sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Surdina *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. A crise sistémica global estoirou no Outono de 2008 quando faliu o Lehman Brothers. O que aconteceu nestes seis anos é razoavelmente conhecido embora ainda não bem compreendido.

Os Estados Unidos, e não só, estão, desde então, a “tipografar” dinheiro com fartura o que costumava significar inflação. A Alemanha fez isso nos anos de 1920 e foi uma tragédia. Na crise que vivemos, os preços nos países mais endividados estão sob controle. Há duas teorias que tentam explicar isso:
(i) a inflação está a ser exportada para os países emergentes;
(ii) a liquidez chega aos bancos e estes, afogados em activos tóxicos, não a põem a circular.

Se as profecias de hiperinflação falharam, todas as previsões pessimistas sobre o comércio mundial e a globalização falharam ainda mais clamorosamente. Nenhum país relevante na economia mundial se fechou ou aumentou taxas aduaneiras por causa desta crise.

Isso é bom: em 1980, a classe média mundial era de mil milhões de pessoas; em 2012, já era de dois mil milhões; em 2020, prevê Homi Kharas do Brookings Institute, chegará aos três mil milhões. Isso deve-se ao comércio livre e a uma cada vez maior circulação de pessoas, ideias, capitais e bens.

O que a nossa esquerda diz da globalização é centrado no umbigo do ocidente. Os chineses e os indianos têm tanto direito a ter um carro como o professor "alter-mundialista" Boaventura Sousa Santos.

2. Na última assembleia municipal, um António Almeida Henriques vago e enigmático queixou-se de “alguma oposição” (sic) que, em “aparente surdina” (sic) e “má-fé” (sic), espalha “boatos” (sic) e alimenta "rumores" (sic).


Fotografia Olho de Gato
Ora, José Junqueiro, desde o seu fundíssimo 13º lugar na lista das europeias, não tem dito nada audível. Hélder Amaral ainda menos: vai-se fazendo substituir no Rossio por um vereador sobresselente anódino.

Quem será aquela rumorejante “oposição” cuja “surdina” tanto incomoda o presidente da câmara de Viseu?

2 comentários:

  1. A oposição híbrida.

    Por falta de tempo (e provavelmente interesse) reconheço que estou alheado da forma como tem decorrido a oposição ao executivo camarário.
    Neste contexto, agradeço aos blogues que nos vão dando uma informação rápida, concisa e precisa sobre o assunto.
    Ficamos com a ideia de que o Presidente bem tenta puxar pela oposição, do tipo: ”digam lá qualquer coisinha, para isto animar, malta!”

    Mas o tipo de personalidades escolhidas para cabeças de lista, a sua incapacidade de penetrar no eleitorado do adversário e a desconchavada composição das segundas linhas só podiam trazer angústia e preocupação para quem desejava uma mudança no Rossio. A juntar a isto as ausências às reuniões, o que revelam falta de compromisso com o assumido. Não há mural no Facebook que salve esta história!

    Há um ditado que diz que “o povo ouve, olha mas não vê”.
    E quem aguardava uma oposição criativa tem ecos do silêncio….

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