segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sete naves

Fotografia de Eduardo Ferrão


Vejo um rio
Vejo destroço de metal a flutuar
Vejo um rio—  provavelmente o Tejo
Desejo de me afundar
O Sado a sede sinos sinetas — ao acordar
Vejo um istmo — isco com ritmo
Paro de martelar


Vejo os meus dedos metálicos frios
Vontade de enferrujar
Vejo limalhas de ferro macio
Volumes por carregar
Vejo estas veias estalando — artérias por soldar
Vejo nuvens ricas de carbono — diáfanas
D'envenenar

As naves que eu construo
Não são feitas para navegar
Aguentam a violência de um beijo
Mas nunca a do mar

As vagas onde elas vogam
Fundem-se com o ar
Vão e vêm[-se]...
... voltam-se devagar
... se se voltam devagar
Rui Reininho, Alexandre Soares, 
Jorge Romão e Toli






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