terça-feira, 24 de maio de 2016

Existe um momento

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existe um momento

pouco importa qual
em que se reúnem ao acaso
diante de nós
todas as condições de uma vida
desesperada
José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sem comentários

Público: Então não sente que o país agora está dependente das taxas de juro baixas do BCE e da sua promessa de apoio em caso de necessidade?
Peter Praet (Comissão executiva do BCE): Recentemente, vimos as taxas de juro de Portugal a subir. Isto mostra que a disciplina do mercado está presente, mesmo apesar do facto de o BCE comprar dívida pública do país. Portugal não deve esquecer esta mensagem: a disciplina do mercado ainda está presente. E depois há os ratings. Quando fazemos compras de activos, olhamos para as agências de rating. Há apenas uma com o nível mínimo para Portugal e é de BBB-.


(...)
PúblicoO FMI calcula que, ao actual ritmo, o BCE vai atingir o limite de obrigações portuguesas que pode comprar até ao fim do ano. Irá Portugal ter um problema aqui?


Peter Praet: Não quero fazer comentários a esta questão.

Carestia

Gif daqui


Amor custa bem caro.
Mesmo assim depenamos bolsos
e bolsas de moedas raras.
Por ele pagamos, em prestações
nem sempre suaves, quanto
de entrada supúnhamos
de todo não poder:
o alto preço dos sustos,
a conta escorchante
das noites em claro,
os juros extorsivos
do medo de perdê-lo,
a tristeza do saldo zero.
Queixamo-nos de carestia
se de amor-próprio ainda
nos sobra algum trocado,
mas que fazer quando só
amor é o lucro que buscamos?
Astrid Cabral



domingo, 22 de maio de 2016

Estendais (#2) — por JB*

* Comentário de JB ao post de ontem Estendais



Direita acusa Governo de favorecer a escola pública.

A sério?!
Ahahahah. Esta malta não tem a noção do ridículo?
Então o Estado deveria defender o quê? Interesses privados?
Vejam ao ponto que chegou esta pouca vergonha que temos um governo que favorece a escola pública em detrimento privada. Muito bem, PSD e CDS.

Estavam a dormir quando dezenas de milhar professores foram ejectados da escola pública? Ah, não lhes ia ao bolso...
Cortar salários? Pode.
Cortar pensões e reformas? Pode.
Cortar subsídios e comparticipações? Pode.
Cortar contratos de associação? Não pode.

E da primeira vez que há um governo que quer mesmo poupar dinheiro ao contribuinte o PSD o CDS estão contra.

Agora os colégios vão ficar com os alunos que podem pagar. Espero que não acabem com a classificação das escolas. Estou muito curioso.

E por Viseu?
Uma igual concorrência desleal com muitos exemplos desde o pré escolar, passando pelo profissional e acabando na acumulação de lugares no privado e público...

Fotografia Olho de Gato

PS: Esperam-se manifestações de explicadores, com os seus explicandos a tiracolo e de t'shirt amarela, a contestar a medida.

E fim de conversa.
Não volto a dar tempo de antena a esta gente.

Neste campo, o estendal do privado não usa OMO!

Código civil

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Raparigas abraçadas ao Código Civil,
serve para alguma coisa,
o Código Civil, nunca imaginei,
que bom ser Código Civil.
Pedro Mexia



sábado, 21 de maio de 2016

Estendais

Fotografia achada aqui


Em alguns invernos mais chuvosos,
em Miragaia que foi a Madragoa de
Pedro Homem de Mello, o Douro
salta a margem e entra pelos arcos
onde se demora no rés-do-chão
das casas, por duas madrugadas.

Mas são os estendais, à janela
agitados pelo vento nas abertas da chuva,
que nos trazem a urgência e a constância
dos corpos, nas mangas pendentes
de camisas, camisolas ou na roupa

interior, última margem dos íntimos rios,
onde os poliesteres aboliram os felpos, os linhos
as cambraias. Só a cor branca dos lençóis teima
lá no alto, a abrir velas ao desejo do sol
e à memória de obscuras lavadeiras, que faziam
heróicas barrelas na espuma inocente do sabão.
Inês Lourenço



sexta-feira, 20 de maio de 2016

Vacas voadoras


Pensar que há vacas voadoras é de um "optimismo crónico e ligeiramente irritante", é uma ideia sem "os pés assentes na terra", como avisa o actual presidente da república

As vacas não podem voar na vertical dos nossos casacos e isso é bom — bem bastam as pombas e as gaivotas e os melros.

As vacas podem, isso sim, ter razões para sorrir, como observou um anterior presidente da república:



Bichos-carpinteiros*

*Texto publicado hoje no Jornal do Centro



1. Como os leitores se devem lembrar, a última crónica foi escrita cheia de “cuidados e caldos de galinha” porque ia sair numa sexta-feira 13. Aqui acabou por não haver azar, mas houve no país.

O Instituto Nacional de Estatística, uma casa habitada por frios matemáticos que não querem saber de superstições, publicou naquela sexta-feira 13 os números do PIB do primeiro trimestre deste ano. Era 13 de Maio, dia de prodígios na Cova da Iria, mas, no país, aconteceu o contrário de um milagre. A coisa está preta: a economia cresceu 0,1% em cadeia e 0,8% em termos homólogos

Na “Europa”, pior que Portugal só a Grécia. 
Fotografia de Alexandros Vlachos — daqui
Aqui ao lado, Espanha, no mesmo período, cresceu 0,8% em cadeia e, em valores anualizados, são uns muito bons 3,4%.

2. Ora, estes números excelentes da economia espanhola aconteceram enquanto o país não tem governo. E assim vai continuar. Desde as eleições de 20 de Dezembro até às de 26 de Junho, vão ser 189 dias “acratas”.

Estas situações vão-se repetindo: a Holanda em 2010 esteve quatro meses sem governo; ao lado, a Bélgica, em 6 de Dezembro de 2011, estabeleceu um recorde mundial — foram 541 felizes dias, quase um ano e meio sem governo e tudo correu bem no país. Só quando a Standard & Poor's fez uma avaliação negativa da dívida soberana é que os partidos belgas foram obrigados a ultrapassar o impasse e chegar a um acordo de coligação.

São evidências do enfraquecimento global dos poderes. Estes limitam-se, cada vez mais, a alimentar um teatro que sobreavalia a capacidade dos políticos para resolverem problemas; teatro que, ao mesmo tempo, subavalia a habilidade dos mesmos políticos para criarem problemas.

É o caso: enquanto o governo de Madrid está paralisado, o de Lisboa não pára. Os resultados em Espanha são bons, em Portugal são maus.

Há que pedir encarecidamente à geringonça: por favor, mexa-se o mínimo possível, controle esses bichos-carpinteiros.

Uma sepultura no mar

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Podias obedecer a um registo de perder
o respeito, levantar a saia se a tivesses,
alçar a perna se cão fosses, mandar à merda
quem vem socorrer-te da vida e te decepa os dedos.

Com um rigor de artilharia que amortece o cansaço,
o combate quase parece sereno. De vez em quando,
fazes a conta de cor e dizes apesar de tudo, inspira-me
e não queres saber muito mais do que isto.

Estás na vida como na montra alguns relógios,
parado, e pensas numa sepultura no mar, tudo
menos esta terra, tudo menos uma corda, tudo menos
viver a pulso e ter de sacudir a chuva contra o casaco.

Os dias sem prognóstico, vivendo apenas para
esperar a madrugada, e que ela venha como o cortejo
e aprendas a ficar.
Marta Chaves


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mas isso também não interessa nada

Fotografia de Katerina Belkina


Estou à nora é uma
expressão que aprendi
mesmo agora
e de que não sei
o significado.
Helga Moreira

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ó "Five Star$", és um bárbaro de merda!

Isto faz-se a um monumento?!



Fotografias Olho de Gato

Mar sonoro

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Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen