Separar as águas*

* Texto publicado no Jornal do Centro, há exactamente dez anos, em 3 de Julho de 2015



Fotografia Olho de Gato
1. A câmara de Viseu colocou parquímetros na metade que faltava da Rua Miguel Bombarda. 

Este jornal contou o caso tal qual é: aqueles engolidores-de-moedas são bons para os comerciantes e péssimos para os moradores.

Tanta proclamação sobre a centralidade, tanto discurso a pregar que “o centro precisa de gente”, tanto “estratega” de gravata a debitar larachas, e continuamos na mesma — não há maneira de serem criadas bolsas de estacionamento para moradores no centro da cidade de Viseu.

2. Em 2013, quando tomou posse como presidente da câmara de Viseu, António Almeida Henriques quis os seus vereadores fora de executivos partidários. Isso obrigou o seu vereador Guilherme Almeida a largar a concelhia do PSD.

Por sua vez, Fernando Carneiro, presidente da câmara de Castro Daire, acaba de ser eleito presidente da concelhia do PS, ficando a exercer os dois cargos.

O separar as águas camarárias das águas partidárias honra António Almeida Henriques. E merece aplauso. Fernando Carneiro e demais autarcas em “acumulação” deviam pôr os olhos neste salutar cuidado democrático.

3. José Junqueiro, em entrevista a este jornal, defendeu que a distrital devia ter convocado primárias para a escolha dos candidatos a deputados. Primárias que o actual líder distrital do PS, António Borges, prometeu quando andava em campanha mas agora recusa e vai tratar do assunto em “pequeno-comité”.

É verdade que o dossier Sócrates mói. Não é menos verdade que a “simpatia” de Costa pelo Syriza foi um valente tiro no pé. Mas, em cima destas duas nuvens negras, era necessário pôr uma terceira? Depois da mobilização para escolha do líder através de primárias abertas, depois da esperança que elas atearam no país e levaram o PS a 45% nas sondagens, regressam as escolhas à moda antiga?

Como é possível acartadores das pastas dos chefes, criaturas sem vida política fora do aparelho partidário mais encardido, continuarem a chegar a “deputados”?

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