sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Presidenciais*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


A campanha das presidenciais foi frugal e decente. E curta: enquanto a geringonça de António Costa não tomou posse, ninguém quis saber dos candidatos presidenciais. Depois o interesse pouco aumentou, deva-se dizer.

As eleições presidenciais de ano par (1976, 1986, 1996, 2006) têm posto um novo inquilino em Belém (Eanes, Soares, Sampaio, Cavaco). As eleições de ano ímpar (1981, 1991, 2001, 2011) têm reeleito o PR no cargo. As primeiras costumam ser animadas: em 1986 até houve uma segunda volta que elegeu Mário Soares. Já as eleições de anos ímpares têm sido sempre uma chateza — o incumbente passeou-se para uma fácil reeleição.

Ora, estamos em ano par — 2016. Porque é que, contra o costume, esta eleição presidencial está a ser tão desinteressante?


Imagem daqui onde pode encontrar mais detalhes
sobre os candidatos num trabalho feito pelo jornal Público


A resposta é óbvia: Guterres não quis ser PR e Marcelo quis. Se Guterres tivesse querido, Marcelo mantinha a vontade? Nunca se vai saber nem interessa. Nem tão pouco interessa especular agora sobre a provável segunda volta entre Marcelo e Rui Rio, se este se tivesse apresentado. Marcelo aproveitou a falta de comparência do PS e tem feito o papel de incumbente, mesmo não o sendo.

Maria de Belém está em perda. Sampaio da Nóvoa, com a sua retórica vazia a anunciar um evangélico “tempo novo”, deverá ter um resultado parecido com o de Manuel Alegre há cinco anos.

Henrique Neto foi o único candidato capaz de dizer o que pensa sem medo de perder votos; e o homem pensa bem. Esperava-se de Vitorino Silva (“Tino de Rans”) uma campanha histriónica e, pelo contrário, ele fez uma campanha com uma densidade humana que merece aplauso.

Em legislativas, cada voto rende €3,11 por ano ao partido que o recebe; em presidenciais, só os candidatos que obtêm mais de 5% têm subvenção pública para as despesas de campanha. Henrique Neto, Vitorino Silva, Marisa Matias e Edgar Silva mereciam chegar, pelo menos, aos 5%. Infelizmente, mesmo para estes dois últimos isso não parece assegurado.

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