11 de Setembro, vale-o-que-vale e tira-teimas*

* No Jornal do Centro aqui

1. O século XX acabou em 9 de Novembro de 1989, quando caiu o muro de Berlim. O século XXI começou em 11 de Setembro de 2001, quando caíram as torres gémeas. Faz hoje exactamente vinte anos.

Enquanto todo o mundo estava mesmizado em frente às televisões que nos mostravam o que estava a acontecer no World Trade Center, George W. Bush ouvia uma história infantil lida por alunos de uma escola primária. 

Os alunos liam em uníssono a "Cabra de estimação", enquanto os "pagers" dos assessores não paravam de vibrar. Ainda se usavam pagers. Steve Jobs só apresentaria o primeiro smartphone seis anos depois. 

Entretanto, o chefe de gabinete da Casa Branca, Andrew Card, foi segredar ao ouvido do seu chefe: «um segundo avião atingiu o segunda torre, a América está sob ataque.» Mas Bush continuou a ouvir as crianças até ao fim da história. Por não a ter interrompido foi severamente criticado. E gozado, até por Osama Bin Laden. Não foi aí que George W. Bush errou.

O abalo tectónico do 11 de Setembro deu origem a duas guerras: a do Afeganistão e a do Iraque. 

A primeira dessas guerras foi apoiada pela ONU e tirou base territorial ao terrorismo sunita. Acabou agora de uma maneira desgraçada com o regresso dos talibãs ao poder e correspondente tragédia que atinge, especialmente, as mulheres afegãs. Mas os responsáveis deste colapso são Obama, Trump e Biden, especialmente o primeiro. A culpa não é de GWB.

Já na segunda guerra directamente causada pelo 11 de Setembro, a invasão do Iraque, George W. Bush cometeu um erro moral e um desastre estratégico estrutural: a partir de então, os EUA entraram em decadência e o centro de gravidade do mundo começou a transferir-se do Ocidente para a Ásia.


2. Esta é uma grande semana noticiosa do Jornal do Centro: na quarta-feira publicou uma sondagem sobre a eleição para a câmara de Viseu, na quinta emitiu um debate de mais de duas horas com os oito cabeças de lista.

Os comentários nas redes sociais a esta sondagem são muito divertidos. O jornal é acusado de tudo e um par de botas. Já se sabe: quem não gosta de uma mensagem quer sempre "matar" o mensageiro.

A recolha de dados da Eurosondagem, feita entre 4 e 6 de Setembro para o Jornal do Centro, dá seis vereadores ao PSD, três ao PS e revela que ainda há 11,8% de indecisos. 

É um retrato que causa alguma surpresa. Os sinais provenientes da mobilização das freguesias parecem indicar que João Azevedo arranca para as duas semanas de campanha já com quatro vereadores firmes. 

Enfim, como se diz sempre nestes casos, uma sondagem "vale-o-que-vale". Já falta pouco para o "tira-teimas".

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