Um candidato presidencial, um candidato mija-nos-postes e o futuro de Luís Montenegro*

* Hoje no Jornal do Centro aqui

O Olho de Gato de 20 de Dezembro, com o título Candidatos presidenciais, candidatos mija-nos-postes e candidatos desalinhados, foi muito lido. Naqueles dias antes do Natal, perante a “multidão” que tinha metido os papéis no Tribunal Constitucional para ir a votos, senti necessidade de dividir os catorze candidatos em três categorias, duas respeitáveis (candidatos presidenciais e desalinhados) e uma fake (a dos candidatos mija-nos-postes que só concorriam para marcar território partidário).

A verdade verdadinha é que, contados os votos, passaram à segunda volta um candidato presidencial, António José Seguro, que quer e está preparado para ser o Presidente da República de todos os portugueses, e um candidato mija-nos-postes, André Ventura, que quer dar mais músculo ao seu partido e medir forças à direita com o primeiro-ministro Luís Montenegro. Ora, as minorias e as maiorias presidenciais dissolvem-se sempre nas noites eleitorais, desta vez em 18 de Janeiro e em 8 de Fevereiro.

A vitória provável de António José Seguro não vai dar nenhum impulso extra ao partido socialista. Este vai ter que fazer pela vida a partir da generosidade das suas bases e da acção dos autarcas que conseguiram segurar o PS nas autárquicas de 12 de Outubro, apesar das asneiras woke e esquerdistas feitas pela corte socialista da capital.

A votação de André Ventura na segunda volta (35%? 40%?) também não vai vitaminar o Chega. Seja qual for o seu resultado, Ventura vai continuar com os mesmíssimos 60 deputados.

Apesar da eleição directa do inquilino do Palácio de Belém, o país evoluiu para uma espécie de presidencialismo de primeiro-ministro. Luís Montenegro vai manter exactamente o mesmo poder. E a mesma capacidade de tiro. Que é muita. Um chefe do governo é o político mais poderoso do nosso regime.

Os problemas actuais e futuros do governo não têm, nem vão ter, nada a ver com o voto nas presidenciais. Os problemas do governo advêm da incompetência de alguns ministros (Saúde, Administração Interna, Trabalho) e do peso morto de outros (Defesa, Reforma do Estado, Cultura). Os problemas do governo vão acentuar-se se Montenegro não refrescar a sua equipa e não desistir da intenção de querer precarizar, ainda mais, as relações laborais.

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