1989*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 16 de Junho de 2016
Tem sido muito interessante acompanhar a reflexão que se seguiu ao lançamento, em Maio, do último livro de Timothy Garton Ash — “Free Speech: Ten Principles for a Connected World”.
Segundo o autor, a liberdade de expressão está na defensiva desde o prodigioso ano de 1989 e dos seus quatros acontecimentos “seminais”: a queda do muro de Berlim, o aparecimento da internet, o massacre de Tiananmen e a fatwa contra Salman Rushdie.
Quer a queda das ditaduras comunistas quer a internet são marcos luminosos, embora com zonas de sombra: o putinismo é tudo menos saudável para o jornalismo independente e a internet tanto é usada pelos maluquinhos inofensivos das teorias da conspiração nas caixas de comentários dos jornais, como é a ferramenta de mobilização de perigosos radicais religiosos.
O massacre de Tiananmen é um buraco negro informativo levado a cabo pelo “maior aparelho censório da história da humanidade”, na opinião de Timothy Garton Ash. Quantos chineses foram liquidados a 4 de Junho de 1989? Não se sabe. Também não se sabe o nome daquele homem que, no dia seguinte, sozinho e desarmado, fez parar uma coluna de tanques na “Praça da Paz Celestial”, entretanto já limpa do sangue dos manifestantes.
Mas foi a fatwa lançada por Khomeini, e que encheu a rua islâmica de ódio contra Salman Rushdie, que mais estragos causou à liberdade de expressão.
Esse terramoto intolerante de 1989 continua a ter réplicas. Uma delas foi o massacre no Charlie Hebdo, em Janeiro de 2015.
Logo a seguir a esta tragédia, Timothy Garton Ash apelou para que, num movimento global pela liberdade de expressão, fossem republicados os cartoons de Charlie Hebdo nos media de todo o mundo. “De outra maneira, o veto dos assassinos prevalecerá”, avisou ele. Infelizmente, este apelo caiu em saco roto.
Num país como Portugal, em que se desama tanto a liberdade, a edição de obras como esta é mais do que uma necessidade: é um imperativo.
Tem sido muito interessante acompanhar a reflexão que se seguiu ao lançamento, em Maio, do último livro de Timothy Garton Ash — “Free Speech: Ten Principles for a Connected World”.
Segundo o autor, a liberdade de expressão está na defensiva desde o prodigioso ano de 1989 e dos seus quatros acontecimentos “seminais”: a queda do muro de Berlim, o aparecimento da internet, o massacre de Tiananmen e a fatwa contra Salman Rushdie.
Quer a queda das ditaduras comunistas quer a internet são marcos luminosos, embora com zonas de sombra: o putinismo é tudo menos saudável para o jornalismo independente e a internet tanto é usada pelos maluquinhos inofensivos das teorias da conspiração nas caixas de comentários dos jornais, como é a ferramenta de mobilização de perigosos radicais religiosos.
O massacre de Tiananmen é um buraco negro informativo levado a cabo pelo “maior aparelho censório da história da humanidade”, na opinião de Timothy Garton Ash. Quantos chineses foram liquidados a 4 de Junho de 1989? Não se sabe. Também não se sabe o nome daquele homem que, no dia seguinte, sozinho e desarmado, fez parar uma coluna de tanques na “Praça da Paz Celestial”, entretanto já limpa do sangue dos manifestantes.
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| Fotografia daqui |
Esse terramoto intolerante de 1989 continua a ter réplicas. Uma delas foi o massacre no Charlie Hebdo, em Janeiro de 2015.
Logo a seguir a esta tragédia, Timothy Garton Ash apelou para que, num movimento global pela liberdade de expressão, fossem republicados os cartoons de Charlie Hebdo nos media de todo o mundo. “De outra maneira, o veto dos assassinos prevalecerá”, avisou ele. Infelizmente, este apelo caiu em saco roto.
Num país como Portugal, em que se desama tanto a liberdade, a edição de obras como esta é mais do que uma necessidade: é um imperativo.


Liberdade de expressão (?!)
ResponderEliminarA liberdade de expressão veio acoplada com as democracias. Só quem tem medo de que lhe tirem o poder é que opta pela repressão.
Mas a liberdade de expressão tem que ser moderada ou seja " a minha liberdade acaba quando começa a liberdade do outro".
Sim e isso em sociedades de países desenvolvidos. Se considerarmos determinados conceitos religiosos que permitem e incentivam pedofilia( meninas de 8 anos casarem com indivíduos de 30,40,50 anos), violência de todo o género contras as mulheres ( desde que não fiquem com ossos partidos ou marcas), crimes de sangue, que sofrem aproximadamente mil milhões de meninas e mulheres...Uma liberdade condicionada pela geografia social.
Então a verdadeira liberdade consignada nos Direitos do Homem " o Homem nasce livre e igual em direitos", atravessa gerações, mas é uma ilusão, uma utopia...