quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Num monumento à aspirina

Daqui



Claramente: o mais prático dos sóis,
o sol de um comprimido de aspirina:
de emprego fácil, portátil e barato,
compacto de sol na lápide sucinta.
Principalmente porque, sol artificial,
que nada limita a funcionar de dia,
que a noite não expulsa, cada noite,
sol imune às leis de meteorologia,
a toda hora em que se necessita dele
levanta e vem (sempre num claro dia):
acende, para secar a aniagem da alma,
quará-la, em linhos de um meio-dia.

Convergem: a aparência e os efeitos
da lente do comprimido de aspirina:
o acabamento esmerado desse cristal,
polido a esmeril e repolido a lima,
prefigura o clima onde ele faz viver
e o cartesiano de tudo nesse clima.
De outro lado, porque lente interna,
de uso interno, por detrás da retina,
não serve exclusivamente para o olho
a lente, ou o comprimido de aspirina:
ela reenfoca, para o corpo inteiro,
o borroso de ao redor, e o reafina.
João Cabral de Melo Neto


1 comentário:

  1. Este post tem “pinta”, mas o gajo deve ser tótó. Poema à Aspirina??

    Também ando a Aspirina…. Apanhei uma constipação, pois estive na fila à espera para ver o concerto do Justin Biber. Estive à chuva e ao frio, mas valeu a pena. O miúdo é o máximo e ouvir (e cantar) músicas como "Fuck you, you stupid bastard" ou o "I don´t know how to sing because I´am a imbecil"... deixam qualquer pessoa em delírio!
    E ouvi dizer que houve gente que comprou um andar no Parque das Nações para estar logo ali à espera!!!

    No regresso ouvi o último disco dos Underworld. Ainda não consegui foi entender a mensagem (terá mensagem?) do álbum: “Barbara Barbara, we face a shining future”. Será para mim?

    Na estação de serviço vi, na tv, o Marcelo a fazer xim xim com o ar!!! No more lonely nights, uma “gaja” para o Marcelo, já!

    Where the fuck am I?
    Bom, a azia é uma coisa tramada!

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