Borlas nos autocarros e nabos*
* Hoje no Jornal do Centro
1. A câmara municipal de Viseu acaba de decidir transportes públicos gratuitos para os residentes no concelho, dando cumprimento a uma das mais emblemáticas promessas eleitorais do seu presidente, João Azevedo.
Para a concretização da medida falta agora a votação na assembleia municipal onde o PS, apesar de estar em minoria, não terá dificuldades na sua aprovação.
Causou-me surpresa a borla ser só para os residentes. Num primeiro olhar, esse “exclusivo” parece justo: quem paga o sistema com os seus impostos deve beneficiar, quem não paga, não. Mas, se pensarmos melhor, dificilmente a receita proveniente dos não residentes cobrirá os custos da bilhética — máquinas, cartões de residentes, validadores, fiscalização, pessoal administrativo, custos dos pagamentos electrónicos, controlos de fraude, manutenção tecnológica.
De qualquer forma, João Azevedo merece aplauso por ter honrado a sua palavra perante os eleitores.
A medida pode e deve ser afinada para o novo contrato de concessão que começa no segundo trimestre do próximo ano. Há que aumentar a quantidade e a qualidade da oferta de autocarros, colocar parques de estacionamento vigiados nas entradas da cidade e tornar o estacionamento no centro mais caro (para quem não usar os transportes públicos) e mais abundante e gratuito para os residentes.
2. Há uma semana, no Solar do Dão, Pedro Alves, perante o ministro Pinto Luz e as bases laranjas, afirmou que “não vai ser difícil recuperar a câmara de Viseu.”
Ora, se é assim como diz o novo presidente da concelhia do PSD-Viseu, se “não vai ser difícil recuperar a câmara de Viseu”, então, só um candidato laranja muito “nabo” é que não ganha em 2029.
Donde:
— ou Pedro Alves vai a votos contra João Azevedo;
— ou Pedro Alves não vai a votos contra João Azevedo porque nem ele próprio acredita naquela farronca.

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