viver. Os do andar de cima começaram a pedir ajuda aos políticos. Para já, a resposta tem vindo em planos de recuperação e avales de milhares de milhões de euros.
     
A coisa não vai ficar por aqui. Em tempos de crise, uns ganham e outros perdem, uns sobem e outros descem. Vai haver um engarrafamento upstairs, downstairs na escadaria social.
     
E muitos dos de cima vão descer a escada aos trambolhões empurrados exactamente por aqueles que eram, até há não muito tempo, seus criados.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Vetocracia*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Em Washington, os pesos e os contra-pesos constitucionais estão a anular-se uns aos outros. Francis Fukuyama descreve assim este fenómeno: “os Americanos têm muito orgulho numa constituição que limita o poder executivo numa série de controlos. No entanto, esses controlos metastizaram-se. E agora a América é uma vetocracia.”

Daqui
O sectarismo dos dois partidos do poder impede que eles cheguem a compromissos. O actual fecho do governo federal está a bater todos os recordes mas não é nada de novo, é só mais um momento em que a paralisia vetocrática já nem finge que se mexe e, por isso, entra pelos olhos dentro, até dos mais distraídos.

Obama foi torneando com ordens executivas alguns dos bloqueios que lhe eram impostos pelo poder legislativo dominado pelos republicanos, Trump, que acaba de perder a maioria no Congresso, mais tosco e mais preguiçoso, vai tweetando e tenta levar a água ao seu moinho usando as ferramentas aperfeiçoadas por Obama.

Entretanto, já há milhares de funcionários federais sem salário a acorrerem aos bancos alimentares. É mais um sinal da crescente precarização da classe média, fenómeno ocidental que se acentuou a partir da crise sistémica global de 2008 e que é uma bomba-relógio política a causar instabilidade em todas as latitudes.

2. As primeiras semanas deste ano tiveram uns dias gloriosos, ensolarados, bons para passear. Na paisagem, o sol oblíquo de Janeiro iluminava farrapos de névoa, num ou noutro vale, e fumo proveniente das queimadas.

Como é sabido, fogos no inverno são vacinas para os fogos no verão.

Essa profilaxia devia ser mais sistemática, devia usar mais conhecimento do terreno e da meteorologia, e, acima de tudo, devia ser feita com acompanhamento técnico para não acontecerem tragédias como a do dia 14, em Oliveira do Conde, em que morreu uma pessoa de 86 anos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Paus — Resende*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Umberto Eco, num texto publicado no L'Espresso em 2005, escreveu que “o fundamentalismo cristão nasce nos ambientes protestantes e caracteriza-se pela decisão de interpretar literalmente as Escrituras” e que “não pode haver fundamentalismo católico” já que, “para os católicos, a interpretação das Escrituras é mediada pela Igreja.”

Nos católicos há uma “hermenêutica mais flexível” que admite que “a Bíblia recorria com frequência a metáforas e a alegorias”, nos protestantes não.

É muito fácil constatar isso agora com os evangélicos no poder no Brasil. A ministra Damares Alves, depois de ter avistado Jesus num pé de goiaba, depois de ter “aberracionado” mulher com mulher e homem com homem, veio lamentar que a teoria da evolução de Darwin seja ensinada nas escolas e exasperar-se por a ciência estar entregue a... cientistas.

2. Ora, nesta quadra do Natal, uma dezena de textos de dignitários católicos publicados no Observador, uns mais violentos, outros menos, todos debruçados sobre a virgindade de Maria, vieram mostrar que aquela regra da flexibilidade católica, enunciada por Eco, tem excepções.

Tudo começou com um artigo que transcrevia declarações do bispo do Porto, D. Manuel Linda, nascido na freguesia de Paus do concelho de Resende, em que ele apostolava que “nunca devemos referir a virgindade física da Virgem Maria”, a que se somavam as declarações de Anselmo Borges, nascido também em Paus, em que aquele padre e professor universitário dizia que Cristo foi concebido por Maria e José “como outra criança qualquer”.

D. Manuel Linda e Anselmo Borges

O que estes dois resendenses foram dizer... Caiu-lhes em cima uma chusma a malhar-lhes e a jurarem pelo hímen de Nossa Senhora. Um delírio literal igualinho ao da ministra Damares.

O bispo, coitado, lá teve de fazer uma espécie de marcha-atrás, Anselmo Borges encolheu os ombros, e eu fiquei com vontade de visitar aquela simpática terra do norte do distrito que deu dois homens bons à Igreja.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Acabou o Natal*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 16 de Janeiro de 2009


1. Acabou o Natal.

Em Viseu, já tiraram a passadeira alaranjada da Rua Formosa e foi-se o Porsche do sorteio do Forum. A neve da última sexta-feira fez da cidade um presépio branco lindo mas atrasado.

É tempo de fazermos uma aterragem na crise. Que seja suave…

2. Há novidades na política de estacionamento em Viseu.

A câmara anunciou uma descida forte nas tarifas dos parquímetros (de 64 cêntimos para 40, na primeira hora). É uma notícia excelente.

Estão a decorrer concursos para a construção e exploração de dois parques de estacionamento no centro histórico. Oxalá esses concursos não fiquem vazios.

Infelizmente, ainda não foi desta vez que a câmara municipal anunciou lugares de estacionamento reservados aos moradores. Foi pena. É uma medida tão necessária para dar vida ao centro histórico como a tão falada loja do cidadão.

3. Depois das votações à tangente no parlamento na semana passada, a avaliação dos professores ficou assim:

i) até 31 de Agosto, continua em vigor a versão simplex (um faz-de-conta desassisado);

ii) a partir de 1 de Setembro, regressa a versão complex (um labirinto sádico infecundo).



4. As eleições autárquicas e legislativas devem ser feitas no mesmo dia. É um 2 em 1 cheio de vantagens: poupa-se tempo e dinheiro.

Dizer-se que as pessoas não sabem distinguir o voto local do voto nacional é um insulto à inteligência dos portugueses.

Uma democracia saudável respeita os calendários eleitorais. Há duas boas datas para irmos a votos e aviarmos logo tudo de uma vez: 27 de Setembro e 11 de Outubro. O domingo 4 de Outubro não é tão bom por causa do fim-de-semana prolongado.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Panorama*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Começo aqui o ano a lembrar, mais uma vez, que esta coluna aplica o método de Norberto Bobbio: devemos escolher uma parte, depois dessa escolha feita há que exercer o juízo crítico com severidade, especialmente com a nossa parte.

Isto é cada vez mais raro. A maior parte dos ditos “fazedores de opinião” já só escreve a dizer bem da sua tribo e a dizer mal das tribos adversárias.

2. O tribunal de contas, como lhe compete, fez as contas: entre ganhos e perdas, os bancos já custaram aos contribuintes 16,7 mil milhões de euros, 12% do PIB.

Os ganhos, que já acabaram, vieram dos empréstimos supervisionados pela troika ao BCP (919 milhões de lucro), ao BPI (167 milhões) e a três banquetas (5 milhões).

As perdas, que ainda não acabaram, têm sido colmatadas com os políticos a irem aos nossos bolsos: CGD (um rombo de 5,535 mil milhões), BES/Novo Banco (4,607 mil milhões), BPN (4,134 mil milhões), Banif (2,978 mil milhões), BPP (588 milhões).

Ora, como se sabe, uma boa parte do dinheiro destes resgates serviu para tapar buracos causados por ladroagem e não por negócios bancários legítimos. E, como não há ninguém preso, o mínimo dos mínimos era sermos informados dos nomes desses grandes devedores que andam para aí a rir-se na nossa cara. Devíamos, ao menos, saber quem “emprestadou” a quem, quanto e porquê.

Nem isso os políticos fazem. A geringonça não deixa que se saiba nada da festança socrática na CGD e, por extensão, não se sabe nada das negociatas nem no banco público nem nos bancos privados. Hoje há mais uma teatrada no parlamento sobre este assunto.

3. Festas e festinhas é com António Almeida Henriques. Já quanto a obras fica-se por anúncios mais anúncios, noves-fora-nada.*

No seu último “agora-é-que-vai-ser” no Mercado 2 de Maio, o edil viseense anunciou elevadores panorâmicos. 
Daqui
Pode lá pôr já um que suba muito alto. 
Para que dele se possa ver o Rossio e o panorama paralítico que vai naquela câmara.

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* Por lapso meu, na edição impressa saiu: 
"Já quanto a obras fica-se por anúncios, anúncios, noves-fora-nada."