quarta-feira, 14 de março de 2018

Pina Moura*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 14 de Março de 2008


1. Cara leitora, caro leitor: peço-lhe que vá ao Google. Escreva: Pina Moura ética republicana. Não faça essa cara, por favor! Prima no enter. Entretenha-se…

2. Pina Moura afirmou uma vez: "A ética da República é a ética da lei". Na mesma sintonia, os pareceres da Comissão de Ética da Assembleia da República dizem que as eventuais incompatibilidades dos deputados devem “ser aferidas segundo um critério estritamente legal, existindo apenas e só na medida e com os limites previstos na lei.”

A “ética republicana” de Pina Moura é, portanto, a seguinte: tudo o que não é proibido pela lei, é permitido. Recentemente, descobri, com pasmo, que os socialistas mais poderosos do distrito de Viseu pensam o mesmo.

Em ética, como é sabido, é mais fácil a análise caso a caso. Vejamos quatro casos ficcionais em que, conforme se costuma dizer, qualquer semelhança com a política portuguesa é pura coincidência:

Caso 1: Político muda mobília e decoração do gabinete (que tinha só um ano) e adquire viatura topo de gama (a anterior acabara de chegar da primeira revisão).

Caso 2: Político arranja um empreguito para um amigo (o amigo tem as habilitações académicas requeridas mas é um bronco).

Caso 3: Deputado, apanhado em excesso de velocidade, mostra o seu cartão ao polícia que já estava a pegar na esferográfica.

Caso 4: Deputado, um tempinho depois de ser eleito e, sem dar cavaco aos seus eleitores, passa a receber dinheiro de um grupo económico que recebe dinheiros públicos.

Bem sei: os três primeiros casos são anedotas e o quarto é inadjectivável. Mas repare bem: nenhum daqueles comportamentos é proibido pela lei; a “ética republicana” de Pina Moura é, em todos eles, respeitada.

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