Às vezes no coração da noite
Às vezes
no coração da noite
debruço-me sobre ti e interrogo
a sombra da tua pele.
Pergunto com o olhar, depois
os lábios movem-se,
toco-te, todo um ciclo
recomeça.
Que gesso aprisiona o sangue
que nos morde? Que navio espero
no final dos meus gestos?
O importante é saber
onde dói.
Egito Gonçalves
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