sábado, 23 de janeiro de 2016

O gajo tem piada

João Soares podia ter feito um «alô! alô!, Centeno, tá lá?», podia ter mandado um "e-mail" a lembrar a célebre e esquecida reivindicação de 1% do orçamento para a cultura, mas, népias...


João Soares, ministro da cultura, 8.1.2016
Fotografia Museu Nacional Grão Vasco — Viseu
... em vez disso, o novo ministro da cultura preferiu aproveitar um microfone à sua frente no Museu Nacional de Grão Vasco de Viseu, e pediu a "ajuda divina" para que o seu orçamento fosse reforçado.

Este pedido de intercessão do altíssimo só pode ter uma interpretação: João Soares conta que Ele, o altíssimo, a seguir, faça um forward para o Terreiro do Paço, para o gabinete do ministro da fazenda e dos cabedais. Uma espécie de cunha. 

Para já, não se sabe se o altíssimo ajudou. No rascunho do orçamento só se sabe que a "gasosa" sobe cinco cêntimos, o "gasóil" quatro e que fumar continua a matar, mas mais caro. Não se sabe se, naquele draft — é assim que se deverá dizer em europês —, o livro de cheques do ministro João Soares engrossa ou não engrossa. 

Passemos dos entretantos aos finalmentes, e cheguemo-nos ao que importa: aquele pedido de intercedência da providência serviu de tema a Rui Macário, na edição de 15 de Janeiro do Jornal do Centro, num excelente texto intitulado: "O GAJO TEM PIADA" [OUVE-SE DE ALGUÉM ENTREDENTES]

Transcrevem-se os parágrafos finais:
"(...)
Posso incorrer num engano mas a "piada" do sr. "gajo" indicia três grandes linhas orientadoras quanto ao que esperar do Ministério da Cultura e sua acção:

Rui Macário
(fotografia abduzida do FB do autor
e sem a sua prévia permissão)
1. O desafio da pasta foi entregue não a um "agente cultural" mas sobretudo a um político; sem desvarios de Vogue (como Gabriela Canavilhas) ou estrépitos de economicidade da língua portuguesa (como Pinto Ribeiro). JS vem com peso político e tarimba q.b.

2. Garante que há um Ministério da Cultura (a esquerda a isso obriga); e um ministro que consiga ir por esse país fora, dizer aos municípios que têm feito pela vida sem o Estado que o continuem a fazer — verdade seja dita, Viseu tem por onde recolher os benefícios de uma boa comunicação e algumas boas apostas neste domínio (falta, ainda e ainda, uma estratégia para a Cultura e para o Património).

3. Não negociará políticas culturais — leia-se o programa eleitoral do PS e a imagem não esmorece — antes políticas locais de valência cultural. Ou seja, vem aí uma legislatura de "Patrocínios Morais" sem comparticipação financeira, para lá da mínima obrigatória (em Óbidos disse que a nova Cidade Criativa da UNESCO pode esperar tudo menos dinheiro).

Se o supra indicado estiver correcto, JS vai ficar a conhecer o país como ninguém e terá começado a Nova Vaga de municipalização do que poderia ser um sector de referência."

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