domingo, 11 de maio de 2014

Olhou para mim furioso, ciumento...

Fotografia de Paulo Abrantes

Olhou para mim furioso, ciumento, começou a chamar-me nomes, a dizer que eu parecia uma puta, e quando tentei explicar-lhe que era o jantar da minha promoção, gritou que não me deixava ir, e, de repente, caí com uma bofetada... a sangrar do nariz...
Madalena


O teu corpo é um mapa, é uma planta,
em desenhos de rotas, cicatrizes,
memórias sobre a pele em que tu dizes
o grito que em teus olhos se decanta.

Arrancaram-te todas as raízes, 
tens a raiva suspensa na garganta,
mas nada do que sofres já te espanta:
só te espantam minutos mais felizes.

O ciúme entra em ti como uma espada
e ao rasgar o teu ventre de mulher
é toda a tua vida que é rasgada.

Não sabes se é viver ou se é morrer
essa vida em estilhaços que te é dada
e em estilhaços desfaz todo o seu ser.
João Maria André
(baseado no espectáculo ESTILHAÇOS,
sobre violência doméstica, da Bonifrates)



1 comentário:

  1. A violência doméstica, além de abjecta, é um ato de covardia!

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