sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Dito no Jornal do Centro em 2016*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro




19/Fevereiro 
Os financiadores da PPP da A25 não querem a auto-estrada para nada, querem é a renda de dois dígitos que o divino espírito santo lhes arranjou junto do poder político.

11/Março
Defendo uma lei da república que proíba o uso da burca no espaço público.

18/Março
A Paulo Portas se deve não ter medrado eleitoralmente à direita um populismo nacionalista e eurocéptico como há por essa “Europa” fora.

22/Abril
A doutrina sobre boys é fácil de enunciar: os lugares de nomeação política deviam estar listados em lei e deviam cessar automaticamente com a queda do governo nomeante.


29/Abril
Mário Centeno acaba de adiar pagamentos previstos ao FMI em 2016 e 2017 e está a aproveitar a folga para tratar bem os táxis, para prover um IVA fofinho aos restaurantes, para fazer carinhos à banca e atestar camiões com diesel “espanhol”.

1/Julho
No referendo do Reino Unido não ganhou nenhuma ideia "anti-neoliberal" ou "anti-austeritária". O Brexit não foi de esquerda, foi de direita populista e identitária, foi voto nacionalista e anti-imigração. Percebeu, Catarina Martins?

8/Julho
Dirijo-me especialmente aos leitores mais novos (...): quando a "Europa" impõe menos défice aos governos, ela está do vosso lado, está a impedir que políticos egoístas, velhos ou novos, ocupem ainda mais o vosso futuro com dívida.

22/Julho
A câmara [de Viseu], entre a continuidade sólida da acção cultural e o fogo-de-artifício do “evento”, tem preferido o segundo. É legítimo. Mas é contestável.

12/Agosto
Os presidentes de câmara deviam poder remodelar as suas equipas e as assembleias municipais deviam poder destituir o presidente da câmara.

11/Novembro
Basta ver a guerra no Facebook dos dois rebanhos — geringôncicos versus caranguejolos — para perceber que o que faz mexer as pessoas agora é tudo menos a verdade ou a troca racional de argumentos ou a procura de uma descrição ajustada da realidade. Uma maré de bílis leva tudo à frente.

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Os Olhos de Gato publicados no Jornal do Centro podem ser lidos aqui neste blogue clicando na etiqueta Jornal do Centro.

A primeira leitura para esta selecção de fim-de-ano deu a seguinte enormidade — mais de 19500 caracteres que depois foram devidamente tesourados para menos de 2000:

22/Janeiro
Em legislativas, cada voto rende €3,11 por ano ao partido que o recebe; em presidenciais, só os candidatos que obtêm mais de 5% têm subvenção pública para as despesas de campanha.

29/Janeiro

A votação de Sampaio da Nóvoa, tal como a de Fernando Nobre de há cinco anos, não vai servir para nada. Os resultados de Marisa Matias (muito bons) e Edgar Silva (péssimos), os outros candidatos da “geringonça”, também não acrescentam nada.

O emprego de António Costa nunca dependeu das presidenciais. Para já, ele depende, acima de tudo, da credibilidade que a “Europa” e os mercados vão dar à folha-de-cálculo de Mário Centeno.

19/Fevereiro
O capitalismo foi sabendo adaptar-se, mudar de pele. A melhor de todas essas epidermes é a “social-democracia”, ou “estado social”, ou “New Deal”, ou... são várias as designações desta que é a maior máquina de felicidade inventada pelos humanos: um sistema com várias configurações institucionais que preserva as liberdades civis, deixa criar riqueza às empresas, ao mesmo tempo que dá uma rede de previdência às pessoas nas situações de fragilidade, seja ela doença, desemprego ou outra.
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Ora, desde Reagan e Thatcher, a “social-democracia” começou a ser erodida. Aquilo que é o “comum” — a água, o solo, o subsolo, as estradas, o vento, até a genética das plantas, ... — está a ser tomado pelo capitalismo financeiro, através de formas de propriedade cada vez mais imateriais e abstractas. Exemplifica-se: os financiadores da PPP da A25 não querem a auto-estrada para nada, querem é a renda de dois dígitos que o divino espírito santo lhes arranjou junto do poder político.

26/Fevereiro
As “entradas de leão” do sr. Centeno na “Europa” acabaram em “saídas de sendeiro”: o homem austerizou mais mil milhões de euros e, para evitar um cartão vermelho, prometeu ainda mais tesouradas. Apesar de tudo, o ministro das finanças não “alevantou” as golas como fez Varoufakis no ano passado, com os resultados que se conhecem. Não ter acontecido esse filme de terror já foi bom. Foi bom, apesar do gozo da The Economist sobre os “protestos anti-austeritários” portugueses: chamou-lhes um “ladrar” que não “morde”.
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«Habemus boy!», alegra-se o PS-Viseu de António Borges. Há, finalmente, um lugarito de nomeação política no sul do distrito. Um. Unzinho. Um membro da família Ginestal foi posto a boss no Centro de Emprego Dão-Lafões.
Entretanto,Joaquim Santos, o presidente da concelhia de Tondela do PS, ficou furioso com aquela colocação “às escondidas”.

Sobre o facto de o nomeado perceber tanto daquilo como um esquimó percebe de lagares de azeite não se pronunciou.

4/Março
O colapso de 2008 apanhou a “Europa” ainda a sofrer o impacto da entrada de dez países do leste em 2004, a que se somaram ainda mais dois em 2007. Para além da imprudência destes mega-alargamentos, os traumas históricos do “motor” europeu, a Alemanha, fazem desta um “líder recalcitrante”, que nunca age, só reage.
É por isso que a “Europa” está sempre a correr atrás do prejuízo. Têm-lhe valido duas figuras fortes:Angela Merkel, que lhe tem dado força ética perante a crise dos refugiados, e Mario Draghi, que lhe tem dado cimento financeiro.
Só agora é que Draghi está a fazer a “facilitação quantitativa” que Bernanke fez logo em 2008. Isso implica uma política de factos consumados que está a aguentar o euro mas é difícil de digerir pelos eleitorados.

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Os soberanismos populistas de extrema-esquerda e de extrema-direita estão a crescer (na Grécia governam coligados e em Portugal apoiam, pelo menos para já, o governo).

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Apesar de tudo, o estado social europeu — obra dos partidos democratas-cristãos e sociais-democratas —, que tem abanado, mantém-se em pé e pede meças a qualquer outro do mundo.

11/Março
Não podemos ceder nos avanços conseguidos na igualdade entre homens e mulheres.

Foi com muito sofrimento, coragem e determinação que se conseguiu vencer, nestas matérias, a oposição do Vaticano e dos estados do Islão que sempre se aliaram nos fóruns internacionais. “Santa aliança”, assim lhe chamou, com desagrado e conhecimento de causa, o ex-presidente da assembleia geral da ONU, Diogo Freitas do Amaral.**

Chegados a este ponto, resta dizer: defendo uma lei da república que proíba o uso da burca no espaço público.
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Aquele chapéu em Lamego a transbordar de votos em António Borges, com uns espantosos zero brancos e zero nulos, quer dizer que os socialistas lamecenses o querem como candidato à sua câmara em 2017?

18/Março
A liderança de Paulo Portas deixa, como passivo, os submarinos do Jacinto Leite Capelo Rego. Mas deixa um activo que suplanta esse passivo: a Paulo Portas se deve não ter medrado eleitoralmente à direita um populismo nacionalista e eurocéptico como há por essa “Europa” fora.
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O syrizista bloco de esquerda acaba de votar contra o apoio de 106,9 milhões de euros à Grécia. Isso mesmo: todo aquele “esganiçamento” bloquista pelo povo grego era, afinal, treta OXIdada.

25/Março
Veja-se só este melindre: será que o bloco e o PCP vão permitir o nome de que se fala para a CGD, o ex-ministro da saúde Paulo Macedo?


1/Abril
Pedro Arroja chamou-lhes “esganiçadas” (o que mostra que o homem ouve mal) e disse que não as queria “nem dadas” (o que é, com elevada probabilidade, recíproco) e agora arrisca seis meses a cinco anos de prisão.

Não, isto não é uma peta de 1 de Abril: a senhora dona Mariana Mortágua, em declarações ao JN, achou muito bem esta queixa e quer que ela sirva de exemplo “em casos semelhantes”. Digo “senhora dona Mariana Mortágua” por duas razões: porque estas linhas podem ser chibadas à CIG, e porque, pelo que se tem visto, agora as cabeças falantes do bloco de esquerda julgam-se as novas “donas-disto-tudo”.

22/Abril
A doutrina sobre boys é fácil de enunciar: os lugares de nomeação política deviam estar listados em lei e deviam cessar automaticamente com a queda do governo nomeante.

Enquanto não houver essa lei, fica mal aos “nomeados” não porem sempre os seus lugares à disposição do ministro chegante.

29/Abril
O presidente avisou que o país não pode “viver, sistematicamente, em campanha eleitoral”. Não pode, não, mas não tem acontecido outra coisa desde que a Troika se foi embora: Maria Luís Albuquerque desistiu de antecipar pagamentos ao FMI para ter folga em 2015; Mário Centeno acaba de adiar pagamentos previstos ao FMI em 2016 e 2017 e está a aproveitar a folga para tratar bem os táxis, para prover um IVA fofinho aos restaurantes, para fazer carinhos à banca e atestar camiões com diesel “espanhol”, ...

Vamos continuar em campanha eleitoral. Nada vai alterar isso enquanto as sondagens não mexerem.


6/Maio
Este primeiro mandato de António Almeida Henriques está a ser muito igual ao primeiro mandato de Fernando Ruas. Nos idos de 1990, Ruas passou os seus primeiros anos a demarcar-se da política do seu antecessor, Engrácia Carrilho. Agora, Henriques tem passado os seus primeiros anos a demarcar-se da política do seu antecessor, Fernando Ruas.

Este, que não começou com maioria absoluta, aproveitou para a alcançar no segundo mandato à custa do CDS. António Almeida Henriques vai também aproveitar o desapontamento do eleitorado do CDS.

É que, depois do absentismo e afonia do vereador Hélder Amaral, os centristas vão ter muitas dificuldades, mesmo que candidatem algum ex-membro das equipas do dr. Ruas.


13/Maio
Num hotel de Vigo, um “milionário” viseense, armado de martelo e ciumeira, quando começou a agredir a mulher na cabeça teve um enfarte. Sorte dela, sorte dele, aquele azar do enfarte.

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Achilles Brito, dizia, perdidamente apaixonado pela sua mulher, linda como uma deusa, que ele precatava em casa, sempre em casa, dos olhos cúpidos da Invicta cidade, ela, violoncelista de topo, um dia aprazou um concerto num teatro da cidade, concerto anunciado em todo o lado e, vai daí, Achilles, homem de cabedais, achegou-se à bilheteira e comprou todos os bilhetes, para ser só ele e ninguém mais do que ele a “ouver” a sua exclusiva e linda mulher.


20/Maio
A Holanda em 2010 esteve quatro meses sem governo; ao lado, a Bélgica, em 6 de Dezembro de 2011, estabeleceu um recorde mundial — foram 541 felizes dias, quase um ano e meio sem governo e tudo correu bem no país. Só quando a Standard & Poor's fez uma avaliação negativa da dívida soberana é que os partidos belgas foram obrigados a ultrapassar o impasse e chegar a um acordo de coligação.

São evidências do enfraquecimento global dos poderes. Estes limitam-se, cada vez mais, a alimentar um teatro que sobreavalia a capacidade dos políticos para resolverem problemas; teatro que, ao mesmo tempo, subavalia a habilidade dos mesmos políticos para criarem problemas.


10/Junho
Tem sido muito interessante acompanhar a reflexão que se seguiu ao lançamento, em Maio, do último livro de Timothy Garton Ash — “Free Speech: Ten Principles for a Connected World”.

Segundo o autor, a liberdade de expressão está na defensiva desde o prodigioso ano de 1989 e dos seus quatros acontecimentos “seminais”: a queda do muro de Berlim, o aparecimento da internet, o massacre de Tiananmen e a fatwa contra Salman Rushdie.


17/Junho
O papel higiénico é um clássico do desabastecimento comunista. Falha sempre.E, portanto, tinha que falhar no chavismo. Regime que, nos dezasseis anos em que governa a Venezuela, já derreteu mais de um bilião de dólares de proventos do petróleo — um balúrdio que dava para pagar bem mais do que uma dúzia de bancarrotas socráticas.

24/Junho
Daquele negócio [Banif ] sobrou um buraco de 2.255 milhões de euros para tapar: 489 milhões pelo Fundo de Resolução e 1.766 milhões por nós, pagadores de impostos. Esta segunda verba foi logo aviada em Fevereiro através de uma emissão fechada de dívida pública, sem consulta ao mercado, junto do... Santander.

A partir de então, a geringonça tem atirado as culpas para cima da caranguejola e a caranguejola para cima da geringonça. Ambas estão cheias de razão: esta longa campanha eleitoral de 2015, 2016 e 2017 vai custar-nos os olhos da cara. E aqueles 1766 milhões de euros vão ser pagos por nós, os nossos filhos e os nossos netos.


1/Julho
O ensino superior público é percepcionado pelas pessoas como melhor do que o ensino superior privado. Pelo contrário, o ensino não superior público é, em geral, visto como pior do que o ensino não superior privado. Acabar com exames e meter provas de aferição faz-de-conta, como foi feito pelo infelizmente ainda "ministro" da educação, só veio agravar ainda mais esta percepção.

Quem pode põe os meninos nos colégios para, depois, mais facilmente eles entrarem nas melhores universidades públicas. Quem não pode, sujeita-se ao eduquês facilitista das escolas públicas.

Esta polémica dos contratos de associação não serviu, nem um bocadinho, para resolver o problema da má imagem das escolas públicas. E resolver isso é que é essencial.

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No referendo do Reino Unido não ganhou nenhuma ideia "anti-neoliberal" ou "anti-austeritária". O Brexit não foi de esquerda, foi de direita populista e identitária, foi voto nacionalista e anti-imigração.

Percebeu, Catarina Martins?
Evite brincar com fósforos junto da gasolina referendária. Deixe esses incêndios para Marine Le Pen.


8/Julho
Dirijo-me especialmente aos leitores mais novos, lembrando o aviso de Daniel Innerarity: "dívida é ocupação do futuro", do vosso futuro, dívida é impostos que vocês vão pagar, com o vosso trabalho. Leiam o livro daquele filósofo basco* de esquerda: "O Futuro e os seus Inimigos".

Meus caros, não se esqueçam: quando a "Europa" impõe menos défice aos governos, ela está do vosso lado, está a impedir que políticos egoístas, velhos ou novos, ocupem ainda mais o vosso futuro com dívida.

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No Reino Unido, 64% dos eleitores com menos de 25 anos votaram pela permanência do país na União Europeia. Por sua vez, os eleitores de 65 ou mais anos votaram maioritariamente Brexit (58%).

Esta fractura geracional é feia de ver.

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Em Portugal, a fractura entre os interesses dos jovens e dos velhos não é na questão europeia, é na dívida.

E há ainda outra fractura pronta para ser explorada por políticos novos que queiram correr com os instalados: a que se vai agravando entre quem vive do orçamento de estado (com ou sem horário de 35 horas) e quem o paga (com desemprego ou trabalhando 40 ou mais horas).

22/Julho
O “Viseu Terceiro” não contempla projectos plurianuais. A câmara, entre a continuidade sólida da acção cultural e o fogo-de-artifício do “evento”, tem preferido o segundo. É legítimo. Mas é contestável. Ficará para o debate eleitoral autárquico do próximo ano, se os partidos acharem por bem.


29/Julho
Em democracia a mudança do pessoal político faz-se através do voto, em ditadura faz-se com um golpe de estado, com maior ou menor derramamento de sangue.

Os democratas temem eleições, os ditadores, não. Mas temem tudo o resto. Com o passar do tempo, os autocratas ficam com medo até da própria sombra.
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Dos 250 milhões de euros gastos por ano em livros escolares, 200 milhões é dinheiro estragado.

Quando é que o ministério deixa de dificultar a vida a quem quer fazer reutilização dos livros usados? Quando é que se começam a usar mais os suportes electrónicos e a internet? Quando é que se acaba com esta irracionalidade financeira e ecológica, este peso estúpido no orçamento das famílias e nas mochilas dos alunos?

5/Agosto
Todos os dias saem nomes para a Caixa Geral de Depósitos. Entre administradores executivos e não-executivos, aquilo já dá para duas equipas de futebol. Quando é que eles entram em campo? Mário Centeno dá conta do recado ou é preciso chamar Jorge Mendes?

12/Agosto
A tendência destas quatro décadas, quer na evolução legal quer na prática, tem sido de reforço da visibilidade e dos poderes dos presidentes, o que faz sentido: as pessoas votam no presidente da câmara e é a ele que pedem contas, não é aos vereadores.

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Os presidentes de câmara deviam poder remodelar as suas equipas e as assembleias municipais deviam poder destituir o presidente da câmara.



19/Agosto
No segundo trimestre, a CGD perdeu 1,4 mil milhões de euros de depósitos.
É o que dá a conversa mal parida sobre imparidades e buracos no banco público e meses atrás de meses sem nenhuma decisão.

26/Agosto
Obama ainda não se foi embora e já deixa saudades. São assim as democracias: é bom a limitação de mandatos mandar Obama embora, faz-nos lembrar os patéticos Putins e Zedus a caruncharem grudados à cadeira do poder.

O maior falhanço de Barack Obama foi não ter conseguido encerrar Guantánamo, esse offshore judicial vergonhoso que chegou a ter 779 prisioneiros e ainda tem 61. Os seus maiores sucessos foram a criação de um serviço de saúde para todos os norte-americanos e o crescimento económico pujante que colocou a taxa de desemprego abaixo dos 5%.
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Há-de chegar o tempo para sentar Bashar al-Assad, assassino do seu próprio povo, no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional.



2/Setembro
A Feira de S. Mateus soube reinventar-se, está melhor, tem uma programação civilizada, há mais espaço para as pessoas. O regresso do Picadeiro merece aplauso.

Já a velha conversa que corre por aí do“vamos-chegar-ao-milhão-de-visitantes” só interessa mesmo aos torniquetes das entradas.

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Proibir o burquini é ridículo. Proibir a burca e o niqab, que tapam a cara, é necessário. Defendi-o aqui em 23 de Março, num texto difícil que continua a fazer doer o meu espírito liberal e avesso a proibições.


9/Setembro
Como as coisas estão [no Mercado 2 de Maio], a câmara tem duas alternativas:
(i) convencer Siza Vieira a mudar o pavimento e utilizar árvores de crescimento rápido que assombrem aquela praça no Verão e a desassombrem no Inverno;
(ii) lançar um novo concurso de ideias com cabeça, tronco e membros, inatacável em termos jurídicos e conceptuais.

Era bom para Viseu que António Almeida Henriques tentasse com determinação a primeira alternativa junto do bom-senso do mestre.


23/Setembro
“Fase do nervoso miudinho”: começa agora e irá em crescendo até ao dia das eleições; maiores dores-de-cabeça dos líderes distritais: o social-democrata Pedro Alves vai ter pesadelos terríveis com Lamego e o socialista António Borges, insónias com o periclitante presidente que pôs à frente da “sua” Resende.



30/Setembro
A malta que estava sempre com o paleio da sinergia na boca deixou-se disso e vende agora, com o mesmo entusiasmo, “start-ups” e “empreendedorismo”.


21/Outubro
As nossas alegres casinhas, tão modestas e longe do mar, agora já não têm o bem-bom da isenção de IMI e estão à mercê dos xutos e pontapésde um estado sem pilim nem vergonha na cara, que, em vez de diminuir despesa, todos os anos aumenta os impostos.

Mais 47% de IMI. Em quatro anos.


4/Novembro
Numa iniciativa da campanha do PS das últimas autárquicas defendi que toda a actividade cultural do município devia ser pensada e integrada no lema “Viseu, cidade das histórias”.

Quando, no seu discurso, referiu “Cidade de Estórias” parecia apontar nessa direcção. Penso que esta ideia — “Viseu, cidade das histórias” — tem pernas para andar e pode ser uma nossa marca distintiva, tornando-nos conhecidos no país e no mundo, se as coisas forem feitas com profissionalismo, competência e talento.

Por duas razões:
(i) porque é original, não conheço nenhum município com essa visão global para a sua oferta cultural;
(ii) porque toda a gente, de todas as idades e condições sociais, gosta de histórias, e todas as actividades culturais contam histórias.

11/Novembro
Basta ver a guerra no Facebook dos dois rebanhos — geringôncicos versus caranguejolos — para perceber que o que faz mexer as pessoas agora é tudo menos a verdade ou a troca racional de argumentos ou a procura de uma descrição ajustada da realidade. Uma maré de bílis leva tudo à frente.

Há quem ganhe muito dinheiro com a política da pós-verdade. Mesmo em Portugal. Entre 2005 e 2015, o autor do blogue socratista Câmara Corporativa recebeu 426 mil euros (3550 euros por mês).

18/Novembro
Trump, além de ter derrotado o poder mediático, derrotou também o poder académico armado em guru do que é permitido e do que é proibido dizer. O milionário conquistou milhões de votos de gente intimidada pelos “chuis da linguagem” do politicamente correcto que vão queimando as pessoas que não sabem dizer as palavras certas — gente que Hillary chicoteou como “deploráveis”, durante a sua desastrosa campanha.

25/Novembro
A menos de um ano das autárquicas, nada no concelho de Viseu faz abanar a tranquilidade de António Almeida Henriques.

O CDS é um vácuo chamado “falta de comparência de Hélder Amaral”. O seu vereador sobresselente bem se esforça, mas não foi nele que as pessoas votaram.

O PS nem contra o orçamento municipal do PSD para o próximo ano conseguiu votar.

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O comissário Pierre Moscovici, em pleno parlamento português, acaba de afirmar que Portugal é o seu “melhor aluno”. Nem Catarina Martins nem Jerónimo de Sousa rasgaram as vestes perante aquela sobranceria eurocrata.

A geringonça na “Europa” agora já não ladra, nem morde, nem engrossa a voz, nem bate o pé.


2/Dezembro
Durante a discussão do orçamento, quem se atreveu nas redes sociais a criticar Mariana Mortágua, para além do trivial carimbo de “machista”, levou também com o de “idadista”.

“Idadismo” equivale, em bloquês, ao direitolas “peste grisalha”.



9/Dezembro
O ex-dono-disto-tudo faliu a PT, esfandingou as poupanças de milhares de fregueses, pôs o espírito santo numa fossa funda, mas, apesar disso, a nossa “justiça” acaba de decidir que ele já pode ir flautear-se para fora do país.

Estes fffff todos são para não escrever a palavra começada por éfe em que o leitor está a pensar. 

2 comentários:

  1. Encontrei um graffiti com a seguinte frase:"Melhor que seres conhecido é seres alguém que vale a pena conhecer."
    Bem haja,Sr Gato por nos obrigar a pensar.

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    1. Obrigado, JB, pela tua presença que enriquece este modesto estabelecimento.

      Vou publicar esse graf que me mandaste por e-mails.

      Bom 2017!

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