sábado, 15 de março de 2014

É mal de enigmas não se decifrarem a si próprios

Fotografia de Mathias Vriens-McGrath


É mal de enigmas não se decifrarem a si próprios.
Carecem de argúcia alheia
e da retórica.
Procuram uma qualidade
em pedra e cal.

(Repelem-na,
ao mesmo tempo.
Tal é a condição dos enigmas.)

Quedam-se por aí:
esguios ao tacto,
ocos de imagem,
ferozes no seu silêncio.

Dignos e sós
como um concerto de violoncelo.
José Almino

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