quinta-feira, 1 de setembro de 2016

oh noite faroleira

Daqui

oh noite faroleira

descansa no colo do meu olhar
esse teu pranto tão cansado

e atormentada voz que te assiste
desolação de mares arrebentados

inquietos sonos que construíste
nessa pedra que erosa até ao céu
à sombra dos que lá poisam

porque se de mim me fui
já tenho mar que me chegue

e sempre de noite rouca
inquieto o desejo dos passos

em vigílias de coisas que não vês
para além dos horizontes
corpolados entre céus e águas

e se te alcanço a densidade
sei voar ao silêncio

não vês tu que infinita ideia?
Sofia Crespo


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