Dias felizes*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 27 de Maio de 2016
1. Entre 4 de Fevereiro (dia da entrega do orçamento de estado) e 16 de Março (dia em que foi aprovado) passaram-se 41 dias felizes no parlamento. Como António Costa mostrou abertura a alterações naquele diploma, os deputados do PS, BE, PCP, PEV, PAN, até do pàfiano CDS, entraram na festa.
Foi uma festa vegan que reduziu o IVA ao tofu e à soja, o que levará à diminuição do perímetro abdominal dos portugueses e dará trabalho extra às costureiras na mingação das nossas calças, para que não caiam.
Nestes 41 dias de recreio, os deputados divertiram-se muito. A senhora dona Catarina Martins esganiçou-se a iluminar o país com “electricidade social” e Jerónimo de Sousa não lhe ficou atrás e borleou os livros do primeiro ano, os dos ricos e os dos pobres.
A verdade é que houve ideias boas: o apoio a desempregados de longa duração; e houve ideias mal pensadas: a decisão de borlas nos manuais escolares, com ou sem aplicação de condição de recursos, devia continuar a ser deixada aos municípios.
E houve ideias anedóticas: como a do desconto no IMI de vinte euros por filho. Como muito bem disse João Miranda, no blogue Blasfémias, se é para ajudar as famílias com uma verba fixa por filho, para quê ligar o complicómetro burocrático do IMI e não aumentar directamente o abono de família?
De qualquer forma, importa descansar o leitor: estas semanas de felicidade no parlamento não ficaram muito caras — deram um aumento de 158 milhões de euros na despesa e de 118,7 milhões na receita. Foram só 39,3 milhões de agravamento orçamental. Uma “ninharia” que serviu para dar algum aperto aos parafusos da geringonça.
2. Não se conhecem resultados escrutináveis das eleições internas do PS do último fim-de-semana.
Anunciam-se percentagens “norte-coreanas” à volta de 90% e mais nada. Não há números a nível concelhio, nem distrital, nem nacional. Esta opacidade é uma vergonha, sra. Adelaide Modesto**, sr. António Borges**, sr. António Costa.
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** Já depois de fechada a edição do Jornal do Centro na quarta-feira, o PS-Viseu publicou os resultados eleitorais completos que podem e devem ser analisados aqui.
Vale mais tarde do que nunca.
1. Entre 4 de Fevereiro (dia da entrega do orçamento de estado) e 16 de Março (dia em que foi aprovado) passaram-se 41 dias felizes no parlamento. Como António Costa mostrou abertura a alterações naquele diploma, os deputados do PS, BE, PCP, PEV, PAN, até do pàfiano CDS, entraram na festa.
Foi uma festa vegan que reduziu o IVA ao tofu e à soja, o que levará à diminuição do perímetro abdominal dos portugueses e dará trabalho extra às costureiras na mingação das nossas calças, para que não caiam.
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| Fotografia daqui |
Nestes 41 dias de recreio, os deputados divertiram-se muito. A senhora dona Catarina Martins esganiçou-se a iluminar o país com “electricidade social” e Jerónimo de Sousa não lhe ficou atrás e borleou os livros do primeiro ano, os dos ricos e os dos pobres.
A verdade é que houve ideias boas: o apoio a desempregados de longa duração; e houve ideias mal pensadas: a decisão de borlas nos manuais escolares, com ou sem aplicação de condição de recursos, devia continuar a ser deixada aos municípios.
E houve ideias anedóticas: como a do desconto no IMI de vinte euros por filho. Como muito bem disse João Miranda, no blogue Blasfémias, se é para ajudar as famílias com uma verba fixa por filho, para quê ligar o complicómetro burocrático do IMI e não aumentar directamente o abono de família?
De qualquer forma, importa descansar o leitor: estas semanas de felicidade no parlamento não ficaram muito caras — deram um aumento de 158 milhões de euros na despesa e de 118,7 milhões na receita. Foram só 39,3 milhões de agravamento orçamental. Uma “ninharia” que serviu para dar algum aperto aos parafusos da geringonça.
2. Não se conhecem resultados escrutináveis das eleições internas do PS do último fim-de-semana.
Anunciam-se percentagens “norte-coreanas” à volta de 90% e mais nada. Não há números a nível concelhio, nem distrital, nem nacional. Esta opacidade é uma vergonha, sra. Adelaide Modesto**, sr. António Borges**, sr. António Costa.
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** Já depois de fechada a edição do Jornal do Centro na quarta-feira, o PS-Viseu publicou os resultados eleitorais completos que podem e devem ser analisados aqui.
Vale mais tarde do que nunca.


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