Bitolas ferroviárias, os trinta e quatro trabalhos de Aguiar-Branco e o burro de Tróia*

* Hoje no Jornal do Centro

1. Para os ucranianos, ter comboios é uma condição de liberdade. Mesmo em situação de guerra, acabam de inaugurar uma linha entre Chop e Uzhhorod, com bitola europeia, que lhes permite uma ligação directa à Hungria e à Eslováquia. Isto é, a rede ferroviária ucraniana já tem uma conexão directa à rede ferroviária da UE. 

Por sua vez, Portugal é uma ilha ferroviária e assim vai continuar, pois teima num TGV em bitola ibérica (1668 mm), em vez da bitola europeia (1435 mm), enquanto, aqui ao lado, Espanha está a fazer ligações TGV de Madrid a Lisboa e de Madrid a França em bitola europeia. Essa decisão permite-lhe, para além dos óbvios benefícios operacionais no futuro, optimizar os apoios europeus no presente.

2. José Pedro Aguiar-Branco é um dínamo, perdão, um alternador, perdão, um gerador, perdão, um estropício fotovoltaico virado a sul num dia sem nuvens. O presidente da Assembleia da República tem energia para dar e vender.

O homem, para além de manter na ordem uma grosa e meia de egos parlamentares, o que, como se sabe, é tudo menos fácil, desempenha ainda mais trinta e quatro cargos, dos quais mantém trinta e um secretos. Não se sabe o que faz, para quem faz, quanto aufere de cada um deles. “Sigilo profissional”, invoca ele na sua declaração à Entidade Para a Opacidade, perdão, na sua declaração à Entidade Para a Transparência. 

Esta aceita este desconchavo. Logo, a dita Entidade Para a Transparência não serve para nada. Fechem-na.

3. A polarização política está a fragmentar os eleitorados em todo o lado. Até no Reino Unido, em vez dos tradicionais dois grandes partidos, agora há cinco partidos médios, a saber: Reform UK, Partido Conservador, Liberais Democratas, Partido Trabalhista e Partido Verde. 

Nas eleições locais de 7 de Maio, o Partido Trabalhista de Keir Starmer perdeu forte e feio para os Verdes, que atraíram o voto jovem e islâmico. O esquerda.net, do Bloco de Esquerda, publicou um artigo entusiasmado com a subida “verde” intitulado “Uma vitória colossal da esquerda”, mas até aí se  reconhece que, “infelizmente”, “muitos” dos candidatos “enraizados nas comunidades muçulmanas” não têm “uma inclinação progressista”.

Imagem Grok
Cada vez mais se vê a esquerda anti-ocidental na cama com o islamismo. Não é um caso de amor, é de ódio ao Ocidente. Ataviada de keffiyeh, mesmo sabendo que o parceiro não tem qualquer “inclinação progressista”, a esquerda radical avança de mãos dadas com o islamofascismo. Como escreve João Tiago Proença, no Observador, a esquerda radical “perdeu a dignidade do cavalo, não passa de um burro de Tróia”.

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