terça-feira, 30 de agosto de 2016

O Polegar do Viriato mexe outra vez em 11 de Setembro, não perca!

Gif Olho de Gato 


Teatro de rua --- VIVER VIRIATO 
Concepção e Direção Artística do projeto: Trigo Limpo teatro ACERT

Promotores: Câmara Municipal de Viseu e Viseu Marca

Projeto criado em Parceria Artística com: Cine Clube de Viseu | Conservatório Regional de Música Dr. José de Azeredo Perdigão | Companhia De Mente | Gira Sol Azul | Grupo Tribal | Teatro Viriato (Companhia Erva Daninha) | Teatro Regional da Serra de Montemuro | Zunzum Associação Cultural

Dramaturgia e encenação: José Rui Martins e Pompeu José;

Cenografia e imagem: ZéTavares;

Escultura de cena: Nico Nubiola;

Direção de Produção: Miguel Torres;

Participação Artística Especial: Zunzum Associação Cultural;

Direção Técnica: Luís Viegas e Paulo Neto;

Produção Executiva: Marta Costa;

Interpretação teatral e musical e coordenação cénica: Ana Rita Silva, António Gonçalves, António Rebelo, Bruna Cardoso, Daniela Silva, Fábio Saraiva, Gustavo Cunha, Gustavo Dinis, Ilda Teixeira, Jéssica Pires, João Silva, José Rui Martins, Leonel Rosa, Lee Fragoso, Marco Silva, Mariana Rochinha, Miguel Cordeiro, Mike Mortágua, Natália Rodrigues, Paula Santos, Paulo Nuno Martins, Pedro Sousa, Raquel Costa, Sandra Santos, Telma Lopes, Tiago Pereira;

Assistência de Produção: Rui Coimbra

Secretariado: Rui Vale e Paula Pereira

Participação Especial: Mais de 250 elementos das comunidades de Tondela e Viseu e das Freguesias de Calde, Farminhão, Lamela, Montemuro, Mundão,
Silgueiros, Torredeita, Viseu, União de Freguesias de Boa Aldeia
e do Lar Escola Santo António

Devastação

Fotografia de Junku Nishimura


Vêm os jovens
e escrevem nas árvores seus nomes entrelaçados;
voltam adultos
e destroem esses corações apaixonados.
Leila Míccolis



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Favores, favores, partidos à parte

Daqui

Só depois de pagar o IMI, tenha ele uma bela vista ou uma má vista, só então, caro Jerónimo, poderá dizer que não deve "favores ao estado". 


O mesmo se aplica ao património dos outros partidos, seja ele património "okupado", seja ele adquirido, com ou sem favores.


Daqui





Redoble fúnebre a los escombros de Durango

Fotografia de Edward Steichen 



Padre polvo que subes de España,
Dios te salve, libere y corone,
padre polvo que asciendes del alma.

Padre polvo que subes del fuego,
Dios te salve, te calce y dé un trono,
padre polvo que estás en los cielos.

Padre polvo, biznieto del humo,
Dios te salve y ascienda a infinito,
padre polvo, biznieto del humo.

Padre polvo en que acaban los justos,
Dios te salve y devuelva a la tierra,
padre polvo en que acaban los justos.

Padre polvo que creces en palmas;
Dios te salve y revista de pecho,
padre polvo, terror de la nada.

Padre polvo, compuesto de hierro,
Dios te salve y te dé forma de hombre,
padre polvo que marchas ardiendo.

Padre polvo, sandalia del paria,
Dios te salve y jamás te desate,
padre polvo, sandalia del paria.

Padre polvo que avientan los bárbaros,
Dios te salve y te ciña de dioses,
padre polvo que escoltan los átomos.

Padre polvo, sudario del pueblo,
Dios te salve del mal para siempre,
padre polvo español, padre nuestro.

Padre polvo que vas al futuro,
Dios te salve, te guíe y te dé alas,
padre polvo que vas al futuro.
César Vallejo





domingo, 28 de agosto de 2016

ficas melhor assim vestida de não

Fotografia de Roswell Angier


ficas melhor assim vestida de não,
ficas mais quieta na minha memória.
a solidão é deste modo: a coragem
de escrever sozinho o final da nossa história.
adiciono pontos finais ao final da nossa história:
estás quieta na minha memória, os gestos
sem cor, um enorme não cerceando a tua boca.
estás também nua. aproximo-me de ti com o que de mais
humano consigo invocar: ensina-me o final
da nossa história! ficas mais quieta vestida de não,
completamente nua na minha memória.
onde se desenha a tua sombra recolho
estes versos: quando traí a nossa história?
Rui Tinoco


sábado, 27 de agosto de 2016

Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho

Daqui



Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,
e vejo o que não vi nunca, nem cri
que houvesse cá, recolhe-se a alma a si
e vou tresvaliando, como em sonho.

Isto passado, quando me desponho,
e me quero afirmar se foi assi,
pasmado e duvidoso do que vi,
m'espanto às vezes, outras m'avergonho.

Que, tornando ante vós, senhora, tal,
Quando m'era mister tant' outr' ajuda,
de que me valerei, se alma não val?

Esperando por ela que me acuda,
e não me acode, e está cuidando em al,
afronta o coração, a língua é muda.
Sá de Miranda

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Linha vermelha*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



1. Obama ainda não se foi embora e já deixa saudades. São assim as democracias: é bom a limitação de mandatos mandar Obama embora, faz-nos lembrar os patéticos Putins e Zedus a caruncharem grudados à cadeira do poder.

O maior falhanço de Barack Obama foi não ter conseguido encerrar Guantánamo, esse offshore judicial vergonhoso que chegou a ter 779 prisioneiros e ainda tem 61. Os seus maiores sucessos foram a criação de um serviço de saúde para todos os norte-americanos e o crescimento económico pujante que colocou a taxa de desemprego abaixo dos 5%.

2. Vejamos a seguinte linha de tempo: (i) 20 de Agosto de 2012: Obama avisa Bashar al-Assad para não usar armas químicas, que isso era uma “linha vermelha”; (ii) 21 de Agosto de 2013: Assad bombardeia Ghouta com gás sarin (1400 mortos, muitos deles crianças); 
Fotografia daqui
(iii) 30 de Agosto de 2013: Obama, contra a opinião da quase totalidade dos seus conselheiros políticos e militares, decide não bombardear a Síria; (iv) 6 de Setembro de 2013: na reunião do G20 em S. Petersburgo, o presidente norte-americano chama Putin de lado e explica-lhe que havia um só caminho para Assad: destruir as suas armas químicas; (v) 14 de Outubro de 2013: a Síria reconhece ter armas químicas e aceita a sua destruição; (vi) 5 de Janeiro de 2016: confirmação oficial do fim daquele arsenal químico.

Desde aquele Agosto de há três anos, há uma enorme controvérsia nos EUA por Obama não ter usado o músculo militar. É afirmado que um “comandante-em-chefe” quando traça uma “linha vermelha” não pode, depois, ficar-se nas covas sob pena de perder credibilidade.

Penso que Barack Obama fez bem, conseguiu evitar que parte daquele arsenal químico tivesse ido parar às gadunhas do Estado Islâmico, com tudo o que isso significa.

E, claro, há-de chegar o tempo para sentar Bashar al-Assad, assassino do seu próprio povo, no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional.

Um ofício que fosse de intensidade e calma

Tempo Modernos, Charlie Chaplin, 1936


Um ofício que fosse de intensidade e calma
e de um fulgor feliz E que durasse
com a densidade ardente e contemporâneo
de quem está no elemento aceso e é a estatura
da água num corpo de alegria E que fosse fundo
o fervor de ser a metamorfose da matéria
que já não se separa da incessante busca
que se identifica com a concavidade originária
que nos faz andar e estar de pé
expostos sempre à única face do mundo
Que a palavra fosse sempre a travessia
de um espaço em que ela própria fosse aérea
do outro lado de nós e do outro lado de cá
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser
e já sem distância e não-distância nada a separasse
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios
António Ramos Rosa


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A modo de trégua

Fotografia de Louise Dahl-Wolfe

Tienes mi cuerpo para el desquite
Mis dedos astillados acarician tu soledad
Mi orfandad te refeja
A modo de tregua, Alejandra
Recuéstate en mí
Mientras te invento.
Martha Carolina Dávila



terça-feira, 23 de agosto de 2016

Siren Song

Daqui



This is the one song everyone
would like to learn: the song
that is irresistible:

the song that forces men
to leap overboard in squadrons
even though they see the beached skulls

the song nobody knows
because anyone who has heard it
is dead, and the others can't remember.

Shall I tell you the secret
and if I do, will you get me
out of this bird suit?

I don't enjoy it here
squatting on this island
looking picturesque and mythical

with these two feathery maniacs,
I don't enjoy singing
this trio, fatal and valuable.

I will tell the secret to you,
to you, only to you.
Come closer. This song

is a cry for help: Help me!
Only you, only you can,
you are unique

at last. Alas
it is a boring song
but it works every time.
Margaret Atwood