sábado, 1 de agosto de 2015

Se a alma te reprova — soneto 135

Fotografia de Rafael Trobat



Se a alma te reprova eu venha perto,
Jura à cega, que o teu ardor eu fosse;
Ardor tem, como saber, sítio certo,
E assim me enchas, amor, medida doce.
Ardor enche de ardor e amor teu cofre,
Ai, lardeia-o de ardor!, e ardor apronto
E bem prova que em vazadouro sofre:
Se o número é grande, eu só não conto.
Então que eu passe em grupo sem ser visto,
Sendo um nas contas dessa feitoria;
Tem-me em nada, se te agradar registo
De que este nada em ti é doçaria.

          Faz só meu nome teu amor e amor;
          E amas-me então pois eu te chamo Ardor.

William Shakespeare
Trad.:Vasco Graça Moura


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