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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

As paixões são assim*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Quando a Comissão Nacional de Eleições mandou retirar os cartazes autárquicos por causa das europeias, o presidente da câmara de Viseu ficou destroçado. É que, como se sabe, António Almeida Henriques (AAH) tem uma paixão irreprimível pela publicidade e todo o apaixonado odeia que o contrariem no seu amor.

Só esse afecto insofreável explica a resposta estúpida da autarquia àquela deliberação estúpida da CNE. Os cartazes publicitários, em vez de terem sido retirados, foram tapados com uma tela amarela com a seguinte confissão em letras pretas:
Fotografia Olho de Gato

Aquela poluição visual amarela, além de conter uma desnecessária sigla entre-parêntesis, tinha um lapso freudiano: a câmara assumia que os seus cartazes são para “publicitar” e não para “informar”.


Os fornecedores de outdoors agradecem, claro. E devem agradecer muito já que há dois mil cartazes publicitários (!) espalhados no concelho, conforme informou AAH num programa de televisão.

Caro leitor viseense, vá à sua liquidação do IRS e procure a verba correspondente ao “benefício autárquico”. Viu quanto é? Fique a saber que, nos termos da lei, esse “benefício” podia e devia ser o quíntuplo. Só não o é porque AAH ama com uma paixão irrefreável tudo quanto é marketing, mas não ama nem respeita o dinheiro dos contribuintes.

2. A câmara de Viseu acaba de lançar o concurso para o Viseu Arena, pelo valor de 6,7 milhões de euros mais IVA, para inaugurar, disse AAH, “no segundo semestre de 2021”.

A Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões acaba de lançar o concurso para os 55 quilómetros da Ecopista do Vouga, pelo valor de 3 milhões de euros mais IVA, para estar pronta, anunciou a CIM, “em 2021”.

Qual das duas obras vai ficar pronta primeiro logo se vê. Uma coisa é certa: a obra da câmara de Viseu vai derreter muito mais dinheiro em publicidade do que a obra da CIM.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

O íman centralista*

* Hoje no Jornal do Centro



Daqui
Depois de 38 mil milhões de euros de receita global das privatizações, depois do aumento doido da dívida pública em 165 mil milhões de euros a seguir a Guterres ter abandonado o pântano, depois da transferência global de 130 milhões de euros de fundos comunitários que era suposto servirem para desenvolver as regiões mais pobres, o país está mais desigual do que nunca, com a riqueza e a população empilhadas no litoral.

Barroso e Sócrates fingiram que controlavam o défice, com truques contabilísticos e receitas extraordinárias. Passos e Costa, depois da bancarrota de 2011, controlaram-no mesmo. Numa coisa não houve diferença nenhuma entre estes quatro primeiros-ministros: todos eles usaram o pretexto do controlo do défice para centralizar, cada vez mais, todo o poder em Lisboa.

O ex-secretário de estado do ensino superior e professor de economia José Reis, aqui no Jornal do Centro, quantificou o que nos está a acontecer: de "2001 a 2017, o país perdeu 1% da sua população, mas na Área Metropolitana de Lisboa aumentou 5,8%. A própria Área Metropolitana do Porto perdeu 1%. O Norte, o Centro e o Alentejo perderam respectivamente 3,2%, 5,1% e 8,3%."

Lisboa é um íman que despovoa já não só o interior, mas todo o país. José Reis faz o diagnóstico exacto do que é agora Portugal: "um país unipolar, unicamente centrado e concentrado em Lisboa, com uma forte deslocação interna de recursos e uma desestruturação dos demais lugares".

Como o actual poder socialista é comandado por gente que gastou os fundilhos das calças na câmara de Lisboa, por gente que se casou e se nomeia para os gabinetes entre si, por gente que vai ganhar as próximas eleições, este panorama centralista dificilmente mudará.

O interior precisa de uma fiscalidade substancialmente mais baixa em IRC, IRS e IMI, que atraia investimento e gente. Partidos que forem omissos nestas propostas não merecem o nosso voto.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A guerra aos professores*

* Hoje no Jornal do Centro


Os professores foram felizes durante quinze anos, desde a primavera de 1990, quando viram aprovada a carreira única por Roberto Carneiro, até à primavera de 2005, quando Maria de Lurdes Rodrigues iniciou uma guerra contra eles em duas frentes: retirar-lhes o controlo do seu trabalho (com uma nova gestão das escolas, a multiplicação da burocracia e do eduquês facilitista) e retirar-lhes dinheiro (com a avaliação e o congelamento da carreira).

A partir de 2005, as agências de comunicação governamentais nunca mais pararam de instigar a hostilidade da comunicação social contra os professores, cumprindo a estratégia que José Sócrates enunciou: “perdi os professores mas ganhei a opinião pública”.

A partir de 2005, os teóricos do eduquês instalados nos gabinetes governamentais, nas faculdades, nas escolas superiores de educação, que fogem das salas de aula como o diabo da cruz, nunca mais pararam de infernizar a vida de quem nelas trabalha.

A partir de 2005, os políticos nunca mais pararam o massacre, sempre a mudarem as leis, os regulamentos, os currículos, a avaliação dos alunos, sempre a arranjarem mais obrigações para as escolas e menos para as famílias e para os alunos indisciplinados.

Ora, toda esta pressão acumulada acabou por achar a válvula de escape que todo o país conhece: os 9A 4M 2D.

Para os profs, estes 9A 4M 2D são muito mais do que dinheiro ou tempo de serviço congelado, os 9A 4M 2D são uma sublimação emocional, são a saudade e a esperança no regresso aos anos em que foram felizes.


Fotografia de António Cotrim (editada a partir daqui)
Como é sabido, António Costa acaba de concluir a guerra iniciada, em 2005, por José Sócrates. O primeiro-ministro acaba de dizer aos professores que, com ele, os tempos felizes não voltam mais. O PS gosta de donos de restaurantes e de banqueiros. De profs não.

A partir de agora, só irá para professor quem não puder fazer mais nada. Daqui a poucos anos, vai haver falta de professores.

Dia da libertação fiscal

Daqui


Até ontem tudo o que os portugueses ganharam foi para pagar impostos.

Hoje, finalmente, chegou o dia da libertação fiscal.


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Uma filha-da-putice

He's back:
 porque todas as crianças são iguais
mas há umas que são mais iguais do que outras



Os manuais escolares não são gratuitos, são pagos pelos impostos nas escolas públicas e pelas famílias nas escolas privadas.

Como não há condição de recursos, nas escolas públicas a borla é para as famílias ricas, para as famílias remediadas e para as famílias pobres.

Como não há condição de recursos, nas escolas privadas não há borla nem para as famílias ricas, nem para as famílias remediadas e nem para as famílias pobres.

Esta diferença de tratamento entre escolas públicas e privadas tem um nome — é uma filha-da-putice.

Quem defende esta filha-da-putice costuma vir com o argumento "mas-nas-escolas-privadas-não-há-famílias-pobres" a que se poderá contrapor o argumento simétrico: "mas-nas-escolas-públicas-há-famílias-ricas".

Tanto um argumento como o outro são uma lateralidade em relação ao essencial: em matéria de manuais escolares, para o estado há portugueses de primeira e portugueses de segunda, uns são filhos, outros enteados.

Uma filha-da-putice.

Em Janeiro de 2017, no Jornal do Centro, fiz um apelo aos senhores presidentes da câmara para evitarem, com os seus orçamentos, este "apartheid". Renovo aqui o apelo.


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Adenda no dia 1 de Dezembro, às 11:35

A publicação deste texto no FB teve dezenas de comentários, a maioria a reprovarem o seu conteúdo, a discordarem deste meu argumento e a concordarem com esta discriminação. 


Permito-me, com bonomia, ironizar com a personagem que encima este post a partir de agora.

O que foi dito no FB lá está, o conteúdo é público.

Entretanto, ocorreu-me durante o debate que há mais um grupo de crianças a ser discriminado injustamente, crianças a serem também tratadas como cidadãos de segunda — os alunos que, nos termos da lei, estudam em casa, não frequentam nem escolas públicas nem privadas.

Esses também deviam receber manuais escolares pagos pelos impostos de todos os portugueses.


Dos vários contributos que recebi no FB, recordo um óbvio: esta divisão das crianças portuguesas em filhos e enteados, em matéria de manuais escolares, é provavelmente inconstitucional. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Encomendas*

* Hoje no Jornal do Centro


1. No dia 27 de Setembro de 2010, o secretário-geral da OCDE, sr. Ángel Gurría, apareceu em todos os media portugueses a recomendar um aumento vigoroso dos impostos sobre o imobiliário. Para além do IMI, a criatura queria também um aumento no IMT, o imposto que, quando ainda se chamava sisa, foi carimbado por Guterres como “o imposto mais estúpido do mundo”.
Durante dias a comunicação social não falou de outra coisa. Aquela conversa sintonizava-se tanto com a conversa do governo Sócrates que até parecia uma encomenda.

No dia 14 de Maio de 2013, o secretário-geral da OCDE, sr. Ángel Gurría, recomendou a Portugal que aumentasse impostos, tesourasse pensões, cortasse nos subsídios e indemnizações dos desempregados e carregasse nos combustíveis.
Durante dias a comunicação social não falou de outra coisa. Aquela conversa sintonizava-se tanto com a conversa do governo Passos que até parecia uma encomenda.

No passado dia 11 de Setembro de 2018, foi publicado um relatório da OCDE do eterno senhor Gurría, relatório esse que fez com que os nossos media desatassem a “informar” que os professores portugueses ganham dinheiro que nunca mais acaba.
Durante dias a comunicação social não falou de outra coisa. Aquela conversa sintonizava-se tanto com a conversa que o governo Costa gostaria de ter se tivesse coragem que até parecia uma encomenda.

Em 2010, a OCDE acarinhou Sócrates. Em 2013, mimou Passos. Agora quis fazer o mesmo a Costa mas as coisas não correram bem. Nem a perorar nove anos, quatro meses e dois dias seguidos, o sr. Ángel Gurría conseguiria convencer os portugueses que os seus professores são uns nababos.

2. Em vez de fazer como Bill Murray no filme “Os Caça-Fantasmas”, o bloco de esquerda, para tentar exterminar o fantasma Robles, propôs um “adicional ao IMT”, propôs um aumento da velhinha sisa.

Isto é, se o deixassem, o bloco adicionava ainda mais estupidez ao “imposto mais estúpido do mundo”.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Utilizadores-não-pagadores*

* Hoje no Jornal do Centro


Ele é borlas para o IRS dos emigrantes, ele é saldos dos passes sociais, ele é isto, ele é aquilo, os políticos estão lelés da cuca, como dizia há uns anos Marcelo Rebelo de Sousa.

Ainda faltam nove meses para as europeias e mais de um ano para as legislativas, mas, apesar de toda esta lonjura, a bolha em que vivem os políticos já só pensa numa coisa — votos.

E onde é que há votos? Pois, já se sabe, votos, votos a sério, há no litoral. No distrito de Viseu, se as pessoas estiverem contentes com o PS dão-lhe quatro deputados, se estiverem zangadas dão-lhe três. Não aquenta nem arrefenta. Já nos grandes círculos as coisas piam mais fino.

Foi por isso que o PS se saiu, no último fim-de-semana, com a ideia de uns passes fofinhos para os transportes em Lisboa. Coisa para uns sessenta milhões de euros a pagar por todos, alfacinhas ou não.

Depois, aquele eleitoralismo centralista foi diluído com um acrescentamento carinhoso de quinze milhões para os passes dos tripeiros e um afago de cinco milhões para os outros, entenda-se, para os passes de Coimbra e Braga.

Falta ver se estas águas de bacalhau cativam, ou não, o ministro Centeno. Esperemos sentados a trautear aquela cantiga do Sérgio Godinho que espera pelo comboio na paragem do autocarro. Os nossos poucos comboios, avariados ou atrasados, periclitam-se nos carris, enquanto os novos autocarros amarelos de Viseu...


Fotografia Olho de Gato
... ganham pó há meses em Coimbrões, à espera de uma decisão judicial. Mas, mesmo que estivessem a andar, não havia carinhos nem afagos do orçamento de estado nos passes de ninguém.

Quanto mais longe do mar, mais se sente o chicote implacável do princípio do utilizador-pagador, o mesmo que ergueu pórticos nas nossas auto-estradas. Sem alternativas, lá temos de atestar os nossos carros com 40% de combustível e 60% de impostos. Impostos que, depois, vão financiar transportes metropolitanos, com passes fofinhos para utilizadores-não-pagadores.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

PPPPP*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 11 de Julho de 2008


1. No início deste mês, o IVA passou de 21 para 20%. Podia ter descido mais qualquer coisinha. De qualquer forma: “Saravah!” - “Axé!” - “Shalom!” - “Salaam!” - “Ámen!” – “Iupi!”

Nunca é demais repetir esta ideia: é feliz o povo que tem um governo pequeno e moderado nos impostos.

Era bom que os impostos descessem mais e, para isso, há que cortar na gordura do estado. Porque não se privatiza a RTP? Se nem conseguimos manter urgências abertas nas vilas do interior, para que raio queremos uma televisão pública que faz rigorosamente o mesmo que fazem as televisões privadas?

Pergunta Jorge Fiel, no Diário de Notícias de domingo: “porque é que a telenovela "Dança Comigo" é "serviço público" e "Ciranda de Pedra" (SIC) e "A Outra" (TVI) não são?”

A RTP custa-nos meio por cento das receitas do IVA; 240 milhões de euros por ano; metade desta verba vem do orçamento de estado, a outra metade duma taxa que pagamos meio escondida na conta da luz.

2. É possível descer mais os impostos sem aumentar o défice. No estado, além de gordura inútil, há desperdício criminoso. Vamos pagar 485,5 milhões de euros pelo sistema de comunicações das forças de segurança, o SIRESP, cujo preço de mercado fica entre 70 e 105 milhões de euros. Não há ninguém preso por causa disto. Nem vai haver.

Fotografia de Carlos Manuel Martins
Daqui
Em Portugal, as PPP (Parcerias Público-Privadas) transformam-se em PPPPP (Parcerias Prejuízos Públicos Proveitos Privados).
Numa PPP, enquanto do lado empresarial há pensamento a longo prazo, no lado político mora um calendário eleitoral qualquer. Por vezes, as mesmas caras ora estão de um lado da mesa, ora estão do outro.

Aconteceu isso na PPP do SIRESP. Arderam 400 milhões de euros do nosso dinheiro. Quanto é isso em IVA?

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Amo-te Jéssica*

* Hoje no Jornal do Centro



Quem escreveu “Amo-te Jéssica” numa parede à beira da estrada entre Carregal do Sal e Tondela sabe quem é a Jéssica, talvez ainda a ame, talvez já não. O amor é uma água misteriosa, tanto corre como se esvai nas armadilhas do tempo. Talvez a Jéssica saiba quem foi que escreveu aquilo, talvez não. Talvez haja várias Jéssicas a julgarem saber, talvez uma delas esteja certa e as outras erradas. Talvez estejam todas erradas e a Jéssica amada nunca tenha reparado naquela parede.

Certo, certo, é que, na noite de 15 para 16 de Outubro, a estrada regional 230 entre Carregal do Sal e Tondela foi varrida pelos ventos doidos e crestos da tempestade Ophelia, e o fogo furioso fez fenecer tudo à frente.

Queimou tudo menos aquela declaração de amor naquela parede. Que ainda lá está e que ignizou a imaginação de Cristóvão Cunha para conceber a peça “Amo-te Jéssica”, que estreia esta semana no NACO, em Oliveirinha, feita a partir de “Os Figurantes”, de José Sanchis Sinisterra.

Como disse aquele encenador a este jornal, a peça é uma “homenagem aos bombeiros e às populações” que, naquela noite de todos os perigos, salvaram e salvaram-se. Os figurantes estiveram bem, os figurões não. O Cristóvão fez o balanço exacto: “tivemos populações que, não sabendo o que tinham que fazer porque os responsáveis não estavam, defenderam com coragem tudo o que podiam.”

Os actores principais deste teatro mínimo que é a presença do estado no interior não existiram naquela noite trágica, só existem quando é para cobrarem impostos ou para fazerem leis mal paridas como aquela que obrigava a limpar o mato até 15 de Março, mato que, entretanto, já cresceu outra vez.

Escrevo este Olho de Gato na quarta, vou estar na estreia desta peça na quinta, este jornal sai na sexta. Não posso informar os leitores sobre um passado que ainda não aconteceu. Não posso dizer se a Jéssica estava lá, naquela plateia.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Impostos*

* Publicado no Jornal de Centro há exactamente dez anos, e, 15 de Fevereiro de 2008



Daqui

1. Cara leitora, caro leitor: agora que provavelmente está a organizar os seus papéis para “meter” o IRS, proponho-lhe que procure a carta que recebeu das Finanças, no último Verão, com a liquidação do seu IRS. Procure a linha 20, referente à “colecta líquida”. Ora aí está quanto pagou de IRS. Se vive no concelho de Viseu, calcule 2% dessa “colecta líquida”. Meta-lhe mais a inflação em 2007 e 2008 (talvez, num cálculo conservador, 5%). Quanto dá? Viu o número? É quanto lhe vai custar este ano, a si e à sua família, em IRS, o seu Presidente da Câmara. Eu explico:

A partir de 2008, o IRS pode ser diferente de concelho para concelho. Estão em causa 5% do valor do imposto. Das 24 Câmaras do distrito de Viseu, só Resende (PS), Penalva do Castelo (PSD), Mortágua (PS) e Penedono (PSD), baixaram o IRS dos seus habitantes, em percentagens que vão de 2 a 3%. Portanto, só quatro Presidentes de Câmara é que mostraram alguma solidariedade pela classe média, que é quem paga o grosso dos impostos, e que está a ser massacrada em todas as frentes, designadamente nos impostos imobiliários (IMI e IMT) que nunca pingaram tanto como agora nos cofres municipais.

No concelho de Viseu, Fernando Ruas recusou uma proposta de Miguel Ginestal para que fosse feita uma redução de 2% no imposto de rendimento dos viseenses.

Quando, em 2009, receber a tal cartinha das finanças, não se esqueça dos dois por cento do seu dinheiro. Em 2009 é ano para acertar contas. Na cabine de voto.

2. O IVA dos ginásios desceu de 21% para 5%. Excelente! É de pedir o mesmo para os DVDs e CDs.

Depois do gasto de calorias no ginásio, nada como duas horas retemperadoras no sofá, com um bom filme, uma boa música, …

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Dor de cotovelo*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


1. No último domingo, o La Voz de Galicia trazia um artigo cheio de elogios a Portugal. O título — “Portugal, los nórdicos del sur de Europa” — era inspirado numa expressão do nosso presidente da república que oxalá se mantenha em boa saúde e cheio de afectos, especialmente por este interior nada nórdico.

É que, se não for Marcelo, não somos prioridade para ninguém — até as portagens das nossas auto-estradas tiveram um aumento maior do que as do litoral.

Elogios vindos de galegos não surpreendem, eles gostam muito de nós. Mas não foram só eles. Também o Ara, um jornal independentista catalão, numa peça dominical da secção de economia — “El misterí portuguès” — afirma: “Portugal està de moda. El turistes inunden Lisboa i Porto, ja comencen a descobrir la costa alentejana i fins e tot les illes de Madeira i les Açores gràcies a la pluja de vols low cost.”


Fotografia de Gonçalo Rosa da Silva, daqui
Os dois artigos são muito amáveis. Madonna é referida como “el ejemplo más llamativo” que se está a aproveitar da fiscalidade vip para “extranjeros”. Se eles acrescentassem que, por causa dos impostos fofinhos e a luz de Lisboa, também temos cá a Monica Bellucci, então, do lado de lá da fronteira, em vez de bonomia, sopraria o mau vento da inveja.

2. Onde os jornais espanhóis não conseguem esconder a dor de cotovelo é nos triunfos diplomáticos portugueses. Barroso, Guterres, agora Centeno, nomes que os põem a constatar o clássico “el tamaño no importa.”

Fiquemo-nos por três razões explicativas deste sucesso sintetizadas por Javier Martin del Barrio, no El Pais:

(i) a carreira diplomática em Portugal é eficaz e experiente porque, ao contrário de Espanha, não muda quando mudam os governos;

(ii) a “fúria” espanhola começa logo por dizer “no”, enquanto os portugueses, pacientes, respeitosos, avessos à confrontação directa, nunca dizem “não”;

(iii) as elites políticas portuguesas são poliglotas, as espanholas não, e isso acaba por ser decisivo.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Presuntos*

* Publicado há exactamente dez anos, em 23 de Novembro de 2007

1. A nova Lei das Finanças Locais é positiva embora o grosso dos dinheiros municipais continue a vir da velha fórmula: “quanto mais cimento, mais pilim”.

Uma das boas novidades da nova Lei foi ter tornado as Câmaras responsáveis directas por 5% do IRS dos seus munícipes. As Câmaras, agora, podem encaixar esses 5% ou devolvê-los em parte ou na totalidade aos contribuintes. Resultado: vamos ter concelhos vizinhos com IRS diferentes. É pena as diferenças em causa ainda serem modestas. Podiam e deviam aumentar.

2. Em 25 de Outubro, as dezoito Câmaras da Área Metropolitana de Lisboa decidiram que os seus munícipes pagam o máximo de IRS. Pagam e não bufam. Infelizmente, não é possível mandar a Autoridade da Concorrência àquelas câmaras passar-lhes uma multa por cartelização.

Em contraste, o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, cumprindo compromissos eleitorais, decidiu aliviar a carga fiscal no seu concelho: em 2008, os louletanos vão pagar menos 1,7 milhões de euros em IMI e menos 950 mil euros em IRS.

Loulé é um concelho com mais segunda habitação que primeira. Muita desta segunda habitação é de luxo.

Quantos ricos vão mudar a morada do seu Cartão de Contribuinte para a sua casinha do Algarve, deixando Costa, Isaltino, Capucho e Seara a chuchar no dedo?

3. “Às vezes trocam-se uns presuntos de Lamego, outros trocam queijos de Lafões, mas chamar a isso corrupção não, são apenas encontros de amigos". – Amândio Fonseca, Presidente do Sporting de Lamego e Vice-Presidente da Câmara, ao Diário de Viseu.

Daqui

“Aprender uma língua é aprender como se pensa nessa língua.”-
Roland Barthes.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Fazimentos*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Os produtos financeiros são cada vez mais complexos e até os profissionais têm dificuldades em perceber alguns. As coisas complicam-se quando um cidadão comum é confrontado com um molho de páginas impresso em letra pequenina, cheio de jargão técnico, escrito numa língua de trapo inacessível.

Um estudo feito em 2015 por um grupo especializado em serviços financeiros e supervisionado por um professor da Universidade de Cambridge apurou que nove milhões de súbditos de sua majestade sofrem de fobia financeira. Isto é, um em cada cinco britânicos tem “sensações de ansiedade, culpa, tédio, ou descontrolo para cuidar do seu próprio dinheiro”.

Não achei nenhum estudo sobre a fobia financeira dos portugueses, mas o que aconteceu aos lesados do BES e do BANIF só deve ter aumentado o problema.

Os trabalhadores precários e os desempregados, como explica Guy Standing no seu livro “O precariado, a nova classe perigosa”, estão ainda mais desprotegidos. O seu acesso a aconselhamento financeiro é limitado, estão mais expostos a financiamentos abutres e os bancos carregam nas comissões das contas mais modestas. Esta dificuldade em “tomar decisões racionais” com o dinheiro é, também ela, um factor de desigualdade. E, para estas pessoas, uma boa ou uma má decisão pode significar “a diferença entre o conforto modesto e a miséria”.

Esta semana o PS anunciou legislação para impor transparência e travar vendas agressivas de produtos financeiros e depósitos complexos. Ontem já era tarde.


2. No concelho de Viseu, a candidatura “Fazer por Viseu” (PS) propõe-se ficar com 2,5% do nosso IRS. Já a candidatura “Viseu faz bem” (PSD), no poder, tem ficado com 4%.

Havia um anúncio de um laxante que passava nas televisões a toda a hora, até durante as refeições, que acabava em crescendo com um “E faz você muito bem!” É um slogan apropriado para os cartazes destes “fazedores” com tão pouco respeito pelo nosso dinheiro.
Fotografia Olho de Gato


sexta-feira, 5 de maio de 2017

IMI e IRS*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


Fotografia Olho de Gato
1. Enquanto escrevo estas linhas, a “lã” dos choupos vai voltejando sobre a cidade de Viseu, parecem flocos de neve ao sabor do vento e dos decibéis demenciais do desfile académico. Pena ainda não haver aroma das tílias para atenuar o cheiro da cerveja.

Enquanto os urbanitas euforizam debaixo do azul do céu, as vinhas do Dão imploram por chuva. À falta desta, a câmara de Viseu vai regar cinco quintas com tinta do Festival de Street Art. Apesar de não haver “streets” nas vinhas, espera-se que este festival seja melhor do que o do ano passado.

2. Este Abril não teve águas mil, mas teve IMIs mil. O fisco é implacável. Os cofres municipais batem recordes sucessivos de receita neste imposto imobiliário criado, em 2003, pela dra. Manuela e o dr. Ruas.

Nada nele mexe a favor dos proprietários. Até o “coeficiente de vetustez”, indicador objectivo da idade da construção, só mexe se houver requerimento do contribuinte. A Deco fez as contas: em três anos, nas oitocentas mil simulações feitas na sua página, os contribuintes pagaram IMI a mais no valor de €92 332 498,93.

3. Está também em curso a liquidação de IRS. Não esquecer: cada câmara pode devolver até 5% de IRS aos seus munícipes. Infelizmente, no distrito de Viseu, só três concelhos — Armamar, Mortágua e Resende — é que o fazem. É uma boa oportunidade para fazer as contas: se não for de nenhum daqueles três concelhos, veja quanto é a sua “coleta líquida” e calcule em quanto lhe fica o seu presidente da câmara.

O presidente da câmara de Viseu não prescinde de dar uma talhada valente no nosso IRS. Diz ele que “60% da população do concelho não seria beneficiária directa de uma redução do IRS” pelo que prefere fazer “uma distribuição democrática desse valor”.

Lá isso é verdade — António Almeida Henriques distribui “democraticamente” esse valor em eventos borliantes para minorias e... 
... em bazófias publicitárias.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Moscas*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

1. Como descrevi aqui em 21 de Outubro, nos quatro negros anos que se seguiram à bancarrota socrática, as receitas de IMI das câmaras do distrito de Viseu subiram de 26,2 milhões de euros para 38,5 milhões. Nos anos austeritários de 2012 a 2015, as câmaras desausterizaram-se 47% (!) em IMI.

Ora, apesar deste contínuo e crescente jackpot no imposto imobiliário, só há três presidentes de câmara no distrito que vão devolver, aos seus castigados munícipes, 5% de IRS, o máximo possível na lei.

Em vinte e quatro presidentes de câmara, só três são solidários com a classe média. João Paulo Fonseca (Armamar), José Júlio Norte (Mortágua) e Garcez Trindade (Resende) merecem por isso, mais uma vez, um aplauso aqui no Olho de Gato. Merece ainda referência positiva o presidente da câmara de Penedono que devolve 4%.

Os restantes ou ficam com tudo ou devolvem ridicularias. Em Viseu, António Almeida Henriques só devolve 1% ao mesmo tempo que se gaba de já ter engordado o saldo municipal em dez milhões de euros.


2. Os episódios das telenovelas, depois de editados nas produtoras, vão visualmente limpos para as televisões. Mas, quando são emitidos, eles são enxertados com o logótipo do canal num canto do ecrã, e com os inevitáveis rodapés a correrem, a correrem da direita para a esquerda, no fundo. Estes “intrusos” visuais são conhecidos, na gíria técnica, como “moscas”.




A telenovela da candidatura do PS à câmara de Viseu rodou mais um episódio na semana passada — a comissão política concelhia oficializou a candidatura de Lúcia Araújo Silva.

Fiquemo-nos, por agora, pela descrição das “moscas” desta telenovela: o logótipo, no canto superior esquerdo, é uma fotografia de Miguel Ginestal; o rodapé a correr, a correr, é uma frase dele durante a rodagem daquele episódio da comissão política a explicar a quem ainda não tinha dado conta que «a candidata pensa pela sua cabeça».

sábado, 7 de janeiro de 2017

Combustíveis


Ao contrário do que parece querer dizer a notícia da TSF de hoje, numa bomba de gasolina não há só um abusador... 


... mas sim dois.