sexta-feira, 24 de maio de 2019

Golpe publicitário*

* Hoje no Jornal do Centro


1. Parecia tão certa a vitória dos trabalhistas nas eleições do último fim-de-semana na Austrália, que a agência de apostas Sportbets decidiu fazer um golpe publicitário: distribuiu, dois dias antes dos votos, prémios aos apostadores no resultado trombeteado por todas as sondagens.

Foi um caso flagrante de foguetes antes da festa. Mais uma vez, as elites urbanas e os media não perceberam a angústia dos “vencidos” da globalização. Estes, como vai sendo costume, calaram-se bem calados, fintaram as empresas de sondagens, e reelegeram um conservador “trumpista”.

A Sportbets, com aquela ejaculação eleitoral precoce, perdeu um milhão e trezentos mil dólares, mas o boss da empresa não perdeu o sentido de humor e informou que, além de ir cortar na qualidade do papel higiénico, ia também ligar o aquecimento só duas horas por dia nos escritórios.

Nada de especial, portanto: o homem, durante uns tempos, vai imitar os directores das escolas portuguesas. As escolas, por cá, mesmo com os professores maltratados pelo governo e os alunos de pés frios no inverno, lá vão sobrevivendo. A Sportbets também há-de sobreviver.

2. Para as europeias que aí vêm, as sondagens prevêem um cenário favorável a uma geringonça entre socialistas e liberais/macronistas, o que fez desenvolver, nas últimas semanas, uma amizade enorme entre o presidente francês e António Costa, especialista nessas coisas.

Fotografia de Philippe Wojazer (Reuters)
Editada a partir daqui
Por cá e no que interessa à UE, as sondagens prevêem o mesmo resultado de 2014: quatro deputados eurocépticos (do PCP e do bloco) e dezassete europeístas (dos outros partidos).

Se as projecções se confirmarem, o golpe publicitário de Costa contra os 9A 4M 2D dos professores parece ter dado um eurodeputado mais ao PS.

Mas lembremo-nos da Sportbets. Domingo se verá se Costa afastou, ou não, o pesadelo da “vitória poucochinha”. Domingo se verá se ele obtém, ou não, substancialmente mais do que os 31,4% que deram, há cinco anos, só oito eurodeputados a António José Seguro.

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