sábado, 30 de abril de 2016

Na sensação de estar polindo as minhas unhas

Fotografia de Elliot Erwitt


sei que morrerei no dia do aniversário da minha morte
ainda há coisas certas na vida
o dia do aniversário da minha morte apresenta tamanha discrição
que nem dou por ele
portanto não mudarei de roupa
talvez passe o dia deitada
no displicente descanso
de não atender telefones
nem me levantarei para ir ver o correio
e se alguém se lembrar de me acender
as inconsequentes velinhas
deixarei que derretam e estraguem o bolo
no dia do aniversário da minha morte
nem me penteio
Rosalina Marshall


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Campanha eleitoral*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. Passou mais um 25 de Abril — o quadragésimo segundo.

No parlamento, o PCP deu palco a Rita Rato para mais um discurso “patriótico e de esquerda”; o bloco de esquerda passou o microfone a Jorge Costa que execrou as “ingerências” da “Europa”; o PS deu o púlpito ao “jota” João Torres que se disse na “segunda república” (deve achar que Afonso Costa e Mário Soares foram presidentes, mas que Salazar foi rei); os falantes da direita, Nuno Magalhães e Paula Teixeira da Cruz, lá enfrentaram o sobrolho carregado de Vasco Lourenço.

Valha a verdade, ninguém prestou muita atenção até Marcelo começar a falar. Esta celebração do “dia inicial inteiro e limpo” correu muito bem ao novo PR. Até o poeta Alegre já se alistou na CRPMRS (Comissão de Reeleição do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa).


Fotografia de Bruno Simão para o Jornal de Negócios

O presidente avisou que o país não pode “viver, sistematicamente, em campanha eleitoral”. Não pode, não, mas não tem acontecido outra coisa desde que a Troika se foi embora: Maria Luís Albuquerque desistiu de antecipar pagamentos ao FMI para ter folga em 2015; Mário Centeno acaba de adiar pagamentos previstos ao FMI em 2016 e 2017 e está a aproveitar a folga para tratar bem os táxis, para prover um IVA fofinho aos restaurantes, para fazer carinhos à banca e atestar camiões com diesel “espanhol”, ...

Vamos continuar em campanha eleitoral. Nada vai alterar isso enquanto as sondagens não mexerem.

2. A administração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu tomou posse em Novembro de 2013 para um mandato de três anos. Se o presidente daquela empresa pública se “despedisse” agora, o seu substituto seria nomeado só para sete meses até serem completados os tais três anos; é uma imposição legal.

A crítica que fiz aqui ao presidente do conselho de administração do hospital por não ter posto o seu lugar à disposição mal tomou posse o novo governo deve, agora, ser lida à luz desta informação que me foi dada por Ermida Rebelo e que agradeço.

Com esta idade, já viu o que é

Fotografia de Elmo Tide



Olhe, preciso de dinheiro.
Preciso de muito dinheiro. Quero abrir um negócio.
Algo meu, sabe como é. Estou farto de patrões.
Não posso passar a minha vida atrás de um balcão.
A levar todas as noites com a baba dos perdidos nas trombas.
Já não tenho paciência.
Com esta idade, já viu o que é.
Sujeitar-se a todos os labregos.
Já tentei noutros bancos, sim.
Pedi também aos meus pais, é verdade;
disse-lhes que era para me casar.
Não, não tenho casa, nem automóvel.
Mas, olhe, posso garantir com o meu corpo.
O meu fígado, senhor, tem que ver o meu fígado.
É fígado de motard. Isto parece encolhido e tal,
mas anda a mil.
E adiantado, não pode pagar nada como entrada?
Entrada, não sei.
Só se for o coração.
Golgona Anghel


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Havana Blues*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 28 de Abril de 2006


1. No princípio de Abril, numa sessão do Cine Clube de Viseu, vi Havana Blues. Este filme foi realizado por Benito Zambrano, um espanhol nascido na Andaluzia e que fez os seus estudos de cinema em Cuba.

Em Espanha, “Havana Blues” foi visto por mais de 300 000 pessoas, na altura do seu lançamento, na Primavera de 2005.

Em Portugal, este filme está a ter uma carreira comercial modesta e é pena. É um bom filme a ver em cinema ou em DVD; a banda sonora de “Havana Blues” merece também ser metida num CD ou num MP3 para alegrar as nossas viagens de carro.

2. O filme mostra-nos o underground musical de Havana. Os protagonistas, Ruy e Tito, têm um sonho: sair de Cuba e triunfar na cena musical internacional.

O realizador diz que Cuba é só o cenário e que o filme fala daquilo que circula dentro das veias de todos os humanos: o amor, o ciúme, a amizade, o medo, o desejo de triunfar, a dúvida. Benito Zambrano diz: “o meu filme é sobre sentimentos universais”. Isso é verdade e o filme é belo por isso.

Mas Cuba não é só o cenário do filme. A ditadura cubana obriga aquelas personagens àquela vida. Comove ver aquela gente ser assim, apesar de Fidel. Mas a vida daquela gente é assim por causa de Fidel.

3. O mais insuportável nas ditaduras é que elas colocam os seus cidadãos perante dilemas morais todos os dias. Era assim, antes do 25 de Abril de 1974, em Portugal, terra de medos e de bufos da Pide.

É assim ainda em Cuba. Como é evidente, não vou revelar no Olho de Gato qual é o dilema que é colocado no filme a Ruy e Tito. É um dilema dali, de Cuba, daquela gente, daquele país congelado, à espera que a biologia cumpra o seu papel e Fidel Castro saia de cena. De vez.

A velocidade da luz



Há uma rotação do teu corpo
ou de uma parte dele que está pelo todo
e fora dos eixos do mundo.
Rodas a partir da cintura, estendes um braço,
há um músculo que se ilumina, uma onda
vertical em que tu própria te subisses;
então uma perna flecte-se, e o outro pé fica em ponta
oblíquo sobre o mundo que nesse instante
se suspende.

Há uma rotação do teu corpo –
Andas pela casa: és um leve rumor sob o silêncio
um rumor que alumia a sombra silenciosa;
na sala, o homem quase surdo quase cego
ouve-te, julga reconhecer-te: vens aí.

Estás aqui. O intervalo de tempo já começou:
há uma rotação no teu corpo
que me exclui do mundo e
entretanto é feita para mim; atinge-me
à velocidade da luz.
E eu o homem quase surdo quase cego
sou tomado pelo vento do fogo que me consome
até ser apenas a última brasa: pequenas ravinas de luz
o incêndio restante sob a exausta crosta da terra

Estavas, estiveste ali.
O tempo recomeça.
Apareces e desapareces.
Como a luz do farol disparando no céu sobre as casas
ou como o anúncio luminoso do prédio em frente
que varre intermitente a obscuridade do quarto no filme.
Quando voltará?

É como se soubesses
que voltará, sim, e que não, não poderá voltar.
Quando, e se voltar, serei eu talvez
quem já lá não está. Quando
é quando?
Quanto tempo ainda poderá o mundo voltar
à possibilidade dessa forma?


Estes corpos que somos são estranhas
invenções delirantes: tu não tens rodas e contudo
rodaste como se uma hélice te elevasse
só de um lado, te aspirasse até um outro estrato
aéreo, ou como se tu própria, folha aérea,
folheasses o ar e o mundo estremecesse
fora dos eixos.

Isso imprime-se nas areias do cérebro.

Depois, viesse um vento
e desfaria as dunas desse mapa:
a impressão ondula, muda de lugar, mas
resiste. É uma fotografia desfocada
uma tatuagem a outra sobreposta
uma cicatriz que esqueceu a ferida.


Interrompe-se aqui e ali
deixa de ser uma linha fina, um risco
no mundo, para ser uma corda que se entrança
e entrança o mundo.
Há qualquer coisa de movente fixo:
por mais que o tentes, o programa não deixa
que se apague toda e para sempre.
Desligas a máquina, mas o sulco permanece
no écran. Escreves-lhe em cima:
não desaparece, mas troca automática
mente algumas letras;
Encharcas-te em álcool, tabaco e comprimidos
mas a coisa insiste movida pelo fluxo
e refluxo das imagens, das águas, das areias, das sombras.


Há, houve uma rotação do teu corpo
e há qualquer coisa de irreparável
que me fizeste quando rodaste no mundo –
o quase homem aposta tudo em que voltará.
Joga tudo em que o mundo regressará
a essa forma de uma onda suspensa na música
a essa rotação fora dos eixos.

Porque é que dizes então «irreparável»?
Irreparável aponta para onde?


Irreparável é o mesmo que antiquíssima
e não idêntica?
A cicatriz é irreparável porque a ferida é perpétua,
esquecida e perpétua?
Tocas-lhe a milímetros de distância,
como quem não quer
a coisa,
e tu devias dar e não dar por isso.
Dir-se-ia que o ar se moveu, que uma coluna
do tempo se deslocou, dançou como a luz por entre nuvens
na parede verde de um canavial.



Há uma rotação irreparável do teu corpo
irreparável quer dizer que já não a podes parar
irreparável é alumbrada a alegria
o ar fugindo todo o mar subindo até ocupar
todo o campo do céu e
contudo
pudesses respirar o ar irrespirável.
Contra todas as evidências em contrário, a alegria
Manuel Gusmão



quarta-feira, 27 de abril de 2016

I'm a little fucked up maybe, but I'm funny how?

Tudo Bons Rapazes — Goodfellas (1990),
de Martin Scorsese

Tommy DeVito (Joe Pesci)
Oh, oh, Anthony. He's a big boy, he knows what he said. What did you say? Funny how?


Henry Hill (Ray Liotta)
It's...

Tommy DeVito
What?


Henry Hill
Just... ya know, you're, you're funny.

Tommy DeVito
What do ya mean, funny? Let me understand this cause, I don't know maybe it's me, I'm a little fucked up maybe, but I'm funny how? I mean, funny like I'm a clown, I amuse you? I make you laugh... I'm here to fuckin' amuse you? What do you mean funny, funny how? How am I funny?


Henry Hill
You know, how you tell a story, what?

Tommy DeVito
No, no, I don't know... you said it. How do I know? You said I'm funny. How the fuck am I funny, what the fuck is so funny about me? Tell me. Tell me what's funny!


Henry Hill
Get the fuck outta here, Tommy!

Tommy DeVito
Ya motherfucker, I almost had him, I almost had him! Ya stutterin' prick ya! Frankie, was he shakin'?


Telefone

Fotografia de Sára Saudková

O beijo venenoso:
a tua voz como um espelho
que acorda lembranças
de tacto em silêncio.
Longe do prazer,
vazia da dor
digo o teu nome, à beira da minha língua.
E o som rola
como o meu coração:
casca impregnada das tuas mãos
que ainda pulsa quando cessa o teu apelo.
Lourdes Espínola

terça-feira, 26 de abril de 2016

Nem um jardim

Fotografia de Tazio Secchiaroli


Não te via chorar há anos
e nem um jardim, como cenário,
tornou o acto menos doloroso de assistir.
Sei que é difícil fazeres o caminho de volta.
Desapareceu, como a casa,
levado pelos ares do desgosto.

Descansa, um dia poderemos falar
sobre quase tudo, menos da vida
que escolhemos ter.
Marta Chaves


segunda-feira, 25 de abril de 2016

A Portugal

Fotografia de Olho de Gato


Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido dela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:

eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas ser's minha, não
Jorge de Sena




domingo, 24 de abril de 2016

Fascismo nunca mais! Bancarrota nunca menos! *





* Há dois anos, o hmbf publicou o poema que se segue no blogue Antologia do Esquecimento mas, depois, apagou-o.
Que não caia no esquecimento.


FASCISMO NUNCA MAIS
Eu na minha vida só de revoluções adiadas
levo já uma catrefa
e se for a ponderar a aritmética
do desperdício
tempo me valha
que estou velho aos quarenta

Cresci a ver o país nas mãos de cata-ventos
ora soprados a jusante
ora bufados a jazente
com o futuro dos filhos dependurado
em tratados europeus parafraseando
estatutos de condomínios fechados
e nós dentro deles
como caseiros, mulheres a dias
já com o passado todo no ralo dos mercados
e nenhuma história para contar
às filhas

Os heróis que nunca tivemos foram-se todos
com as putas
ficaram nevoeiros onde repousar a imaginação
e 1 Prémio Nobel para assoprar a pirose
um neurocirurgião de primeira safra
o melhor futebolista do mundo
encanto para olhos de multidões cegas d'indiferença
a Paula Rego muito ao largo
e mais adiante Maria João
teclando nas pretas os sustenidos da nação

Temos igualmente imensíssimos cérebros emigrados
de que é bom orgulharmo-nos
não vá o sol queimar-nos a testa
Constipados de turismo, servis
e resplandecentes
somos, como sói dizer-se, bons anfitriões
passamos a vida em filas
onde contamos os tostões
podíamos ser excêntricos
passaríamos a vida em filas
a contar os cêntimos

Temos entre os poetas dos melhores
escrevem mais do que lêem
lêem mais do que vivem
vivem menos do que morrem
e já nem de tenças sobrevivem
simplesmente porque não podem

Os recursos naturais vêm sendo investidos
na confecção de obras
em obras tão seminais
como
as sinapses da Fundação Champalimaud
as artroses da Fundação Mário Soares
o alzheimer da Fundação Francisco Manuel dos Santos
os recessos da Fundação Calouste Gulbenkian
a dislexia do Museu Berardo
passepartouts para o colecção Miró do BPN
e BPNs para os mirós dos passepartouts
Convenhamos meu amor que não sobra muito
a Festa do Telhal, talvez
e pelo meio gado e comezainas de norte a sul
interior e litoral
com vivas à independência, à reconquista, à república
e ao FMIntegral

O país no seu melhor
são quarenta anos de cavacas sem açúcar, ou quase,
prescrições várias e um acréscimo considerável
tanto no uso de antidepressivos
como no comércio de corda para enforcamentos
Para o suicídio ainda não inventaram dietas
Vamos indo como sempre fomentos
Vamos estando como sempre investimentos
Vamos sendo como sempre barlaventos
feios, pigs e bonzinhos
alunos bem comportados de uma mise-en-scène
com indignações várias
dignas do tesão de mijo que assola o bêbado
das carbonárias

Ainda assim, trazemos na carteira expressões latinas
estrangeirismos, anglicismos
fartos e bastantes para embelezar decretos
e códigos, processos e procedimentos
Actio nondum nata non praescribitur
dizem os poetas de batina
como el matador ao toiro revogado
Comment dit-on motherfucking en français?

Na praça pública somos todos cavalos cansados
burros mansos
lobos amestrados com dentes caninos
para carnes tenras, ossos podres
nós próprios o povo
comendo-se uns aos outros
num canibalismo tal que enrubesceria as faces
dos indígenas da floresta
há muito atirados para as minas
onde fomos descobrir o pão nosso de cada dia
jamais seremos vencidos porque unidos nunca estivemos
jamais seremos derrotados
porque vencedores nunca seremos

Trepamos cimentadas carreiras
descalços e desprotegidos
na esperança de solas cozidas a duas linhas
(um dois esquerda direita centro consenso
extremamente central)
por outros que como nós trepam
mais abaixo de nós
e sempre a olhar para cima
na direcção de poleiros inalcançáveis
desviamos a testa das poias largadas
por quem bate asas de voos constritos

Triste sina ser-se assim
adiado aos quarenta
a fome de sentir e de amar e de ver
que não sai do mesmo lugar
onde nasceu e
tudo leva a crer
há-de vir a naufragar
hmbf



O JB foi ao Porto, Porto...




... e, na viagem, ele ouviu Sérgio Godinho cantar a explosão duma casca de ovo...



... ovo de onde saiu um pinto que não voa sobre as casas... 


... ou porque não quer ou porque lhe cortaram as asas.


Asas têm as pombas e, por isso, o gato gordo não lhes mete medo.
Fotografias de JB, paredes da Invicta

Vindo deste Vigo ao Porto
sem mala nem passaporte
o comboio era tão velho
que o fumo cheirava a morte

Pela manhã vi-me em S. Bento
tinha os olhos mal dormidos
estava na rua um silêncio
daqueles de abrir ouvidos

Quando de repente o estrondo
duma esplosão fabulosa
me atirou quase por terra
à esquina da Carvalhosa
(...)
Sérgio Godinho

sábado, 23 de abril de 2016

tu não estás

Fotografia de Louise Dahl-Wolfe

quem se importa se não vens pela estrada, ou se o teu nome é muito longe como a sombra? hoje abri as mãos enquanto o sul me fugia em pássaros sob a lua. há árvores tão lentas neste Inverno e passos mudos, água nos caminhos do espelho.

e tu não estás, não estás lentamente, nem sobre os telhados vermelhos, nem ao longe como o forte querer que a neve caia e tudo apague como se apagava o mundo quando docemente um beijo nos explodia no meio da solidão.
Gil T. Sousa