sábado, 29 de junho de 2013

Ilustrísssimo Pedro Alves, faz bem em preocupar-se com a estabilidade da mobilidade dos profs

Como sabe, sou um seu leitor atento.

O terceiro parágrafo da sua última excelente análise que publicou em pelo menos dois órgãos de comunicação social locais (li-a no Diário de Viseu e no Viseu Mais) é particularmente estimulante:

«Todos sabemos que ser professor é já por si uma profissão itinerante, provavelmente a mais itinerante das funções sociais do estado. Que o digam os professores dos quadros de zona pedagógica que nunca conheceram outra condição que não a da mobilidade. Ou mesmo os contratados que certamente reclamam a estabilidade que a mobilidade possa conferir. »


Vamos por partes:

1. «Todos sabemos que ser professor é já por si uma profissão itinerante, provavelmente a mais itinerante das funções sociais do estado.»

O ilustríssimo deputado Pedro Alves segue, e segue muito bem, a doutrina Ricardo Araújo Pereira que considera que bons profs são profs nómadas, ciganos, perdão, de etnia cigana (o politicamente correcto poupa em tudo menos nas palavras, como sabe). 

2. «Que o digam os professores dos quadros de zona pedagógica que nunca conheceram outra condição que não a da mobilidade.»

Ora aí está a doutrina Ricardo Araújo Pereira no seu esplendor: como os profs são nómadas, são ciganos, perdão, são de etnia cigana, como eles nunca conheceram outra condição que não a de nómadas, de ciganos, perdão, da etnia cigana, então eles que arranjem umas Ford Transits, ele há feiras, perdão, ele há escolas separadas por centenas de quilómetros, há que meter o corpo à estrada e tratar de ganhar a vida.

3. «Ou mesmo os contratados que certamente reclamam a estabilidade que a mobilidade possa conferir.»

Devo-lhe dizer que adoro este seu raciocínio, caríssimo e ilustríssimo Pedro Alves, "a estabilidade que a mobilidade possa conferir", e devo-lhe confessar que na primeira leitura, decerto por minha insuficiência, não percebi na sua exacta plenitude onde queria chegar com  este: "a estabilidade que a mobilidade possa conferir". 

À terceira leitura, finalmente, percebi-o, meu caro. 

O algoritmo mental que o ilustríssimo Pedro Alves executa com este seu "a estabilidade que a mobilidade possa conferir" é sofisticado: é um raciocínio pneumático.

O que o ilustríssimo Pedro Alves quer dizer é que a "estabilidade" na "mobilidade" só se obtém com uns bons pneus. 

Esteja descansado, meu caro: os profs arranjam uns bons pneus — daqueles que tanto agarram em piso seco como em piso molhado — quando receberem o subsídio de férias. Lá mais para o Natal.

3 comentários:

  1. Este post mostra uma diagnose perfeita (com elevação de raciocínio)! Só um ser ( pouco pensante) pode fazer afirmações diacrónicas daquela ordem num contexto hodierno.Professor= profissão "cigana", é muito mais para além do "conceito grupal de etnia",é uma distorção da capacidade de mobilidade em contexto profissional, da resistência física, da dignidade ( a exaustão condiciona a vida própria, familiar e profissional).

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  2. «Todos sabemos que ser professor é já por si uma profissão itinerante, provavelmente a mais itinerante das funções sociais do estado. »

    Que tal dizer...irá o Governo fazer tudo para que esta situação se inverta?
    Saberá o este Senhor Pensante o que é de extenuante a Profissão de PROFESSOR? e Já agora, o carácter Nobre do Ofício? Da função Social do Estado? EDUCAÇÃO? não me parece.....

    No artigo do Viseumais este Senhor Pensante...refere que atravessamos período difícil etc e tal e há cada vez menos alunos...pois, se calhar convinha era perceber PORQUE há cada vez menos alunos (claro que ele percebe, mas não lhe convém para o caso).

    Eu começo a a ficar preocupado, é gente assim que se apresenta para dirigir os destinos de Viseu? bem que podem ficar pelas alcatifas vermelhas da capital...Apre!!!

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  3. Esse Pedro Alves é também um nómada!

    Ajudou a FALIR a Câmara Municipal de Nelas e foi parar à Assembleia da Republica. Quem é esta personagem para falar dos professores? O que é que esta personagem já fez na vida a não ser ser um BOY????

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