terça-feira, 30 de setembro de 2014

Vida obscura

Fotografia de Annie Leibovitz


Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres,
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!
João da Cruz e Sousa

1 comentário:

  1. A VIDA OBSCURA de Carlos Moedas deve ter sido muito difícil.
    A atestar pelas suas declarações no “exame oral”, para Comissário Europeu hoje realizado no Parlamento Europeu, onde afirmou que “discordou muitas vezes da troika”.
    Afinal Mooooedas é um homenzinho rebelde e crítico. Caramba!
    São uns sofredores obscuros pelo nosso bem!
    O despudor e trocatintismo desta gente não pára de surpreender.

    Vamos ter um director (ou lá o que é) "GOURMET"!

    e cito o poema do post:
    "Mas eu que sempre te segui os passos
    Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
    E o teu suspiro como foi profundo!"

    Estou solidáro com a moedinha...

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