quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Dito no Jornal do Centro em 2013*

* A última crónica do ano é uma espécie de "antologia" — muito tesourada para caber** — dos textos publicados este ano no Jornal do Centro ***


António José Seguro — que chegou à liderança do PS com uma agenda anti-corrupção - foi mandado calar sobre o assunto pelos socratistas e calou-se.


Nuno Crato, ao contrário do que sempre escreveu e teorizou, chegado ao governo, em vez de focar as escolas no “produto” (os conteúdos que os alunos têm que aprender), fá-las gastar cada vez mais energias no “processo” (burocracia, centralismo, nevoeiro regulamentar).


Quando há notícias de uma viagem das elites portuguesas a Angola há quem se interrogue: “mas afinal eles vão lá ensinar ou aprender?”


António Zambujo, Sé de Viseu, 13.7.2013 (fotografia Olho de Gato) 
Cozinhado das listas autárquicas de Viseu: 

(i) nos lugares elegíveis para a câmara e assembleia municipal, o aparelhismo partidário mais seguidista e acrítico, polvilhado aqui e ali com um ou outro académico para enfeitar;

(ii) nas listas de freguesia, generosidade e amor à comunidade.

Embora menos kitsch e parola agora com José Moreira, mesmo assim a Feira de S. Mateus sempre procedeu como se Viseu fosse uma aldeia e que aquele certame fosse “o” largo da cidade. Não é. Era só o que faltava que fosse.


Visabeira que é um caso admirável de sucesso, a que a cidade muito deve e de que depende, sendo essa dependência um risco, porque todas as monoculturas o são.


Estarmos em “crise” é o nosso estado natural desde 1143 e cá nos vamos aguentando.


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** Antes da tesourada, esta "antologia" tinha este tamanho:

4/Jan:

António José Seguro — que chegou à liderança do PS com uma agenda anti-corrupção - foi mandado calar sobre o assunto pelos socratistas e calou-se.

28/Fev:

Nuno Crato, ao contrário do que sempre escreveu e teorizou, chegado ao governo, em vez de focar as escolas no “produto” (os conteúdos que os alunos têm que aprender), fá-las gastar cada vez mais energias no “processo” (burocracia, centralismo, nevoeiro regulamentar).

28/Mar:

O trabalho de Angela Merkel é tratar dos interesses dos alemães respeitando a constituição alemã. Quanto mais o dr. Soares disser mal da “senhora Merkel” (é assim que ele a chama), melhor ela estará a fazer o seu trabalho.

4/Abril:

Cavaco e Sócrates foram os únicos primeiros-ministros da terceira república com maiorias absolutas monopartidárias, foram ambos autoritários e sem capacidade de diálogo e foram ambos objecto de culto de personalidade nos seus partidos.

25/Abril:

Quando há notícias de uma viagem das elites portuguesas a Angola há quem se interrogue: “mas afinal eles vão lá ensinar ou aprender?”

9/Maio:

Fica já aqui o meu juízo objectivo sobre o trabalho do dr. Ruas: ele foi um bom presidente da câmara, fez coisas bem, fez coisas mal, mas fez muito mais coisas bem que coisas mal.


15/Agosto:

Duas primeiras constatações sobre o cozinhado das listas autárquicas de Viseu: 

(i) nos lugares elegíveis para a câmara e assembleia municipal, o aparelhismo partidário mais seguidista e acrítico, polvilhado aqui e ali com um ou outro académico para enfeitar; 

(ii) nas listas de freguesia, generosidade e amor à comunidade.

5/Set: 

Uma aldeia tem um largo. Uma cidade tem muitos.
Embora menos kitsch e parola agora com José Moreira, mesmo assim a Feira de S. Mateus sempre procedeu como se Viseu fosse uma aldeia e que aquele certame fosse “o” largo da cidade. Não é. Era só o que faltava que fosse.

26/Set: 

Tento sempre seguir a melhor tradição do pensamento europeu: há que tomar partido, isto é, escolher uma parte, e depois exercer o juízo crítico com severidade, especialmente com a nossa parte.

3/Out: 

Depois de quatro anos de deserção e falta de fibra, o PS-Viseu continua a olhar para o umbigo. Ninguém se demite?

10/Out:

Em 18 de Maio, numa assembleia geral no Auditório Mirita Casimiro, o sempitermo presidente daquilo ficou encarregado de organizar umas eleições que pudessem ressuscitar aquela sala há anos a ganhar teias-de-aranha.
Passaram cinco meses. Nada foi feito. O homem nem coiso nem sai de cima...

17/Out: 

Nestes 24 anos, a força da cidade que residia nos comerciantes passou para as instituições do estado e para a Visabeira. Visabeira que é um caso admirável de sucesso, a que a cidade muito deve e de que depende, sendo essa dependência um risco, porque todas as monoculturas o são.

28/Nov: 

Não é bom ver António Almeida Henriques nomear para a captação de investimento nos parques empresariais uma pessoa [Ana Paula Santana] que percebe tanto daquilo como de lagares de azeite.

12Dez: 

Bem vistas as coisas, nós estamos há quase nove séculos em “crise”. Estarmos em “crise” é o nosso estado natural desde 1143 e cá nos vamos aguentando.

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