Diplomacias*
* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 27 de Outubro de 2006
1. Paulo Mendo, ex-Ministro da Saúde de Cavaco Silva, esteve na Livraria da Praça, a falar dos 14 séculos de relações entre o Islão e o Ocidente. Paulo Mendo é um apaixonado pela cultura islâmica e luta por uma aproximação entre Portugal e Marrocos (onde tem casa).
Na conversa com o público vieram à baila as palavras do papa Bento XVI, na Universidade de Ratisbona, que incendiaram a “rua árabe” que anda de pavio muito curto, como se sabe. Paulo Mendo não gostou das palavras de Razinger e não as achou inocentes.
Eu penso que elas foram só um tropeção. Bento XVI não vai pôr em causa a aliança estratégica entre o Vaticano e o Islão contra Israel e o Ocidente laico e de costumes “dissolutos”. Poderá haver entre o Vaticano e o Islão um ou outro episódio menos risonho como este, mas a “Santa Aliança” entre eles não me parece estar em perigo.
2. Portugal acaba de se abster, na Comissão de Descolonização da ONU, numa Resolução a favor da autodeterminação do Sahara Ocidental. Esta posição, que certamente agradou a Marrocos, é uma viragem na política externa portuguesa. Com esta doutrina nunca teria havido um Timor independente, já que o Sahara Ocidental está para Marrocos como Timor estava para a Indonésia.
O actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, apoiou George W. Bush e Tony Blair na desgraça iraquiana. No Parlamento, no caso dos voos da CIA, tem tomado as dores que deviam ser do PSD e do CDS/PP, deixando branquear os erros políticos de Barroso e Portas na questão do Iraque e da luta contra o terrorismo. Esta votação de 16 de Outubro, na ONU, sobre o Sahara Ocidental, vem enegrecer ainda mais o panorama.
Volta, Freitas, estás perdoado.
A saudosa Livraria da Praça de Viseu
Fotografia daqui
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Na conversa com o público vieram à baila as palavras do papa Bento XVI, na Universidade de Ratisbona, que incendiaram a “rua árabe” que anda de pavio muito curto, como se sabe. Paulo Mendo não gostou das palavras de Razinger e não as achou inocentes.
Eu penso que elas foram só um tropeção. Bento XVI não vai pôr em causa a aliança estratégica entre o Vaticano e o Islão contra Israel e o Ocidente laico e de costumes “dissolutos”. Poderá haver entre o Vaticano e o Islão um ou outro episódio menos risonho como este, mas a “Santa Aliança” entre eles não me parece estar em perigo.
2. Portugal acaba de se abster, na Comissão de Descolonização da ONU, numa Resolução a favor da autodeterminação do Sahara Ocidental. Esta posição, que certamente agradou a Marrocos, é uma viragem na política externa portuguesa. Com esta doutrina nunca teria havido um Timor independente, já que o Sahara Ocidental está para Marrocos como Timor estava para a Indonésia.
O actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, apoiou George W. Bush e Tony Blair na desgraça iraquiana. No Parlamento, no caso dos voos da CIA, tem tomado as dores que deviam ser do PSD e do CDS/PP, deixando branquear os erros políticos de Barroso e Portas na questão do Iraque e da luta contra o terrorismo. Esta votação de 16 de Outubro, na ONU, sobre o Sahara Ocidental, vem enegrecer ainda mais o panorama.
Volta, Freitas, estás perdoado.
DIPLOMACIAS, dez anos depois...
ResponderEliminarSchauble diz que no anterior governo é que andava tudo sobre rodas. É preciso ter lata!
E tu Schauble, devagarinho, vais por onde?
E se te preocupasses mais com a falência do Deutsche Bank? O Deutsche Bank já contratou a Goldman Sachs para mascarar as contas? Tem experiência grega…
Pergunta recebida por mensagem: “Podemos expulsar o embaixador alemão, salvo pedido de desculpas público de Merkel? Só para fingirmos que somos um estado soberano? Não?”
O Varoufakis faz mesmo falta à política. Esse tinha o “material” no sítio!
Provocação:
1 – Um amigo contou-me que o Sócrates esteve na tvi a dar uma entrevista. Mas levou atestado médico, certo?
2 -O Roque tem razão: uma pessoa anda a perder tempo a tirar uma licenciatura e nem consegue perceber se já se licenciou ou não.
Ó JB, o Varoufakis secou os bancos, fez regressar a Grécia ao vermelho (tinha tido um crescimento interessante no quarto trimestre de 2014), obrigou a dose reforçada de austeridade a partir da palhaçada do referendo de Julho de 2015, um embuste que foi feito ao desgraçado povo grego e que acabou por ter só um resultado menos mau — o despedimento daquela criatura de golas levantadas.
ResponderEliminarAbraço