quinta-feira, 28 de abril de 2016

Havana Blues*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 28 de Abril de 2006


1. No princípio de Abril, numa sessão do Cine Clube de Viseu, vi Havana Blues. Este filme foi realizado por Benito Zambrano, um espanhol nascido na Andaluzia e que fez os seus estudos de cinema em Cuba.

Em Espanha, “Havana Blues” foi visto por mais de 300 000 pessoas, na altura do seu lançamento, na Primavera de 2005.

Em Portugal, este filme está a ter uma carreira comercial modesta e é pena. É um bom filme a ver em cinema ou em DVD; a banda sonora de “Havana Blues” merece também ser metida num CD ou num MP3 para alegrar as nossas viagens de carro.

2. O filme mostra-nos o underground musical de Havana. Os protagonistas, Ruy e Tito, têm um sonho: sair de Cuba e triunfar na cena musical internacional.

O realizador diz que Cuba é só o cenário e que o filme fala daquilo que circula dentro das veias de todos os humanos: o amor, o ciúme, a amizade, o medo, o desejo de triunfar, a dúvida. Benito Zambrano diz: “o meu filme é sobre sentimentos universais”. Isso é verdade e o filme é belo por isso.

Mas Cuba não é só o cenário do filme. A ditadura cubana obriga aquelas personagens àquela vida. Comove ver aquela gente ser assim, apesar de Fidel. Mas a vida daquela gente é assim por causa de Fidel.

3. O mais insuportável nas ditaduras é que elas colocam os seus cidadãos perante dilemas morais todos os dias. Era assim, antes do 25 de Abril de 1974, em Portugal, terra de medos e de bufos da Pide.

É assim ainda em Cuba. Como é evidente, não vou revelar no Olho de Gato qual é o dilema que é colocado no filme a Ruy e Tito. É um dilema dali, de Cuba, daquela gente, daquele país congelado, à espera que a biologia cumpra o seu papel e Fidel Castro saia de cena. De vez.

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