quinta-feira, 30 de junho de 2016

Dickhead

Daqui


20/20 vision, just a pair of empty frames
dressing like a nerd although I never got the grades.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Violência urbana (#23)

Fotografia Olho de Gato

Written on the body




Fotografia de Christine Guibert



Explore me’ you said and I collected my ropes, flasks and maps,
expecting to be back home soon. I dropped into the mass of you
and I cannot find the way out. Sometimes I think I’m free, coughed up
like Jonah from the whale, but then I turn a corner and recognise myself
again. Myself in your skin, myself lodged in your bones, myself floating in the cavities that decorate every surgeon’s wall. That is how I know you. You are what I know.
Jeanette Winterson


terça-feira, 28 de junho de 2016

Eu disse tudo

Farinelli, um filme de Gérard Corbiau (1994)

Eu disse tudo, mas não no lugar certo.
Em cera e em metal, por mãos de gente
e estojos de veludo me deitei
e quantos me tiveram sabem quanto
amei e amo a foice do teu rosto,
os cinco ou mais sentidos que me dás.
Um sopro humano, a boca, um coração,
me tocam e alimentam, como antes
águas de chuva no lazer do pântano
quando o vento passava nos pinhais;
sou teu igual, não mais, e no meu corpo
inteiramente novo é que perdura
a liberdade, glória do teu canto.
Desejo meu, em tua sede habito;
meu mestre, escravo, amante, pois servimos
no mesmo chão o mesmo antigo lume.
António Franco Alexandre



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Deixa a dormir a menina

Gif daqui




Rouxinol de bico preto,
Deixa o bago do loureiro,
Deixa a dormir a menina
Que está de sono primeiro.
Canção de embalar — Cinfães


sábado, 25 de junho de 2016

Women, they're so subtle...

Gif daqui



I swear, I have absolutely no idea what women are thinking. I do...

I swear, I have absolutely no idea what women are thinking. I don't get it, okay? I I I admit, I, I'm not getting the signals. I am not getting it!

Women, they're so subtle, their little everything they do is subtle. Men are not subtle, we are obvious. Women know what men want, men know what men want, what do we want? We want women, that's it!

It's the only thing we know for sure, it really is. We want women. How do we get them? Oh, we don't know 'bout that, we don't know. The next step after that we have no idea.

This is why you see men honking car-horns, yelling from construction sites. These are the best ideas we've had so far. The car-horn honk, is that a beauty? Have you seen men doing this? What is this? The man is in the car, the woman walks by the front of the car, he honks. E-eeehh, eehhh, eehhh! This man is out of ideas.

How does it? E-e-e-eeeehhhh! "I don't think she likes me." The amazing thing is, that we still get women, don't we? Men, I mean, men are with women. You see men with women. How are men getting women, many people wonder. Let me tell you a little bit about our organization. Wherever women are, we have a man working on the situation right now. Now, he may not be our best man, okay, we have a lot of areas to cover, but someone from our staff is on the scene. That's why, I think, men get frustrated, when we see women reading articles, like "Where to meet men?" We're here, we are everywhere. We're honking our horns to serve you better.
Jerry Seinfeld 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Banif*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



Faltavam apenas onze desluminosos dias para acabar 2015. Esteve frio na Ibéria naquele domingo, 20 de Dezembro, em que, no lado de lá de Vilar Formoso, o eleitorado acabou com décadas de hegemonia do PP e do PSOE e, no lado de cá, o Santander comprou em saldo o Banif.
Fotografia de Guilherme Marques  (daqui)

Daquele negócio sobrou um buraco de 2.255 milhões de euros para tapar: 489 milhões pelo Fundo de Resolução e 1.766 milhões por nós, pagadores de impostos. Esta segunda verba foi logo aviada em Fevereiro através de uma emissão fechada de dívida pública, sem consulta ao mercado, junto do... Santander.

A partir de então, a geringonça tem atirado as culpas para cima da caranguejola e a caranguejola para cima da geringonça. Ambas estão cheias de razão: esta longa campanha eleitoral de 2015, 2016 e 2017 vai custar-nos os olhos da cara. E aqueles 1766 milhões de euros vão ser pagos por nós, os nossos filhos e os nossos netos.

Pedro Passos Coelho podia ter feito melhor? Sim, podia e devia. Cuidou do buraco do estado, descuidou do buraco dos bancos. No Banif, arrastou os pés. Fez mal.

António Costa podia ter feito melhor? Sim, podia e devia. Faltavam só onze desluminosos dias para a entrada em vigor da nova regulamentação europeia para resgates bancários que poupa os contribuintes. Desde 1 de Janeiro, são os depositantes acima de 100 mil euros, os obrigacionistas seniores e o sistema financeiro europeu a tapar os buracos dos bancos.

O governo português diz que foi obrigado a esta solução pela "inquietude e pressão" da Comissão. Esta lava as mãos da asneira dizendo que a operação foi "da total responsabilidade das autoridades portuguesas". Um deles está a mentir.

Ricardo Cabral, bloguista do Público, aconselhou o governo a interpor uma acção no Tribunal Europeu contra a Comissão e o BCE. Só o anúncio desta acção podia aumentar o nosso "poder negocial" na UE. Mas, como muito bem observou a The Economist, a geringonça ladra muito em Lisboa, mas, quando chega a Bruxelas, não morde.

Das considerações

Fotografia de Pedro Meyer



Nas fábricas, nos campos, nos escritórios, nos barcos, nas escolas, nas pequenas oficinas, nos hospitais, nos quartéis, nas prisões, nos postos de venda, nas obras, nos armazéns, é justamente considerado como um grande porco aquele que passa a vida a pregar umas coisas e depois faz outras.
Eastwood da Silva


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Vildemoinhos*

* Texto publicado há exactamente dez anos, em 23 de Junho de 2006


1. Fialho de Almeida escreveu em “Os Gatos”: "Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato. Ao crítico deu Ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ron-ron e a garra, a língua espinhosa e a câlinerie.” “Câlinerie” pode traduzir-se por “meiguice” ou “ternura”. Que seja, então, “meigura”.

O Olho de Gato, por hoje, esquece-se da “repentina unha” de que tão bem fala Alexandre O’Neill num dos seus mais conhecidos poemas. Outra vez será a vez da unha.

2. Começo este ponto com uma declaração de interesses: pertenço aos Corpos Sociais do Cine Clube de Viseu (CCV); sou também sócio da ACERT, de Tondela, e gosto muito da sua actividade.

O CCV e a ACERT são os promotores da COMUM – Rede Cultural, projecto que foi contratualizado com sete Câmaras Municipais e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e que teve financiamento de Abril de 2004 a Abril de 2006. Nestes dois anos, as 224 actividades da COMUM tiveram quase 40 mil espectadores, tendo 8 mil deles participado em actividades pedagógicas e formativas.

Depois de um período em que as Câmaras construíram museus, bibliotecas, auditórios, teatros, galerias, pavilhões multiusos, etc., agora as autarquias precisam de software cultural, feito profissionalmente, e que circule em rede pelos vários equipamentos culturais. A COMUM é um bom exemplo de colaboração entre agentes culturais, municípios e governo. Penso que devia ser-lhe dada continuidade e ser alargada a outras autarquias que estão interessadas.

3. Vou sentir muito a falta das palavras claras da Liliana Garcia aqui no Jornal do Centro.

4. As tílias perfumam o ar. Viseu está lindo. Vildemoinhos convoca-nos.
Cavalhadas de Vildemoinhos/2008
Fotografia Olho de Gato

We are hard on each other

Fotografia de Joan Colom

i

We are hard on each other
and call it honesty,
choosing our jagged truths
with care and aiming them across
the neutral table.

The things we say are
true; it is our crooked
aims, our choices
turn them criminal.



ii

Of course your lies
are more amusing:
you make them new each time.

Your truths, painful and boring
repeat themselves over & over
perhaps because you own
so few of them




iii

A truth should exist,
it should not be used
like this. If I love you

is that a fact or a weapon?


iv

Does the body lie
moving like this, are these
touches, hair, wet
soft marble my tongue runs over
lies you are telling me?

Your body is not a word,
it does not lie or
speak truth either.

It is only
here or not here.
Margaret Atwood