quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Um Deus Surdo

Fotografia de Louis Stettner





Ó quem me dera ter outra vez vint’anos
navegar no ignoto sem portulanos
o peito feito para os da vida enganos
era sensacional ó hermanos

quem dera o brandy com castelo
o dedo ao arrepio do pêlo
o romanticismo do desvelo
e tudo isto fingindo um grande anelo

quem dera agora uma vez mais
o rápido de Irún no cais
a solicitude quente dos pais
ai eu tirando de ouvido muitos ais

ó quem dera e outra vez viera e dera
a ruminante paciência que há na espera
o mistério lento da Primavera
o emblema desenhado pela namorada: uma hera
Fernando Assis Pacheco


Sem comentários:

Enviar um comentário