1. Hannah Harendt, no seu livro “Eichmann em Jerusalém”, lembra-nos que o mal “pode invadir tudo e assolar o mundo inteiro (...) porque se espalha como um fungo.”
Está a ser difícil achar um fungicida que atalhe o mal populista. As eleições na Hungria foram uma decepção. As denúncias sobre a corrupção do “Viktador” Orbán e da sua clique não lhe causaram estragos eleitorais nenhuns, antes pelo contrário.
A chegada de um partido populista ao poder não é, em si, uma tragédia. Por vezes, é até bom que as suas receitas simplistas choquem com a realidade. Veja-se o caso do Syriza. Depois de meio ano de desvario que culminou na vigarice do referendo OXI, Tsipras ganhou juízo. O mesmo há-de acontecer em Itália se chegar a haver um governo do Cinco Estrelas.
O populismo só se torna um fungo letal quando, chegado ao poder, tem força para anular os contra-pesos de uma democracia — a independência dos media e dos tribunais. Quando tal acontece, alapam-se, pelo voto não saem, só através da força.
As instituições democráticas norte-americanas parecem estar a resistir bem ao populismo trumpista. Mas na Hungria elas soçobraram ao fungo orbánista. O bando que manda no país está agora a fazer compras sistemáticas de terras, está a virar latifundiário. Os fundos europeus são mafiados assim perante o silêncio cobarde da “Europa”.
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| Fotografia Olho de Gato |
Para que se saiba: a geringonça aumentou as verbas nacionais para apoio à cultura mas cá diminuiu-as fortemente. O ministério quer tirar 130 mil euros por ano à Acert e 93 mil ao Teatro Viriato.
Onde estão os eleitos com os nossos votos capazes de evitar que tal aconteça?

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