terça-feira, 5 de abril de 2016

O macho

Fotografia de Raymond Cauchetier

O macho não é menos a alma,
nem é mais:
ele também está no seu lugar,
ele também é todo qualidades,
é acção e força,
nele se encontra
o fluxo do universo conhecido,
fica-lhe bem o desdém,
ficam-lhe bem os apetites e a ousadia,
o maior entusiasmo e as mais profundas paixões
ficam-lhe bem: o orgulho cabe a ele,
orgulho de homem à potência máxima
é calmante e excelente para a alma,
fica-lhe bem o saber e ele o aprecia sempre,
tudo ele chama à experiência própria,
qualquer que seja o terreno,
quaisquer que sejam o mar e o vento,
no fim é aqui que ele faz a sondagem.
(Onde mais lançaria ele a sonda,
senão aqui?)

Sagrado é o corpo do homem
como sagrado é o corpo da mulher,
sagrado — não importa de quem seja.
É o mais humilde numa turma de operários?
É um dos imigrantes de face turva
apenas desembarcados no cais?
São todos daqui ou de qualquer parte,
da mesma forma que os bem situados,
da mesma forma que qualquer um de vocês:
cada qual há-de ter na procissão
o lugar dele ou dela.

(Tudo é uma procissão,
todo o universo é uma procissão
em movimento medido e perfeito.)

Saberão vocês tanto, de si mesmos,
que ao mais humilde chamem de ignorante?
Consideram-se com todo direito a uma boa visão
e a ele ou ela sem nenhum direito a uma visão?
Acham então que a matéria se fez coesa
na inconsistência em que flutuava
e que a crosta subiu e se fez chão
e as águas correm e brotam as plantas
para vocês, só — para ele e ela, nada?
Walt Whitman

3 comentários:

  1. O Macho do Podemos passa férias na Venezuela!!!!
    Em quem Podemos acreditar?
    Fonix...

    ResponderEliminar
  2. Um dos maiores erros do Bloco foi ter-se colado a este ditadorzito em embrião.
    O Pablo Iglesias era um aprendiz de Hugo Chavez!
    Touché!

    ResponderEliminar
  3. O “olho de gato” continua felino nas opções literárias que faz. Trouxe-nos, desta vez, Walt Whitman, um americano que mereceu a canonização daquele que, para mim e para muitos, é “apenas” o melhor crítico literário de todos os tempos: Harold Bloom. Parabéns, Alex, por saberes manter o bom gosto e a exigência nas tuas escolhas. Mais um bom serviço prestado às belas letras.

    ResponderEliminar