quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Energia*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 16 de Setembro de 2005



1. Depois de amanhã faz um ano que foi assinada, no Teatro Viriato, com pompa e circunstância, a escritura da Grande Área Metropolitana de Viseu. Passou um ano. Nada se passou. A Grande Área Metropolitana de Viseu foi varrida para debaixo do tapete.

Quem sopra a vela do primeiro aniversário?
Editada a partir daqui

2. No último fim-de-semana, Correia de Campos esteve num evento político, em Viseu. Aí proferiu um discurso sintonizado com os tempos pós-modernos que se vivem.

Do alto dos seus 62 anos, Correia de Campos defendeu os candidatos jovens e atacou os candidatos de idade. Foram largos minutos à volta desta dicotomia: na política, juventude é bom, velhice não. Cheio de energia, disse ele: “À alternativa do reumático eu prefiro a juventude, naturalmente.”

Mário Soares acabou de perder um apoiante. É de esperar, em coerência com esta lógica, que Correia de Campos prefira Francisco Louçã para a Presidência da República.

3. No Reino Unido, a Autoridade para a Fertilização Humana e Embriologia acaba de autorizar a equipa de Doug Turnbull e Mary Herbert, da Universidade de Newcastle, a fazer experiências que poderão criar um embrião com material genético de duas mães e de um pai.

O procedimento é o seguinte: 



pega-se num óvulo da mulher que tem defeitos mitocondriais e fertiliza-se com o esperma do dador; a seguir, do ovo resultante, retira-se o núcleo do material genético do pai e da mãe e injecta-se num óvulo de outra mulher de que se retirou o núcleo.

Os cientistas não vêem problemas éticos no facto da criança ter duas mães e um pai. Dizem que o que está em causa é a energia; o que se vai fazer é como substituir a bateria duma máquina fotográfica digital. A máquina fotográfica continua a mesma, com as mesmas funções e a mesma informação guardada na memória. Só passou a ter uma nova bateria.

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