segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Oh Álvaro, ainda tens quatro horas e vinte e seis minutos

O povo unido...

Jornal de Notícias (clicar para melhor leitura)

Presuntos de Lamego e queijos de Lafões *


* Parte de um texto publicado no Jornal do Centro em 23 de Novembro de 2007


Às vezes trocam-se uns presuntos de Lamego, outros trocam queijos de Lafões, mas chamar a isso corrupção não, são apenas encontros de amigos". 

Amândio Fonseca
Presidente do Sporting de Lamego 
e Vice-Presidente da Câmara, 
em declarações ao Diário de Viseu





Aprender uma língua é aprender como se pensa nessa língua.” 
Roland Barthes

O que o orçamento de 2012 vai fazer aos contribuintes


* Recebido por e-mail

Ausência

Fotografia de Candida Höfer


Quando minha voz
se fizer
ausência, entenda o silêncio
como prova da verdade.

Arrume as palavras deixadas
entre folhas, faça frases
e desordene parágrafos.

Minha voz ausente
estará diante
do esforço. Concentre sua hora
na descoberta dos traços.

Risque as letras e deixe em branco
a parte inferior do silêncio.
                                                                              Pedro Du Bois


domingo, 30 de outubro de 2011

Confortos

Secretário de Estado da Juventude Miguel Mestre
«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras.»

Depois disto dito em S. Paulo 
pelo confortável e bem instalado secretário de estado Miguel Mestre, 
os jovens portugueses, que andam por aí desempregados, porém confortáveis, vão finalmente começar a emigrar.

2009 e 2010








Portugal,  
em 2009 e 2010,  


Nuno Valério, 
professor de história 
económica do ISEG

CCV - O Lugar da Criação


1, 8 e 15 de Nov. —  Auditório do IPJ
3 e 4 de Nov. — Teatro Viriato

* Informação detalhada aqui

Apetites

sábado, 29 de outubro de 2011

Marlon Brando vs Frank Sinatra

     Marlon Brando evitava Cary Grant. Este telefonou-lhe uma vez.
     «Acabei de ler um guião que foi mandado por Joseph Mankiewski. Ele quer que eu faça de Sky Masterson em Eles e Elas. [Guys and Dolls, 1955
     «É uma personagem para ti», respondeu Marlon.
     «Recusei e sugeri-te para o papel.»
     «Não estou a perceber», disse Marlon. «Eu sou o Stanley Kowalski de Um Eléctrico Chamado Desejo. Para onde quer que me volte há sempre alguém a querer que eu seja cantor-bailarino. Eu nem sequer sei cantar, e dançar muito menos ...


     ... excepto uns números de Katherine Dunham. Não és a primeira pessoa a querer que eu faça esse musical.»
     «O Frank Sinatra quer desesperadamente o papel», disse Grant. «Ouvi dizer que não gostas do Sinatra. Aceita para o chateares.»
     «Combinado!», disse Marlon.
     Grant desligou o telefone sem dizer adeus.

in Brando mas Pouco
de Darwin Porter

Cadê o gato? (#4)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Viseu - buzinão contra as portagens

Francisco Almeida hoje teve uma grande mobilização.

Pena as buzinas não avariarem de vez os pórticos que puseram nas "nossas" auto-estradas e que são vendidos pelo ex-assessor do senhor Paulo Campos.



Pena Viseu ter eleito deputados que votaram a favor deste Big-Brother que ainda vai encher mais de dinheiro os rentistas das PPPPP 
(Parcerias Prejuízos Públicos Proveitos Privados).

Primavera no outono

* Publicado hoje no Jornal do Centro.


     No início deste ano, Mohammed Bouazizi, um licenciado tunisino impedido de ganhar a vida como vendedor ambulante, deitou fogo a si próprio. Esta tragédia fez acordar a rua árabe. Centenas de milhares de pessoas encheram as praças de vários países com uma mensagem poderosa – queriam a liberdade.
      A morte de Bouazizi deu início à “primavera árabe” que está a reconfigurar a paisagem política no médio oriente: já caíram Ben Ali (23 anos de poder na Tunísia), Hosni Mubarak (29 anos no Egipto) e Muammar Kadhafi (42 anos na Líbia). 
     A seguir pode ser Bashar al-Assad, presidente sírio que está a massacrar o seu povo. Não era mau que ele fosse atingido por um qualquer satélite dos que andam a regressar desgovernados à mãe-terra.
Imagem daqui

     Depois da secularização feita pelo “socialismo nacionalista” árabe até aos anos de 1970, passou a ganhar força o islamismo que impôs regimes confessionais. Começado em 1979 por Khomeini no Irão, este processo acelerou-se a partir da queda da União Soviética.
     Como diz Slavoj
Žižek,
os Estados Unidos fizeram um erro terrível ao terem armado o islamismo radical contra os “socialismos” árabes. Ao fazerem isso, eles atiraram um boomerang para o ar, boomerang que, anos depois, deitou abaixo as torres gémeas. 
     Agora entrou-se noutro ciclo: a primavera árabe quer democracia e isso enfraquece a tese da “excepção islâmica”: a tese que o islão é incompatível com a democracia e o estado de direito. 
     Para aprofundamento deste tema, é recomendável a análise de Sami Zubalda intitulada “The arab spring in historical perspective”. 
     Entre a morte de Mohammed Bouazizi e as primeiras eleições livres da história da Tunísia passaram 292 dias. Foram no passado domingo.
     Saúde-se esta primavera no outono.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Lugar do Capitão vai halouinar *


* Este post é publicidade descarada

Fecundou-te

Fotografia de Claude Cahun


Fecundou-te a vida nos pinhais.
Fecundou-te de seiva e de calor.
Alargou-te o corpo como os areais
onde o mar se espraia sem contorno e cor.

Pôs-te sonho onde havia apenas
silêncio de rosas por abrir,
e um jeito nas mãos morenas
de quem sabe que o fruto há-de surgir.

Brotou água onde tudo era secura.
Paz onde morava a solidão.
E a certeza de que a sepultura
é uma cova onde não cabe a coração.
Eugénio de Andrade


Mixórdias *

* Texto publicado no Jornal do Centro em 9 de Novembro de 2007


      1. Aqui, nas páginas do Jornal do Centro, Paulo Bruno Alves está a publicar uma interessante série de artigos de análise ao primeiro jornal diocesano de Viseu, A Folha, que se publicou de 1901 a 1911. Os dois últimos artigos trataram da “história das farinhas”, assunto que serviu para turbar mais ainda os anos perturbados do final da monarquia.
     Paulo Bruno Alves transcreveu de A Folha, Agosto de 1902: «(...) causou profunda impressão a descoberta quasi casual de que ha dois annos grande parte da farinha consumida no paiz era feita de serradura e barro!».
     Naqueles tempos, a panificação estava a trabalhar com um produto consistente e com um retorno financeiro interessante. Ainda por cima, como explica o historiador Rui Ramos, «Lisboa [tinha], no princípio do Séc. XX, o pão de trigo mais caro da Europa, a 80 réis o quilograma, o dobro do preço de Londres.»

     2. Duas cooperativas leiteiras de Minas Gerais foram apanhadas a adicionar soro ao leite e, para disfarçar o sabor e dar mais durabilidade e volume à mistura, acrescentavam ainda água oxigenada, açúcar, soda cáustica, citrato de sódio, ácido cítrico e água.
     Uma pesquisa no Google, com a expressão “leite fraudado”, dá toda a história e o “rigor” químico da coisa.
      O deputado do PMDB, Paulo Piau, no último dia de Outubro, em plena Câmara dos Deputados, bebeu do tal leite...

     ... e disse: «É um produto fraudado? É, mas até o fraudado tem a sua qualidade. Sou contra a fraude, mas sou a favor do que está aí, o leite possível.»
     A Polícia Federal brasileira já meteu 27 dentro.
     Quanto ao deputado Paulo Piau, que dizer? Deseja-se que os seus intestinos funcionem ainda melhor que a sua cabeça.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Voo e a Música

Fotografia de Olivier Valsecchi

Poderei,
com esta harpa de cordas tensas, com as pérolas
deste colar de sons e mágoa,
tocar o teu ouvido ou a tua alma,
poderei chegar sem que o vento me anuncie,
mais perto dessa cama que nunca foi o céu ou a
terra ou o mar e onde,
impiedosa,
não se abrisse a tempestade?


É talvez uma asa, um ser aflito,
aquilo que chega ao alpendre e em veloz sombra
inicia a sua viagem,
de norte para sul, para a brisa que arrefece a cal,
quando em silenciosa migração as tuas aves
partem para sempre
e é mais triste o promontório com o farol que já não acendes.
José Agostinho Baptista


Dá gosto quando se vê um serviço bem feito

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cadê o gato? (#3)

Democracias

Imagem daqui









Enquanto nos Estados Unidos  20 congressistas questionam a violação do código de ética do juiz Clarence Thomas e querem pôr-lhe uns patins debaixo dos pés...



Imagem daqui














... em Portugal

A elite lumpen

Um texto* feito em ano de eleições na Rússia dos oligarcas e de Putin:

     «(...) The first result of the policy of globalisation is the creation of an elite which belongs to no particular country and is dependent on no government or regime.
     It rises above history, culture and tradition. 
     The lumpen proletariat represented danger from below, from the lower strata of society. The lumpen elite is isolated from society and is twice as dangerous. 
     (...)
     Just look at the builders of our world – Lenin, Stalin, Hitler and Churchill – and those who came after them – Putin, Berlusconi, Blair, Sarkozy, Bush and the rest.
     Are you sure that this is the result we fought for throughout the long 20th century? 
     Are you really?»
in Catálogo da Exposição de Maxim Kantor: Atlas Vulcanus
Galerie Nierendorf, Berlim, 2011

* Completo aqui

A noite acorda diferente

Fotografia de Antti Vitala


A noite acorda diferente
na gramática da brisa

As pupilas suportam
a solidão solar

Com o vocabulário dos dedos
a mão fala com o vagar do ar

Seguro na estância tão clara
o corpo abre a porta mais serena
Yai Jingming,
trad. do autor

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Uma maldade de Miguel Macedo e de José Cesário

     Perante a pressão das redes sociais, Miguel Macedo e José Cesário desistiram do subsídio de alojamento. 
     Essa desistência foi assumida com efeitos retroactivos — eles prescindem dos subsídios de alojamento que iam receber mas também dos subsídios que já receberam.



  
  
Ora, isto é 
uma bomba relógio.



     Estes efeitos retroactivos
são uma maldade 
de Miguel Macedo 
e de José Cesário.
    


     É que — como esta desistência é retroactiva — o mesmo também tem que ser pedido a membros dos anteriores governos com casinha em Lisboa que eventualmente tenham embolsado o dito "subsídio de alojamento", subsídio que vem sendo concedido desde 1980.
     Mesmo que dê a preguiça aos jornalistas de andarem agora a mexer em 31 anos de arquivos, um qualquer  blogue pode fazer o serviço público que, neste caso dos governantes do PSD, foi feito pelo blogue Corporações.
     Se tal acontecer, vêm aí sarilhos
     Sarilhos retroactivos.

* Este post foi reescrito às 13:59.

domingo, 23 de outubro de 2011

Correram a Paula ...

Na 1ª página do Expresso, 22.10.2011

 Na semana em que começou a inquirição ao Paulo, correram com a Paula.
Nem a deixaram aquecer o lugar. 
Ana Paula Vitorino meteu-se com Mário Lino
e, depois disso, a vida jamé lhe foi fácil.

Síria

Agora que Muammar Kadhafi
que os olhos brilhem também de esperança na Síria,
  O presidente sírio Bashar al-Assad —  fotografia daqui



Fotografia daqui

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Caramelos


OE 2012:
o limite para se poder transportar combustível na mala do carro vai baixar de 50 para 10 litros.

 
Contudo, vamos poder
continuar a trazer
caramelos de Espanha  
sem restrições.

Decimatio *

* Publicado hoje no Jornal do Centro.

 1. Quando uma legião romana praticava um acto grave de cobardia ou indisciplina, sujeitava-se a um castigo particularmente severo — a decimatio, a dizimação.
      
Eram isolados grupos de dez soldados. Em cada grupo, sem olhar a patente, “tirava-se à sorte” um escolhido que era castigado por lapidação ou garrote pelos nove restantes.
      
Fazendo uma analogia com o que acontecia na antiga Roma, o boletim de Outubro do Laboratório Europeu de Antecipação Política prevê até meados de 2012 um cenário de tripla decimatio para os bancos ocidentais: a dizimação do seu pessoal com mais uma vaga de despedimentos maciços; a dizimação dos seus lucros e valor bolsista (10 biliões de dólares de activos fantasmas já se esvaíram em fumo e o fogo continua); a dizimação do seu número (10 a 20% dos bancos vão desaparecer).

      
Os políticos têm-se portado como mordomos do poder financeiro: em Portugal, Barroso e Sócrates foram uma espécie de Jarbas do sr. Ricardo Salgado do BES; nos Estados Unidos, Obama tem sido uma desilusão. Mas agora os políticos, que precisam de votos, pressionados pelas opiniões públicas cada vez mais hostis aos bancos, vão apertar as regulamentações da actividade financeira e vão começar o cerco aos off-shores. 
     
Há que salvaguardar as poupanças das pessoas e não as ficções contabilísticas dos banqueiros. Os bancos que forem “demasiado grandes para cair” não caiem, mas passam para o estado e por bom preço (eles estão todos os dias a perder valor em bolsa). 

2. O ministro Álvaro não dá prazos para a construção da auto-estrada Viseu – Coimbra. As portagens na A24 e na A25 estão por dias. Sobre este pesadelo, o PSD e o PS locais, patéticos, acusam-se um ao outro. 
     
Quando aparece um político de Viseu na televisão não é para nos defender, é só para fazer de emplastro.
 

Peles virtuais

Imagem de Davolo Steiner

Gosto de ti como se gosta do sol,
e era bom ficar ao sol todo o dia, mas queima.
Muitos outros se deitam ao sol,
toda a espécie de corpos,
não tens tamanho para tanta gente.
Um dia vai-se abrir a porta doirada,
vamos caber, um a um.
Vais-me escolher especialmente, como todos os outros.
Podes ter mãos. Podias até, alguma vez, ter lábios,
dizer alguma coisa em língua, numa língua qualquer.
Naturalmente, a imaginação poética é só devaneio,
tilintar de talheres sem nada para comer,
um ar tão leve, para que serve respirar?
Para esquecer, escrevo um longo romance verdadeiro
e pícaro; tudo nele é real!, as pessoas dormem
e acordam e dormem, e fodem nos intervalos;
devoram-se animais; mas o melhor são os diálogos.
Entre existires e não existires antes não existires,
é mais inteiro, deixa menos dúvidas dentro do crânio,
ao lado dos ossos normais. Entre mulher e homem
o melhor é não teres mesmo por onde escolher,
vestir saia-casaco ou fato completo,
usar até, em dias de festa, as tuas peles virtuais.
António Franco Alexandre

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#51)

Ó Álvaro, então e o comboio de "viajeros e mercancias" Vilar Formoso - Guarda - Viseu - Aveiro?

     Basta olhar para este mapa para se perceber uma estratégia que quer fazer de Madrid o centro ferroviário peninsular, lógica que os governos portugueses nunca conseguiram contrariar e até reforçaram, ao despriorizarem o único TGV português com procura assegurada e rentável: o Lisboa - Porto.

No El País de hoje


  A linha Aveiro - Valladolid - França consegue fugir à lógica centralista castelhana. 


N. B.: Esta publicação foi reescrita à 14:30. Sobre este assunto ver também o excelente Viseu, Senhora da Beira aqui.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Omo na Assembleia da República?

     O parlamento decidiu por unanimidade ouvir o ex-ministro das Obras Públicas, António Mendonça e o ex-secretário de Estado Paulo Campos sobre as últimas renegociações das PPPPP (parcerias prejuízos públicos proveitos privados) que meteram mais umas centenas de milhões de euros nos bolsos dos rentistas.
     Oiça-se António Mendonça mas aproveite-se para ouvir em detalhe quem verdadeiramente mandava: Paulo Campos.


Disse Hélder Amaral 
que, com esta
audição, se pretende 
"descobrir se houve 
erros do passado 
para que não 
se repitam no futuro". 



Se for só 
para isso, 
mais vale 
estarem quietos. 



Nas PPPPP foi roubado futuro 
aos nossos filhos e aos nossos netos. 

Branqueamento, misturado
com didática para o futuro, é 
muito pouco, caro Hélder Amaral.

Racionalistas

Racionalistas de chapéus quadrados,
Pensam, em salas quadradas,
Olhando para o chão,
Olhando para o tecto.
Restringem-se
A triângulos rectos.
Se experimentassem rombóides,
Cones, linhas ondulantes, elipses -
Como, por exemplo, a elipse da meia lua -
Os racionalistas usariam sombreros
Wallace Stevens
trad. de Luísa Maria Lucas 
Queirós de Campos

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Uma não notícia





O Álvaro "não avançou prazos".
Isto é: não disse nada.

Portagens num país do euro mas que não aceitam euros

O sistema abstruso de portagens das ex-Scut é fatal para o turismo como se pode constatar nesta reportagem da RTP:



Um povo que deixa instalar um Big-Brother destes 
é um povo que não ama a liberdade.

E um povo que não ama a liberdade 
está condenado a ser pastoreado 
por elites corruptas e predadoras.

* Publicação reescrita às 18:18

As alegres primárias

     Conforme já foi afirmado neste blogue, as primárias dos socialistas franceses foram um instrumento poderoso de "legitimação democrática do futuro adversário de Nicolas Sarkozy".
     As coisas correram tão bem que Manuel Alegre disse ao Expresso: fazerem-se umas primárias em Portugal "seria muito interessante" e "evitaria muitos sarilhos".
     Sou levado a concordar:
     — Com disputa de primárias em 2010, dificilmente a dupla Francisco Louçã / Carlos César teria conseguido impor o candidato alegre o que teria tornado a última eleição presidencial "muito interessante".
     — Ter-se impedido a reeleição de Cavaco
"evitaria muitos sarilhos" ao país porque terá de vir de Belém o impulso para a reforma da terceira república. E Cavaco não parece capaz disso.

À Fortuna


Fortuna, que me persegues,
Pequeno triunfo tens:
Eu desejo só vontades,
Tu disputas-me vinténs.
Basta-me o que me deixares,
Quando tudo me levares.

Basta-me esta alma que tenho,
Constante como os penedos;
Bastam-me as águas das fontes,
E a sombra dos arvoredos;
Ponho-me ao fresco no Estio,
E aquento-me, andando ao frio.

Basta-me o Sol, que não podes
Apagar, e à noite a Lua.
Se me tirares a casa,
Irei dormir para a rua.
Sopa, não me dá cuidado,
Tem muitas plantas o prado.

Se o teu rigor se estendesse
A tirar-me o meu tinteiro,
Escreveria nos troncos,
Com um prego, este letreiro:
«Vim ao mundo sem camisa,
Ninguém, morrendo, a precisa.»

                                                                           Marquesa de Alorna


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Puarto é uma naçom, carago!!!!!!!!!!!!

17 – X - 2003

* Parte de um texto publicado no Jornal do Centro em 2007, na véspera da entrada em vigor do actual Código de Processo Penal que passou a proibir a divulgação de escutas telefónicas sem a autorização dos visados, mesmo de escutas já não em segredo de justiça.



Talvez seja bom lembrar o que aconteceu em 17 de Outubro de 2003, um dos dias mais negros da história do jornalismo português. 

Nesse dia, foi tornada pública uma frase dita ao telemóvel por Ferro Rodrigues. 
     
A frase escolhida cirurgicamente foi: «Estou-me a cagar para o segredo de justiça.»
     
Quase todos os “fazedores de opinião” criticaram duramente as palavras de Ferro Rodrigues; poucos condenaram a sua divulgação.
     
Eram os tempos do caso Casa Pia. Contra a histeria justicialista que se vivia nos media, ouviu-se, na altura, a voz corajosa de Miguel Sousa Tavares (MST). Na TVI, teve um diálogo bem vivo com Manuela Moura Guedes (MMG):

MST: «Estava eu a dizer que o meu primeiro trabalho, quando saí da faculdade, foi na Comissão de Extinção da Pide, onde tive ocasião de folhear muitos processos que a Pide tinha instruído aos antigos resistentes…» 

     
MMG: «Ó Miguel, por amor de Deus, não vais comparar o que agora vivemos com a Pide!»

     
MST: «Não vou comparar porque há uma diferença grande: é que as escutas da Pide não apareciam nos jornais e agora aparecem...»
     
A conversa continuou azeda.** 
     
Miguel Sousa Tavares foi firme a explicar que não é nas televisões nem nos jornais que se fazem julgamentos.
     
Por princípio, um telefonema é entre duas pessoas. E só entre elas.

---------

** Reprodução mais desenvolvida deste diálogo entre MST e MMG aqui.

Guarda a manhã

Imagem de Rui Gaudêncio

Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar


Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão
                                                                               Daniel Faria

domingo, 16 de outubro de 2011

O FMI faz aumentar a produção de ovos

Mark Lewis, do FMI,
em Bursa (província ocidental turca).

Culpados?

Daqui
     O conselheiro de estado José Joaquim Gomes Canotilho avisa, sensatamente, contra os perigos do justicialismo.
     Previne que pode não ser bom este clima de querer "colocar no pelourinho" os políticos que puseram o país na mão dos credores.
     Fala — e muito bem — no estado de direito.
     Infelizmente, conforme conta o Público, o prudente professor da Universidade de Coimbra estraga a pintura quando diz: "todos fomos culpados". 
     Não pode ser.
     Isso é mentira.
     Não fomos nada todos culpados.
     Pode haver culpados, mas todos não.
     O senhor Mota Coelho Júdice Loureiro Espírito Santo Engil não teve culpa nenhuma e muito menos os políticos que fizeram negócios com ele.

"And Now For Something Completely Different" (#50)

sábado, 15 de outubro de 2011

Dinheiro bem gasto



Siboney

Marie Magdelene Dietrich von Losch (aka Marlene)

Siboney yo te quiero
yo me muero por tu amor

Siboney al arrullo
de la palma pienso en ti

Ven a mi
que te quiero
y de todo tesoro
eres tu para mi

Siboney al arrullo
de la palma pienso en ti

Siboney de mi sueño
si no oyes la queja de mi voz

Siboney si no vienes
me moriré de amor

Siboney de mis sueños
te espero con ansias en mi caney

Siboney si no vienes
me moriré de amor

Oye el eco de mi canto de cristal
Oye el eco de mi canto de cristal

                                                                            Ernesto Lecuona

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como manter o foco neste tempo de distracções

Daqui

Praça D. Duarte, Viseu, 15 de Outubro, 13H00





Para dizer:




«Ó tempo, 
volta prá frente!»

Petróleo *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

     Desde que Raul Solnado descobriu petróleo no Beato que, ciclicamente, se fala desse jackpot no subsolo pátrio. O assunto, de quando em vez, invade a conversa nos media, nos barbeiros, nos táxis e demais ajuntamentos públicos, e põe as pessoas a sonhar.
     E se, por baixo dos pés que caminham em Aljubarrota e Torres Vedras, jazessem, de facto, 486,8 milhões de barris de petróleo conforme a estimativa da Mohave Oil & Gas, a empresa canadiana que tem andado por lá a fazer buracos?
     Que me lembre, esta sorte grande com cheiro a crude foi falada pela última vez há dois anos. Dizia-se na imprensa, em 2009, que Joe Berardo ia investir forte na Mohave. Coisa congruente: o homem tem jeito para a mineração, até achou um filão no Centro Cultural de Belém sem escarafunchar o chão.
     Era bom, sem dúvida, achar-se petróleo em Portugal mas esse achamento, como tudo, também teria os seus problemas. Um deles é conhecido como “doença holandesa”. Quando, nos anos de 1960, a Holanda começou a vender em força gás natural proveniente do Mar do Norte, a sua moeda, o florim, valorizou-se muito o que fez com que as exportações holandesas perdessem competitividade. Uma riqueza que virou pobreza, a mostrar como o mundo é complicado.
     A Noruega, que fica ainda mais lá para cima numa latitude cheia de “ética protestante”, aplica as receitas do petróleo num fundo cheio de cuidados éticos e preocupado em salvaguardar as gerações futuras.
     Mesmo que apareça petróleo debaixo de Aljubarrota, não se fique com muitas expectativas. As nossas elites são predadoras e corruptas. Basta lembrar o que elas fizeram com o “petróleo” dos fundos comunitários e das privatizações. Se a Mohave acertar no sítio, vamos ter a “doença holandesa”, mas não a “ética norueguesa”.

N.B.: Já depois de ter enviado o artigo para o jornal, descobri que a Mohave regressou em Junho deste ano às perfurações. Oxalá desta vez ela acerte:

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O síndrome de Estocolmo, o síndrome de Lima

Imagem daqui
 
 
O síndrome de Estocolmo é a simpatia do raptado pelo seu raptor.

Síndrome de Lima é o inverso: a simpatia do sequestrador pelo sequestrado.

O resgate a Portugal  foi de 78 mil milhões de euros.
Ora, quando se fala em resgate fala-se em rapto, isto é, em raptores e raptados.
 Por enquanto pode-se dizer que a Troika está a gostar de nós e não há por cá grande osga ao trio que passa o cheque. 
Pelo menos até agora, Lisboa está a ser uma espécie de Lima em Estocolmo.

A Naco abre a época 2011-2012 a apanhar sol na "Eira"



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